Teologia Calvinista
Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus Ef2.8
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February 4, 2012


Novo site Teologia Calvinista. Acesse

http://sites.google.com/site/estudosbiblicossolascriptura/

O site Teologia Calvinista estava hospedado no Teu Ministério. Teu Ministério é uma parceira da SBB com For Ministry. Parece que eles abandonaram esse projeto, com isso este site Teologia Calvinista não esta funcionando muito bem, está lento e com alguns probleminhas, mas ainda todos os estudos podem serem lindos. Mas em função disso criamos um novo site e reorganizamos seu conteúdo em forma de estudos seqüencial. O novo site é mais leve e agora é possível baixar todos os estudos em pdf. Acesse http://sites.google.com/site/estudosbiblicossolascriptura/


*Vida Cristã

Cosmovisão Cristã (uma explicação simples)

I - Afinal, que bicho é esse de que tanto se fala?

Você vai ouvir cada vez mais a palavra Cosmovisão. Apesar dela não fazer parte de nosso vocabulário diário, ela sempre foi muito usada nos meios teológicos e filosóficos e é imprescindível que o resto de nós, leigos, tenhamos a compreensão do que ela representa. É um pássaro? É um avião (até rima)? É um bicho exótico - e será que ele morde?
Simplificadamente, cosmovisão é a compreensão que uma pessoa tem do mundo, do universo que a cerca, da vida. O alemão expressa esse significado com a palavra weltanschauung. O inglês, como worldview, ou com a combinação: world and life view. O significado, principalmente no alemão, abrange mais do que simplesmente a visão do universo físico. É nesse sentido que a devemos utilizar. Para o cristão, a cosmovisão cristã vai colocar o entendimento do universo como criação de Deus, e todas as esferas de conhecimento, possíveis de estarem presentes na humanidade, como procedentes do Deus único e verdadeiro, Senhor do universo, comunicadas a nós por Cristo “...no qual estão escondidos todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento (Cl 2.3)”.
Disse que você vai ouvir cada vez mais esta palavra, porque está em andamento uma movimentação muito intensa, no meio evangélico, para estabelecimento de escolas evangélicas, que ensinem todas as matérias a partir da perspectiva cristã da vida. Para isso, há a necessidade de que se ensine e se dissemine uma cosmovisão cristã. A fé cristã deixa de ser uma “questão religiosa” para o domingo, mas volta a assumir o seu posto original, e que havia sido resgatado pela reforma do século 16.

O curioso, é que esse movimento por escolas cristãs, tem características interdenominacionais. A fé reformada sempre enfatizou a questão da cosmovisão cristã. Agora, esse tesouro está sendo procurado por segmentos que até pouco tempo rejeitavam qualquer coisa que tivesse o mais remoto relacionamento com o calvinismo. O que pregadores e autores, durante anos, não conseguiram, Deus, em sua soberania, está fazendo – com a absorção, pela necessidade, dos conceitos transmitidos na idéia de uma cosmovisão cristã.
Nesse sentido, Deus tem sido pregado como soberano real do universo em comunidades teologicamente arminianas. Escolas de igrejas que “fogem” da teologia reformada, não piscam quando livros tais como: Calvinismo (de Abraham Kuyper) e E Agora, Como Viveremos (que tem como co-autora Nancy Pearcey – que estudou com o filósofo e teólogo calvinista, Francis Schaeffer), são recomendados, apresentados e suas idéias ensinadas. Tais círculos têm compreendido que é impossível se praticar a verdadeira educação das esferas de conhecimento, sem a coesão proporcionada por uma cosmovisão cristã reformada, na qual Deus é verdadeiramente regente do universo, e não um mero espectador, que reage às circunstâncias, procurando “consertar” as coisas.
Por isso é necessário que o pastor e líder cristão, e até nós, leigos, tenhamos uma boa compreensão deste tema. Porque precisamos também orientar os irmãos e familiares nesse entendimento. Cosmovisão cristã, também, tem tudo a ver com o estudo de Governo e Economia, e outras áreas de conhecimento e de atividades humanas que, para serem adequadamente compreendidas e exercitadas, não podem ser divorciadas dos princípios contidos nas Escrituras.

É óbvio que para o desenvolvimento de uma cosmovisão cristã é crucial a pertinência e a necessidade da Palavra de Deus, para compreensão e envolvimento nosso, com o mundo em que vivemos. Mas, nesses posts, agora, quero focalizar a nossa atenção no conceito de cosmovisão, mostrando como existe um relacionamento de todas as atividades humanas, com o rumo traçado nas Escrituras para a criação.
Falar em cosmovisão no singular ou sem qualificá-la, somente, não resolve. Cada filosofia, cada forma de ver e entender as coisas, é uma cosmovisão em si. Norman Geisler diz que a “cosmovisão é análoga à lente intelectual através da qual as pessoas vêem a realidade. A cor da lente é um fato fortemente determinante para contribuir o que elas crêem acerca do mundo”. Ele continua, indicando que toda cosmovisão “procura explicar como os fatos da realidade se relacionam e se ajustam uns aos outros”. Além disso, a cosmovisão se preocupa com “as conseqüências lógicas associadas a viver de acordo com as convicções” sustentadas como verdadeiras.[1]
Por isso, devemos considerar sempre a cosmovisão cristã. Nossa lente são as nossas premissas. Nossas premissas são verdadeiras, porque se fundamentam na revelação de Deus ao homem – As Escrituras. Não precisamos pedir desculpas por nossas pressuposições, apenas devemos reconhecê-las claramente e demonstrar que todas as demais cosmovisões possuem suas próprias pressuposições. Quando falamos de cosmovisão cristã, portanto, já expressamos o entrelaçamento de nossa visão do universo e da vida, com as premissas da nossa fé cristã, reveladas de forma objetiva e proposicional nas Escrituras.
No próximo post vou dar um tratamento resumido sobre o relacionamento da fé cristã com algumas áreas do conhecimento humano.

II - Áreas de Conhecimento

Gostaria de dar um tratamento resumido sobre o relacionamento da fé cristã com algumas áreas do conhecimento humano. Isso, obviamente, não tem qualquer pretensão de esgotar a questão - meramente arranhamos a superfície. [2]

Matemática
Deus é trino – uma trindade. Ele é, igualmente, um único Deus. Nisso entendemos porque temos tanto unidade como diversidade na criação. Podemos ver nisso uma base para unidade e diferenciação na matemática.
A Bíblia nos ensina que o criador é Deus de ordem (1 Co 14.33 – “... Deus não é Deus de confusão...”). Quando estudamos o universo, criação de Deus, verificamos a ordem matemática das estruturas. A criação é governada por leis matemáticas, por seqüências lógicas (Sl. 19.1-2), que refletem o caráter daquele que a formou. Muitas leis da criação são definidas em termos da matemática. Observamos uma precisão maravilhosa na natureza e na física. Isso deve nos levar a exaltar a pessoa de Deus, constatando que essa precisão só é possível porque emana dela.
Os princípios matemáticos não variam; as fórmulas e equações demonstram coerência a toda prova. A matemática é, portanto, uma ferramenta básica ao estudo da obra criativa de Deus. A matemática nos auxilia a descobrir as leis físicas da criação e os modelos nela colocados por Deus. É impossível, para nós, entendermos a criação divina, sem a dádiva da matemática. Sem ela não teríamos como medir o mundo de Deus. A matemática é uma das ferramentas que Deus deu ao homem para que ele exercesse o seu domínio sobre a criação (Gn 1.28). Todos os campos de conhecimento demandam planejamento, cálculo de percurso e avaliação de resultados – no sentido de que as responsabilidades recebidas de Deus sejam bem desempenhadas. A matemática tem papel fundamental, quer seja em negócios, engenharia, arte, ciências, governo, economia, etc.
O estudante cristão, ao dominar a matemática, está contribuindo para o avanço do Reino de Deus, na terra, quando exercita esse conhecimento para a glória dele e se empenha no cumprimento do mandato cultural, de dominar a terra e sujeitá-la, recebido no início da criação.

Ciência
Ciência é o estudo próprio da criação de Deus. Os fatos da criação somente podem ser entendidos apropriadamente, quando olhados através das lentes das Escrituras. A Palavra de Deus nos ensina que a questão das origens, mesmo se constituindo uma base para ciências, é, acima de tudo, uma questão de fé, de pressupostos, de postulados. Hb 11.3, ensina: “Pela fé entendemos que os mundos foram criados pela palavra de Deus; de modo que o visível não foi feito daquilo que se vê”. Mas quando a ciência, os fenômenos observáveis da criação, são estudados partindo da informação Bíblica de que Deus é o criador, tudo adquire sentido, coerência e forma.
O estudo das ciências revela a glória de Deus (Sl 19.1), o poder de Deus, a beleza da obra de suas mãos e a arquitetura, com similaridades, nas suas criaturas – indicando procedência criativa de um ser todo-poderoso, pensante. A criação foi efetivada pela sabedoria divina e o homem é parte dela, tendo sido chamado a subjugá-la para a glória de Deus. Ainda no Jardim do Édem, Deus assinalou ao homem a tarefa de regência sobre os animais e plantas, na guarda da terra. Sob a autoridade de Deus, ele deveria cultivar a terra, cuidar dela e desenvolver cada aspecto do conhecimento sobre esta mesma terra, para a glória de Deus. Certamente o conhecimento das ciências esteve presente em Adão, para o cultivo da flora e classificação da fauna.
Para que dominemos a terra, como Deus nos comanda, temos de adquirir o conhecimento científico sistematizado e organizado. Pelo estudo tanto das leis físicas como das demais criaturas, aqueles que assim o fazem na compreensão de que procedem de Deus, aprendem a utilizar esse conhecimento segundo os preceitos de Deus. Cada nova descoberta sobre o mundo e o universo criado por Deus, deve levar ao reconhecimento de que Jeová é único. Deve levar, igualmente, a um cuidado maior por essa criação divina. Para que isso ocorra, o estudo da ciência tem que estar subordinado à Palavra de Deus. Não é que a Bíblia virá suprir a todo o conhecimento necessário nesses campos, mas a criação nunca deve ser vista como algo que é independente do seu criador.
O cristão, e a cosmovisão cristã, vêem a criação como impossível de ser estudada – em coerência e verdade – sem considerações ao papel fundamental da pessoa de Deus (na criação e manutenção dela) e sem que sejam traçados os elos, de propósito e utilidade, aos preceitos das Escrituras. Quando essa conexão se faz ausente, caímos na falsa ciência (1 Tm 6.20) e na cosmovisão evolucionista que domina os círculos intelectuais contemporâneos descrentes, chegando a influenciar fortemente e confundir aos próprios cristãos.

Saúde
O propósito do estudo da saúde e da educação física é o cuidado dos nossos corpos para a glória de Deus. Essa perspectiva da cosmovisão cristã difere da compreensão contemporânea do chamado “culto do corpo”. Somente Deus é para ser cultuado e o fazemos com nossas mentes e corpos. Um corpo saudável nos possibilita o serviço diligente à causa do mestre e realizar os deveres que nos são comandados. Assim, os princípios de termos dietas saudáveis, o exercício sistemático, o descanso apropriado – são todas áreas de ênfase, nesta esfera de conhecimento, para que nossa saúde se mantenha em excelência, para a glória de Deus. Devido ao pecado as pessoas têm a tendência à preguiça e indolência. O exercício físico e os esportes, combinados com a santificação do caráter interno, condicionam o corpo ao comando da mente; encorajam o desenvolvimento da auto-disciplina.
A participação em competições encoraja as pessoas a se manterem dentro das regras estabelecidas e a aceitarem o direcionamento de pessoas em posição de autoridade, bem como ao trabalho em grupo e ao desenvolvimento das habilidades, pela prática constante. Praticadas sob princípios cristãos de comportamento, as competições esportivas ensinam a manifestar graça tanto na vitória como na derrota. Na cosmovisão cristã, as atividades relacionadas com a saúde e educação física, nunca são um fim em si, nem se sobrepõem a outros deveres humanos, mas são áreas que compõem e servem de base ao desenvolvimento de uma vida de serviço a Deus.

Geografia
Para que o homem exerça o domínio sobre a terra, como Deus comanda, ele necessita ter um conhecimento prático de geografia. Nesse estudo ele deve levar em consideração os dados da Palavra de Deus, bem como os relatos históricos do grande cataclismo que foi o dilúvio e seus efeitos sobre a aparência e configuração da terra. Ignorar este evento e suas implicações, é o caminho seguido pelos eruditos descrentes contemporâneos, mas as conclusões a que chegam divergem consideravelmente da realidade e veracidade à qual pode chegar aquele que possui uma cosmovisão cristã.
Aprendemos nas escrituras, igualmente, a origem das nações, no incidente da Torre de Babel. Considerando esse fato, o estudo terá um direcionamento mais adequado. O estudo da geografia possibilitará entender como as diferentes configurações, climas, limites e recursos afetam a vida e a economia das nações. Em uma cosmovisão cristã, estaremos vendo Deus como regente da história e das nações operando o seu plano soberano de forma linear, na terra. O estudo da geografia também nos possibilita o acompanhamento do avanço do Reino de Deus, na terra, e como podemos nos empenhar ao avanço das missões a cada terra e nação.

História
A Bíblia revela, claramente, que Deus é Senhor da história. Ele governa os povos e nações por intermédio de sua providência. Ele age tanto direta, como indiretamente na história, derramando bênçãos e executando julgamentos sobre a terra (Dt 28). A Palavra de Deus registra profecias e muitas dessas já foram cumpridas, demonstrando que não somente a história foi planejada por Deus, mas se desenrola de acordo com o seu propósito. Todos os aspectos da história (antiga, medieval, moderna e contemporânea) devem ser vistos como a regência soberana de Deus sobre os atos dos homens, na terra. Tantos os indivíduos como as nações devem prestar contas a Deus. A história e os atos de Deus, nela, nos ensinam a viver o presente.
Estudar a história, sem a perspectiva da cosmovisão cristã, leva a um conceito errôneo de que as seqüências de eventos são aleatórias e sem propósito. Deus se entrelaça com a história da forma mais intensa. Não somente regendo-a de forma transcendente, mas interagindo poderosamente com ela, em Cristo Jesus. Esse é o ponto chave da criação. Um estudo da história que considere a vinda e vida de Cristo apenas um pequeno incidente a ser (imperfeitamente) relatado, é um estudo distorcido e inconseqüente. O fato da queda, é histórico, e também um ponto chave na compreensão dos incidentes históricos subseqüentes, da maldade humana motivadora das guerras e dissensões, bem como na necessidade do Messias redentor.
A teologia verdadeiramente relacional, é a reformada, que apresenta o Deus soberano verdadeiramente se relacionando com a sua criação. História é o registro desses relacionamentos. O plano de Deus é convergir todas as coisas em Cristo (Ef 1.10). A história tem, conseqüentemente, um propósito. O seu significado e interpretação se acham na compreensão de Cristo.
História é mais do que uma crônica de nomes, datas, lugares e eventos. História é o estudo da moral e do pacto feito entre Deus e o homem. Todos os eventos anteriores à crucificação, levam a ela e apontam a ela. Todos os subseqüentes, levam à vitória final, profetizada e à exaltação de Cristo. O estudo da história, sob a cosmovisão cristã, revelará as tentativas fúteis de homens que procuraram estabelecer o reino dos homens, em vez de procurarem o Reino de Deus.
No próximo post, pretendo dar continuidade ao que entendo como Cosmovisão Bíblica, desta vez nas áreas - Sociedade, Governo, Economia, Cultura, Arte e Tecnologia.

III - Áreas de Conhecimento

Sociedade, Governo, Economia, Cultura, Arte e Tecnologia.
No post anterior iniciamos uma tratamento resumido de áreas da atividade em que estamos envolvidos ou de conhecimento, com a Palavra de Deus. A forma como observamos, abordamos ou procuramos entender essas esferas, se constitui em nossa Cosmovisão.

Sociedade
Na cosmovisão cristã, o estudo das sociedades, ou sociologia, começa com a pessoa de Deus, que subsiste em um relacionamento social eterno na trindade. A Bíblia enfatiza que Deus é unidade e pluralidade, bem como causa final de todas as coisas. Por isso, nas Escrituras, não encontramos nem o indivíduo nem a sociedade corporativa, um acima do outro. O cristianismo representa a única solução aos problemas gerados pelo humanismo que postula uma luta constante entre individualismo e coletivismo.
Em sua sabedoria infinita, Deus instituiu o relacionamento social primário e fundamental – a família, desde a criação. Esta é a célula principal de todas as demais ordens sociais, que foram se desenvolvendo conforme a providência divina. Procedem de Deus a formação do estado, da igreja e da família. Cada uma dessas áreas representa uma esfera de atividades e competências, com regras e limites específicos, sendo responsáveis perante Deus, na pessoa de seus líderes designados, para funcionarem dentro da esfera de autoridade específica que cada uma possui, como dádiva recebida de Deus. Esses direitos e responsabilidades foram adequadamente delineados e registrados na Lei santa de Deus. Deus criou o homem, portanto, como uma criatura social, à sua imagem.
A Bíblia também nos apresenta fatos sociais que devem ser ensinados. Por exemplo, existe extremo valor didático e muitos princípios a serem extraídos do estudo de como Deus se relacionou com o seu povo, em uma época e situação específica, no Antigo Testamento. Como aquela sociedade foi estruturada, por Deus, para resistir a fragmentação gerada pelo pecado. Quais os contrastes e similaridades daquela sociedade com os povos sem Deus que a rodeavam. A apresentação bíblica da ordem social é necessária para nos ensinar como Deus lida com a corrução moral e social em diversas ocasiões. A legislação moral encontrada na Palavra de Deus é uma ferramenta de análise das diversas estruturas sociais das nações e povos.
Quando analisamos a ordem social proveniente de Deus e a perversão dessa ordem, pelo homem pecador, compreendemos as diretrizes divinas para constituição de uma sociedade alternativa que verdadeiramente o glorifique. O que é distorcido pelo pecado, é restaurado pela graça de Deus. Cristo e a redenção nele encontrada, não somente restaura o relacionamento entre Deus e os seus chamados, mas, como resultado, o relacionamento entre homens, mulheres, crianças, raças e nações é também restaurado. A família cristã e a comunidade cristã – a igreja – deveriam sempre ser modelos firmes de um relacionamento social adequado no meio do caos do mundo contemporâneo – submerso em pecado.
Pela Palavra de Deus, a sociedade cristã é igualmente equipada a coexistir e sobreviver - fortalecida em Deus e por ele - em um mundo que pode ser hostil intelectualmente, ou até fisicamente violento contra o cristianismo e os cristãos. Nessas situações, a sociedade cristã não "joga a toalha" e se amolda aos valores e percepções anti-cristãs, mas permanece, como sal da terra e luz do mundo, testemunhando dos valores de Deus, procurando influenciar, em vez de ser influenciada, na expectativa de que ele, por sua graça comum, conceda momentos de vitórias onde tais valores venham a permear segmentos, bolsões, ou grande parte da sociedade. A história registra que Deus, por vezes, tem concedido tais tempos de refrigério ao seu povo.

Governo
O estudo correto do governo, ou das ciências políticas, na cosmovisão cristã, deve ser fundamentado na Palavra de Deus. O estudo da lei civil e do governo torna necessário a compreensão do padrão infalível de Deus, para uma adequada percepção do que é justiça e do que é injustiça. O governo civil se ocupa da promulgação da lei. Isso significa que sua esfera de atuação abrange a definição do certo e do errado. Certo e errado, entretanto, são conceitos que não podem ser divorciados de moralidade e moralidade está na essência da religião. Assim, governo civil é, por sua própria natureza, uma instituição religiosa – no sentido de que se rege pela religião (verdadeira, ou humanista) e presta contas a Deus (ou deixa de prestá-las, atuando como se fosse autônoma, para sua própria destruição.
O Antigo Testamento revelou o sistema legislativo para um governo civil. Deus, através de Moisés, supriu todo um povo, civilização e sociedade com um sistema completo de legislação civil e de governo. O decálogo, estabelece a base moral do governo. O exemplo do governo civil do Povo de Deus no AT, nos ensina separação de poderes; sistema de apelos e recursos; e um sistema de aferições contínuas entre os poderes.
Essa compreensão da teocracia veto-testamentária nos possibilita a análise comparativa de governos humanos, do passado e do presente, bem como de suas estruturas, leis e políticas. A cosmovisão cristã e o estudo desta área, leva aquele que estuda e se aplica nos princípios bíblicos a uma participação responsável no seu governo, exercitando cidadania responsável, tornando-se arauto da lei de Deus a uma sociedade sem Deus.
Reconhecemos que Deus trabalha de formas diferentes em eras diferentes (Hb 1.1-4) e que a legislação civil do Antigo Testamento foi promulgada para um povo específico, com propósitos específicos e com caráter temporal, não sendo normativa em seus detalhes à nossa sociedade. No entanto, a cosmovisão cristã procura estudar os princípios e valores contidos por trás daquelas legislações específicas e reconhece o aspecto didático desse estudo.
O entrelaçamento do governo (ou do estado) com a pessoa de Deus é claramente delineado no textus maximus dessa área - Rm 13.1-7, onde temos reafirmado o ensinamento de que Deus é a fonte da autoridade, que ela a delega a governantes humanos, mas que nem por isso eles deixam de ser responsáveis perante Deus e os homens, pelo desempenho correto de suas responsabilidades. Ali aprendemos, em adição, que tais responsabilidades são limitadas e não atribuidas para o exercício do despotismo; que elas são circunscritas a áreas específicas de manutenção da ordem, e não representam uma carta branca para a intromissão em todas as áreas das vidas dos cidadãos.
Em um post subsequente, deverei expandir um pouco mais essa visão bíblica do governo, ou do conceito do estado.

Economia
Deus é o proprietário da terra, a fonte de toda a riqueza. Ele é o dono de tudo e delega tal propriedade a quem lhe apraz. De Deus procedem, também, leis que governam a esfera da economia humana. Deus concedeu ao homem o direito de possuir propriedade privada, de ocupá-la ou desenvolvê-la, de objetivar a lucratividade e de definir como o a receita deve ser aplicada. No entanto, pelo próprio fato de que Deus é o Senhor de tudo e de todos, somos ensinados a exercitar todos esses direitos responsavelmente, como mordomos de Deus.
De acordo com as Escrituras, não faz parte das atribuições governamentais a regulamentação excessiva ou detalhada da economia, exceto na dádiva de garantias contra roubos e fraudes. A Palavra de Deus especifica a dignidade do trabalho e o direito do trabalhador de usufruir economicamente do seu trabalho. O exercício desses direitos deve se processar debaixo de diretrizes contidas na Palavra que produzem um sistema econômico que glorifica a Deus e demonstra sensibilidade às necessidades alheias. Esse sistema deve englobar e levar em consideração: o trabalho com afinco; a competitividade; os riscos do mercado. Esses fatores impelem os produtores e vendedores a utilizarem suas habilidades e recursos econômicos com muito cuidado, gerando produtos de qualidade crescente a preços mais razoáveis. O papel do governo, nessa esfera, é o de servir de árbitro – louvando os bons e punindo os maus – também na mercantilização, de acordo com os padrões da lei de Deus.
Riqueza não é uma conseqüência única de brutalidade econômica. A prosperidade econômica é possível vir como resultado das bênçãos divinas sobre o uso correto do trabalho empregado e da aplicação do lucro obtido. Harmonia produtiva, na esfera comercial, é fruto da graça comum de Deus, possibilitando as pessoas a seguirem suas leis (mesmo descrentes, que não as têm em suas mentes e corações). O cristianismo deve servir de intensa influência salutar na vida econômica construida em justiça, em uma sociedade; promovendo o respeito mútuo às leis; a obediência aos contratos firmados; a consideração ao bem alheio, o uso comedido do poder, a ausência de egoísmo desvairado nas realizações e a sensibilidade aos necessitados e carentes.

Cultura e Arte
As artes e a cultura são dons concedidos aos homens pelo Espírito Santo. Quando um artista compõe uma música, pinta um quadro de qualidade, um arquiteto projeta um edifício – cada um desses aplica, em sua específica esfera, o talento recebido de Deus. Na cosmovisão cristã, cada dom será utilizado para refletir a glória e sabedoria do doador e imitar a beleza e utilidade da obra criativa de Deus. [3]
A cosmovisão humanista vê a cultura e a arte como se existissem apenas para se auto-expressarem, ou para o divertimento das pessoas, ou por vaidade egoísta. As pessoas sem Deus utilizam, muitas vezes, a cultura como uma forma de expressar a sua revolta contra Deus e de glorificarem-se a si mesmas. Quando o homem cria, não está criando algo do nada, mas descobrindo a potencialidade em si, ali colocada por Deus. O uso correto da cultura e das artes representa uma bênção de Deus e resulta no benefício da humanidade e na validade da apreensão estética das coisas. O uso ou desenvolvimento incorreto, torna-se em uma maldição contribuindo para a destruição e dissolução moral da humanidade.

As artes e a cultura criam obras que expressam pensamentos e emoções. Conseqüentemente, influenciam a moralidade e o comportamento de muitos. Em muitas situações, providenciam comunhão e experiências praticamente religiosas aos apreciadores, criando um magnetismo e atratividade intensa entre artistas e espectadores. Isso representa uma grande responsabilidade ao cristão e quer dizer que não devemos nos envolver e desfrutar das artes que promovem pensamentos, emoções e comportamentos contrários à Palavra de Deus (2 Co 6.14).
Reconhecendo a manifestação da graça comum de Deus nessas esferas; reconhecendo o que é de mérito e qualidade; o cristão deve utilizar-se dessas áreas para a promoção do Reino de Deus. Os talentos devem ser desenvolvidos em harmonia com a lei moral de Deus, para sua honra e glória.

Tecnologia
Uma maneira de entender tecnologia, é considerando-a como a ciência aplicada à mecânica da vida, à multiplicação do potencial humano de realização. Ela tem algo de arte e cultura, pois é a interação da criatividade humana com as decobertas do funcionamento da criação de Deus (por exemplo: as chamadas leis físicas e químicas, o código do genoma, etc.), resultando em construções ou produtos colocados a serviço do homem. Se "fazer ciência" é algo que compreendemos como possível exatamente pela existência de Deus, como âncora metafísica maior, que estruturou e mantém uma criação em harmonia - não caótica, a tecnologia só é possível em função dessa mesma harmonia.
O avanço da tecnologia é uma evidência da operação do que conhecemos como graça comum de Deus. Ele possibilita a facilitação da jornada humana, através de obras que, como nas artes e na cultura, possuem mérito e qualidade intrinseca, independentemente se foram produzidas conscientemente para a glorificação do Criador. Ou seja, a cosmovisão cristã reconhece, sim, que o descrente produz obras de mérito e qualidade - mesmo em sua rejeição ao Deus que as possibilita. Descrentes projetam e constroem pontes seguras, elevadores que não falham, prédios que não caem, computadores que funcionam. Semelhantemente, são competentes na realização de cirurgias complicadas (e as simples, também), no estudo e controle de condições climáticas. A diferença é que os crentes no Deus da criação que são competentes nessas áreas têm a capacidade de exercitar seus dons e treinamentos conscientemente na glorificação do Criador e reconhecem que essas habilidades procedem dele.
A cosmovisão cristã não rejeita a tecnologia, mas não a considera um fim em si, nem que a sua servitude se exaure no melhoramento da humanidade. Enxerga a fonte e o destino dela - o Deus do Universo. Sabe que ela pode ser utilizada tanto para o bem como para o mal, e que isso é uma consequência do fator pecado, que deixa suas marcas em todas as áreas de realizações humanas.

Conclusão
Diversas outras áreas de conhecimento poderiam ser apresentadas sob o prisma de uma cosmovisão cristã. Nosso propósito, é o de que você se convença que as Escrituras são pertinentes ao todo da nossa vida. Isso tem uma conseqüência dupla: (1) Torna legítima as múltiplas esferas de conhecimento, ao cristão, que deve dominá-las para a Glória de Deus; (2) Desenvolve o nosso pensar como cristãos, objetivando a verdadeira transformação de nossa mente, em vez da conformação com o pensamento do mundo, fazendo-nos ávidos inquiridores e pesquisadores da Palavra de Deus, para ver o que ela tem a nos ensinar em cada segmento do conhecimento humano.

Nota:
[1] Norman Geisler, Fundamentos Inabaláveis, p. 53.
[2] Para um aprofundamento nesse relacionamento das diversas áreas com a Palavra de Deus, procure adquirir a Enciclopédia das Verdades Bíblicas, de Ruth C. Haycock – excelente livro recém-traduzido para o português, pela ACSI. Também utilizamos bastante material do Biblical Worldview Curriculum.
[3] Ver o meu artigo “Cultura – A Fé Cristã é Contra ou a Favor?”, postado em: http://www.solanoportela.net/artigos/cultura.htm

Autor: Presb. Solano Portela - www.solanoportela.net
Fonte: Este artigo aqui é parte de acervo do blog Tempora e Mores http://tempora-mores.blogspot.com/


Iniciativa
O cristão vive para agradar a Deus

Falamos, não que agrademos a homens, e sim a Deus, que prova o nosso coração.”
1 Ts 2.4

É uma verdade familiar que todo o propósito da vida cristã deve ser glorificar a Deus. Esta é a vocação oficial do crente. Todas as coisas que dizemos e fazemos, toda nossa obediência aos mandamentos de Deus, todas as nossas relações com outros, todo o uso que fazemos dos dons, talentos e oportunidades que Deus nos dá, toda nossa paciência e perseverança diante de situações adversas e hostilidade humana, deve ser conduzido de tal forma para dar a Deus honra e louvor por sua bondade para com aqueles a quem Ele concede seu amor (1 Co 10.31; cf. Mt 5.16; Ef 3.10; Cl 3.17).

Igualmente importante é a verdade que a atividade integral de cada cristão deve ser a de agradar a Deus. Isto pode ser definido apropriadamente como vocação pessoal do cristão. Jesus não viveu para agradar a si mesmo, nem podemos nós fazê-lo (Jo 8.29; Rm 15.1-3). Agradar a Deus em todas as coisas deve ser nossa meta (2 Co 5.9; Cl 1.10; 1 Ts 2.4; 4.1). Fé (Hb 11.5,6), louvor (Sl 69.30,31), generosidade (Fp 4.18; Hb 13.16), obediência à autoridade divinamente instituída (Cl 3.20), e sinceridade nos serviço cristão (2 Tm 2.4) se associam para formar o meio prescrito de fazê-lo. Deus nos capacita para este tipo de vida e tem prazer em nossa prática dela. É seu procedimento comum pela graça soberana dar o que ordena e deleitar-se com os resultados (Hb 13.21; cf. Fp 2.12,13).

Por meio do chamado controlado pela vida para agradar a Deus, aprendemos o sentido preciso no qual a verdadeira piedade é relacional e criativa. Deus se relaciona com os cristãos não somente como Pai para filho, mas também como Amigo para amigo. Abraão foi chamado amigo de Deus (2 Cr 20.7; Is 41.8; Tg 2.23); Cristo chama seus discípulos de amigos (Lc 21.4; Jo 15.14). A medida da graça de Deus é que Ele faz dos pecadores amigos; a medida da piedade do cristão é que ele procura agrada o Amigo celestial, exatamente como os esposos procuram agradar um ao outro para mostrar seu amor (1 Co 7.32-35). O Cristianismo é um caso de amor, e a piedade é, em essência, uma questão de expressar amor reconhecido e reverente, procurando agradar.

Criatividade é parte da imagem de Deus no homem, e ela se propõe a encontrar expressão em um vigoroso estilo de vida, à medida que procuramos mostrar gratidão a Deus. O amor sempre perguntará se mais pode ser feito para agradar, e mais amor ao próximo, mais serviço às necessidades de outros, sempre será uma parte da resposta (1 Jo 3.11-18). Se nossos planos para agradar a Deus envolvem risco, devemos lembrar que a parábola de Jesus sobre os talentos elogia aqueles que arriscaram seu dinheiro no mercado e condena o que pratica uma ação tímida (Mt 24.14-30).

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, pg. 175,176, Ed. Cultura Crista. Compre este livro em http://www.cep.org.br


Amor
O Amor é  básico na Conduta Cristã

"O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes,
não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente,
não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal;
não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade;
tudo sofre, tudo crê, tudo suporta
." 1 Coríntios 13.4-7

O Cristianismo do Novo Testamento é essencialmente resposta à revelação do Criador como um Deus de amor. Deus é um Ser tríplice que ama de tal maneira os humanos incrédulos que o Pai de seu Filho, o Filho deu sua vida, e Pai e Filho juntos agora dão o Espírito para salvar os pecadores da  miséria inimaginável e leva-los à glória inimaginável. A crença nesta maravilhosa realidade do amor divino e a sujeição a ele geram e sustentam o amor das criaturas a Deus e ao próximo, que os dois grandes mandamentos de Cristo requerem (Mt 22.35-40). Nosso amor consiste em expressar nossa gratidão pelo gracioso amor de Deus por nós, e ser moldados por ele (Ef 4.32-5.2; Jo 3.16).

O selo de legitimidade da vida cristã é, pois, o amor cristão. A medida e teste do amor a Deus é a obediência sincera e completa (1 Jo 5.3; Jo 14.15,21,23); a medida e o teste do amor do nosso próximo é dar a nossa vida por eles (1 Jo 3.16; cf Jo 15.12,13). Este amor sacrificial envolve dar-se, consumir-se e empobrecer-se até o limite do bem-estar do próximo. A história contada por Jesus da bondade do samaritano para com o odiado judeu permanece como sua definição-modêlo do amor ao próximo (Lc 10.25-37).

O amor ao próximo está caracterizado em 1 Coríntios 13.4-8. Sua total falta de egoísmo é comovente. O amor ao próximo busca o bem do próximo, e sua verdadeira medida é o quanto ele dá para esse fim.

O amor é um princípio de ação e não de emoção. É um propósito de honrar e beneficiar a outra parte. É uma questão de dar coisas para as pessoas por pura compaixão de sua necessidade, que sintamos ou não afeição pessoal por elas. É por seu amor ativo aos outros que os discípulos de Jesus devem ser reconhecidos (Jo 13.34,35).

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista. Compre este livro em http://www.cep.org.br


O Fruto do Espírito
 Romanos 12:1-21; 1 Coríntios 12:1-14:40; Gálatas 5:19-26; Efésios 4:1-6:20

O fruto do Espírito Santo é um dos aspectos mais negligenciados do ensino bíblico sobre santificação. Há várias razões para isso:

1. A preocupação com as coisas exteriores. Embora os estudantes muitas vezes murmurem e reclamem quando têm de fazer uma prova na escola, há um sentido em que realmente queremos fazer as provas. Sempre encontramos nas revistas modelos de testes que medem habilidades, realizações ou conhecimentos. As pessoas gostam de saber em que nível estão. Será que consegui alcançar a excelência numa certa área, ou estou afundando na mediocridade?

Os cristãos não são diferentes. Tendemos a medir nosso progresso na santificação examinando nosso desempenho de acordo com padrões externos. Proferimos maldições e palavrões? Bebemos muito? Vamos muito ao cinema? Esses padrões são freqüentemente usados para medir a espiritualidade. O verdadeiro teste — a evidência do fruto do Espírito Santo — geralmente é ignorado ou minimizado. Foi nessa armadilha que os fariseus caíram.

Nós nos afastamos do verdadeiro teste porque o fruto do Espírito é difícil demais. Exige muito mais do caráter pessoal do que os padrões exteriores superficiais. É muito mais fácil evitar falar um palavrão do que adquirir o hábito de ter uma paciência piedosa.

2. A preocupação com os dons. O mesmo Espírito Santo que nos guia na santidade e produz fruto em nós também distribui os dons espirituais aos crentes. Parecemos muito mais interessados nos dons do Espírito do que no fruto, a despeito do ensino claro da Bíblia de que alguém pode possuir dons e ser imaturo no progresso espiritual. A carta de Paulo aos Coríntios deixa isso muito claro.

3. O problema dos descrentes justos. É frustrante medirmos nosso progresso na santificação pelo fruto do Espírito Santo porque as virtudes relacionadas às vezes são exibidas num nível maior por descrentes. Todos nós conhecemos pessoas não-cristãs que demonstram mais bondade ou mansidão do que muitos cristãos. Se as pessoas podem ter o “fruto do Espírito” independentemente do Espírito, como podemos determinar nosso crescimento espiritual desta maneira?

Há uma diferença qualitativa entre as virtudes de amor, alegria, paz, longanimidade, etc., engendradas em nós pelo Espírito Santo e aquelas exibidas pelos descrentes. Os não-crentes operam por motivos que, em última análise, são egoístas. Quando, porém, um crente exibe o fruto do Espírito, ele está mostrando características que, em última análise, são voltadas para Deus e para o próximo. Ser cheio do Espírito Santo significa ter uma vida controlada pelo Espírito; os não-crentes só podem exibir essas virtudes espirituais no nível da capacidade humana.

Paulo faz uma lista das virtudes do fruto do Espírito em sua carta aos Gálatas: “Mas o fruto do Espírito é: amor, alegria, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fidelidade, mansidão, domínio próprio” (Gálatas 5:22,23). Essas virtudes caracterizam a vida cristã. Se somos cheios do Espírito, vamos exibir o fruto do Espírito. Isso, porém, obviamente envolve tempo. Não são ajuste superficiais do caráter que ocorrem da noite para o dia. Tais mudanças envolvem uma reformulação das disposições mais íntimas do coração, o que representa um processo de longa vida de santificação pelo Espírito.

Sumário

1. Tendemos a negligenciar o estudo do fruto do Espírito Santo porque: (1) nos preocupamos mais com aspectos exteriores; (2) nos preocupamos mais com os dons espirituais e (3) reconhecemos que muitas pessoas incrédulas exibem as virtudes espirituais melhor do que os cristãos.

2. É mais fácil medir a espiritualidade por fatores exteriores do que pelo fruto do Espírito.

3. Podemos ter os dons espirituais e mesmo assim ser imaturos.

4. Existe uma diferença qualitativa entre a presença das virtudes espirituais nos incrédulos e nos crentes. Nos incrédulos, a virtude demonstra um mero esforço humano. Nos cristãos, as virtudes espirituais representam o Deus Espírito Santo produzindo um fruto espiritual numa medida além da capacidade humana.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em http://www.cep.org.br .


As Contradições do tempo e o sentido da vida

Eclesiastes 3.1-15

INTRODUÇÃO

"tempo para todas as coisas debaixo do céu". Todos nós, algum dia, lemos ou ouvimos alguém citar este versículo. Mas, o que será realmente que ele quer dizer? Alguém responderia: "que todos nós temos tempo para fazer o que quisermos nessa vida". Mas será que esse foi o significado pretendido pelo Espírito Santo quando usou o rei Salomão para escrever estes versos? Nossa resposta é que ele tinha uma intenção bem maior do que simplesmente tirar as desculpas dos preguiçosos de plantão. Ele queria nos falar mesmo sobre o próprio significado da vida.

I. A VIDA DOS ÍMPIOS: MUITO TEMPO E POUCO SIGNIFICADO (vv.1-1 O)

Poucos gostam da rotina. Que bom que a vida é cheia de surpresas, de mudanças, de renovações. Que bom que não é um inverno constante. Mas, e se fosse uma primavera constante, seria de todo bom? Nesse sentido agrada-nos ler as palavras de Salomão: "tudo tem seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu. Há tempo de nascer, e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de se arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de derribar e tempo de edificar..." (Ec 3.1-3). Salomão descreve a vida como sendo um constante fluxo e refluxo, passando de uma atividade para outra, e por fim voltando à primeira. A descrição é alegre, surpreendente e cativante como a própria vida.

A. Uma vida sem sentido

Neste texto Salomão está mostrando mais uma vez que a vida humana (sem Deus) não tem sentido algum debaixo do céu. O tom do capítulo 3 não é em nada diferente do tom do capítulo 1. No capítulo 1 versos 2 e 3 ele disse: "Vaidade de vaidades, diz o Pregador; vaidade de vaidades, tudo é vaidade. Que proveito tem o homem de todo o seu trabalho, com que se afadiga debaixo do sol?". E nesse sentido falou em 1.14: "Atentei para todas as obras que se fazem debaixo do sol, e eis que tudo era vaidade e correr atrás do vento". Portanto, o simples fato de o homem ter tempo para tudo não traz qualquer significado para ele, ao contrário coloca-o num círculo vicioso, ou faz com que ele dance conforme a música que está tocando, a qual não foi composta por ele. Quanto tempo estaremos apegados a uma mesma atividade? Será que amanhã não estaremos destruindo o que hoje estamos construindo? Um dia guardamos o dinheiro no banco, no dia seguinte vamos e o tiramos todo. Um dia o pastor cuida da ovelha, protege dos lobos, mas no dia seguinte é ele mesmo quem a mata para comer sua carne. Na verdade, nossos atos estão completamente condicionados ao tempo em que vivemos. Nos tornamos como que escravos do tempo. Mudamos de atitude não segundo nossa própria vontade, mas de acordo com a pressão das circunstâncias externas.

B. Nada dura para sempre.

Uma outra conseqüência é que nada em nossa vida dura para sempre. Nossas maiores realizações, podem num instante deixar de ser realidade. Assim hoje edificamos uma casa, mas amanhã, por algum motivo novo que surgiu, nos vemos obrigados a derrubá-la. Nossa própria existência está condicionada pelo tempo: "há tempo de nascer, e tempo de morrer...". Assim se toda a nossa vida é conduzida nessa mesmice (plantar e arrancar; matar e curar; derribar e edificar; chorar e rir...), estamos outra vez correndo "atrás do vento" (2.17), ou seja, nãosentido algum em nossa vida.

É exatamente isso o que o sábio escritor do Eclesiastes quer que entendamos. Que a vida não tem sentido algum se a vivemos meramente condicionados pelo tempo. Que se estamos limitados a essa vida apenas, então não faz diferença alguma se matamos ou curamos, rimos ou choramos, ajuntamos pedras ou espalhamos, rasgamos ou cosemos, calamos ou falamos, amamos ou aborrecemos, guerreamos ou fazemos paz. É por isso que ele pergunta no verso 9: "que proveito tem o trabalhador naquilo em que se afadiga? Tudo não passa de aflição, como nos diz o verso 10: "vi o trabalho que Deus impôs aos filhos dos homens, para com ele os afligir". Sem Deus, não importa se nossas realizações são grandes ou pequenas, pois elas não têm significado.

II. A Vida do Crente: Tempo de Deus (vv. 11-13)

Mas a grande notícia do livro do Eclesiastes é que a vida não precisa ser sem sentido. Não precisamos ser escravos da rotina e das contradições do tempo. Não precisamos ver nossos projetos e nós próprios consumidos pelo tempo. A chave para o entendimento de como pode e dever ser nossa vida está nos versos 11-13: "tudo fez Deus formoso no seu devido tempo; também pôs a eternidade no coração do homem, sem que este possa descobrir as obras que Deus fez desde o princípio até ao fim. Sei que nadamelhor para o homem do que regozijar-se e levar vida regalada; e também que é dom de Deus que possa o homem comer, beber e desfrutar o bem de rodo o seu trabalho". Mais do que ser um escravo do tempo, o homem tem a própria eternidade dentro de si.

A. PARTICIPANDO DA OBRA DIVINA

Nada do que Deus fez é vazio, ao contrário, tudo é formoso, pois tudo tem um propósito definido, tudo faz sentido. A grande notícia deste livro é que podemos participar de tudo isso. De alguma forma não precisamos ficar condicionados pelas contradições do tempo, mas podemos participar do grande projeto de Deus. A própria eternidade foi colocada dentro de nós e isso nos traz a idéia de que nascer e morrer não resumem nossa existência. Deus nos chama para que nos elevemos de nossa mesmice cotidiana e participemos ativamente de seu plano que se estende desde o início até ao infinito, e envolve todas as coisas. Certamente isso nos faz pensar no plano da redenção. Cristo veio a esse mundo para consumar o plano de Deus, através do qual os homens podem ser salvos e podem desfrutar da eternidade na presença de Deus em alegria e significado perpétuo. E nós somos seus cooperadores. Não fomos redimidos, como também podemos levar a mensagem de redenção a outros em todo o mundo.

B. APROVEITANDO A VIDA

Mas será que, uma vez que a eternidade foi posta dentro de nós, então, devemos nos desapegar de todas as coisas dessa vida? Será esse o modo como poderemos nos livrar das contradições do tempo? De acordo com o Eclesiastes isso não é necessário. Ao contrário, podemos aproveitar as coisas boas da vida, pois elas também são dons de Deus. Nãonada de errado em comer, beber e se regozijar com tudo o que Deus nos dá. O erro está em fazer disso a razão de nossa existência. O erro está em gastar todo o nosso tempo correndo atrás dessas coisas, pois estaríamos correndo atrás do vento. Mas, entendendo que fomos feitos para Deus, e nas palavras de Agostinho, "nossa alma não tem descanso enquanto não descansa nele", e entendendo que nosso tempo é dele, para honra e glória dele, então, podemos desfrutar com alegria de tudo o que ele tem nos dado aqui, sabendo que bênçãos muito maiores ainda estão reservadas para nós nos lugares celestiais. E além disso, podemos nos sentir úteis e realizados nas menores tarefas que temos para fazer nessa vida. Quando entendemos que tudo o que fazemos faz parte de um projeto de Deus, então, tudo tem significado, cada ação, por menor ou insignificante que possa parecer, se torna valiosa.

Eclesiastes nos mostra a diferença entre a vida do ímpio e a do crente. O ímpio é mundano, vive apenas segundo esse mundo, toda sua esperança está posta nesta vida. Ele nasce, morre, planta, arranca, mata, cura, derriba, edifica, chora, ri, e somente nessas coisas a sua vida se fundamenta. Do oUtro lado está o crente, com a eternidade em seu coração. Este é chamado a participar da obra de Deus. Ele tem significado em sua vida, mesmo quando se envolve em tarefas humildes e despretensiosas. Ele vive para Deus, por isso Paulo disse: "quer comais, quer bebais, ou façais oUtra cousa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus" (1 Co

10.31), e também "se vivemos, para o Senhor vivemos; se morremos, para o Senhor morremos. Quer, pois, vivamos ou morramos, somos do Senhor" (Rm 14.8).

CONCLUSÃO

Sem Deus, sem conhecer seu plano, sem viver uma vida de proximidade com o Salvador, nossa vida não tem sentido. Corremos atrás do vento em nosso próprio círculo vicioso e jamais chegamos a lugar algum. Nada do que fazemos, por mais grandioso que seja aos olhos humanos, é significativo. O melhor que alguém sem Deus pode fazer é gastar seus dias correndo atrás de coisas sem importância, levando uma vida absolutamente vazia. Quão dura é a rotina de nascer, morrer, plantar, arrancar, matar, curar, derribar, edificar, etc., qual do nem sabemos porque estamos fazendo todas essas coisas. Mas, no Senhor, nossa vida te todo o sentido. Quer nossos anos sejam longos, quer breves, quer façamos tarefas nobre quer humildes, nossa vida em Cristo é plena de significado porque fazemos parte de u plano, de uma obra bem maior que o Senhor está executado no decorrer da história. Certamente, isso deve aquecer o nosso coração.

Aplicação.

Você tem vivido para Deus? Como gasta seu tempo, correndo atrás do vento, ou fazendo coisas significativas por causa do Senhor?

Nota

[1] Cf. Derek, A Mensagem de Eclesiastes, 2ª edição, ABU Editora S/C, 1998, pág. 26.

Autor: Leandro Antonio de Lima

Fonte: Lição 13 da revista Palavra Viva - Graça e Fé, pg 45-48, editora Cultura Cristã. Compre esta trimestral revista em www.cep.org.br

Estudo digitado pelo caríssimo irmão e colaborado do site Teologia Calvinista: Davi Barrozo de Carvalho

Referencias Bíblicas

Eclesiastes 2.18-26

Nossa alegria está em Deus

Salmo 90.1-17

no Senhor nossos esforços valem a pena

Isaías 40.5-7

O homem passa, mas a Palavra permanece.

1 Timóteo 6.6-10

Devemos estar satisfeitos com o que temos

Provérbios 30.7-9

O básico da vida de cada um

Filipenses 3.4-11

O que é mais importante em nossa vida

Eclesiastes 12.9-14

O temor do Senhor

 


MARCAS DO CRISTÃO DEDICADO

João 13.31-38

INTRODUÇÃO

Historicamente, os cristãos têm apresentado diferentes símbolos para definir sua identidade como crentes. Quase desde o começo do Cristianismo emblemas como alfinetes de lapela e correntes no pescoço com cruzes de ouro têm identifIcado os seguidores de Cristo. Nos anos mais recentes, as pessoas têm usado também adesivos em automóveis, pôsteres, camisetas, Bíblias decoradas e jaquetas bordadas. Eu não tenho nada contra tais símbolos, exceto que eles são totalmente superfIciais = têm somente a profundidade da superfície a que estão presos.

Como cristão, nãoconseqüência real em se usar um bóton, um adesivo ou qualquer outro símbolo visível. Mais importante, e infinitamente mais definitivo que todos os alfinetes, adesivos e bótons, são os sinais internos, espirituais de um verdadeiro crente.

Em João 13.31-38, Jesus dá três marcas que distinguem um cristão dedicado. Como seu ministério terreno estava chegando ao fim, ele esteve com seus discípulos na noite anterior à sua morte para os preparar para sua partida. Com Judas banido das fileiras dos apóstolos, Jesus se virou para os onze discípulos remanescentes e fez um discurso de despedida.

Essa passagem apresenta a última comissão de Jesus aos seus discípulos antes de ir para a cruz. Sua mensagem de despedida, que continua em João 16, contém todos os ingredientes que você precisa saber sobre discipulado. De fato, as bases do ensinamento de Paulo sobre esse assunto parecem combinar com esse trecho de João. Assim essas palavras conclusivas de Nosso Senhor na sua última noite com seus discípulos são indispensáveis para saber o que Cristo espera de nós como crentes.

I. UMA INFINDÁVEL PREOCUPAÇÃO COM A GLORIA DE DEUS

Primeiro, o cristão dedicado está preocupado e absorvido com a glória do seu Senhor. O verdadeiro propósito pelo qual nós existimos é dar glória a Deus, assim está certo que essa seja a primeira marca do cristão comprometido. Ele não está preocupado com a sua própria glória. Ele não está preocupado com o que lhe traz honra. Ele não está em um concurso de popularidade. Ele não está tentando subir e conseguir alguma coisa maior e melhor para si mesmo. Ele tem consciência de que não importa quanto as pessoas estejam impressionadas com ele, mas somente que eles glorifIquem a Deus. Sua vida reflete os atributos de Deus, e o Senhor é louvado pela maneira que ele vive.

Jesus Cristo tinha vindo ao mundo em humildade. Ele havia restringido a completa manifestação de sua glória e se sujeitado à fragilidade humana, ainda que ele nunca tivesse pecado. Por trinta e três anos sua glória tinha estado envolta pela carne humana. No dia seguinte ele estaria na sua glória novamente. Pensando em sua glória que retomaria, Jesus fez três afirmações distintas. Cada uma é única e é importante que a compreendamos.

A. "Agora, foi glorificado o Filho do Homem"

Essa primeira afirmação de antecipação está no verso 31. Judas havia dado a partida. Os judeus lhe haviam pago pela traição e agora ele tinha saído, tomando as providências. Em apenas poucas horas, Jesus e os discípulos entrariam no Jardim do Getsêmani, onde Cristo continuaria o seu ensinamento. Ali Judas entraria marchando com os soldados e daria início aos eventos que levariam Jesus à morte.

Jesus estava pronto para morrer porque, mesmo sendo a cruz sinônimo de vergonha e desgraça, ela signifIcava glória. Mas haveria mesmo glória na cruz? Sim, porque nela Jesus realizou a maior obra na história do universo. Em sua morte ele redimiu pecadores perdidos, destruiu o pecado e derrotou Satanás. Quando o sacrifício estava completo, Jesus declarou: "Está consumado". Ele tinha alcançado a redenção de todos aqueles que ele veio buscar e salvar, havia satisfeito a justiça de Deus. Tanto nos céus como na terra, nenhum ato é tão merecedor de louvor, honra e glória total.

B. "Deus foi glorificado nele"

Jesus fez uma segunda afirmação sobre glória. Não somente ele foi glorificado, mas Deus foi glorificado nele. Deus é glorificado por meio dos detalhes do evangelho. Quando Jesus disse: "Agora, foi glorificado o Filho do Homem, e Deus foi glorificado nele" (v. 31), ele estava falando de sua morte, ressurreição e da sua volta. Todos aqueles eventos que abrangem perfeitamente a glória do plano redentor de Deus.

Um dos modos mais importantes pelos quais nós mais podemos glorificar Deus é divulgar o evangelho. A mensagem do evangelho irradia a glória de Deus como nenhuma outra coisa em todo o universo pode fazer. Em um sentido, portanto, testemunhar é uma das mais elevadas e puras formas de adoração. Muitos atributos de Deus foram mostrados na cruz em sua inteireza, mas o que prevalece sobre todos os outros é o amor (1Jo 4.10). A mente humana não pode compreender o amor que levaria Deus a deixar o seu Filho morrer como expiação pelos nossos pecados. Mas ele é glorificado na demonstração desse amor.

C. "... também Deus o glorificará"

 Na terceira e final afIrmação sobre glória, Jesus enfatiza que o Pai e o Filho estão muito ocupados glorifIcando-se mutuamente, e a maior glória, e a maior obra do Filho é posterior a sua obra na cruz. "... se Deus foi glorificado nele, também Deus o glorificará nele mesmo; e glorificá-lo-á, imediatamente" (Jo. 13.32). Havia certa glória na cruz, mas o Pai não pararia nela. A ressurreição, a ascensão, a exaltação de Cristo em toda a glória são importantes aspectos da glória que seria sua. Mesmo hoje, sua maior glória ainda é futura. Jesus queria que seus discípulos participassem da expectativa e alegria de sua glória vindoura. Queria que se ocupassem com pensamentos sobre a sua glória. A preocupação com a glória de Deus, portanto, é uma das marcas de um verdadeiro discípulo. Ela é o centro da razão da nossa existência, uma paixão ardente que nós herdamos do próprio Senhor Nosso.

II. UM AMOR INCESSANTE PELOS FILHOS DE DEUS

O discípulo dedicado se preocupa não apenas com a glória do Senhor, mas também está cheio do seu amor. Talvez essa marca seja a mais significante de todas em termos de vida prática que nos distingue no mundo.

Embora os discípulos não mais pudessem se regozijar na presença visível de Jesus, eles ainda desfrutariam de uma completa e rica experiência de amor, porque eles teriam um depósito de amor em sua própria vida. De fato, o amor seria sua marca distintiva primária: "Novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos: se tiverdes amor uns aos outros" (Jo. 13.34,35). Essas palavras de Cristo tiveram um impacto tão profundo no apóstolo João que ele fez delas a mensagem da sua vida: "... a mensagem que ouvistes desde o princípio é esta: que nos amemos uns aos outros" (1Jo 3.11).

Como crentes em Cristo nós temos uma nova capacidade de amor dada por Deus. O amor de Cristo é derramado em nossos corações (Rm 5.5) e esse amor elimina a necessidade de um sistema legal (Jo. 16.8-10). Por causa do amor, nós simplesmente não precisamos viver por um conjunto de regras e regulamentos. Nós não precisamos de placas em nossa casa dizendo: "não maltrate a sua mulher"; "não pancadas em seu filho com o martelo"; ou "não roube, não mate nem falso testemunho". O genuíno amor torna desnecessárias todas essas regras.

Jesus diz: ''Amai-vos uns aos outros assim como eu vos amei". Isso estabelece um padrão extremamente elevado. O amor de Jesus é altruísta, sacrifical, indiscriminado, compreensivo e perdoador. A menos que seu amor seja assim, você não tem cumprido o novo mandamento.

O verdadeiro amor é caro e aquele que verdadeiramente ama terá de se sacrificar, mas enquanto se sacrifica neste mundo você está ganhando muito mais no reino espiritual. E você estará mostrando a mais visível, prática e óbvia marca de um verdadeiro discípulo.

III. UMA INABALÁVEL LEALDADE AO FILHO DE DEUS

A terceira marca do cristão dedicado é a lealdade. Ela está mais implícita do que expressa em João 13. Apesar disso, a lealdade está incluída com uma maravilhosa ilustração de Pedro, que vacilou seguidamente, mas no fim provou ser um verdadeiro discípulo. Dele nós aprendemos alguns princípios intensamente práticos.

O coração de Pedro estava ardendo de amor por Jesus. Mas enquanto seu amor por Jesus era admirável, sua jactância era tola. Podemos imaginar que choque foi para Pedro quando Jesus disse que ele o negaria. De fato, até o final da conversa - coisa rara para Pedro - ele não disse uma palavra.

Havia um abismo descomunal entre sua lealdade prometida e a lealdade prática. Pedro, que tinha se gabado em ser tão bom que ficaria junto do Senhor, falhou miseravelmente. Em vez de dar sua vida por Jesus, ele tentou salvá-la negando-o. Quatro coisas fizeram Pedro falhar no teste de lealdade.

A. Ele se gabou demais

Pedro era muito orgulhoso para ouvir o que Cristo estava tentando lhe dizer e estava muito ocupado se vangloriando. Jesus o havia advertido de que Satanás o havia reclamado para peneirar como trigo, mas que havia intercedido por ele (Lc 22.31,32). Aqui está implícita a predição de que Pedro falharia e que depois se arrependeria de sua fraqueza. Mas ele entendeu tudo errado: "Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte" (v. 33).

B. Ele orou de menos

As orações de Pedro não foram o que deveriam ter sido. Mais tarde, naquela mesma noite, ele dormiu quando deveria estar orando: "Levantando-se da oração, foi ter com os discípulos, e os achou dormindo de tristeza, e disse-lhes: Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação" (Lc            22.45,46).

C. Ele agiu depressa demais

Outra razão pela qual Pedro falhou no teste

de lealdade foi ter sido impetuoso. Agir sem pensar era um eterno problema da vida dele. Quando um grupo de soldados dos sacerdotes e dos fariseus entrou no jardim para levar Jesus, Pedro puxou a espada e cortou a orelha do servo do sumo sacerdote (Lc 22.50; J o 18.1 O). Seu motivo, contudo, foi o egoísmo e talvez medo ou orgulho, mas não lealdade. Jesus o repreendeu por esse ato e curou a orelha do homem. Nem sempre é fácil aceitar a vontade de Deus, mas os verdadeiramente leais serão sensíveis a ela.

D. Ele ficou longe demais

Uma razão fmal para a grande falha de Pedro é que ele deixou o lado de Jesus e começou a seguí-lo de certa distância (Lc 22.54). Aqui estava a conseqüência lógica de todas as fraquezas de Pedro: a covardia. Ele havia se jactado tolamente de sua disposição para morrer; mas, depois, quando teve a oportunidade, Pedro, pela primeira vez no relacionamento com o Mestre, distanciou-se.

Mas nos importa saber como anda nossa lealdade. O que prometemos a Jesus? Que o amaríamos? Que o serviríamos? Que seríamos fiéis, abandonaríamos o pecado, viveríamos ou morreríamos por ele, daríamos testemunho? Como temos agido? Temos nos gabado de algo, orado pouco, agido muito rápido? Quantas promessas fizemos a Deus e nunca cumprimos.

Talvez seja essa a coisa mais significativa que nós aprendemos com Pedro: Deus pode virar ao contrário uma vida quando ela é finalmente entregue a ele. Que tipo de cristão é você? Você é tudo que prometeu a Cristo que seria, talvez mais recentemente, quando reavaliou sua vida e tornou a dedicá-la a ele? Existem marcas visíveis, distintas que mostram que você é um crente profundamente dedicado?

CONCLUSÃO

Em um mundo cheio de autoglorificação, falta de amor e de lealdade é imprescindível que nos lembremos de tomar o caminho oposto. O cristão se preocupa em glorificar a Deus em todas as atitudes de sua vida, manifesta amor pelos filhos de Deus e demonstra lealdade a seu Senhor. Precisamos avaliar se temos exibido essas marcas do cristão dedicado, pois ser assim agrada a Deus.

APLICAÇÃO

Que atitudes práticas você pode tomar no seu dia-a-dia para buscar a glória de Deus? Amar é somente uma palavra bonita para você ou tem aplicação na sua vida? Procure definir o que é ser leal a Deus.

Autor: Marcelo Smeets (Adaptação do capítulo 3 do livro Como ser crente num mudo de descrentes de John MacArthur)

Fonte: Lição 1 da revista Nossa - Atualidade, pg 1-4, editora Cultura Cristã.

Estudo digitado pelo caríssimo irmão e colaborado do site Teologia Calvinista: Davi Barrozo de Carvalho

Leitura Bíblica indicada

I Jo. 3. 1 -12

Que nos amemos

I. Jo. 4. 1 -11

Ele nos amou

Rm. 5. 1- 11

Amor derramado em nosso coração

Lc. 22. 24 – 34

Roguei por ti

Lc. 22. 39 – 46

Levantai-vos e orai

Lc. 22. 54 – 62

Seguindo de longe

I Co. 6. 12 -20

Glorificai a Deus

 


ORAÇÃO


A oração

Nota: AT = Antigo Testamento ; NT = Novo Testamento

Por que Deus quer que nós oremos?
Como podemos orar de modo eficaz?
 
1. EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA


O caráter de Deus e o seu relacionamento com o mundo, conforme discussão nos capítulos anteriores, naturalmente conduzem à consideração da doutrina da oração. A oração pode ser definida da seguinte maneira: A oração é nossa comunicação pessoal com Deus.


Essa definição é muito ampla. O que chamamos “oração” inclui orações de pedidos por nós mesmos e por outros (às vezes chamadas orações de petição ou intercessão), confissão de pecado, adoração, louvor e ação de graças.
 
A. Por que Deus quer que oremos?

A oração não foi instituída para que Deus pudesse descobrir nossas necessidades, pois Jesus nos diz: “porque o [...] Pai sabe do que vocês precisam, antes mesmo de o pedirem” (Mt 6.8). Deus quer que oremos porque a oração expressa nossa confiança nele e é um meio pelo qual nossa confiança nele pode aumentar. De fato, talvez a ênfase primária do ensino bíblico sobre a oração é que devemos orar com fé, que significa confiança ou dependência de Deus. Deus, como nosso Criador, se deleita no fato de que suas criaturas confiam nele, pois a atitude de dependência é a forma mais apropriada para expressar o relacionamento entre o Criador e a criatura.


As primeiras palavras da oração que o Senhor nos ensinou, ”Pai nosso, que estás nos céus!” (Mt 6.9), admitem nossa dependência de Deus como o Pai sábio e amoroso e também reconhecem que, de seu trono celestial, ele governa todas as coisas. Muitas vezes a Escritura enfatiza nossa necessidade de confiar em Deus quando oramos. Por exemplo, Jesus compara nossa oração ao filho que pede a seu pai um peixe e um ovo (Lc 11.9-12) e a seguir conclui: “Se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos céus dará o Espírito Santo a quem o pedir?” (Lc 11.13). Como os filhos olham para seus pais esperando a providência deles, assim Deus espera que olhemos para ele em oração. Visto que Deus é nosso Pai, devemos pedir a ele com fé. Jesus diz: “E tudo o que pedirem em oração, se crerem, vocês receberão” (Mt 21.22; cf. Mc 11.24; Tg 1.6-8; 5.14,15).


Mas Deus não quer somente que confiemos nele. Ele também quer que o amemos e tenhamos comunhão com ele. Essa, então, é a segunda razão pela qual Deus quer que oremos.


A oração nos traz à comunhão mais profunda com Deus, e ele nos ama e tem prazer em nossa comunhão com ele. Quando oramos verdadeiramente, nós como pessoas, na totalidade de nosso caráter, estamos nos relacionando com Deus como uma pessoa, na totalidade do seu caráter. Assim, tudo o que pensamos ou sentimos a respeito de Deus é expresso em nossa oração. É natural que Deus tenha prazer em tal atividade e dê tanta ênfase a ela e ao relacionamento conosco.


A terceira razão pela qual Deus quer que oremos é que na oração Deus permite que nós, como criaturas, fiquemos envolvidos em atividades que são eternamente importantes. Quando oramos, o avanço do Reino se processa. Desse modo, a oração nos dá oportunidade de nos envolvermos de modo significativo na obra do Reino e, assim, dá expressão à nossa espantosa importância como criaturas feitas à imagem de Deus.
A quarta razão pela qual Deus quer que oremos é que na oração damos glória a Deus. A oração em humilde dependência de Deus indica que estamos genuinamente convencidos de sua sabedoria, amor, bondade e poder.
 
B. A eficácia da oração
 
Como exatamente a oração funciona? Além de nos fazer bem, será que a oração também afeta Deus e o mundo?
 
1. A oração muitas vezes muda o modo de Deus agir.

Tiago nos diz: “Não têm, porque não pedem” (Tg 4.2). Ele sugere que a falha em pedir priva-nos do que Deus, de outra forma, nos teria dado. Nós oramos e Deus responde. Jesus também diz: “Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta” (Lc 11.9,10). Ele faz a conexão clara entre procurar coisas de Deus e recebê-las. Quando pedimos, Deus responde.


Isso acontece muitas vezes no AT. O Senhor declarou a Moisés que ele haveria de destruir o povo de Israel por causa do seu pecado (Ex 32.9,10): “Moisés, porém, suplicou ao SENHOR, o seu Deus clamando: ‘O SENHOR [...] Arrepende-te do fogo da tua ira! Tem piedade, e não tragas este mal sobre o teu povo...”’ (Lx 32.11,12). Então lemos: “E sucedeu que o SENHOR arrependeu-se do mal que ameaçara trazer sobre o povo” (Êx 32.14). Moisés orou, e Deus respondeu. Quando Deus ameaça punir seu povo por seus pecados, ele declara: “Se o meu povo, que se chama pelo meu nome, se humilhar e orar, buscar a minha face e se afastar dos seus maus caminhos, dos céus o ouvirei, perdoarei o seu pecado e curarei a sua terra” (2Cr 7.14). Quando o povo de Deus orar (com humildade e arrependimento), então ele ouvirá e os perdoará. As orações do povo de Deus claramente afetam o modo como ele age. De modo semelhante, “se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para perdoar os nossos pecados e nos purificar de toda injustiça” (lJo 1.9). Nós confessamos, e então Deus perdoa.


Se estivermos realmente convencidos de que a oração muitas vezes muda o modo de Deus agir e que Deus realmente produz notáveis mudanças no mundo em resposta à oração (como a Escritura repetidamente nos diz que ele faz), deveremos orar muito mais do que oramos. Se oramos pouco, é provavelmente porque não cremos realmente que a oração realiza muita coisa.

2. A oração eficaz torna-se possível por nosso mediador, Jesus Cristo.


Porque somos pecaminosos e Deus é santo, não temos qualquer direito de, por nós próprios, entrar na presença de Deus. Precisamos de um mediador para estar entre nós e Deus e para colocar-nos em sua presença. A Escritura claramente ensina: “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus” (lTm 2.5).
Mas se Jesus é somente mediador entre Deus e o homem, Deus vai ouvir as orações dos descrentes, os que não confiam em Jesus? A resposta depende do que entendemos por “ouvir”. Visto que Deus é onisciente, ele sempre ouve no sentido de que está consciente das orações feitas pelos descrentes que não vêm a ele por meio de Cristo. Deus pode até, de vez em quando, responder às orações deles por causa de sua misericórdia e no desejo de trazê-los à salvação por meio de Cristo. Contudo, em lugar algum Deus prometeu responder às orações dos descrentes. As únicas orações que ele prometeu “ouvir”, no sentido de escutar com simpatia e de comprometer-se a responder quando elas são feitas de acordo com a sua vontade, são as orações dos cristãos feitas por meio do mediador, Jesus Cristo (cf.Jo 14.6).


Então, o que dizer a respeito dos crentes do AT? Como poderiam eles vir a Deus por meio de Jesus, o mediador? A resposta é que a obra de Jesus como nosso mediador foi representada em sombras pelo sistema sacrificial e pelas ofertas feitas pelos sacerdotes no templo (Hb 7.23-28; 8.1-6; 9.1-14 etc.). Contudo, não havia nenhum mérito salvador no sistema de sacrifícios (Hb 10.1-4). Por meio do sistema sacrificial, os crentes foram aceitos por Deus somente com base na obra futura de Cristo representada em sombras por aquele sistema (Rm 3.23-26).


A atividade de Jesus como mediador é vista especificamente em sua obra como sacerdote: Ele é nosso “grande sumo sacerdote que adentrou os céus”, aquele que “passou por todo tipo de tentação, porém, sem pecado” (Hb 4.14,15).


Como beneficiários da nova aliança, não precisamos permanecer “fora do templo”, como todos os crentes, exceto os sacerdotes, de quem se exigiu isso sob a antiga aliança. Nem precisamos permanecer fora do “Santo dos Santos” (Hb 9.3), o lugar mais interior do templo, onde o próprio Deus estava entronizado acima da arca da aliança e onde somente o sumo sacerdote poderia entrar, apenas uma vez ao ano. Mas agora, visto que Cristo morreu como o nosso Sumo Sacerdote mediador (Hb 7.26,27), ele ganhou para nós intrepidez e acesso à verdadeira presença de Deus. ”Portanto, irmãos, temos plena confiança para entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus” (Hb 10.19), isto é, no Santo Lugar e no Santo dos Santos, a verdadeira presença do próprio Deus! A obra de mediação de Cristo dá-nos confiança para aproximar-nos de Deus em oração.

3. O que significa orar “em nome de Jesus”?

Jesus diz: “E eu farei o que vocês pedirem em meu nome, para que o Pai seja glorificado no Filho. O que vocês pedirem em meu nome, eu farei” (Jo 14.13,14). Ele também diz que escolheu seus discípulos “a fim de que o Pai lhes conceda o que pedirem em meu nome” (Jo 15.16). De modo semelhante, ele diz: “Eu lhes asseguro que meu Pai lhes dará tudo o que pedirem em meu nome [...] Peçam e receberão, para que a alegria de vocês seja completa” (Jo 16.23,24; cf. Ef 5.20). Mas o que isso significa?


É claro que isso não significa simplesmente a adição da cláusula ”em nome de Jesus” após cada oração, porque Jesus não disse: “Se você pedir alguma coisa e acrescentar as palavras em nome de Jesus’, após a sua oração, então eu farei”. Jesus não está falando meramente a respeito de adicionar certas palavras como se elas fossem uma espécie de fórmula mágica que daria poder às nossas orações. De fato, nenhuma das orações registradas na Escritura tem a frase “em nome de Jesus” no final delas (v. Mt 6.9-13; At 1.24,25; 4.24-30; 7.59; 9.13,14; 10. 14 ;Ap 6.10; 22.20).


Vir em nome de alguém significa que outra pessoa nos autorizou a vir com a sua autoridade, não com a nossa. Quando Pedro ordena ao homem coxo: “Em nome de Jesus Cristo, o Nazareno, ande” (At 3.6), ele está apelando para a autoridade de Jesus, não para a própria autoridade. Quando os membros do Sinédrio perguntaram aos discípulos: “Com que poder ou em nome de quem vocês fizeram isso?” (At 4.7), eles estavam perguntando: “Com a autoridade de quem vocês fizeram isso?”. Quando Paulo repreende um espírito imundo “em nome de Jesus Cristo” (At 16.18), ele torna claro que está fazendo isso com a autoridade de Jesus, não com a sua. Quando Paulo pronuncia juízo “em nome de nosso Senhor Jesus” (1 Co 5.4) sobre um membro da igreja que é culpado de imoralidade, está agindo com a autoridade do Senhor Jesus. Orar em nome de Jesus é, portanto, oração feita com autorização dele com base em sua obra mediadora por nós.


Em sentido mais amplo, o “nome” de uma pessoa no mundo antigo representava a própria pessoa e, portanto, tudo de seu caráter. Ter um “bom nome” (Pv 22.1, RA; Ec 7.1) era possuir boa reputação. Assim, o nome de Jesus representa tudo o que ele é, seu caráter total. Isso significa que orar “em nome de Jesus” não é somente orar com a sua autoridade, mas também orar de modo que seja condizente com o seu caráter, que verdadeiramente o represente e reflita sua maneira de viver e sua própria vontade santa. Orar em nome de Jesus também significa orar de acordo com o seu caráter. Nesse sentido, orar em nome de Jesus se aproxima da idéia de orar de acordo com a sua ”vontade” (lJo 5.14,15).


Isso significa que é errado acrescentar “em nome de Jesus” no final de nossas orações?
Certamente não é errado, contanto que entendamos o significado dessas palavras e que não é necessário pronunciá-las. Pode haver algum perigo, contudo, se acrescentamos essa frase a cada oração pública ou particular que fazemos, pois logo ela se tornará para as pessoas simplesmente a fórmula à qual atribuímos muito pouco significado se a pronunciamos sem pensar seriamente sobre ela. Ela pode ser vista, ao menos por crentes mais jovens, como uma espécie de fórmula mágica que torna a oração mais eficaz. Para evitar tal entendimento errôneo, provavelmente seria sábio decidir não usar essa fórmula muitas vezes e expressar o mesmo pensamento em outras palavras ou simplesmente na abordagem e atitude que temos para com a oração em geral. Por exemplo, as orações poderiam começar assim: “Pai, vimos diante de ti na autoridade do Senhor Jesus, teu Filho” ou “Pai, não vimos com méritos próprios, mas nos méritos de Jesus Cristo, que nos convidou a comparecer diante de ti...”, ou “Pai, te agradecemos por perdoares os nossos pecados e dares acesso ao teu trono pela obra de Jesus Cristo, teu Filho...”. Em outras ocasiões mesmo esses reconhecimentos formais não devem ser considerados necessários, à medida que nosso coração perceba continuamente que é nosso Salvador que nos capacita a orar ao Pai. A oração genuína é conversa com a pessoa a quem conhecemos bem e que nos conhece. Tal conversa genuína entre pessoas que se conhecem mutuamente nunca depende do uso de certas fórmulas ou palavras exigidas, mas é questão de sinceridade em nossa linguagem e em nosso coração, uma questão de atitudes corretas e de condição de nosso espírito.

4. Devemos orar a Jesus e ao Espírito Santo?

Um levantamento das orações do NT indica que elas não são usualmente dirigidas a Deus Filho nem ao Espírito, mas a Deus Pai. Todavia, a mera verificação de tais orações pode ser ilusória, pois a maioria das orações que temos registradas no NT é do próprio Jesus, que constantemente orou a Deus Pai, mas naturalmente não orou a si próprio como Deus Filho. Além disso, no AT, a natureza trinitária de Deus não foi revelada claramente, e não é de surpreender que não encontremos muita evidência de oração dirigida diretamente a Deus Filho ou a Deus Espírito antes do tempo de Cristo.
Embora haja um padrão claro de oração diretamente dirigida a Deus Pai por intermédio do Filho (Mt 6.9; Jo 16.23; Ef 5.20), há outras indicações de que a oração dirigida diretamente a Jesus Cristo também é apropriada. O fato de que foi o próprio Jesus que escolheu todos os outros apóstolos sugere que a oração em Atos 1.24 seja dirigida a ele: “Senhor, tu conheces o coração de todos. Mostra-nos qual destes dois tens escolhido”. O agonizante Estevão ora: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7.59). A conversa entre Ananias e “o Senhor” em Atos 9.10-16 é com Jesus, porque no versículo 17 Ananias diz a Saulo: “o Senhor Jesus enviou-me para que você volte a ver...’. A oração “Vem, Senhor” [Maranatha] (lCo 16.22) é dirigida a Jesus, como a oração registrada em Apocalipse 22.20: “Vem, Senhor Jesus!”. E Paulo também orou ao “Senhor” em 2Coríntios 12.8 a respeito do seu espinho na carne.’


Além disso, o fato de que Jesus é “sumo sacerdote misericordioso e fiel” (Hb 2.17) que é capaz de “compadecer-se das nossas fraquezas” (Hb 4.15) é encorajamento para virmos ousadamente perante o “trono da graça” em oração “a fim de recebermos misericórdia e encontrarmos graça que nos ajude no momento da necessidade” (Hb 4.16). Esses versículos devem incentivar-nos a vir diretamente a Jesus em oração, esperando que ele simpatize com as nossas fraquezas à medida que oramos.


Há, portanto, autorização escriturística suficiente para encorajar-nos a orar não somente a Deus Pai (que parece ser o padrão primário e certamente segue o exemplo que Jesus nos ensinou na oração do Senhor), mas também a orar diretamente a Deus Filho, nosso Senhor Jesus Cristo. Ambos os caminhos estão corretos, e, assim, podemos orar tanto ao Pai quanto ao Filho.


Mas devemos orar ao Espírito Santo? Embora nenhuma oração diretamente dirigida ao Espírito Santo tenha sido registrada no NT, não há nada que proíba tal oração, porque o Espírito Santo, semelhantemente ao Pai e ao Filho, é plenamente Deus e, portanto, é digno de oração e poderoso para responder a nossas orações. Ele também se relaciona conosco de modo pessoal, já que é o “Conselheiro” ou “Consolador” (Jo 14.16,26). Os crentes “o conhecem” [‘O nome “Senhor” (kyrios, no grego) é usado em Atos e nas cartas para referir-se especialmente ao Senhor Jesus Cristo.] (Jo 14.17), e ele os ensina (cf. Jo 14.26), dá testemunho a nós de que somos filhos de Deus (Rm 8.16) e pode ser entristecido pelos nossos pecados (Ef 4.30).Além disso,o Espírito Santo exerce volição pessoal na distribuição dos dons espirituais, pois “todas essas coisas [os dons], porém, são realizadas pelo mesmo e único Espírito, e ele as distribui individualmente, a cada um, como quer” (lCo 12.11). Portanto, não parece errado orar diretamente ao Espírito Santo em certas ocasiões, particularmente quando estamos lhe pedindo para fazer algo relacionado a áreas especiais de seu ministério e responsabilidade. Mas esse não é o padrão do NT e não deveria tornar-se a ênfase dominante em nossa vida de oração.


C. Algumas considerações importantes sobre a oração eficaz

A Escritura indica uma gama de considerações que precisam ser levadas em conta se vamos oferecer a espécie de oração que Deus deseja de nós.
 
1. Orar de acordo com a vontade de Deus.


João nos diz: “Esta é a confiança que temos ao nos aproximarmos de Deus: se pedirmos alguma coisa de acordo com a vontade de Deus, ele nos ouvirá. E se sabemos que ele nos ouve em tudo o que pedimos, sabemos que temos o que dele pedimos” (lJo 5.14,15). Jesus nos ensina a orar: “seja feita a tua vontade” (Mt 6.10), e ele próprio nos deu o exemplo, quando no jardim do Getsêmani orou: ”... não seja como eu quero, mas sim como tu queres” (Mt 26.39).


Mas como sabemos qual é a vontade de Deus quando oramos? Se o assunto sobre o qual estamos orando tem o respaldo de uma passagem da Escritura na qual Deus nos dá uma ordem ou uma declaração direta da sua vontade, então a resposta a essa pergunta é fácil: sua vontade é que sua Palavra seja obedecida e que seus mandamentos sejam observados. Devemos buscar a perfeita obediência à vontade moral de Deus na terra, de modo que a vontade de Deus possa ser feita “assim na terra como no céu” (Mt 6.10). Por essa razão, o conhecimento da Escritura é tremenda ajuda na oração, capacitando-nos a seguir o padrão dos primeiros cristãos, que citavam a Escritura enquanto oravam (v.At 4.25,26). A leitura e a memorização regular da Escritura durante anos vão aumentar a profundidade, o poder e a sabedoria das orações do cristão. Jesus nos encoraja a ter suas palavras dentro de nós enquanto oramos, pois ele diz: “Se vocês permanecerem em mim,e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido” (Jo 15.7). ‘Com respeito à adoração do Espírito Santo, a totalidade da igreja — católicos romanos, ortodoxos e protestantes — tem unanimemente concordado que ela é apropriada, como afirmado no Credo niceno, elaborado em 381 d.C.: ”E cremos no Espírito Santo, Senhor, Doador da Vida, que procede do Pai e do Filho,o qual com o Pai e o Filho juntamente é adorado e glorificado”. De modo semelhante, a Confissão de fé de Westminster diz: “O culto religioso deve ser prestado a Deus Pai, o Filho e o Espírito Santo — e só a ele; não deve ser prestado nem aos anjos, nem aos santos, nem a qualquer outra criatura” (XXI.2). Muitos hinos em uso há séculos dão Louvor ao Espírito Santo, tais como o Gloria Patri (“Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito, como era no princípio, agora e para sempre, por todos os séculos. Amém!”) ou como a doxologia (“A Deus, supremo benfeitor, anjos e homens dêem Louvor; a Deus, o Filho, a Deus Pai, e a Deus, Espírito, glória dai. Amém”). Essa prática é baseada na convicção de que Deus é digno de adoração, e como o Espírito Santo é plenamente Deus, ele é digno de adoração. Tais palavras de louvor são uma espécie de oração ao Espírito Santo, e, se elas são apropriadas, parece não haver razão para pensar que outras espécies de oração ao Espírito Santo não sejam apropriadas.


Devemos ter grande confiança em que Deus vai responder a nossas orações quando lhe pedirmos algo que está de acordo com alguma promessa específica ou mandamento da Escritura como esse. Em tais casos, sabemos qual é a vontade de Deus, porque ele a disse para nós, e simplesmente precisamos orar crendo que ele haverá de responder.
Contudo, há muitas outras situações na vida em que não sabemos qual é a vontade de Deus. Podemos não ter certeza de qual ela seja porque nessas situações não se aplica nenhuma promessa ou mandamento da Escritura, como, por exemplo, se é a vontade de Deus que aceitemos o emprego para o qual nos candidatamos, ou se vamos ganhar uma competição esportiva da qual participaremos (uma oração comum entre crianças, especialmente), ou se seremos escolhidos para exercer algum cargo na igreja, e assim por diante. Em todos esses casos, tendo maior entendimento da Escritura, talvez alcancemos alguns princípios gerais dentro dos quais nossas orações possam ser feitas. Mas, de qualquer forma, muitas vezes temos de admitir que simplesmente não conhecemos qual é a vontade de Deus. Em tais casos, devemos procurar por entendimento mais profundo e, assim, orar pelo que parece melhor para nós, dando as razões ao Senhor pelas quais, em nosso entendimento da situação, estamos orando dessa maneira. Mas é sempre correto acrescentar, seja explicitamente seja ao menos na atitude de nosso coração: “No entanto, se eu estiver errado em pedir tal coisa, e se tal coisa não é agradável a ti, então faze como parece melhor aos teus olhos”, ou, de modo mais simples, “se é a tua vontade”. Algumas vezes Deus lhe dará o que você pediu. Outras vezes ele nos dará entendimento mais profundo ou uma mudança em nosso coração de modo que sejamos levados a pedir algo diferente. Em outras ocasiões ele não atenderá ao nosso pedido de forma alguma, mas simplesmente nos indicará que devemos submeter-nos à sua vontade (v. 2Co 12.9,10).


Alguns cristãos contrapõem que acrescentar a frase “se é a tua vontade” a nossas orações “destrói a nossa fé”. O que realmente acontece é que expressamos incerteza sobre se a oração que fazemos é ou não a vontade de Deus. Essa incerteza é adequada quando realmente não sabemos qual é a vontade de Deus, mas em outras ocasiões ela não é apropriada. Por exemplo, pedir a Deus por sabedoria para tomar uma decisão e a seguir dizer “se é a tua vontade me dar sabedoria aqui não é apropriado, pois seria declarar que não cremos que Deus quis dizer o que disse quando nos ordenou que pedíssemos com fé e ele atenderia o nosso pedido (“Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida”—Tg 1.5).
 
2. Ore com fé.

Jesus diz: “Tudo o que vocês pedirem em oração, creiam que já o receberam, e assim lhes sucederá” (Mc 11.24). Algumas tradições variam, mas o texto grego realmente diz: “creiam que já o receberam”. Jesus está certamente dizendo que, quando pedimos alguma coisa, a espécie de fé que produz resultados é a certeza estabelecida de que, na hora em que oramos pedindo algo (ou talvez após termos orado por um período de tempo), Deus concordou em atender ao nosso pedido específico. Na comunhão pessoal com Deus que acontece na oração genuína, essa espécie de fé de nossa parte poderia vir somente à medida que Deus nos dá o senso de certeza de que ele concordou com o nosso pedido. Naturalmente não podemos “estimular” esse tipo de fé genuína por meio de qualquer espécie de oração frenética ou de grande esforço emocional para conseguir crer, nem podemos forçar a nós mesmos dizendo palavras que não cremos ser verdadeiras. Isso é algo que somente Deus tem poder para nos dar e que ele pode ou não nos conceder cada vez que oramos. Essa fé que causa certeza muitas vezes acontecerá quando pedirmos a Deus por algo e, então, esperarmos pacientemente pela resposta.


De fato, Hebreus 11.1 nos diz que “a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos”. A fé sobre a qual a Bíblia fala nunca é uma espécie de pensamento positivo ou uma esperança vaga que não causa nenhum tipo de fundamento seguro sobre o qual possamos repousar. Ao contrário, ela é confiança em uma pessoa, o próprio Deus, baseada no fato de que tomamos sua palavra e confiamos no que ele disse. Essa confiança em Deus ou dependência dele, que possui também elemento de certeza, é a fé genuína sobre a qual a Bíblia ensina.

3. Obediência.

Desde que a oração ocorre dentro de nosso relacionamento com Deus como pessoa, qualquer coisa em nossa vida que o desagrade será impedimento à oração. O salmista diz: “Se eu acalentasse o pecado no coração, o Senhor não me ouviria” (Sl 66.18). Embora o Senhor, por um lado, deteste “o sacrifício dos Ímpios”, por outro lado “a oração do justo o agrada” (Pv 15.8). Lemos novamente que “o SENHOR [...] ouve a oração dos justos” (Pv 15.29). Mas Deus não está disposto a favorecer os que rejeitam as suas leis: “Se alguém se recusa a ouvir a lei, até suas orações serão detestáveis” (Pv 28.9).
O apóstolo Pedro cita o salmo 34 para afirmar que “... os olhos do Senhor estão sobre os justos e os seus ouvidos estão atentos à sua oração, mas o rosto do Senhor volta-se contra os que praticam o mal” (1 Pe 3.12). Visto que os versículos anteriores encorajam a boa conduta na vida diária, no falar e no afastar-se do mal para fazer o que é reto, Pedro está dizendo que Deus ouve prontamente as orações dos que vivem em obediência a ele. De modo semelhante, Pedro adverte os maridos a viver a vida comum no lar com suas esposas “de forma que não sejam interrompidas a suas orações” (lPe 3.7). De igual modo, João nos lembra da necessidade de ter a consciência limpa diante de Deus quando oramos, pois ele diz: “Amados, se o nosso coração não nos condenar, temos confiança diante de Deus e recebemos dele tudo o que pedimos, porque obedecemos aos seus mandamentos e fazemos o que lhe agrada” (lJo 3.21,22).


Ora, esse ensino não deve ser entendido de modo errôneo. Não precisamos ser completamente livres do pecado diante de Deus para ter as nossas orações respondidas. Se Deus somente respondesse às nossas orações como pessoas sem pecado, então ninguém em toda a Bíblia, exceto Jesus, teria tido qualquer oração respondida. Quando chegamos diante de Deus por meio de sua graça, nos apresentamos limpos pelo sangue de Cristo (Rm 3.25; 5.9; Ef 2.13; Hb 9.14; lPe 1.2). Todavia, não devemos negligenciar a ênfase bíblica sobre a santidade pessoal. A oração e a vida santa andam juntas. Há muita expressão de graça na vida cristã, mas o crescimento na santidade pessoal é também o caminho para a bênção muito maior, e isso é verdade também com respeito à oração. As passagens citadas ensinam que, no mais não havendo diferenças, a obediência mais exata conduzirá à eficácia ainda maior na oração (cf. Hb 12.14; Tg 4.3,4).
 
4.  Confissão de pecados.

Porque a nossa obediência a Deus nunca é perfeita nesta vida, continuamente dependemos do perdão de nossos pecados. A confissão de pecados é necessária a fim de que Deus nos perdoe no sentido de restaurar diariamente o seu relacionamento conosco (v. Mt 6.12; lJo 1 .9).Quando oramos, é bom confessarmos todos os pecados conhecidos ao Senhor e pedir-lhe perdão. Quando esperamos nele, por vezes ele vai trazer à nossa mente outros pecados que precisam ser confessados. Com respeito aos pecados dos quais não nos lembramos e dos quais não estamos conscientes, é apropriado fazer a oração geral de Davi: “Absolve-me dos [erros] que desconheço” (Si 19.12).


Confessar nossos pecados a outros cristãos em quem confiamos pode trazer-nos certeza de perdão e encorajamento para vencer o pecado. Tiago relaciona a confissão mútua à oração, pois na passagem que discute a oração eficaz, ele nos encoraja: “... confessem os seus pecados uns aos outros e orem uns pelos outros para serem curados. A oração de um justo é poderosa e eficaz” (Tg 5.16).
 
5.  Perdoando outros.

 Jesus diz: “Pois se perdoarem as ofensas uns dos outros, o Pai celestial também lhes perdoará. Mas se não perdoarem uns aos outros, o Pai celestial não lhes perdoará as ofensas” (Mt 6.14,15). De modo semelhante, Jesus diz: “E quando estiverem orando, se tiverem alguma coisa contra alguém, perdoem-no, para que também o Pai celestial lhes perdoe os seus pecados” (Mc 11.25). Nosso Senhor não tem em mente a experiência inicial de perdão quando somos justificados pela fé, pois isso não diz respeito às orações que fazemos cada dia (Mt 6.12,14,15). Ele está se referindo antes ao relacionamento diário com Deus que precisa ser restaurado quando pecamos contra ele e o desagradamos.


Visto que a oração supõe o relacionamento com Deus como pessoa, isso não é surpreendente. Se pecamos contra ele e entristecemos o Espírito Santo (cf. Ef 4.30), e o pecado não foi perdoado, ele interrompe nosso relacionamento com Deus (cf. Is 59.1,2).Até que o pecado seja perdoado e o relacionamento seja restaurado, a oração naturalmente será difícil. Além disso, se não temos perdão em nosso coração em relação a alguém, não estamos agindo de modo agradável a Deus ou útil a nós. Assim, Deus declara (Mt 6.12,14,15) que ele se distanciará de nós até que tenhamos perdoado os outros.

6. Humildade.

Tiago nos diz que “Deus se opõe aos orgulhosos, mas concede graça aos humildes” (Tg 4.6; tb. 1 Pe 5.5). Entretanto, ele diz: “Humilhem-se diante do Senhor, e ele os exaltará” (Tg 4. l0).A humildade é, assim, a atitude certa que se deve ter na oração a Deus, ao passo que o orgulho é totalmente impróprio.


A parábola de Jesus a respeito do fariseu e do publicano ilustra esse princípio. Quando o fariseu levantou-se para orar, foi jactancioso: “Deus, eu te agradeço porque não sou como os outros homens: ladrões, corruptos, adúlteros; nem mesmo como este publicano. Jejuo duas vezes por semana e dou o dízimo de tudo quanto ganho” (Lc 18.11,12). O publicano, ao contrário, “nem ousava olhar para o céu, mas batendo no peito, dizia: ‘Deus, tem misericórdia de mim, que sou pecador”’ (Lc 18.13). Jesus disse que o publicano “foi para casa justificado diante de Deus”, mas não o fariseu,”pois quem se exalta será humilhado, e quem se humilha será exaltado” (Lc 18.14). Por meio dessas palavras Jesus condenou os que, ”para disfarçar, fazem longas orações” (Lc 20.47), e os hipócritas que “gostam de ficar orando em pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos outros” (Mt 6.5).


Deus é certamente zeloso de sua própria honra. Portanto, ele não se agrada em responder a orações de orgulhosos que tomam a honra para si mesmos em vez de dá-la a Deus.A verdadeira humildade perante Deus, que também será refletida em humildade genuína perante os outros, é necessária para a oração eficaz.
 
7. O que dizer a respeito das orações não respondidas?

Devemos começar reconhecendo que, ainda que Deus seja Deus e nós sejamos suas criaturas, deve haver orações que não são respondidas. Isso é porque Deus não nos revela seus planos sábios para o futuro e, embora as pessoas orem, muitos eventos não acontecerão até o tempo que Deus tenha decretado. Os judeus oraram durante séculos pedindo que o Messias viesse, e fizeram bem, mas foi somente “quando chegou a plenitude do tempo que “Deus enviou seu Filho” (Gl 4.4).A alma dos mártires no céu, livres do pecado, clamam para que Deus julgue a terra (Ap 6.10), mas Deus não lhes responde imediatamente; ao contrário, ele lhes diz que esperem “um pouco mais” (Ap 6.11). Fica claro que pode haver longos períodos de espera durante os quais as orações permanecem sem resposta porque as pessoas que oram não conhecem o tempo próprio de Deus.


A oração também poderá não ser respondida porque nem sempre sabemos orar como convém (Rm 8.26), nem sempre oramos de acordo com a vontade de Deus (Tg 4.3) e nem sempre pedimos com fé (Tg 1.6-8). E às vezes pensamos que uma solução é melhor, mas Deus tem um plano melhor, ainda que seja para cumprir o seu propósito por meio do sofrimento e das adversidades. Sem dúvida José orou seriamente para ser resgatado do poço e não ser levado para o cativeiro no Egito (Gn 37.23-36), mas muitos anos mais tarde ele descobriu como em todos esses eventos Deus tomou o mal planejado e “o tornou em bem” (Gn 50.20).
Quando enfrentamos o problema das orações não respondidas, temos a companhia de Jesus, que orou: “Pai, se queres, afasta de mim este cálice; contudo, não seja feita a minha vontade, mas a tua” (Lc 22.42). Temos também a companhia de Paulo, que pediu ao Senhor “três vezes” para que o seu espinho na carne fosse removido, mas isso não aconteceu; ao contrário, o Senhor lhe disse: “Minha graça é suficiente para você, pois o meu poder se aperfeiçoa na fraqueza” (2Co 12.8,9). Quando a oração permanece sem resposta, devemos continuar a confiar em que “Deus age em todas as coisas para o bem” (Rm 8.28) e a lançar nossas preocupações sobre ele, sabendo que ele continuamente cuida de nós (lPe 5.7). Devemos manter na memória que ele dará força suficiente para cada dia (Dt 33.25) e que ele prometeu: “Nunca o deixarei, nunca o abandonarei” (Hb 13.5; cf. Rm 8.35-39).
Devemos também continuar a orar. As vezes a resposta longamente esperada pode ser dada de modo repentino, como aconteceu com Ana após muitos anos esperando um filho (lSm 1.19,20), ou quando Simeão viu com os próprios olhos o tão esperado Messias vindo ao templo (Lc 2.25-35).
Mas há situações em que as orações permanecem sem resposta pela vida toda. Há casos em que Deus responderá às orações após a morte do crente. Em outros não, mas, mesmo assim, a fé expressa pelo crente nessas orações e suas expressões sentidas de amor por Deus e pelas pessoas ainda vão subir como um cheiro agradável diante do trono de Deus (Ap 5.8; 8.3,4), resultando em “louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado” (1 Pe 1.7).
 
D. Louvor e ação de graças.

Louvor e ação de graças a Deus são o elemento essencial da oração. A oração-modelo que Jesus nos deixou começa com louvor: “Santificado seja o teu nome” (Mt 6.9). Paulo diz aos filipenses: “Não andem ansiosos por coisa alguma, mas em tudo, pela oração e súplicas, e com ação de graças, apresentem seus pedidos a Deus” (Fp 4.6), e aos colossenses: “Dediquem-se à oração, estejam alerta e sejam agradecidos” (Cl 4.2).A ação de graças, exatamente como em outro aspecto da oração, não deveria ser a expressão mecânica “muito obrigado” de nossa boca para com Deus, mas a expressão de palavras que refletem a gratidão de nosso coração. Além disso, nunca devemos pensar que agradecer a Deus pela resposta de alguma coisa que pedimos possa de alguma forma forçar Deus a nos dar o que pedimos, pois isso transforma o pedido sincero e genuíno em exigência que presume que podemos fazer Deus executar o que queremos que ele nos faça. Tal espírito em nossas orações realmente nega a natureza essencial da oração como manifestação de nossa dependência de Deus.
Ao contrário, a espécie de ação de graças que acompanha a oração de modo apropriado deve expressar gratidão a Deus em todas as circunstâncias, por cada evento da vida que ele permite que nos aconteça. Quando nossa oração é cheia de humildade, a simples ação de graças a Deus “em todas as circunstâncias” (lTs 5.18), então essa oração é aceitável a Deus.

Autor: Wayne Grudem
Fonte: Teolofia Sistemática do autor, Ed. Vida Nova. Compre este livro em www.vidanova.com.br


1. A oração...
2. Orar é o meio de permitir que Deus opere na sua vida...
3. Manual de Oração - Algumas instruções ...

A Oração

"Então, ele os ensinou: Quando orardes, dizei: Pai, santificado seja o teu nome; venha o teu reino"Lucas 11.2

Deus nos criou e nos redimiu para termos comunhão com ele, e a oração é uma parte importante do nosso relacionamento com Deus. Ele nos fala na Bíblia e através dela , a qual o Espírito Santo descerra e aplica ao nosso coração, e nos capacita a entender. Nós, então, falamos a Deus a respeito dele mesmo, a respeito de nós mesmos e de pessoas em seu mundo, formulando o que dizemos como resposta ao que ele tem dito. Essa forma singular de conversação bidirecional continua enquanto dura a vida.

A Bíblia nos ensina a orar tanto privativamento(Mateus 6.5-8) como em companhia uns dos outros(Atos 1.14;4.24). Na oração, o povo de Deus expressa adoração e louvor ; confessa seus pecados e pede perdão; dá graças pela bondade de Deus; e faz petições por si mesmo e pelos outros. A oração do Pai Nosso(Mateus 6.9-13;Lucas 11.2-4) inclui adoração, petição e confissão; o Saltério nos fornece modelos para esses três tipos de oração e, também, de petição e intercessão.

Na petição, a pessoa que ora torna suas petições conhecidas a Deus, expressando sua fé e dependência dele para todas as coisas. A Petição é a dimensão da oração mais frequentemente realçada através da Bíblia. Como ocorre com outros aspectos da oração, as petições comumente devem ser dirigidas ao Pai, como mostra o Pai Nosso; porém a oração pode ser dirigida a Cristo , como nos dias de sua encarnação(Romanos 10.8-13; 2Coríntios12.7-9), e ao Espírito Santo(Apocalipse 1.4).

Jesus ensina que a petição ao Pai deve ser feita em seu nome(João 14.13-14;15.16;16.23-24). Isso significa que devemos invocar sua mediação como Aquele que assegura nosso acesso ao Pai, olhando para ele como nosso esteio, como nosso intercessor na presença do Pai.

Podemos orar a Deus com fervorosa persistência, quando lhe apresentamos nossas necessidades(Lucas 11.5-13;18.1-8), sabendo que ele atenderá as nossas orações. Porém Deus sabe o que é melhor para nós, de uma maneira que nós não sabemos, e ele , por isso, pode recusar nossos pedidos específicos. Se ele os nega a nós é porque tem alguma coisa melhor para nós, com quando Cristo se recusou a tirar o espinho da carne de Paulo(2Coríntios 12.7-9). Dizer "seja feita a tua vontade ", submetendo nossas preferências à sabedoria do Pai, como Jesus fêz no Getsêmani(Mateus 26.39-44), é um mode explícito de expressar a fé na bondade daquilo que Deus tem planejado.

Na Intercessão, apresentamos a Deus as necessidades e preocupações dos outros. Ao fazermos isso, exercitamos a dádiva do jamor de Deus por eles. No Antigo Testamento, Moisés é um modelo para esse tipo de oração. No Novo Testamento, ela está no centro daquilo que Jesus veio fazer , como João 17 revela. A mesma oração mostra que a glória de Deus estabelece o propósito final da intercessão. Do mesmo modo, o Pai Nosso coloca a glória de Deus em primeiro lugar, fazendo do nome de Deus o guia tanto para as nossas petições como para as nossas confissões.

Fonte : Bíblia de Estudo de Genebra, página 1201. Compre esta maravilhosa Bíblia que certamente é a melhor em português no site de editora CEP www.cep.org.br.


Manual de Oração

 

Felizmente não existem regras ou técnicas de oração. Ela deve ser uma sincera expressão, sem fingimento ou falsos elogios. Davi diz que o Senhor “Não te deleitas em sacrifícios nem te agradas em holocaustos, se não eu os traria. Os sacrifícios que agradam a Deus são um espírito quebrantado e contrito, ó Deus, não desprezará ... Então te agradarás dos sacrifícios sinceros...” (Sl 51.16 -19)

Na oração, devemos nos aproximar de Deus com reverência e humildade. Enquanto nos dirigimos a Ele, devemos lembrar com quem estamos falando e quem nós somos. O Senhor é o Supremo (Sl 8.1,9; Rm 11.33-36) e nós criaturas frágeis e pecadoras (Jó 25.4-6; Sl 8.3,4).

 

O que é Oração

 

Orar, em sua definição mais simples, é dialogar com Deus, falando com Ele  através do Seu Santo Espírito. A confissão de Westminster diz: “A oração é oferta de nossos desejos a Deus, em nome de Cristo, com a ajuda do seu Espírito

Esta conversa pode ser direcionada ao Deus triuno ou a uma das pessoas da Santíssima trindade (ao Pai, ao Filho ou ao Espírito Santo).

Por exemplo, no Pai-nosso a oração é direcionada ao Pai: “Pai nosso que está nos céus” (Mt 6.9-13). Estevão, em sua última oração, direcionou-se a Jesus dizendo: “Senhor Jesus, recebe o meu espírito” (At 7.59-60). Judas e Paulo dizem em suas cartas aos crentes que orassem no Espírito Santo (Judas 20, Éf 6.18).

Contudo, o modo mais comum é orarmos ao Pai, em nome de Jesus, com o ajuda do Espírito Santo (Jo 14.13,14;16.23,24; Rm 8.26,27). Orar a qualquer outra criatura é ato abominável de idolatria.

 

Orando cada vez mais

 

Uma conversa entre duas pessoas é enriquecida a medida que ambos passam a se conhecerem mais e assim a sinceridade e respeito cada vez mais aumentam.

 Também somos assim em nossa conversa com Deus. Você vai achar mais sentido na oração na medida em que for o conhecendo através da Sua Palavra e se conscientizando sobre Sua Santa natureza.

Eu te louvarei de coração sincero quando aprender as tuas justas ordenanças” Sl 119.7

  

Ouvindo Deus falar com nós

 

Orar é mais do que falar com Deus. A oração é também ouvir o Senhor falar conosco.

Deus se comunica conosco primeiramente através da Sua Palavra, a Bíblia. O Seu Espírito pode trazer em nossa mente ou criar em nós um desejo de ler um trecho Bíblico que contenha aquilo que Ele deseja nos falar. Ele pode também falar ao nosso coração com palavras inaudíveis, mas verdadeiramente reais. Certamente existem outras formas de Deus falar conosco. É difícil explicar como isto pode acontecer. No entanto, é absolutamente real!

É muito importante reservarmos um tempo em silêncio em nossas orações, esperando que Deus fale ao nosso coração.

 

Dizendo “Assim seja”

 

“Amém” é a palavra usada para terminar confissões, louvores e orações (Rm 11.36; 1 Co 14.15-17; Gl 1.3-5; Dt 27.15). O significado desta palavra é  “Assim seja” ou “É verdade”.

Em nossas orações devemos terminar com a palavra “Amém” não somente para demonstrar que a finalizamos, mas também para afirmarmos a  fé no Poder de Deus em nos atender e submeter a nossa vontade a dEle.

 Indo [Jesus] um pouco mais adiante, prostrou-se com o rosto em terra e orou: “Meu Pai, se for possível, afasta de mim este cálice; contudo, não seja como eu quero, mas sim como tu queres”.” Mt 26.39

 

Ajudando você a orar

 

Todo o crente já alguma vez sentiu dificuldade de orar, seja por causa do sofrimento, da fraqueza, da desventura, de achar que não sabe orar, de desânimo, da tristeza ou até da falta de fé. Nestas ocasiões  o Espírito Santo, que habita no crente, ajuda e intercede por ele junto a Deus.  Da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8.26). Não devemos deixar de orar, mesmo que seja difícil. O Espírito nos ajuda e certamente intercederá por nós quando estivermos orando. “E aquele que sonda os corações conhece a intenção do Espírito, porque o Espírito intercede pelos santos de acordo com a vontade de Deus”. (Rm 8.27)

 

Facetas da oração

 

Observando as orações descritas na Bíblia, cinco aspectos essenciais são apresentados: o Louvor, a Confissão, Ação de Graças, a Súplica e a Intercessão. A oração pode conter apenas um destes aspectos ou mesmo, em uma única conversa com Deus, é possível utilizar todos estes elementos.

 

Louvor

 

Louvar significa elogiar, exaltar, glorificar. É clamar  de todo coração, exaltar e honrar a Deus.

Embora pareça ser  simples, fazer elogios a Deus, dizer o que Ele é o agrada . Deus é Santo, Todo-Poderoso, Eterno, Majestoso, Criador, Soberano, Maravilhoso, Glorioso, Sustentador, Deus dos deuses, Reis dos reis, Bendito seja o Seu nome, Aleluia, etc. Os anjos de Apocalipse 4.8 repetiam dia e noite sem parar: “Santo, santo, santo é o Senhor, o Deus todo-poderoso, que era, que é e que há de vir” (Veja também os verso 9 a 11; Sl 113.3, 34.1; 150).

A oração do Pai nosso inicia com louvor: “Pai nosso, que estás nos céus, santificado seja o teu nome”  (Mt 6.9)

 

A Confissão

 

A confissão é sem dúvida a parte mais relutante na oração. É difícil dizer a Deus: Confesso que ...

Mas a confissão é um passo essencial para sermos atendidos. O Salmista diz: “Se eu acalentasse o pecado no coração, o Senhor não me ouviria” Sl 66.18 Um pecado não confessado nos distância e encobre o Seu rosto de nós (Is 59.1,2). O que devemos fazer, portanto, é professar quem Jesus é para nós. “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo”, professou Pedro (Mt 16.16). Admitir que erramos, reconhecer que Cristo morreu na cruz por nossos pecados (1 Pe 2.24) e pedir perdão em nome de Jesus (1 Jo 1.9-2.2) é um passo fundamental em qualquer oração.

 

Ação de Graças

 

Agradecer é expressar apreço. É dizer Obrigado. Jesus agradeceu ao Pai quando ressuscitara seu amigo Lázaro: "Tiraram, pois, a pedra de onde o defunto [Lázaro] jazia. E Jesus, levantando os olhos para cima, disse: Pai, graças te dou, por me haveres ouvido." (Jo 11:41)

Em nossa ação de graça, devemos agradecer a Deus pelo que Ele é. Além disso, é importante dirigirmos nossos agradecimentos por tudo que Deus tem feito, seja em nossas vidas ou das pessoas que nos cercam.

 

Súplica

 

Súplica é pedir a Deus alguma coisa, é dizer a Ele o que você deseja ou suas preocupações.  Um emprego, uma prova difícil na faculdade,  uma difícil decisão a tomar podem ser uma súplica. Nela pedimos o que desejamos ou precisamos.

Jesus nos incentiva a pedir, buscar e bater:"Pedi, e dar-se-vos-á; buscai, e encontrareis; batei, e abrir-se-vos-á. Porque, aquele que pede, recebe; e, o que busca, encontra; e, ao que bate, abrir-se-lhe-á. E qual de entre vós é o homem que, pedindo-lhe pão o seu filho, lhe dará uma pedra? E, pedindo-lhe peixe, lhe dará uma serpente? Se vós, pois, sendo maus, sabeis dar boas coisas aos vossos filhos, quanto mais vosso Pai, que está nos céus, dará bens aos que lhe pedirem?" (Mt 7:7-11)

Contudo é importante estarmos conscientes que quando pedimos coisas erradas, por motivos errados ou aquilo que Deus sabe que fará mal a nós mesmos, não seremos atendidos. Porque Ele não daria pedra ou serpente aos seus filhos.

Cobiçais, e nada tendes; matais, e sois invejosos, e nada podeis alcançar; combateis e guerreais, e nada tendes, porque não pedis. Pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para o gastardes em vossos deleites." (Tg 4.2-3)

 

Intercessão

 

Interceder é pedir a Deus que aja na vida de outra pessoa. Um exemplo de interceder é a oração de Jesus em João 17. Ele diz: “Minha oração não é apenas por eles. Rogo também por aqueles que crerão em mim, por meio da mensagem deles, para que todos sejam um, Pai, como tu estás em mim e eu em ti. Que eles também estejam em nós, para que o mundo creia que tu me enviaste”. (Jo 17.20,21; veja outros exemplos Cl 1.9; Fp 1.19)

A intercessão é um privilégio dos crentes. Deus pode agir em nossas vidas pelas orações de outras pessoas (Pai, Mãe, irmãos e amigos) que clamam por nós. Não importa qual seja a situação, a distância, porque Deus é Onisciente e Onipresente. Ele agirá em qualquer lugar do mundo.

 

 A intercessão funciona da seguinte forma:

  1. Você pede a Deus que ajude determinada pessoa (Tg 5.16)

2. Deus sabe exatamente qual é a situação por que passa aquele parente e amigo. Ele conhece todo o passado daquela pessoa; e o que é mais importante, ele conhece todos o futuro. Ele sabe quais as suas necessidades físicas, espirituais e psicológicos. E há um pensamento muito consolador para você: é que Ele ama o seu amigo mais que você mesmo o ama (Jr 20.11-14; 139).

3. Deus tem um plano perfeito para a vida do seu amigo. Ele recebe suas orações e reponde de forma perfeita (Tg 5.16-18; Lc 11.9-13).

4. Seu amigo poderia pedir, ele próprio,  auxílio a Deus, mas é também muito importante que você interceda em seu favor (Tg 5.13,14)

5. Deus vai ajudar seu amigo, mas ele precisa aceitar a direção de Deus para ter a vitória espiritual nessa situação (Éf 1.1-2.22).[1]

 

Caderninho de oração

 

Você já desejou orar por alguém mas simplesmente esqueceu? Você já recebeu alguma coisa de Deus e depois esqueceu de agradecer? Ou será que orou de forma tão genérica que nem lembra o que pediu  e se recebeu?

Por isso seria bom ter um caderninho de oração. Nele poderíamos escrever, fazer observações de nossos louvores, confissões, ação de graça, súplica e intercessão.

“Um inglês chamado George Müeller, um santo homem de oração, deixou-nos uma herança espiritual: um caderno de oração chamado “Os tratos de registro de mais de 50.000 respostas específicas de orações”.

 Manter um Caderno de oração vai revolucionar seu relacionamento com Deus. Será uma experiência estimulante para você.”[2]

 

Segue abaixo tabelas que você pode recortar e montar seu caderninho de oração. Mantenha sempre junto a sua Bíblia. Afinal, oração e leitura da Palavra de Deus são inseparáveis.

 

 Louvor

Deus amado, através da Sua Palavra e minha oração, conscientiza-me sobre Sua Santa natureza, como Tu és.

 

Deus é ...

Anotações e passagens Bíblicas:

 

  

 

Confissão

Deus amado, muda a minha vida nestes setores:

Ajuda-me a amar estas pessoas como tu as amas.

Data

Preciso parecer mais com Jesus nestes setores e amar a pessoa:

Resposta, Data:

 

 

  

 

Agradecimentos

Deus amado Obrigado por:

Data

Por:

 

 

 

Súplica

Deus amado, gostaria de ter estas coisas:

Porém, mais do que estas coisas, sejam feitas a tua Vontade:

Data:

Gostaria:

Resposta, Data

 

  

Intercessão

Deus amado, pelo seu santo amor e graça, faça isto na vida desta pessoa.

Comecei a hora, Data

Nome da pessoa

Pedido:

Resposta, data

 

  

Autor: N. Mascolli F.

Fonte: Este livro foi baseado no livro de Bobb Biehl / James W. Hagelganz, O livro ORAÇÃO – Como Começar e Continuar Orando, Editora Vida.  Aconselho a quem desejar saber mais sobre o assunto, adquiri-lo. Você pode encontrá-lo acessando www.editoravida.com.br .

 

Notas

[1] ORAÇÃO - Como Começar e Continuar Orando, autor: Bobb Biehl / James W. Hagelganz, Editor: Vida

[2/ Ibid.


Orar é o meio de permitir que Deus opere na sua vida

Às vezes, por causa de um sentimento de inutilidade, frustração ou desânimo, alguns crentes perguntam “Por que orar?”

Orar pode ser a atividade mais importante e mais poderosa de toda a sua vida.
Eis algumas razões por quê:

1ª Orar atua em você pessoalmente.
A Paz de espírito, por exemplo, pode vir através da oração.

2ª Orar envolve comunhão e comunicação com o Senhor do Universo.
Isso ajuda a pessoa a ver a vida numa perceptiva mais ampla e a compreender os acontecimentos amais claramente, porque ela está considerando a eternidade.

3ª A oração é o caminho para aprender a vontade de Deus.
Quando vice conhece a vontade de deus, pode submeter-se à sua direção. Quando você se  submete à vontade de Deus, recebe não apenas paz, mas os sentimentos de poder, direção e realização.

4ª Orar é você falar com Deus e Deus falar com você.
Você não pode ter nenhum relacionamento com ninguém a menos que se comunique com ele, e esta comunicação entre vocês dois tem de ser feita em ambas as direções.

5ª Deus ouve e responde às suas orações.
As Escrituras prometem que “todo o que pede recebe; o que busca encontra; e a quem bate; abrir-se-lhe-á” (Lc 11.10)

Você ainda precisa de mais razões para orar além destas?

Autor: Bobb Biehl / James W. Hagelganz,

Fonte: ORAÇÃO - Como Começar e Continuar Orando, Editor: Vida


O LOUVOR


Música e Adoração na Igreja

Introdução

Costumamos dizer, a grosso modo, que a música tem, pelo menos, dois papéis muito importantes no culto: o de impressão e o de expressão. O papel de impressão tem a ver com a criação de um ambiente próprio, de uma atmosfera que mexe com as pessoas, quer elas queiram, quer não. Há a música certa para cada momento do culto: Momento de alegria, exultação, tristeza, confissão etc. Além disso, a música pode mexer conosco o suficiente para que assimilemos uma idéia e entendamos o que está acontecendo, de modo mais claro.

EXPOSIÇÃO

1. Restabelecendo o Culto

O segundo livro as Crônicas registra dois períodos importantes da história do povo de Israel. Nos primeiros nove capítulos do reino de Salomão abrangia toda a nação de Israel. Esse foi o período em que o rei atingiu o apogeu tanto social quanto economicamente. Foi o momento áureo de Israel.

A segunda parte do livro, a partir do capítulo 10, registra o ocorrido depois da morte de Salomão. A história de outro vinte reis é contada nesses capítulos. Alguns eram bons e outros maus. O reino já estava divido: Israel e Judá, e a história agora é vista sempre da perspectiva do templo.

O bom rei era o que governava com Deus, o mau rei era o que se afastava de Deus. Ezequias foi um desses vinte reis, mais exatamente, foi um dos doze bons reis. Sua história inicia-se no capítulo 29. Ele abriu as portas da casa do Senhor e as reparou.

Depois que Ezequias restaurou  o templo, ele reuniu os levitas e devolveu-lhes a função que lhes cabia. Essa tribo tinha sido separada desde os tempos de Moisés para um ministério ligado à Casa do Senhor. Enquanto o templo não estava construído, eles eram responsáveis por carregar todos os utensílios relacionados ao tabernáculo: seu transporte e sua montagem. Quando o templo foi construído, eles ficaram a serviço do templo. Evidentemente durante todo o período de Acaz os levitas não tiveram ocupação no templo. Ezequias, contudo, reúne-os e manda fazer uma limpeza no templo (2 Cr 29.16). A partir daí, ele estabelece os levitas na Casa do Senhor, com címbalos, alaúdes e harpas (29,25). Quando o sacrifício teve o seu inicio, uma cerimônia estranha para muitos, um cântico foi entoado ao Senhor ao som das trombetas e dos instrumentos de Davi (29.27-28). É a única vez em que se toca música durante o  sacrifício.

Em todo o relato do Antigo Testamento não vamos encontrar, nenhuma vez, música sendo durante o sacrifício. Assim, o escritor sagrado registra que toda a congregação se prostrou enquanto se entoava o cântico e as trombetas soavam. E foi assim, até o final do holocausto (29.28).

Depois disso, o versículo 36 do capítulo 29 nos informa que “Ezequias e todo povo se alegraram por causa daquilo que Deus fizera para o povo, porque subitamente, se fez esta obra”. Essa frase está conectada com o momento em que o povo adorou o Senhor. O “subitamente se fez esta obra” foi momento em que de repente, sem ordem de ninguém, o povo caiu e adorou o Senhor. Isso, curiosamente, aconteceu no momento em  que a música soou no espaço. Esse é o papel da impressão que a música tem, de criar uma atmosfera, de apropriar aquela verdade que acontece, a um ambiente, para que você absorva aquela verdade.

2. Os Elementos da Música

Se você estudou um pouco de música, você se lembra ainda de uma afirmação que esta em todos os livros: A musica tem três elementos: Ritmo, Melodia e Harmonia.

2.1 O que é ritmo?

Por exemplo, ouvindo as pessoas dizendo que o coração está batendo em um ritmo muito acelerado. Esse é um uso correto da palavra. Ritmo é a marcação do tempo, ou freqüência em que a ação se repete. Quando transportamos essa idéia para a música, temos algumas dificuldades, porque a palavra “ritmo” é usada para muitas coisas na música.

Pode se dizer: “ritmo de valsa”.

Algumas pessoas dizem: “não gosto de determinada música porque ela não tem ritmo”. Isso é um equívoco. O ritmo é o esqueleto da musica, a passagem do tempo na música.

É verdade que existem alguns instrumentos que só conseguem marcar ritmo, não conseguem tocar melodias. São os tambores, os triângulos, as bateria etc. Acontece que o “ritmo” mexe com uma parte específica do nosso organismo: os nossos músculos. Somente com os músculos. Isso pode ser visto na alteração do pulso cardíaco conforme a música do ambiente. Alguns segundos depois de começar uma música que tem uma estrutura diferente, nosso pulso imediatamente se altera. E isto pode acontecer mesmo que você não esteja consciente da música soando no espaço.

Portanto, ritmo mexe com os nossos músculos e há instrumentos que o enfatizam, que só conseguem marcar ritmos.

2.2. O que é melodia?

A melodia mexe com as nossas emoções, e somente com elas. Alguém diz: “quando ouço aquela música sinto uma tristeza!” Ou seja: a melodia nos deixa tristes ou alegres. A melodia mexe com as emoções. Não é o ritmo que nos deixa tristes, também não é a harmonia, mas, sim, a melodia. Melodia é uma sucessão de sons. Há melodia de uma só nota. Isso quer dizer que cantar uma nota, depois outra, depois outra, forma uma melodia. Qualquer um de nós pode inventar uma melodia. (Uma boa melodia já é outra conversa...!). Portanto, podemos imaginar que melodia é uma coisa horizontal. Se você puder imaginar uma nota, depois outra, depois outra, você verá uma dimensão do movimento das notas. Existem instrumentos que só tocam melodias, só conseguem tocar uma nota, como a flauta, o pistom, o trombone e o saxofone. São instrumentos que não conseguem tocar mais que uma nota ao mesmo tempo. São conhecidos como instrumentos melódicos. A melodia mexe tão duramente com as emoções que a melodia certa, num auditório que se deixa levar por ela, destrói emocionalmente qualquer um. Não há necessidade do Espírito Santo para fazer um auditório chorar; basta usar a melodia certa. Para mudar de vida, para ser uma nova pessoa, precisa do Espírito, mas fazer chorar a gente faz com a melodia certa, facilmente. E não só fazer chorar...

2.3. O que é harmonia?

A harmonia pode ser definida como sons simultâneos. Se tínhamos melodia como sons sucessivos, uma nota, depois outra, depois outra; agora podemos dizer que harmonia são melodias juntas. Quando um grupo está cantando ou tocando, seja música jovem, seja um coro, seja um grupo instrumental, uma flauta, um sax, uma clarineta, cada um deles toca uma melodia, e a combinação de todos forma uma harmonia (ou desarmonia...). Nas quatro vozes do coro, cada uma canta um melodia, e a combinação delas forma uma harmonia.

A harmonia é vertical, portanto. Se a melodia é horizontal – uma nota após a outra – a harmonia é vertical, é a estrutura que soa simultaneamente. A harmonia mexe com o intelecto. Ela tem a ver com o córtex cerebral, o hemisfério direito e esquerdo, com cognição e criatividade: os dois hemisférios do nosso cérebro. Com a coisa aprendida e com a criatividade que é característica da raça humana. Só os humanos têm os dois hemisférios funcionando dessa forma. Somente os seres humanos entendem harmonia. Quanto mais elaborada e complicada a harmonia, mas difícil de ser apreciada e entendida, porque, de fato, ela tem que ser entendida, Os instrumentos que tocam harmonia são: o piano – toca várias vozes ao mesmo tempo; o violão – toca pedaços de harmonia, acordes etc.

Na história da humanidade, diferentes povos enfatizam esses diferentes elementos na sua música, conforme as características que cada povo tem. Os povos africanos dão uma tremenda ênfase aos músculos e ao corpo. Eles dependem disso para sobreviver. Obviamente, a música deles é construída, basicamente, em cima do ritmo. No que se refere à melodia, os italianos, no século 19, a enfatizaram tremendamente em sua musica. A ópera só podia ter nascido na Itália, pois a melodia é o seu centro. A melodia é sempre muito chorosa e os italianos choram mesmo durante a ópera. Também brigam, depois se abraçam; é típico do temperamento italiano essa explosão de sentimentos, essa emoção. Esse povo, portanto, só podia enfatizar, na sua música, a melodia.

Cada vez que um desses elementos é por demais enfatizado, há um certo detrimento nos outros dois. Qualquer deles, enfatizado em demasia, anula os outros dois.

3. “Cérebro mamal”

Esses três elementos são responsáveis pela ação direta da música nos ouvintes. Por isso, a música é um excelente veículo para guardar informações em nosso cérebro. Todo professor de ‘cursinhos’ sabe disso. Geralmente eles usam melodias para ensinar fórmulas complexas. Uma mensagem, uma vez interiorizada por meio de uma melodia, jamais será apagada da memória. As melodias são fixadas numa região do nosso cérebro chamada “cérebro mamal”. Os mamíferos possuem essa região, por isso que é chamada de “mamal”. Essa região arquiva definitivamente as informações no cérebro. É como se fosse um computador que grava algo que não pode mais ser “deletado”. Aquilo ficará arquivado para sempre, independentemente das pessoas desejarem ou não.

A música fixa em nossa cabeça, para  sempre, verdades teológicas; mas o problema é que ela fixa também,  para sempre, mentiras ideológicas. Indelevelmente. Fixa de tal forma que nunca mais você as esquecerá. A Igreja tem passado, e eu a tenho vista no Brasil inteiro, por uma fase de esvaziamento doutrinário, também porque tem cantado “abobrinha”.

Uma forma litúrgica estranha, muito comum nas igrejas hoje em dia, é o chamado “Momento de Louvor”. Um grupo de pessoas vai à frente, jovens que sabem tocar alguns instrumentos e cantar, e, por 40 minutos, apresentam uma séria de músicas. E para piorar, o líder do grupo, sem nenhuma formação teológica, começar a doutrinar a Igreja, falando sempre entre 4 a 5 minutos antes ou  depois de cada música. Ele explica como é que age o Espírito Santo, como é o plano de Deus, como a gente deve se comportar, e como a Igreja deve fazer. Esse doutrinamento com música está sendo absorvido indelevelmente, independente do que o pastor disser mais tarde. Se temos um sugestão já, nesse momento da nossa conversa? Sim: Não os deixem falar mais. Eles estão catequizando a sua Igreja, de verdade. Por que? Porque usam a música, registrando e arquivando para sempre. E, como têm cantado qualquer música, e qualquer texto, estão ensinando “abobrinhas teológica brava”, heresia, muitas vezes, e levando a Igreja a perder a sua característica, a sua identidade.

Estamos falando do que já está acontecendo. A Igreja estão perdendo a sua identidade. Tanto faz, para o jovem, ir à sua Igreja ou ir à comunidade “não sei o quê”. Porque em ambas ele canta a mesma música repleta de mentiras teológicas, sem aprofundamento bíblico. Seus cânticos são sempre vazios e falam de alegria e euforia. Há pelo menos um deles que fale: “Se temos de perder, família, bens, mulher, se a morte enfim chegar, com ele reinaremos” como Lutero fazia? A Igreja dele não tinha problemas com a teologia da prosperidade, tinha? Porque ele cantava isso. A nossa Igreja deixou de cantar essas coisas. Não nos admira o esvaziamento doutrinário da atualidade. Por isso, começamos dizendo que não achamos que o problema é a música; achamos que a música é o sistema do problema. O problema é muito maior que a música. É teológico e doutrinário. Tem se refletido na musica, mas é muito mais sério.

CONCLUSÃO

Meus irmãos, a música tem papel de impressão no culto, de criar um atmosfera própria para diferentes momentos do culto. Faça experiência sobre este papel de impressão que tem a música: Quando estiver assistindo a um filme pela televisão, na cena mais importante, tire o som. Se o filme for de terror aqueles monstros deixarão de ser tão horrorosos; se for filme romântico, o par vai ficar desajeitado; se for filme de aventura, o mocinho vai cair do cavalo. Na verdade, vai estar faltando o elemento mais importante aliado à imagem para tornar a cena convincente: a música, o som.

Autor: Parcival Módolo

Fonte: Revista Caminhos da Fé Cristã – 13 estudos sobre questões da Fé Cristã, Volume 27, lição 05, Editora SOCEP. Compre esta excelente revista em  www.socep.comvendas@socep.com.br (19) 3464.9000.

Maestro. Parcival Módolo - Mestrado na Alemanha com especialização em música dos séculos XVII e XVIII; Reestruturação e direção da Orquestra Sinfônica Municipal de Americana por 14 anos; Lecionou na University of San Diego, California, EUA, no Departamento de Música Antiga e recebeu bolsa de estudo para o curso de doutorado na University of Southern California, Los Angeles. Gast-Direktor da Orquestra do Teatro da Ópera de Bielefeld, Alemanha e da Orquestra Sinfônica de San Diego, USA. Presbiteriano do Brasil, coordenador geral da Divisão de Arte e Cultura do IP Mackenzie, e membro da Comissão Nacional de Música da Igreja Presbiteriana do Brasil.

Este estudo do Mastro Parcival Módolo expressa exatamente o que angustiadamente tenho observado. Nossa juventude desprezando o hinário e abrasando toda espécie de louvores quando não possuem erros teológicos, são teologicamente superficiais. Letras que ficam a todo tempo em expressões de sentimentos onde parecem patinar, patinar, patinar... Exaltações de emoções sem conteúdo espiritual. Isto não é somente com jovens. Diáconos, Presbíteros e Pastores estão fazendo suas liturgias onde a igreja canta no máximo 1 hino em contraste com 5 louvores. Vejo também juventude que por estes louvores montam grupos e se desvinculam da igreja, mesmo sendo membros dela, e sonham serem artistas. Usam brincos, pintam cabelo, são apaixonados por aquela banda profana e nem sabem quem foi Lutero, Calvino. O que é Fé Reformada? Sem falar sobre as doutrinas mais essências do Cristianismo. De sexta e sábados vão às baladas e domingo tocam e cantam na igreja.  Maior tristeza ainda é ver igrejas gastarem muito dinheiro com grandes sistemas de som, microfones e data-show e não terem se quer um bom piano. Ou custear os estudos daquele nobre jovem que deseja aprender um instrumento clássico para tocar na igreja: uma flauta, um sax, um violino, um piano e etc. O Mundo entra dentro da igreja. Mas outra coisa ainda entristece, é aquela desculpa que hinos são coisas de velhos, temos que ritmá-los.  É lamentável e profundamente angustiante ver nossos hinos serem bagunçados quando na verdade ele tem sua forma musical maravilhosa e sem qualquer necessidade de que seja "ritmado". "Ritmar", ou seja, bagunçar. É só tocar como o hinário o descreve! Nosso arquiinimigo soube agir bem e minou tantas coisas na igreja, talvez de fato ele deva ter sido o regente de musica antes de se rebelar. Não sei aonde isto vai parar, mas os frutos disso se vêem num culto frio espiritualmente e “quente” emocionalmente e de alto volume de som e baixo espiritual. As coisas deviam estar em seus lugares, os hinos como musica principal na liturgia e os corinhos em segundo. Três ou quatro hinos e dois louvores. Os corinhos teologicamente corretos são bons, eu sempre os ouço e canto, porém não devem substituir os hinos. O corinhos deve ser tocados e cantado para a igreja juntamente louvar a Deus e não momento de Show e imitações de bandas "evangelicas". Que a graça de nosso Deus nos socorra. Graças a bom Deus que preserva muito de seus filhos e temos igreja que ainda valorizam nosso Hinário e a usam como forma principal de música Cristã no culto. Nilson Mascolli Filho


O Louvor em nossa vida

Definição e o objeto

Louvar significa elogiar, exaltar, glorificar.

No louvor, Deus é o objeto dos elogios, exaltação e glorificação.

"Ele é o teu louvor e o teu Deus, que te fez estas grandes e terríveis coisas que os teus olhos têm visto."  Dt 10:21

Somente a Ele nosso louvor deve ser dirigido, porque tudo que existe é resultado do Seu ato criador. Somos dependentes dele para existir como também para continuar existindo (Ap 4.11; Sl 95.1-7; At 17.25; 1 Cr 16.25).

Portanto, nosso louvor não deve ser prestado aos anjos, nem aos homens ou a qualquer criatura, mas unicamente ao Deus Triuno: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. (Mt 4.10; Dt 6.4,13; 10.21; Êx 20.3)

A. Elementos do louvor

1. O ponto de partida do nosso louvor: O coração.

O coração é o centro de nossas emoções e sentimentos. Nele devemos sentir amor profundo, um desejo de se entregar completamente a Deus (Pv 4.23; Jr 29.13; Mt 15.7-9).

2. O louvor deve ser uma adoração.

Adorar é sentir um amor profundo, uma vontade de estar junto, de dar atenção exclusiva e entregar completamente nossa vida a Deus. Ao louvar ao Senhor nosso coração deve estar nutrido destes sentimentos.

“...Adore o Senhor, o Seu Deus...” (Mt 4.10; Dt 6.13)

 3. O louvor é individual

Partindo do coração, o louvor é individual. Ainda que esteja no meio de uma multidão, cada pessoa dever compartilhar em seu coração a adoração.

4. Aprendendo de Sua Palavra como louvá-lo.

Aplicação pessoal e contínua no estudo da Palavra de Deus é essencial ao genuíno louvor a Deus. Um ditado popular diz: “O que o olho não vê o coração não sente”. Quando estudamos a Bíblia vemos as grandezas de Deus, Sua santidade e Sua vontade para nossas vidas. Estas verdades fazem-nos sentir maior desejo de louvar a Deus e aprendemos à forma correta de fazê-la. Este segundo ponto é importante. Nosso Deus exigi adoração segundo os princípios contido em sua Palavra.  Nossa adoração a Deus não pode ser determinada por um critério puramente estético ou sentimental, mas espiritual, teológico e racional: o culto deverá ser sempre na liberdade do Espírito e dentro dos parâmetros da Palavra (Jo 4.23-24; Fp 3.3). Nosso culto ao Senhor não pode ser a nosso bel-prazer, como quis Jeroboão e, de certa forma, Uzias, pois Deus o rejeita (1 Rs 12.33-13.5; 2Cr 26.16-210. Se queremos agradar ao Senhor, devemos procurar saber através da sua Palavra como ele deseja ser cultuado. [1]

O salmista reconhece que os louvores com retidão só podem acontecer quando se aprende os justos juízos de Deus.

"Louvar-te-ei com retidão de coração quando tiver aprendido os teus justos juízos." (Sl 119:7)

5. Em Espírito e Verdade.

Jesus disse a mulher Samaritana: "Mas a hora vem, e agora é, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade; porque o Pai procura a tais que assim o adorem. Deus é Espírito, e importa que os que o adoram o adorem em espírito e em verdade." (Jo 4:23,24)

 Para adorar em espírito é necessário nascer de novo, nascer do Espírito (Jo 3.5-8), ser uma nova pessoa em Cristo (2 Co 5.17; Gl 6.15).  Assim, nosso louvor será aceito por Deus quando partir de coração regenerado, de uma nova criatura em Cristo Jesus.

Para adorar em verdade é necessário conhecer o genuíno evangelho e o Caminho da verdade que é Jesus (Jo 14.6).  Sendo assim, se subentende que devemos aplicar-nos aos estudos de Sua Palavra, procurando compreender Seu santo caráter, propósito, mandamentos, etc. Como também trilhar naquele que é o Caminho da Verdade. O louvor, o estudo das Sagradas Escrituras e prática da Palavra de Deus são inseparáveis.

 B. Como louvar a Deus

 Quando falamos de louvor pensamos instantaneamente em cânticos, hinos e louvores. A musica certamente tem um papel muito importante, como diz Calvino: “Nós sabemos por experiência que o canto tem grande força e vigor para mover e inflamar os corações dos homens, a fim de invocar e louvar a Deus com um mais veemente e ardente zelo.” [2]

Porém estes fazem apenas parte da vida do crente no louvor a Deus. Vejamos outras formada de expressão de louvor.

 Com nossa vida

Paulo em sua carta aos “santos e fiéis em Cristo Jesus, que estão em Éfeso“ (Éf 1.1) fala que Deus “em amor nos predestinou ... conforme o bom propósito da sua vontade, para o louvor da sua gloriosa graça ... a fim de que nós ... sejamos para o louvor da sua glória.” (Éf 1.4,6,11,12,14).

Não existe uma distinção entre aquele momento que estamos na igreja e o nosso dia a dia. Todas as coisas que fazemos, em qualquer tempo ou lugar, devem ser para o louvor da Sua glória. Em tudo o que fizermos em nossa vida, Deus pode ser glorificado.

Paulo fala que quer seja nas simples coisas como comer e beber ou qualquer outra atividade deve ser feito para glória de Deus.

Assim, quer vocês comam, bebam ou façam qualquer outra coisa, façam tudo para a glória de Deus.” (1 Co 10.31)

 Por isso em nosso dia a dia, devemos cativar nossos pensamentos a Jesus (1 Co 10.5) pensando somente no que é bom (Fp 4.8). Se submeter aos nossos superiores (Rm 13.1-2),  agradecer a Deus pelo alimento preparado (Mt 6.11), exercer os frutos do Espírito como amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio (Gl 5.22). Confessar diante das pessoas o nome de Jesus (Hb 13.15), cantar louvores, orar continuamente (1 Ts 5.17), confessar nossos pecados (1 Jo 1.8 a 2.1) e estudar as Sagradas Escrituras (2 Tm 3.14-17).

Louvamos a Deus quando:

·          Dirigimos elogios sinceros a Ele;

·          Sentimos um amor profundo por Ele;

·          Pensamos Nele a todo tempo;

·          Cantamos louvor;

·          Confessamos nossa fé em Cristo Jesus;

·          Respeitamos ao próximo;

·          Submetemos e respeitamos nossas autoridades e superiores;

·          Não criticamos as pessoas ou as condenamos;

·          Não murmuramos nas dificuldades;

·          Agradecemos a Deus pelo alimento;

·          Expressamos sentimentos de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão com o próximo;

·          Fugimos de toda espécie de injustiça;

·          Ajudamos ao próximo em suas necessidades;

·          Exaltamos a Deus pela manifestação de Sua glória na criação;

·          Damos um testemunho de servos fieis ao Senhor;

·          Agradecemos a coisas que tem nos feito;

·          Exercemos os dons que nos tem dado;

·          Oramos;

·          Confessamos nossos pecados e arrependidos pedimos perdão em nome de Jesus Cristo;

·          Dedicamos à leitura e estudo das Escrituras;

·          Fazemos Sua vontade;

·          Etc..

Em suma, os elogios dirigidos em palavras ou quando fazemos aquilo que é a vontade de Deus, nutrido de um amor profundo, uma vontade de estar junto, de dar atenção exclusiva e entregar completamente nossa vida a Deus. Sejam as pequenas coisas ou as mais difíceis, nisso consiste o nosso louvor.

Música

A música é a forma mais popularmente conhecida de louvor a Deus.  Os cultos do Antigo Testamento incluíam os cânticos. Alguns dos levitas foram separados para música (1 Cr 15.14 a 22; 2 Cr 7.6). O livro de Salmos está repleto de convites para cantar louvores ao Senhor Deus.  

 "Entrai pelas portas dele com gratidão, e em seus átrios com louvor; louvai-o, e bendizei o seu nome." (Sl 100:4 veja também Sl 92.1; 104.33)

 No Novo Testamento os cânticos continuam fazendo parte dos cultos. Paulo incentiva os cristãos de Colossos dizendo: “Habite, ricamente, em vós a palavra de Cristo; instruí-vos e aconselhai-vos mutuamente em toda a sabedoria, louvando a Deus, com salmos, e hinos, e cânticos espirituais, com gratidão, em vosso coração” (Cl 3.16).

Os salmos podem se referir aos Salmos do Antigo Testamento (Lc 20.42; 24.44; At 1.20; 13.33) ou também a novas composições para o culto (At 16.25). Os hinos eram especialmente usados numa celebração (Mc 14.26; Hb 2.12; veja também At 16.26), enquanto os cânticos eram exaltações dos atos de Deus e por tudo quanto Ele é (Ap 5.9; 14.3; 15.3). A palavra espiritual qualifica os salmos, hinos e cânticos como sendo inspirados e dirigidos pelo Espírito Santo.

Paulo, em suas cartas, parece ter porções de louvores primitivos  (Ef 5.14; Fp 2.6-11; Cl 1.15-20; 1 Tm 3.16) e outros autores, como João e Pedro, fazem o mesmo (Jo 1.1-14; Hb 1.3; 1 Pe 1.18-21; 2.21-25; 3.18-22).

Em Apocalipse encontramos muitos louvores dirigidos a Deus pelos anjos, e são exemplos vibrantes para nossos cânticos (Ap 4.8,11; 5.9-10,12-13; 7.10,12; 11.15,17-18; 12.10-12; 15.3-4; 19.1-8; 21.3-4).

O tema central de nossos louvores deve ser Deus em sua obra redentora através de Cristo Jesus. Tudo o que Cristo tem feito a nós pela sua infinita graça deve levar-nos a seguir a Jesus glorificando e louvando a Deus assim com fez o cego curado por Jesus e o povo que o viu realizar o milagre.

"E logo viu, e seguia-o, glorificando a Deus. E todo o povo, vendo isto, dava louvores a Deus." (Lc 18:43)

Para os reformadores (Século 16), os cânticos tinham um grande apelo didático, objetando até mesmo a fixação das Escrituras. Como Palavra de Deus, cantar as Escrituras significa relembrar e fixar seus ensinamentos. [3] Calvino não ignorava o poder da música “... para agitar as emoções do ser humano”.[4] Ele escreveu: “... o canto tem grande força e vigor para mover e inflamar os corações dos homens, a fim de invocar e louvar a Deus com um mais veemente e ardente zelo.”[5]

O canto tem também relação direta com a experiência religiosa, e não simplesmente a momentos de lazer e entretenimento. Cantar, além de refletir a fé (quando o conteúdo é amparado na Palavra), também serve de estímulo espiritual. É como o “falar entre vós com salmos” (Ef 5.19). Uma fé que se expressa em cântico se fortalece do conteúdo proveniente da Palavra de Deus.

O cântico congregacional tornou-se parte importante na liturgia de Calvino.[6] O cântico a quatro vozes era utilizado no culto, todavia, enfatizou o cântico congregacional. Ainda que fosse apreciador da harpa, os cânticos eram como na sinagoga, sem acompanhamento instrumental. Calvino entendia que algumas práticas do Antigo Testamento faziam parte da infância espiritual do povo; entre elas, o uso de instrumentos no culto. [7]

Outro aspecto importante: as orações eram sugeridas, mas não deveriam ser lidas; eram espontâneas. O pai-nosso e o Credo apostólico eram recitados pela congregação. A eucaristia foi posta como elemento integrante do culto público. A Palavra de Deus recebeu destaque como elemento central do culto. “As Igrejas Reformadas simbolizaram isto nos edifícios que ergueram durante a Reforma, ao colocar o púlpito à frente e no centro do templo”. [8]

Quanto à questão da música na Igreja, Calvino afirmou:

E, na verdade, conhecemos por experiência que o canto possui grande força e poder de comover e inflamar o coração dos homens para invocar e louvar a Deus com zelo mais veemente e ardoroso. Há sempre a considerar-se que o canto não seja frívolo e leviano; pelo contrário, tenha peso e majestade, como diz Agostino.[9]

Calvino também optou por Salmos, entendendo que somente a Palavra de Deus era digna de ser cantada. No “Prefácio” do saltério genebrino, ele explicou os motivos dessa prática:

Os salmos nos incitam a louvar a Deus, orar a ele, meditar nas suas obras a fim de que os amemos, temamos, honremos e o glorificamos. O que Santo Agostinho diz é totalmente verdade; a pessoa não pode cantar nada mais digno de Deus do que aquilo que recebermos dele. [10]

Essa declaração revela o princípio da inspiração bíblica: os salmos provêm do Espírito Santo. Ele entendia que “os salmos constituem uma expressão muito apropriada da fé reformada” [9], e que “Tudo quanto nos serve de encorajamento, ao nos pormos a buscar a Deus em oração, nos é ensinado [em Salmos]”[12]. Portanto, salmos é um guia seguro para a edificação da Igreja, que pode cantá-lo sem correr o risco de proferir heresias melodiosas. Ele considerava os salmos “uma anatomia de todas as partes da alma”. [13]

Na elaboração do que veio a ser chamado Saltério genebrino [14], Calvino traduziu alguns salmos, valendo-se do talento de poetas e compositores. O saltério tornou-se “um dos livros mais importantes da reforma” [15] e um protótipo dos hinários procedentes da Reforma.

Os salmos tiveram um papel extremamente marcante na formação espiritual dos reformados, sendo também uma de suas grandes demonstrações de fé:

O cântico de salmos tornou-se essencial para a piedade calvinista. Os protestantes franceses, ao serem levados para a prisão ou para a fogueira, cantavam salmos com tanta veemência que foi proibido por lei cantar salmos e aqueles que persistiam tinham sua língua cortada. O salmo 68 era a Marselhesa huguenote. [16]

Devemos observar que os hinos da Igreja não precisam estar limitados a Salmos, mesmo reconhecendo seu indiscutível valor como Palavra inspirada de Deus. Além disso, deve ser observado que muitos dos salmos refletem de modo evidente a expressão de fé de servos de Deus na antiga aliança, que ainda não se planificara em Cristo, aquele que selou a nova aliança com o próprio sangue.

Pelos que pudemos ver até aqui, torna-se evidente que a Igreja, através da história, expressou sua fé de modo vivo e vibrante mediante hinos, elaborando sua teologia de forma clara e simples, a fim de que todos pudessem entendê-la e cantá-la. A música foi empregada não simplesmente pela música, antes, de tal forma que estivesse a serviço da mensagem e da letra do próprio evangelho. [17]

 Com o sofrimento

A nossa fé, amor e alegria experimentada nos sofrimentos são um louvor a Deus. 

"Para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo;" (1 Pe 1:7)

Um exemplo é Jó, que se manteve fiel mesmo sem entender o porquê de seu sofrimento. Deus foi louvado através da fidelidade de Jó, e também diante de Satanás que não conseguiu fazê-lo renegar a Deus (Jo 1 a 2.3).

A fidelidade em tempos difíceis e a aceitação da vontade de Deus no sofrimento ressoam como elogios, exaltação e glorifica a Deus.

 

C. Benefício

Quando louvamos a Deus experimentamos uma maravilhosa comunhão que nos trás benefício como:

Cumprimos o propósito da vida

Por milhares de anos filósofos discutem e ponderam sobre o propósito da vida, ou seja, para que estamos aqui?

Esta resposta só pode ser correta quando feita pelo próprio Criador. Felizmente o Criador responde através de Sua Palavra:

"A todos os que são chamados pelo meu nome e os que criei para a minha glória, os formei, e também os fiz." (Is 43:7 veja também Ef 1.11,12)

Quando louvamos a Deus o propósito para qual fomos criados é cumprido e assim nossa alma  se sacia preenchendo o vazio que antes havia em nós.

O Catecismo Maior de Westminster expõe muito bem isto na primeira pergunta: Qual é o fim supremo e principal do homem? Resposta: O fim supremo e principal do homem e glorificar a Deus e gozá-lo para sempre.  Rom. 11:36; 1 Cor. 10:31; Sal. 73:24-26; João 17:22-24.

Renovamos as forças 

Em momentos difíceis o louvor alivia a alma e renova as forças. Um exemplo é Jó novamente, que sofreu e no momento mais difícil de sua vida palavras de louvor saíram de sua boca:

"Ao ouvir isso, Jó levantou-se, rasgou o manto e rapou a cabeça. Então prostrou-se, rosto em terra, em adoração, e disse:"Saí nu do ventre da minha mãe,e nu partirei.O Senhor o deu, o Senhor o levou; louvado seja o nome do Senhor”." (Jó 1.20,21 NVI)

Outro exemplo é o alívio que Saul sentia quando Davi louvava a Deus na sua presença, o espírito mau se retirava (1 Sm 16.23).

 Paulo e Silas, quando presos no cárcere em Macedônia, estiveram com os pés presos num tronco e suas costas estavam sendo açoitadas. Certamente suas costas ardiam e seus pés doíam, no entanto louvavam a Deus com oração e hinos (At 16.22-25).

Quando Louvamos a Deus, Ele ministra a nós e assim nossas forças minguantes são renovas.

 Alegria Mútua

No louvor alegramos a Deus (Is 62.4-5; Sf 3.17) e nos alegramos em Deus (Lc 24.52-53; At 2.46-47; Sl 42:4; 100.2; Tg 5:13). O salmista nos ajuda a compreender como pode ser isto quando diz: “Então irei ao altar de Deus, a Deus, a fonte da minha plena alegria” (Sl 43.4 NVI). Davi diz em seu salmo  "Far-me-ás ver a vereda da vida; na tua presença há fartura de alegrias; à tua mão direita há delícias perpetuamente." (Sl 16:11)

Sendo Deus a fonte de alegria, na sua presença há fartura de alegrias que contagia todos os que louvam.  Nosso Senhor habita nos louvores.

"Porém tu és santo, tu que habitas entre os louvores de Israel." (Sl 22:3)

Os males fogem

Um ditado popular diz “Quem canta os males espantas”.  Isso acontece quando louvamos a Deus, seja com nossa vida ou especificadamente pela música. Através do louvor, Saul obteve alívio do mal-espírito (1 Sm 16.23). Paulo e Silas superaram suas dores (At 16.22-26) e os inimigos de Israel, moabitas, edonitas e sírios, foram derrotados.

"Depois de consultar o povo, Josafá nomeou alguns homens para cantarem ao SENHOR e o louvarem pelo esplendor de sua santidade, indo à frente do exército, cantando: “Dêem graças ao SENHOR, pois o seu amor dura para sempre”. Quando começaram a cantar e a entoar louvores, o SENHOR preparou emboscadas contra os homens de Amom, de Moabe e dos montes de Seir, que estavam invadindo Judá, e eles foram derrotados.." (2 Cr 20:21.22 NVI)

Evangelizamos

 A vida da pessoa que louva a Deus testemunha a Jesus.  As pessoas, vendo o caráter de Cristo moldado em nós, são estimuladas a conhecer ao Senhor (At 1.8).

Os louvores em forma de músicas são muito eficientes na evangelização. Isto porque a melodia amolece o coração, permitindo que a letra cantada penetre no coração. O Senhor entra na casa, e com ele ceia (Ap 3.20).

 "E, perseverando unânimes todos os dias no templo, e partindo o pão em casa, comiam juntos com alegria e singeleza de coração, Louvando a Deus, e caindo na graça de todo o povo. E todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar." (At 2.46,47)

D. Ruídos em nosso louvor

O pecado é o ruído que desqualifica os louvores dirigidos a Deus. Através do profeta Isaías, Ele disse à nação rebelde Israel:  "Não continueis a trazer ofertas vãs; o incenso é para mim abominação, e as luas novas, e os sábados, e a convocação das assembléias; não posso suportar iniqüidade, nem mesmo a reunião solene." (Is 1:13, veja também Is 59.1-2).

Com o pecado enraizado em nossos corações nossos louvores não serão ouvidos por Deus.

“Se eu acalentasse o pecado no coração, o Senhor não me ouviria”

(Sl 66.18 NVI)

E.  Acertando os ruídos

Não somos mais escravos do pecado desde que aceitamos Cristo Jesus. Porém, Ele ainda se faz presente em nossas vidas. Devemos purificar-nos diariamente para que nosso louvor seja agradável ao Senhor.  João ensina como fazer:

 "Mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo o pecado.  Se dissermos que não temos pecado, enganamo-nos a nós mesmos, e não há verdade em nós.  Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados, e nos purificar de toda a injustiça.  Se dissermos que não pecamos, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós." (1 Jo 1.7-10)

Confessar a Deus admitindo que erramos, reconhecer que Cristo morreu na cruz por nossos pecados (1 Pe 2.24) e pedir perdão em nome de Jesus (1 Jo 1.9-2.2) é essencial. Diariamente devemos fazer isto.

No que diz respeito ao louvor em forma de música, devemos sempre nos policiar se estamos fazendo unicamente para Deus ou por outros motivos pecaminosos. Somente o Senhor deve ser o motivo de nossos louvores, cânticos, hinos e corinhos. Ele não divide o louvor e sua Glória com ninguém ( Is 42.8; Is 48.11). Devemos sempre analisar se as musica que vamos cantar está de acordo com a Sã doutrina da Palavra de Deus.

Só o SENHOR é digno de louvor.

"Porque grande é o SENHOR, e digno de louvor, mais temível do que todos os deuses." (Sl 96:4)

"Grande é o SENHOR, e muito digno de louvor, e a sua grandeza inexcrutável." (Sl 145:3)

Nota :

[1] Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa, Fundamentos da teologia reformada, pg. 132-133, Editora Mundo Cristão.

[2] João Calvino, Prefácio à edição de 1542 do Saltério Genebrino.

[3] Veja João Calvino, As Institutas, III.20.28,31-32; Confissão de Westminster, 21.5; Segunda Confissão Hevética, XXIII, § 5.221. Também a Confissão Luterana: Confissão de Augsburgo (1530), XXIV.

[4] Exposição de 1 Coríntios, p. 414. Cf. p. ex.: Platão, A República, 424b e ss., p. 168-170.

[5] Citado por john T. McNeill, the History and Character of Calvinism, p. 148.

[6] Veja As Institutas, II.20.31-32.

[7] O Livro dos Salmos, vol. 3, p. 278.

[8] W. Stanford Reid, “El Culto Reformado”; em R. G. turnbull, diccionario de la Teologia Practica, p. 43.

[9] John Calvin, opera Calvini, vol. VI, p. 167. Citado por André Biéler, O pensamento econômico e social de Calvino, p. 577. Cf. tb. As institutas, II.20.31; III. 20.32 e III.9. Cf. tb, Agostinho, confissões, p. 219-220.

[10] Citando por hughes Oliphant Old, Worship: That Is Reformed According to Scripture, p. 51-52

[11] John H. Leith, a tradição reformada, p. 336.

[12] O Livro dos Salmos, vol. 1, p. 34.

[13] O Livro dos Salmos, vol. 1, p. 33.

[14] Esta nota é do Webmaster do site. Rev. Hermisten no estudo sobre ‘A Plenitude do Espírito e as Suas Implicações na Vida Cotidiana do Crente’ escreve: Calvino na elaboração do que seria conhecido como Saltério Genebrino, traduziu alguns salmos [Sl 25,36,46,91e 138],[xxxix] valendo-se efetivamente do talento do poeta francês Clément Marot (c. 1496-1544) – que conhecera em Ferrara em 1536[xl] –, e Théodore de Bèze (1519-1605) e, posteriormente recorreu ao precioso trabalho do compositor francês Loys Bourgeois (c.1510-c. 1560) – que adaptou as canções populares e antigos hinos latinos e, também, compôs outras músicas para a métrica dos salmos de Marot[xli]– e Claude Goudimel (1510-1572), que morreu no massacre da noite de São Bartolomeu. O Saltério iniciado por Calvino em 1539, dispunha de 19 salmos; sendo concluído por Bèze (c. 1562).[xlii] Ele tornou-se “um dos livros mais importantes da reforma”,[xliii] tendo um verdadeiro “dom de línguas”, sendo traduzido para o alemão, holandês, italiano, espanhol, boêmio, polonês, latim, hebraico, malaio, tamis, inglês, etc., sendo usado por católicos, luteranos e outras denominações.[xliv] No Prefácio à edição de 1542 do Saltério Genebrino, Calvino escreveu:  “.... Nós sabemos por experiência que o canto tem grande força e vigor para mover e inflamar os corações dos homens, a fim de invocar e louvar a Deus com um mais veemente e ardente zelo.”[xlv] ver nota deste trecho no artigo no seguinte endereço: http://www.monergismo.com/textos/pneumatologia/plenitude.htm

[15] John H. Leith, A tradição reformada, p. 229. Cf. tb. p. 40.

[16] A tradição reformada, p.229 (cf. tb. a p. 301). Veja Philip Schafff, Hystory of the Christian Church, vol. VIII, p. 374.

[17] Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa, Fundamentos da teologia reformada, pg. 133-136, Editora Mundo Cristão.

Autor: Nilson Mascolli Filho

www.teologiacalvinista.com


A Música na Igreja

A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao SENHOR com graça em vosso coração.” Cl 3.16

Alguns ramos da fé Reformada, impacientes por proteger a Igreja de acréscimos da tradição humana, impressionados pela continuidade entre Israel e a Igreja e notando que os termos "salmos", "hinos" e "cânticos" são usados no Livro dos Salmos, crêem que Paulo previu só o cântico dos Salmos do Antigo Testamento no culto público. Essa restrição, contudo, compreende mal o ensino de ensinamento de Paulo. Ele reúne os termos para realçar a ampla gama de expressão musical que o louvor a Deus agradecido e profundamente sincero suscita do Corpo de Cristo.

A palavra "salmos" se refere, no mínimo, ao uso do saltério do Antigo Testamento (Lc 20.42; 24.44; At 1.20; 13.33), mas pode também referir-se a novas composições para cultos (1 Co 14.26). A palavra espiritual (pneumatikos, no grego) qualifica o potencialmente secular termo "cântico" como sendo ensinado ou dirigido pelo Espírito Santo (cf. 1 Co 2.6; 15.44-45).

A obra redentora de Cristo provocou uma efusão de hinos de louvor por parte de seu povo, freqüentemente moldados segundo os cânticos do Antigo Testamento (p. ex., Lc 1.46-53,67-79; 2.14,29-32). Paulo pessoalmente usou a música na sua própria adoração de culto (At 16.25), e tem sido, desde há muito, observado que suas cartas contêm porções de hinos cristãos primitivos (Ef 5.14; Fp 2.6-11; Cl 1.15-20; 1 Tm 3.16). Cânticos de louvor do Cristianismo primitivo também parecem subjazer em Jo 1.1-14; Hb 1.3; 1 Pe 1.18-21; 2.21-25; 3.18-22. Os "novos cânticos" do Apocalipse são, em si mesmos, um estudo da qualidade vibrante do culto cristão primitivo (Ap 4.8,11; 5.9-10,12-13; 7.10,12; 11.15,17-18; 12.10-12; 15.3-4; 19.1-8; 21.3-4).

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra [Editor Geral: R. C. Sproul]


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Batalha, TENTAÇÃO E ARMADURA DE DEUS

Batalha com o Mundo

             Martinho Lutero falou de uma batalha tripla na vida cristã. O cristão está engajado num combate com o mundo, a carne, e o diabo. Estes são oponentes formidáveis. Eles nem sempre lutam limpo, de acordo com as regras. Ë um ataque múltiplo. As táticas do inimigo são indiretas. Satanás é o mestre dos ataques sorrateiros. A carne é o inimigo por trás das linhas, um sabotador que mina o espírito.

             Vivendo para agradar um Deus de justiça, travamos uma batalha constante com estes inimigos. Parte do processo da santificação é lutar e – se estivermos verdadeiramente crescendo – freqüentemente triunfar  sobre esse inimigos. Cada crescente sensível conhece muito bem quão difícil pode ser conquistar uma vitória contra oposição tão formidável.

             Neste capítulo iremos examinar o primeiro dos três inimigos, o mundo. O mundo espiritual, os sistemas de valores da criação degradada, pode ser diferenciado da carne e do demônio, mas não separado deles. A carne é parte do mundo caído e o demônio é o príncipe deste mundo.

             Vivemos neste mundo. Somos pare do mundo. Num certo sentido, somos produto deste mundo. E o mundo é o nosso campo de batalha. A guerra não está restrita à Europa ou ao Oceano Pacífico. O mundo inclui nosso próprio lar. Onde quer que moremos ou nos movamos neste mundo, ainda estaremos engajados no combate. Não há zona desmilitarizada. O planeta todo está caindo. Toda a criação geme esperando a redenção.

             Vivemos num mundo ferido por dente, unha e presa. Olhamos para a frente para um novo mundo onde o lobo rá dormir com o cordeiro e a criança irá brincar em segurança o ninho a cascavel. Mas exatamente agora não concordamos os lobos para girem como pastores de nossas ovelhas.

            Logo que mudei para a Flórida, rapidamente me tornei consciente do perigo das cobras venenosas. A cascavel oriental terrível progride lado a lado com o ameaçador trigonocéfalo d’água , ou serpente d’água. Eu estava preocupado com a segurança dos nossos netos brincando no quintal. Na margem de minha propriedade tinha um grupo de palmeiras que havia crescido muito com grama e mato. Eu estava determinado alimpar a área antes que se tornasse o lugar ideal para o desenvolvimento dos répteis letais.

            Assim, que comecei a tarefa de limpar os falhos cortados, meus olhos viram um movimento repentino na base de uma palmeira. Fiquei hipnotizado com a aparência de uma cobra. Era vela – delgada, graciosa, marcada com anéis de cores vivas, preto, amarelo e vermelho. A cobra afastou-se de mim, parecendo inofensiva. Parecia um colar vivo, o tipo de jóia pequena que certamente atrairia o interesse de uma criança curiosa. Mas era uma cobra coral, a mais bela e mortal dos répteis norte-americanos. Eu reagi depressa, movendo-me rapidamente para destruí-la.

             Uma vez que a cobra coral estava morta, eu a coloquei numa jarra e levei para dentro de casa. Lá eu a mostrei para as crianças e expliquei o perigo que a cobra representava.

            O mundo está cheios de serpentes de todos os tipos. A serpente que enganou nossos primeiros pais ainda está solta.

             O veneno de criaturas indomadas pode danificar nosso jardim.

             O mundo é realmente o habitar de dragões devoradores.

A SEDUÇÃO DESTE MUNDO           

            O mundo é sedutor. Procura atrair nossa atenção e devoção. Permanece tão próximo, tão visível, tão sedutor. Ele obscurece nossa visão do céu. Aquilo que é visível compete para atrair nossa atenção, a menos que olhemos para o alto, para um mundo melhor cujo arquiteto e construtor é Deus. O mundo nos agrada – pelo menor na maior parte do tempo – e freqüentemente vivemos nossa vidas de modo a grada-lo, o que é lamentável.

            E ;e aqui que ocorre o conflito, pois agradar ao mundo raramente coincide com agrada a Deus.

            O Chamado divino que recebemos é este: “Não se conforma com este mundo”. (Rm 12.2). Mas o mundo quer que sejamos seus parceiros. Somo impelido a participar plenamente dele. Ele nos pressiona por meio dos nossos amigos e colegas.

             Você lembra da ansiedade que todos nós já experimentamos com adolescentes? Nosso amor-próprio e nossa auto-estima eram medidos por uma palavra mágica, um único padrão que abrangia tudo: Popularidade.  Lembro-me de uma vez em que fui a uma loja comprar sapatos. Eu estava na sexta série. Minha mãe me fez sentar na seção de calçados. Enquanto o funcionário estava me atendendo, ele perguntou sobre minha escola. Falei sem pensar: “Sou o garoto mais popular da minha classe!”

            Minha mãe ficou horrorizada e me deu uma aula sobre a virtude da humildade. Explicou que meu  orgulho era de mau gosto. Não me importei. O importante para mim era se muitas palavras eram verdadeiras ou não. Eu queria achar que era o garoto mais popular da classe. Para minha mente de sexta série esta era a razão principal da vida. Ah, é claro que eu queria que meus pais me amassem e que minha irmã estivesse orgulhosa de mim, mais a finalidade de minha existência era a popularidade.

            Havia uma etiqueta  com preço para a popularidade. Eu tinha que me conformar. Tinha que estar “por dentro”. Tinha que usar s roupas certas, aprender como pentear meu cabelo de modo adequado, conhecer as letras das canções populares certas. Para provar minha masculinidade. Tinha que desempenhar os rituais próprio. Tinha que aceitar desafios. Tinha que provar que podia “roubar” uma revista ou chocolate da loja sem ser pego. Tinha que participar nas travessuras noturnas que envolviam ser perseguido pela polícia. Eu tinha que fazer coisas para aborrecer meus professores. Tinha que roubar as cebolas do canteiro da dona Daughbert e eu nem mesmo gostava de cebolas. Eu roubava uvas na plantação do velho Nick Green enquanto Nick estava ocupado pegando uvas na próxima fileira. Aprendi como copiar a lição de casa de Linda Huffington e depois passar para os meus amigos. Isto e muito mais artimanhas fizeram parte do preço para a popularidade mística.

            Esse tipo de coisa, porém, acaba quando termina a adolescência. Ou será que não? Os jogos mudam. Isa testes são diferentes. As etiquetas de preço são diferentes, pois as coisas são mais caras. Mas as apostas são as mesmas. Ainda quero ser popular.

            Na nona série eu descobri um novo modo de ser popular: esportes. Eu era o capitão da equipe de basquete. Meu mundo estava centralizado naquele eixo. O jornal da cidade não noticiava nossos jogos. Nunca apareci na capa de nenhuma revista de esportes. Mas no meu pequeno mundo eu era um herói. Quando ganhávamos, ouvia as garotas da torcida organizada: “Sproul, já ganhou! Sproul, já ganhou”.

            Eu adorava os dias na escola depois das vitórias do nosso time. Enquanto andávamos pelos corredores para mudar de classe, os estudantes sorriam para mim e chamavam pelo meu nome. No refeitório, as meninas da sétima série me pediam para autografar seus guardanapos. Tudo isso quando ganhávamos. Mas somente quando ganhávamos.

            Quando  time perdia, era diferente. Eu abaixava a cabeça nos corredores para evitar os olhares irados. As lágrimas caiam dos meus olhos e molhavam o travesseiro quando tentava conciliar o sono com o som de vaias ainda em meus ouvidos. Depois dos jogos em que perdíamos, eu não ia nem até a farmácia.

            Aprendi muito cedo a não confiar nos aplausos da multidão. Mas nunca prendi a desdenhá-los. Eles permanecem como uma força sedutora em minha vida. Ainda luto para agradar aos homens. Ainda luto com o mito da popularidade. Ainda odeio ser vaiado. Estar “conformado” com este mundo é estar com (prefixo latino con) as formas ou estruturas deste mundo . Ito significa fazer coisas populares. O conflito é este: O que é popular para com os homens nem sempre é popular para com Deus. Estar agradando a Deus nem sempre é agradar ao homem. Às vezes, devemos escolher quem iremos agradar. Isto é uma luta diária na vida cristã.

            Em cada geração, em cada cultura, há um espírito dominante que prevalece. Os alemães criaram uma palavra para isto, Zeitgeist, um termo que une duas idéias comuns. Zeit é a palavra alemã para “tempo”, e Geist é a palavra alemã para “espírito”. Então Zeitgeist significa “espírito do tempo” ou “espírito da época”.

            O Zeitgerst contemporâneo com o qual o cristão           convive é o secularismo. A ênfase está neste mundo., nesta época. Poua atenção é dada para as coisas que estão acima e além deste mundo. A eternidade é raramente considerada. Salvo por breves instantes ao lado de uma sepultura. O que consta é o aqui e agora. Viver par o momento, pois o prazer do presente é  espírito deste mundo.

            O espírito secular deste mundo tem suas próprias tendências e ênfases modernas, mas em sua essência não é novo. Cada geração tem sua própria forma de secularismo.

            O mesmo foi verdadeiro nos dias de Jesusl Ele repetidamente chamou seus discípulos para olhar além do presente. Ergue seu olhar para o eterno; ele disse “Juntai tesouros no céu”. Jesus nos chamou pra pesarmos as questões na balança da eternidade, “Pois que aproveitaria o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a sua alma?” (Mt 16.26)

            O mundo ou a alma? Agradar ao mundo ou agradar a Deus? Essa é a questão    ao de cada geração         ao. Estar conformado com este mundo é se arriscar a perder a alma eterna. O mundo dá pouco valor    à alma. Um corpo não vale mais que duas almas no campo,  de acordo com o Zeitgeist de nosos geração. O espírito do mundo nos convida a jogar agora e pagar depois, embora a ênfase esteja no agora. Este é o modo popular de viver.

            Para o cristão           ao resistir à sedução deste mundo é correr o risco de ir contra a maré. Deve estar disposto a arriscar a perda de agradar ao homem e a ganhar em agradar a Deus. Portanto Jesus disse: “Bem-aventurados sois quando. Por minha causa, vos injuriarem e vos perseguirem e, mentindo, disserem todo mal contra vós. Regozijai-vos e exultai, porque é grande o vosso galardão nos céus (Mt 5.11-12)

            As palavras chaves nesta bem-aventurança são: “por amor a mim”. A não-conformidade para a qual fomos chamados não é simplesmente por amor não-conformidade. Qualquer um pode chamar atenção sobre si mesmo fazendo o tipo ‘diferente’. É o “por amor a Jesus” que faz a distinção entre a não-conformidade barata e o artigo genuíno. Não já virtudes em estar indiscriminadamente “por fora. Nossa não-conformidade deve ser seletiva. Deve estar no ponto que interessa.

            É fácil trivializar a não-conformidade. Podemos reduzí-la a simples expressões exteriores como os fariseus fizeram. A autêntica não conformidade está na transformação. O apostolo Paulo acrescenta uma ordem positiva à proibição negativa. Disse: “E não vos conformeis com este século, mas transformai-vos pela renovação da vossa mente” . (Rm 12.2).

            É o prefixo que deve ser mudado. O prefixo “com-” deve dar lugar ao prefixo “trans-“, que significa “através”, “além”, ou “acima”. Não é suficiente para o cristão sair da sociedade. O chamado para a transformação não significa a retirada do mundo . Não precisamos de nenhum mosteiro. Devemos ir além das formas deste. Devemos efetuar alterações no mundo. A perspectiva de Jesus vai além das formas deste mundo. Não devemos nem nos submeter ao mundo e nem fugir dele. Devemos penetrar no mundo com o esp’rito nvo e diferente.

            Há um ditado cristão muito usado que tornou-se clichê pelo seu uso: “Devemos estar no mundo, ms não ser do mundo.”Ser do mundo é ser mundano. É conformar-se com este mundo. Sair do mundo é ser não-confomista sem transformação.

            O palco da redenção de Deus é este mundo. Foi para este mundo que Deus veio em Cristo. Cristo recusou-se a permitir que seus discípulo ficassem escondidos num cenáculo com as portas fechadas, cheios de medo. Não permitiu que nenhuma tenda fosse armada na montanha da Transfiguração. Somos chamados para ser testemunhas de Cristo em Jerusalém, Judéia, Samaria e nos confins da terra, Jerusalém está neste mundo. A Judéia está neste mundo. Samaria está neste mundo. Os confins da terra ainda estão nesta terra . Então não devemos fugir deste mundo. Quantos cristãos, entretanto, tentam fazer isto! E fazendo assim, podem realmente estar desagradando a Deus que quer que o mundo seja remido, não que se perca.

 O VÔO EVANGÉLICO

             Um grande movimento está ocorrendo nos Estados Unidos. A escola paroquial cristã tem apresentado uma alternativa para a educação pública secular. Os cristãos não estão mais satisfeitos de terem seus filhos educados pelo estado secular. O governo não tem zelo para inculcar uma visão cristã na educação pública. O estado prefere se manter “neutro” com respeito às coisas de Deus. No esforço para uma “neutralidade” religiosa, as escolas educam crianças como se não existisse Deus ou como se Deus não fosse tão importante quanto ler, escrever e aritmética. Mas os cristãos saem que há pouca diferença entre um Deus irrelevante e nenhum Deus.

            O Deus da cristandade é o Criador de todo o mundo . Ele é soberano acima de tudo o que criou. Ele é soberano sobre a igreja e o estado. Ele é soberano sobre a teologia e a biologia. Assim um professor neutro é um simples mito. Cada professor e cada currículo tem um ponto de vista. Cada professor e cada currículo possui um sistema de valores. Ou Deus está integrado àquele ponto de vista  ou não está. Não há neutralidade com Deus. Ou ele é reconhecido ou é ignorado. Qualquer que seja o caminho, ele expressa um ponto de vista.

            Mais e mais pais cristãos estão percebendo que treinar crianças nas coisas de Deus é um dever sagrada. Estão aproveitando a liberdade limitada e se mantém na América para apresentar uma educação alternativa para o assim chamado sistema neutro. Significa pagar o dobro, pois o Imposto de Renda ainda exige que assumamos as despesas das escolas estaduais, Depois devemos pagar novamente por nosso próprio sistema de educação. É difícil culpar pais dedicados por empenharem tanto esforço – e dinheiro  para educar seus filhos num ambiente onde agradar a Deus é uma grande prioridade.

            Não é o suficiente, porém, que as escolas sejam simplesmente não conformistas, O movimento da escola cristã pode ser, e frequentemente é, apenas uma nova forma de monasticismo, um esforço para buscar o isolamento do mundo e não deixar nenhum testemunho cristão, Se desejamos agradar a Deus, devemos nos manter inoxidáveis, mas devemos fazer mais que uma retirada.

            Algumas pessoas têm feito perguntas sobre o que exatamente torna as escolas cristãs distintamente cristãs. Manter classes de estudo bíblico ou ter períodos de oração nas salas de aula não torna uma escola cristã. É a perspectiva do currículo que conta. Deus deve ser reconhecido em cada campo de pesquisa. E ainda temos que estudar o mundo se queremos ser testemunhas eficazes nele.

            Recentemente recebi um telefonema do diretor de um colégio cristão. Ele estava enfrentando uma crise que ameaçava destruir sua escola. A classe avançada de inglês incluiu o livros “As vinhas da Ira” de John Steinbeck na sua lista de leitura exigida. vários pais sentiram-se ofendidos pela seleção e exigiram que o livro fosse tirado da lista. A obra de Steinbeck era muito “secular” para o gosto deles. Não queriam que seus filhos fossem expostos a este tipo de literatura. Os pais insistiram que somente a literatura cristã poderá ser lida no curso.

            “O que posse fazer?, perguntou o diretos. “Como poderemos ter um verdadeiro curso de literatura americana se riscarmos todos livros não-cristãos de nossa lista de leitura?”

            A resposta é simples: A escola não pode ter um curso autêntico de literatura americana caso os livros não=cristãos sejam exluí9dos. Se um estudante quer realmente conhecer a literatura americana, ele não pode ignorar Steinbeck, Heminway e uma série de outros autores que não são cristãos. A educação cristã autêntica não pode ser uma educação criada dentro de uma ‘redoma’.

            Para u estudante compreender os principais temas da literatura que forma a cultura americana, deve estar apto a estudá-los. Qual. o ambiente melhor para estudar a perspectiva do mundo do que uma escola que reconhece e honra a Deus? Ignorar tal literatura é ignorar algumas das belezas do mundo – e, sim, há várias – e dar munição aos críticos que acusam os cristãos de serem anti-intelectuais e atrasados.

            O apóstolo Paulo era versado em literatura mundial. No aerópago, em Atenas, quando debateu com os filósofos pagãos, ele citou os escritos dos poetas profanos (Veja Atos 17.28; onde Paulo cita o poeta Epimênides). Paulo fez isto não porque mundano, mas porque era educado. Ninguém jamais amou a Escrituras mais do que Paulo, exceto Jesus, Contudo Paulo encontrou tempo para ler outras literaturas também.

            Agostinho, bispo de Hispona na África, ministrou para a igreja em virtude do seu antecedente na filosófica neoplatônica. O grande teólogo medieval Tomás de Aquino respondeu aos filósofos seculares de sua época. João Calvino citava Cícero quase com a mesma freqüência com que citava Agostinho. Jonatham Edwards, que gostava dos escritos do filósofo John Locke, enfrentou os ateístas continentais com sua penas. Aqueles homens conheciam profundamente a filosofia secular e procuravam combate-la com a verdade cristã. Eles não retrocederam numa postura isolacionista. Às vezes, embora mantivessem uma posição claramente cristã, eles citavam com aprovação as palavras de escritores não cristãos.

            Existem riscos envolvendo a exposição de nossos filhos ao pensamento profano. Meu próprio filho lia Aldous Huxley quando tinha doze anos de idade. Mas ele estava lendo com minha supervisão , Nós discutíamos juntos a idéia dos filósofos. Nós tentávamos examinar a antítese que existe entre a perspectiva deste mundo e a perspectiva da Palavra de Deus.

            Alguns irão argumentar: “Mas a Bíblia não diz que devemos tomar cuidado com as vãs filosofias?” (Cl 2.8). Realmente ela diz; mas para estar apto a ter cuidado com algo devemos primeiro estar conscientes disto. Uma educação cristã autêntica não pode ser intimidada por filósofos seculares. Temos convicção de que a verdade cristã vai além disso. Ela triunfa sobre isto. Não precisamos fugir do inimigo, nem precisamos concordar com ele. Mas é para nosso bem compreender como o inimigo pensa.

            Eu falei recentemente com um executivo de uma universidade cristã. Ele fez uma observação duvidosa? “O estudante contemporâneo tem duas opções: uma educação cristã ou uma boa educação”. A observação não foi feita com um espírito de cinismo. Ao invés disto, foi uma expressão de profunda preocupação que a educação cristã não fique satisfeita com baixos padrões de qualidade. Muitos jovens cristãos brilhantes ingressam nas escolas seculares porque crêem que podem receber uma educação geral melhor. Lamentavelmente, na verdade tal decisão tem algum fundamento, embora, felizmente, existam ótimas universidades cristãs disponíveis.

            Deus exige uma mente transformada. Esta é uma mente que vê o mundo de uma perspectiva diferente. Nós ainda estudamos os filósofos profanos. Mas prendemos a “ler com um pente fino”- ou seja, temos um sistema de valores que nos capacita a sermos críticos com o que estudamos. Aqui a palavra crítica não significa ver com o espírito negativo. Significa se cauteloso, ter discernimento. A verdade de Deus deve ser o ponto de referência por meio do qual devemos avaliar o ensino deste mundo.

            O chamado para a transformação é um chamado à renovação da mente. A mente renovada vem de um estudo profundo da perspctiva de Deus. Exige domínio das sagradas Escrituras. As escrituras revelam a mente de Deus. Quanto mais compreendemos a mente de Deus menos ameaçados seremos por Ernest Hemingway ou Jean Paul Sartre.

            Podemos também aprender algo do mundo . Nem tudo da revelação de Deus é encontrado ns Escrituras. Deus também se revela na natureza e na cultura humana. Toda a verdade é a verdade de Deus. Embora, em geral, os filósofos dizem é falso. A verdade pode ser encontrada em qualquer lugar. Podemos descobrir elementos da verdade nos escritos profanos. As pepitas da verdade juntas aos poucos por ele pode ser difícil de se encontra, mas elas estão lá e podemos nos beneficiar delas. Muitos livros com ilustrações de sermões têm citações de incrédulos bem com de crentes.

            O mundo é um obstáculo para nossa santificação. Mas pode ser também um aliado se o abordarmos de perspectiva certa. Este ainda é o mundo do meu Pai. Ele não o despreza. Ele ama o suficiente para redimi-lo. Ele o visita. Ele não o abandona, nem desiste dele. Neste aspecto, devemos ser imitadores de Deus, buscando abordar o mundo do mesmo modo que ele o fez. O objetivo é a transformação.

            Devemos  aprender como viver com o mundo e no mundo como povo de Deus. Martinho Lutero descreveu um padrão de crescimento cristão que é útil. Ele disse que assim que uma pessoa se converte a Cristo passa por um período de afastamento e de renúncia do mundo. O novo convertido num sentido real ‘rompe totalmente’ com o mundo. Os velhos padrões de conformidade devem ser postos de lado. Há um período de retirada durante o qual mergulhamos nas coisas de Deus. Antes de ser enviado como apóstolo para os gentios, Paulo primeiro passou um tempo em retiro na Arábia. Moisés estava no deserto., sozinho com Deus antes de ser enviado à corte do Faraó.

            Este período de retirada é tanto normal como saudável. Mas, como Lutero insistiu, não atingimos a maturidade espiritual até sermos aptos a entrar novamente no mundo e abraçá-lo, não como fizemos antes, com todo o seu sistema mundano – mas abraça-lo como uma arena de redenção. O mundo agora é nosso campo de trabalho. É o lugar que Deus fez e para onde Jesus veio, Não desistimos do mundo. Em toda a sua prostração, é ainda o mundo do nosso Pau.

            Devemos aprender a reivindicar o mundo para Deus. Não pela conformidade, nem rendendo-nos à sua sedução

 R. C. SPROUL, Como Viver e Agradar a Deus, Ed. Cultura Cristã, SP/SP, Capítulo IV, pág. 51 a 63, Batalha com o Mundo.

Estudo digitado pelo caríssimo irmão e colaborado do site Teologia Calvinista: Hiron Ferreira Lima.

 


A Batalha com Carne

O espírito na verdade está pronto, mas a carne é fraca” (Mt 26.41). Este sentimento expressa uma luta interior que é a realidade para cada filho de Deus. O Novo Testamento fala de uma guerra entre a carne e o espírito. A carne é parte da tríade de inimigos de Lutero: o mundo, a carne e o diabo.

O que é então a “carne” da qual a Escritura fala? O que ocorre com a carne que ode afastar um crente de uma vida centralizada em Deus e uma de uma vida que agrada a Deus?

A CARNE – FÍSICA OU CAÍDA?

            Quando usamos a palavra carne, geralmente significa nossa natureza física. Por outro lado, a carne refere-se à substância que compõe nossos corpos. Falamos de “tons da pele”, de pessoas parecendo “na carne” de “pele bronzeada”, ou “carne e sangue”, e de família que são “minha própria carne”.

            Porque nossa carne humana é algo físico, somos tentados a ver a luta bíblica entre a carne e o espírito como referindo-se a uma guerra entre o corpo e a alma. Mas isto é “ilusório”. Em termos bíblicos, algumas vezes a carne refere-se ao corpo e às vezes a outra coisa. Tentaremos mostrar os diferentes modos nos quais a Bíblia fala da carne.

            No Novo Testamento encontramos duas palavras gregas que geralmente são traduzidas pela palavra ‘carne’. As duas  palavras gregas são soma e sarx. A palavra soma é normalmente usada para se referir ao corpo físico (Temos a palavra psicossomática como parte da língua portuguesa, que combina as palavras carne ou corpo – soma e mente – psique. Normalmente a palavra soma no Novo Testamento Grego não tem nenhuma conotação de pecabilidade ou queda. É simplesmente a palavra para se referir ao corpo físico.

            É uma história diferente com a palavra grega sarx. Às vezes a palavra claramente se refere ao corpo físico, mas em outras ocasiões significa algo mais. Pode também referir-se simplesmente à carne física (assim como soma ou pode se referir à natureza caída dos homens.

            Quando o evangelho de João declara: “E o verbo se fez carne, e habitou entre nós” (Jo 1.14), não significa que o Verbo adotou uma natureza caída. Simplesmente significa que o
Logos eterno, o Verbo, atribuiu a si mesmo uma natureza humana. O Verbo, se encarnou. Igualmente, Paulo fala de seus parentes “segundo a carne” (Rm 9.3). Aqui ele está se referindo não a toda humanidade caída, mas a seu próprio grupo étnico, os judeus. A parentela carnal de Paulo são seus companheiros israelitas. O apóstolo fala do mesmo modo que fazemos na descrição de nossos parentes humanos, nossa “própria carne”.

            Mas existem ocasiões especiais na Bíblia quando sarx é usada para se referir especificamente à nossa natureza caída. Aqui sarx descreve nossa corrupção, a qual de maneira alguma limita-se apenas aos corpos. O homem todo está caído. O pecado infecta cada aspecto de nossa existência. Por natureza nós temos uma “mente carnal” (Cl 2.18). A mente e a carne estão igualmente caídos. Ambos estão ajustados para agradar a nós mesmos, não a Deus.

UMA MENTE CARNAL

            Uma “mente carnal” não se refere simplesmente aos “maus pensamentos sobre vícios físicos” . A mente carnal envolve um ‘propósito determinado’ contra Deus. Esta é a mente de uma humanidade caída que não quer Deus em seus pensamentos. É a mente de uma pessoa que não é guiada pelo Espírito Santo.

            Paulo explica sobre uma guerra contínua entre a carne (sarx) e o Espírito (pneuma).O contraste em Gálatas 5.16-21 não é entre o espírito e a carne do homem, mas entre a vida guiada pelo Espírito, o Espírito Santo, e a vida que serve a carne, a natureza caída do homem.

            Digo, porém: andai no Espírito e jamais satisfarei à concupiscência da carne. Porque a carne milita contra o Espírito, e o Espírito, contra a carne, porque são opostos entre si; para que não façais o que, porventura, seja do vosso querer. Mas, se sois guiados pelo Espírito, não estais sob a lei. Ora, as obras da carne são conhecidas e são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, ciúmes, iras, discórdias, dissensões, facções, invejas, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, a respeito das quais eu vos declaro, como já, outrora, vos preveni, que não herdarão o reino de Deus os que tais coisas praticam.

            Aqui vemos o contraste severo entre a carne e o Espírito. Não é um conflito entre o corpo e alma mas entre o velho homem que é guiado por sua natureza pecaminosa, degenerada e o novo homem cheio do Espírito de Deus. Aqui o Espírito e a carne são opostos. Estão num conflito irreconciliável. A carne de nossa natureza caída resiste ao domínio do Espírito Santo em nossas vidas. A carne ofende o Espírito e busca dominá-lo.

            De igual modo o Espírito é inimigo da carne. Ele anseia por aquilo que a carne abomina. Ele deseja a justiça. Busca os frutos do Espírito.

            O contraste é claramente visto na duas listas. A segunda lista é bem conhecida pelos cristãos. É a lista do fruto do espírito: amor, gozo, paz e coisas semelhantes. Por enquanto, entretanto, vamos manter nossa atenção na primeiralista. Esta lista inclui as obras da carne.

            Quando examinamos a lista das obras da carne, um elemento nos deixa admirados. A lista inclui pecados que envolvem nosso corpo e pecados que são mais de caráter não físico. Na lista encontramos fornicação e bebedeira. Estes são pecados que cometemos com nossos apetites físicos e funções corporais. Ainda na mesma lista encontramos referência a ciúmes, invejas, idolatrias e coisas semelhantes.

            De fato, quando cometemos o pecado do ciúme e inveja, nossos corpos estão envolvidos. Nada fazemos sem nossos corpos. Mas o ciúme não é um exercício físico. Envolve um tipo de atitude mental. Envolve nossas mentes, nossos processos de pensamento.

            Podemos usas nossos corpos em atos de idolatria. Podemos fisicamente nos dobrar perante um ídolo. Mas a essência da idolatria não é encontrada nos gestos físicos mas na atitude interior do coração.

            Concluímos então que quando o Novo Testamento fala da carne (sarx) em contraste direto com o Espírito (pneuma), a referência primária da carne não é nosso corpo físico, mas nossa natureza pecaminosa caída que inclui o homem global. É o conflito de dois estilos de vida – a vida da carne, que é controlada pelo impulso ao pecado, e a vida do Espírito, que nos leva à retidão, em agradar a Deus do farisaísmo, que mede a justiça pelas ações tangíveis externas. Um sorriso doce pode ocultar um coração ciumento. Um gesto educado pode ocultar um espírito invejoso. O Espírito Santo busca limpar toda a nossa vida, tanto externa como internamente.

            Ao mesmo tempo devemos nos guardar do erro oposto de restringir a justiça à esfera interior. Podemos nos enganar pensando que tudo o que importa é nossa atitude interior. Contanto que nosso espírito esteja correto, não importa como agimos externamente. Esta é uma forma traiçoeira de auto-engano. Por meio dela as pessoas buscam justificar todos os tipos de pecados. Dizemos a nós mesmo que o “amor” justifica o adultério. O adolescente justifica sua fornicação dizendo que foi cometido por amor.  

            É também importante compreender que embora a carne não se refira exclusivamente aos pecados físicos ou inclinações, também os inclui. Eles são forças físicas poderosas em nossas vidas, são corrompidas e influenciados por nossa natureza pecaminosa caída. Os desejos físicos são geralmente dolorosamente difíceis de serem dominados. Estes desejos são constantes. Eles vêm em ondas que variam no grau de intensidade. É fácil  resolver fazer uma dieta depois do jantar. É outra coisa começar uma dieta antes do jantar, quando pontadas de  fome estão instigando nossos desejos.

            O Espírito busca nos ensinar o domínio próprio. Somos chamados por Deus a subordinar nossos desejos físicos, a mantê-los sob fiscalização.O desejo de comer não é, em si mesmo, um pecado. É uma função física normal de nossos corpos. Contudo, quando aquele desejo está fora de controle, permitimos que a glutonaria entre em nossas vidas.

            O impulso sexual é também em apetite natural que não é em si um pecado. Deus proporciono o casamento como um contexto no qual a expressão não é somente permitida, mas também comandada. Temos direito e também responsabilidades conjugais. Fora do casamento devemos nos abster das atividades sexuais. Deus inventou o sexo. Deus fez o corpo com um complexo de terminações nervosas que são altamente suscetíveis ao estímulo físico.

            Deus poderia ter-nos feito com a capacidade de procriar sem o prazer físico. Ele também poderia ter-nos feito com a capacidade de comer alimentos sem o benefício dos prazeres do paladar. Mas o Criador escolheu um caminho mais excelente. O sexo com todos os seus deleites físicos é uma dádiva de Deus. Mas a dádiva veio para nós com restrições distintas em seu uso. O pecado é o abuso da dádiva divina. É o uso da dádiva de um modo que Deus não permite.

            Certa vez ouvi um homem que estava tragicamente envolvido no adultério declarar: “Meu órgão sexual não tem consciência”. Ele estava desculpando seu comportamento físico nas áreas onde não era pessoalmente responsável pelo que seu corpo fazia. Eu expliquei que seu órgão sexual tinha uma consciência – sua própria mente. Nossos próprios corpos são uma parte integral de nós mesmos. Todo o meu corpo deve ser governado por minh mente. Minha mente deve ser governada pela Lei de Deus.

            Existem impulsos físicos que são involuntários. Nós não fazemos nosso coraçõ bater no ritmo por meio das nossas idéias éticas. Nem  todas as nossas atividade físicas, porém são involuntárias. Somos chamados por Deus para controlar nosso comportamento sexual. Podemos não ser capazes de controlar nossa consciência daquilo que é sexualmente desejável, mas podemos controlar o que fazer com relação a isso.

            Lutero certa vez observou alguns aspectos da questão da luxúria. A luxúria não é perceber que uma mulher é sexualmente atraente. A luxúria nasce quando transformamos uma simples consciência em uma fantasia elaborada. Quando convidamos os pensamentos sexuais para as nossas mentes e os nutrimos, passamos da consciência simples para a luxúria. Lutero colocou assim: ‘Não podemos impedir que pássaros sobrevoem nossa cabeça. Convidá-los para fazer ninho no nosso cabelo é outra coisas’.

            O domínio próprio é a regra da sexualidade. Somos responsáveis diante de Deus pelo nosso comportamento sexual. As Escrituras declaram: “Mas a impudicícia e toda sorte de impurezas, ou cobiça, nem sequer se nomeie entre vós, como convém aos santos (Ef 5.3). Esta proibição absoluta tem sido atacada por cada desculpa sutil conhecida pelo homem. Os psiquiatras dizem que a fornicação entre jovens saudáveis é natural e normal. Estão parcialmente corretos em sua avaliação. É natural no sentido que pela satureza estejam inclinados a tal atividade. É normal em virtude da alta freqüência estatística com que é praticada. Poderíamos dizer que a fornicação é natural para a humanidade caída normal. Mas isto é mentir. Deus proíbe tal coisas.

            Pode ser extremamente difícil para uma pessoa permanecer casta, particularmente numa cultura onde os tabus sexuais têm sido derrubados e nossos sentidos são bombardeados diariamente pelos estímulos eróticos. Ma a Lei de Deus é clara. Ela diz: “Não” Ele nos chama para exercer o domínio próprio mesmo no meio de uma cultura caída.

            Considere por um momento a condição da pessoa com uma orientação homossexual. Essa pessoa sofre de um sério dilema. Deus não permite atos sexuais entre homens e homens ou entre mulheres e mulheres. Assim como o heterossexual tem o mandamento para evitar a atividade sexual fora do casamento, assim também o homossexual é chamado para a castidade. Deus não dá permissão para um casamento homossexual. O homossexual é chamado para a mesma castidade que uma pessoa heterossexual solteira é chamada. A castidade agrada a Deus, mesmo que a princípio pareça desagradável para nossos corpos.

            Castidade sexual é difícil de se obter por causa da fraqueza da carne. Mas é possível se obter, e Deus ordena-nos que a obtenhamos. Se falhamos, somos culpados do pecado. Embora devamos ser pacientes com aqueles que caem no pecado, não fazemos favor a ninguém mudando os padrões de Deus e trazendo-os para nossos níveis fracos de desempenho. É escandaloso para Deus que nós mudemos seus padrões e chamemos o mal de bem e o bem, de mal.

            O carne é uma aliada do mundo. Ela busca sua justificação não por meio da justiça de Cristo, mas pelos padrões deste mundo. A carne é aliada com o mundo e o mundo é aliado de Satanás. Aqui o inimigo busca a nossa destruição chamando-nos para longe do Espírito, para nos render-nos à carne.

            Mas o Espírito é o aliado do crente. Como é triste que todo dia somos lembrados da aliança de nossas mentes e nossos corpos com este um do caído enquanto esquecemos que os filhos de Deus têm também o Espírito para ajudá-los. Num mundo onde a carne parece governar a atividade humana, o Espírito está ainda presente, capacitando o povo de Deus a agradá-lo.

R. C. SPROUL, Como Viver e Agradar a Deus, Ed. Cultura Cristã, SP/SP, Capítulo IV, pág. 51 a 63, A Batalha com Carne. Compre este livro maravilho em www.cep.org.br

Estudo digitado pelo caríssimo irmão e colaborado do site Teologia Calvinista: Hiron Ferreira Lima. – Manaus.


Estudo Sobre a Tentação

“O alvo da tentação é desonrar a Deus e abater a alma.” (Owen)

Vigiai e orai, para que não entreis em tentação; o espírito, na verdade, está pronto, mas a carne é fraca.” (Mt 26:41)

3 RAZÕES NOS AFLIGEM:

1. O diabo, que é o Tentador – Mt 4:3; 1 Ts 3:5.

2. O mundo.

3. A carne, que é inclinada para o mal – Tg 1:12-13.

QUANDO CAÍMOS EM TENTAÇÃO?

• Quando negligenciamos as obrigações (os deveres) que Deus nos dá.

• Quando alimentamos o mal no coração.

• Quando permitimos que Satanás nos atraia, afastando-nos da comunhão.

• Quando deixamos de obedecer.

2 PONTOS PREJUDICIAIS:

1. O grande mal que a tentação pode causar.

2. A grande variedade de tentação usada.

“Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?” (Jr 17:9) – Em outras palavras: Não confie no coração!

Confie nas condições e considerações doutrinárias; confiança na Palavra, não em homens, nem em si mesmo!

DEUS TEM VÁRIOS MÉTODOS PARA TESTAR SEUS FILHOS:

• Confrontá-los com falsos mestres e falsos ensinos – “vos prova...” Dt 13:1,3

• Tribulações – “acima das nossas forças”... 2 Co 1:8 – Deus nos testa além da nossa capacidade, dando deveres, às vezes, acima dos recursos, como um desafio ou tarefa.

• Sofrimento e martírio – “... Cristo sofreu... deixando-vos exemplo...” 1 Pe 2:21 - “...a graça de padecerdes por Cristo...” Fp 1:29.

Obs.: Deus não tenta. – “...Deus não pode ser tentado pelo mal e ele mesmo a ninguém tenta.” Tg 1:13.

 COMO COMBATER E VENCER A TENTAÇÃO:

1. Não menosprezar o poder da tentação, ela tem o poder de obscurecer a nossa mente; embriagar; entorpecer, de várias maneiras:

a) Dominando os pensamentos; a imaginação. Podemos chamar de obtusidade; cegueira.

b) Ela faz uso dos desejos e das emoções para turvar, nebular a nossa mente. Podemos chamar de irracionalismo. A nossa carne (o “eu”) tem o hábito de justificar e racionalizar o mal com pretextos sofisticados.

c) Inflamando os desejos maus, ela controla com violência e poder, adaptando-se ao pecado específico e adequado, como se fosse combustível diante do fogo. Ela ataca o ponto vital; o “calcanhar de Aquiles”. Até os mais fortes se surpreendem. Ex.: Pedro negou a Cristo.

 2. Não menosprezar o poder da tentação coletiva. – Ap 3:10

a) O soberano poder de Deus faz uso dela para punir o mundo ímpio e julgar o joio (o falso crente).

b) Serve para manifestar tanto o bom exemplo (piedade) quanto o mau exemplo (impiedade). – 2 Tm 3:1-9. – Manifesta a frouxidão, acomodação ou firmeza.

c) Uma pequena brecha, uma pequena semente, uma pequena quantidade de fermento leveda toda a massa. – 1 Co 5:6; Gl 5:9. – “É mais fácil seguir a multidão que pratica o que não é certo, do que ficar firme com o que é certo.” (s/ ref.) , “Não é difícil fazer o certo, difícil é saber o que é certo e quando se sabe, difícil é não faze-lo.” (s/ ref.), “Não tropeçamos em montanhas, e, sim, em pequenas pedras.” (s/ ref.).

d) Na tentação coletiva sempre há fortes razões, justificativas, para nos levar para o mal. E isto se combate com: Fidelidade, obediência, humildade, crítica, análise, perspectiva correta, visão futura. – “teme a Deus e guarda os seus mandamentos...” Ec 12:13.

 3. O poder da tentação pessoal.

a) Como é que pode acontecer um ato pecaminoso num crente firme? Há um processo da seguinte maneira:

1. O crente experimenta um pequenino passo com certa resistência, mas como não passa de uma resistência parcial, passa-se para a segunda etapa,

2. Ganha-se território. A tentação entra na alma, logo a tendência é crescente,

3. Após um certo estágio basta uma situação propícia para consumar. E neste ponto só há uma maneira de vence-la: A Mortificação, matar o mal pela raiz. – “Ou mortificamos os nossos desejos pecaminosos ou nossa alma morrerá.”(John Owen). – A razão não pode trabalhar em prol do desejo! Temos que aprender da própria experiência, pesar os contras, os prejuízos, os tormentos, etc.).

Autor: John Owen

Resumido e Adaptado por Raniere Menezes.

Somos muito agradecidos ao nosso querido irmão Raniere do blog http://frasesprotestantes.blogspot.com/ pelo envio deste excelente estudo.

 


Milagres Falsos
 


A questão que envolve o problema de Deus realizar milagres nos dias de hoje é complexa e freqüentemente controversa. Se uma pessoa no campo evangélico declara que não crê nos milagres que acontecem hoje, ela freqüentemente é vista com desconfiança. A suspeita se levanta porque a descrença nos milagres está associada ao naturalismo, ceticismo ou Liberalismo (Uso a letra L maiúscula para Liberal a fim de me referir a uma escola diferente de teologia e não a uma pessoa que, de algum modo, possa ser considerada liberal.)

Uma vez que um ponto muito importante da disputa entre o Liberalismo e o protestantismo envolve milagres bíblicos, a disputa se estende à questão dos milagres atuais também. Há uma tendência aqui de atribuir culpa por associação; como o Liberalismo não crê que os milagres acontecem hoje, estamos propensos a pensar que qualquer pessoa que negue que os milagres acontecem hoje deva ser Liberal. A diferença fundamental entre evangélicos e Liberais na questão dos milagres não é se eles acontecem hoje, mas se eles aconteceram no passado, como afirma a Bíblia.

João Calvino, por exemplo, raramente é considerado um Liberal. Calvino e Lutero, na época da Reforma, foram repetidamente desafiados pela Igreja Católica Romana a realizarem milagres que autenticassem seus ensinamentos. Roma apelou para seus milagres documentados de santos como provas de que Deus estava falando por intermédio da Igreja Católica Romana e não por meio dos reformadores. De sua parte, os reformadores negaram que o ofício apostólico continuava na Igreja ou que a Igreja era a fonte de nova revelação divina.

A discussão sobre a revelação contínua era crítica à posição da Reforma de Sola Scriptura , a crença de que as Escrituras eram suficientes e a única fonte de revelação especial escrita. Roma alegava que uma segunda fonte de tal revelação especial acontecia na tradição da Igreja. Essa fonte dupla de revelação foi decretada no Concílio de Trento no século XVI e reafirmada pela encíclica papal de Pio XII, Humani Generis , no século XX. Roma, consciente da importância bíblica de comprovação e testemunho dos milagres aos agentes da revelação, podia apelar aos milagres da Igreja para sustentar sua declaração de que ele era a verdadeira Igreja e que os reformadores eram falsos profetas.

Esta questão da falta de milagres dos reformadores foi mencionada por Calvino em sua carta ao rei da França que introduz sua famosa obra As Institutas. Calvino diz:

Que de nós exigem milagres, agem de má fé. Ora, não estamos [nós] a forjar algum Evangelho novo, ao contrário, retemos aquele mesmo à confirmação de cuja verdade servem todos os milagres que outrora operaram assim Cristo como os Apóstolos. E isto de singular têm [eles] acima de nós, que podem confirmar a sua fé mediante constantes milagres até o presente dia! Contudo, [o fato é que] estão antes a invocar milagres que se prestam a perturbar o espírito doutra sorte inteiramente sereno, a tal ponto são [eles] ou frívolos ou ridículos, ou vão e mendazes (As Institutas – Editora Cultura Cristã, 1985, SP; vol. 1, p. 20).

Os reformadores magisteriais alegavam que a doutrina que seguiam era confirmada pela autoridade da Bíblia. Observamos nesses argumentos que nem Roma, nem os reformadores desafiaram a premissa de que os milagres funcionam como sinais que autenticam os agentes da revelação; eles concordavam sobre essa questão. O pomo da discórdia era se a revelação continuava além da era apostólica e com a revelação contínua, a autenticação contínua por meio do milagre. Calvino e Lutero desafiaram a autenticidade não só dos ensinamentos de Roma e de sua declaração de uma autoridade apostólica e revelação contínua, mas a autenticidade de seus milagres declarados. Os reformadores achavam que os milagres de Roma não eram apenas frívolos, mas falsos. Eles negavam que os milagres eram verdadeiros de fato.

Uma coisa está clara sobre esta disputa. A questão não era se Deus podia realizar milagres, mas se a Bíblia era a única fonte de revelação especial registrada. Essa questão é freqüentemente ignorada na discussão atual sobre a continuidade de milagres. Dentro do cristianismo hoje, especialmente, mas não exclusivamente na facção carismática, vêm sendo feitas declarações da nova revelação de Deus e a presença abundante de novos milagres. A possibilidade de milagres atuais é considerada tão grande que cartazes são vendidos nas livrarias cristãs e adornam os gabinetes de muitos pastores com a frase “Espere por um Milagre!”. Nesses círculos, os milagres não são só considerados possíveis, mas são esperados. Os evangelistas prometem milagres em seus cultos de renovação e, até mesmo, declaram realizá-los em rede nacional de televisão.

Devemos também ter o cuidado de observar que muitos evangélicos estão convencidos de que a revelação não continua até hoje, mas que os milagres continuam. Eles separam os milagres da revelação na suposição de que podemos ter operadores de milagres sem revelação enquanto outros alegam que você pode ter a revelação sem os milagres. Uma vez que os milagres têm outras funções além de agentes que testificam a revelação, eles podem continuar sem qualquer revelação correspondente.

A posição clássica da Reforma sobre essa questão concorda que os milagres têm outras funções além de autenticar os agentes da revelação, como vimos. Isto é, os milagres podem fazer mais do que atestar os agentes da revelação. Contudo, a questão continua; Eles podem fazer menos? Nisto reside o problema. Se um não-agente da revelação é capaz de realizar milagres, como os milagres podem funcionar como provas do testemunho de um agente da revelação? Se agentes e não-agentes da revelação podem realizar milagres, que valor de testemunho pode existir em um milagre? Se um falso profeta pode realizar um milagre, o verdadeiro profeta não pode apelar aos milagres como provas de sua própria posição. O problema fica mais difícil quando vemos que o Novo Testamento apela aos milagres dos apóstolos como provas de sua autoridade, o que é claramente um apelo ilegítimo e um argumento falso se é verdade que os não-agentes da revelação podem realizar milagres.

Fui convidado certa vez para falar em uma reunião de livreiros cristãos na época em que o livro Bom Dia, Espírito Santo, de Benny Hinn, era o mais vendido no mercado cristão. Perguntei: se Hinn estava realizando os milagres que ele declarava realizar, por que ninguém estava defendendo que seu livro fosse acrescentado ao cânon do Novo Testamento? Hinn declarava ter recebido uma nova revelação, que Deus ainda falava audivelmente a ele; conseqüentemente, ele tinha todas as credenciais exigidas de um profeta da Bíblia.

Uma das coisas que está notavelmente ausente no repertório dos operadores de milagres modernos é o tipo de milagres que eram realizados por intermédio dos agentes bíblicos da revelação. Benny Hinn realiza seus milagres em um palco com um equipamento cênico que teria escandalizado os apóstolos. Ele não realiza milagres no cemitério. Quem é o operador de milagres hoje que é capaz de transformar água em vinho ou ressuscitar pessoas que morreram há quatro dias? Benny Hinn não pode separar o mar Vermelho ou fazer com que machados flutuem. Por que não? A qualidade do milagre que sobrevive até os dias de hoje é menor do que aquela dos realizados pelos agentes bíblicos da revelação? Será que o braço do Senhor está encolhido?

Está claro que, como quer que definamos um milagre, devemos colocar os pretensos milagres de hoje em uma classe ou categoria diferente daqueles registrados nas Escrituras. Ninguém está tirando algo do nada atualmente – exceto o dinheiro fabricado pelo governo federal!

Isto significa então que Deus, na sua providência, não está mais agindo? Deus suspendeu e desistiu de exercer seu poder sobrenatural em nosso meio? Deus não responde às orações de modos extraordinários ou concede pedidos de cura quando os médicos dizem que tal cura não pode acontecer? De maneira alguma. Deus ainda vive e age. Ele responde às orações do seu povo de maneiras notáveis. Sua graça sobrenatural está manifesta entre nós todos os dias. Se considerarmos estas coisas como milagres, então, devemos admitir que os milagres ainda estão acontecendo.

Distinguimos três categorias de questões levantadas pela função de milagres para testificar os agentes da revelação e autenticar sua Palavra escrita. Essas categorias incluem a providência comum de Deus, sua providência extraordinária e seus milagres (no sentido restrito já definido). Dentro dessas três categorias, afirmamos que Deus continua sua obra de providência comum e sua obra de providência extraordinária, mas não sua obra de autenticar os agentes da revelação especial com milagres no sentido restrito.


Milagres Satânicos

A questão continua: E os milagres de Satanás? A Bíblia não ensina que Satanás, o Grande Enganador, também pode realizar milagres? Observemos alguns dos textos relevantes da Bíblia que levantam esta questão:

Quando profeta ou sonhador de sonhos se levantar no meio de ti, e te der um sinal ou prodígio, e suceder o tal sinal ou prodígio, de que te houver falado, dizendo: Vamos após outros deuses, que não conheceste, e sirvamo-los; não ouvirás as palavras daquele profeta ou sonhador de sonhos; porquanto o Senhor vosso Deus vos prova, para saber se amais o Senhor vosso Deus com todo o vosso coração, e com toda a vossa alma (Dt 13.1-3).

Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade (Mt 7.22,23).

Então, se alguém vos disser: Eis que o Cristo está aqui, ou ali, não lhe deis crédito; porque surgirão falsos cristos e falsos profetas, e farão tão grandes sinais e prodígios que, se possível fora, enganariam até os escolhidos. Eis que eu vo-lo tenho predito.

Portanto, se vos disserem: Eis que ele está no deserto, não saiais; eis que ele está no interior da casa, não acrediteis (Mt 24.23-26).

A esse cuja vinda é segundo a eficácia de Satanás, com todo o poder, e sinais e prodígios de mentira, e com todo o engano da injustiça para os que perecem, porque não receberam o amor da verdade para se salvarem. E por isso Deus lhes enviará a operação do erro, para que creiam a mentira; para que sejam julgados todos os que não creram na verdade, antes tiveram prazer na iniqüidade (2Ts 2.9-12).

Esta amostra de textos bíblicos chama a atenção para a sóbria admoestação acerca dos poderes e do engano de Satanás. Sua primeira aparição como serpente no Éden foi marcada pela malícia e astúcia, e ele continua a ser um adversário formidável para o povo de Deus. Como Lutero disse: “astuto e mui rebelde” e, uma vez que está unido ao “ânimo cruel”, ele se torna ainda mais perigoso. Satanás é tão habilidoso na arte de enganar que ele é capaz de nos aparecer sub species boni , ou sob os auspícios do bem. Ele pode se transformar em anjo de luz, e ele busca enganar até “os escolhidos” (Mt 24.24 e Mc 13.22).

As Escrituras retratam Satanás como um ser superior a nós. Ele é um ser angelical, embora seja um anjo caído. Como tal, estritamente falando, ele não é um ser sobrenatural. Ele pode ser superior ao que esperamos ver na “natureza” comum, mas ele ainda pertence à ordem natural no sentido de que ele é uma criatura e parte da ordem de criaturas da natureza. Ele não está no nível de Deus e não possui atributos divinos incomunicáveis. Ele é um ser espiritual, porém um espírito finito. Ele não é infinito, eterno, imutável, onisciente ou onipresente. Ele pode ter mais conhecimento do que temos e um poder maior, mas ele não tem o poder divino.

Quando a Bíblia fala de pretensos “milagres” de Satanás, suas obras são chamadas de “sinais e prodígios de mentira” (2Ts 2.9). A questão é a seguinte: o que quer dizer o termo mentira? Isto significa que Satanás pode realizar milagres verdadeiros em favor de uma causa mentirosa? Ou significa que os sinais e prodígios que ele realiza são mentiras na medida em que são truques fraudulentos e não milagres verdadeiros? Os teólogos se dividem nesta questão.

Alguns crêem que Satanás pode realizar milagres verdadeiros no sentido de que ele pode fazer obras que são contra naturam, e alegam que essas obras não são contra peccatum , ou “contra o pecado”. Esta distinção técnica tem o objetivo de mostrar que, embora Satanás possa agir contra a natureza, ele nunca pode, ou pelo menos não poderá, agir contra seus próprios propósitos do mal, que são “a favor do pecado” em vez de “contra o pecado” . O raciocínio é que uma casa dividida contra si mesma não permanece e Satanás nunca agirá contra seus próprios objetivos fazendo milagres. Seus milagres sempre são direcionados contra o bem e a verdade de Cristo. Sabemos, por defensores dessa opinião, que podemos discernir a diferença entre os milagres de Satanás e os milagres de Deus, sujeitando-os à prova da Escritura.

Esse argumento sofre de uma falácia fatal, a falácia do raciocínio circular. Antes de podermos testar os milagres de Satanás pelo contexto da Escritura, devemos, primeiro, ter uma Escritura pela qual testá-los. Lembramos que a Escritura é atestada pelos milagres realizados pelos agentes da revelação que certificam que são porta-vozes de Deus. Contudo, como sabemos que os milagres que os atestaram não foram satânicos? Talvez Nicodemos devesse ter corrigido sua afirmação para, “Bem sabemos que és Mestre, vindo de Deus ou de Satanás; porque ninguém pode fazer estes sinais que tu fazes, se Deus não for com ele”. Na verdade, foi essa a acusação que os fariseus fizeram contra Jesus, que ele estava realizando milagres pelo poder de Satanás. Neste ponto, sua teologia foi inferior àquela de Nicodemos, que foi mais restritiva na sua visão de milagre.

O mesmo problema que encontramos com a questão dos milagres realizados por não-agentes da revelação está exagerado pelo problema dos milagres satânicos. Se Satanás pode realizar milagres verdadeiros, então o apelo bíblico aos milagres como certificação de que os operadores de milagres vêm de Deus é um apelo ilegítimo.

Penso que faz mais sentido concluir que a “mentira” que descreve os sinais e prodígios de Satanás não só descreve seu objetivo, mas seu caráter. Eles são sinais mentirosos por serem fraudulentos e falsos. Seus sinais se assemelham aos truques espantosos realizados pelos magos do Egito que buscavam ter os mesmos poderes de Moisés:

E o Senhor falou a Moisés e a Arão, dizendo: Quando Faraó vos falar, dizendo: Fazei por vós algum milagre; dirás a Arão: Toma a tua vara, e lança-a diante de Faraó, e se tornará em serpente. Então Moises e Arão entraram a Faraó, e fizeram assim como o Senhor ordenara; e lançou Arão e sua vara diante de Faraó, e diante dos seus servos, e tornou-se em serpente.

E Faraó também chamou os sábios e encantadores e os magos do Egito fizeram também o mesmo com os seus encantamentos. Porque cada um lançou sua vara, e tornaram-se em serpentes; mas a vara de Arão tragou as varas deles (Êx 7.8-12).

Os magos do Egito não tinham mais mágicas do que os mágicos têm hoje. A diferença é que a maioria dos mágicos modernos no mundo ocidental realmente não declara fazer mágica, contudo, está muito disposta a se chamar de “ilusionista”, ou mestre do truque de mão. Existem muitas lojas de magia onde aqueles interessados nessa forma moderna de entretenimento podem aprender muitos truques da arte. Certa vez, tive um vizinho que era marceneiro. Sua especialidade era fazer gabinetes especiais para a realização de mágicas. Eles tinham mecanismos inteligentes de dobradiças, fundos falsos, painéis secretos e freqüentemente espelhos. Os mágicos de hoje não têm problemas para esconder um coelho em uma cartola ou mesmo uma cobra em um tubo desmontável. Quando Moisés e Arão realizaram seus milagres, os magos do Egito acharam que podiam fazer igual. Contudo, não só suas serpentes foram tragadas no processo, eles ficaram aflitos quando logo se esgotou seu saco de truques e não puderam realizar os feitos dos verdadeiros operadores de milagres.

Alguns dos truques realizados pelos mágicos modernos são verdadeiramente espantosos para aqueles que os assistem. A ironia é que, embora muitos deles exijam grande habilidade e anos de uma cuidadosa prática, alguns dos feitos mais magníficos que eles realizam são, ao mesmo tempo, alguns dos mais simples de se executar.

Lou Costello ganhava muito dinheiro em apostas quando mostrava uma pilha normal de cartas e pedia a um “trouxa” para selecionar qualquer carta do monte. Então, Lou lhe dizia que conhecia alguém em uma cidade distante que era um confiável telepata. Lou apostava que se o homem ligasse para o telepata e pedisse para falar com o mago, esse mago lhe contaria, por meio de telepatia, qual carta ele tinha selecionado. Quando o tolo fazia a aposta (como Jackie Gleason admitiu ter feito uma vez), ele discava o número e chamava o mago. O mago pedia que o homem pensasse na carta que tinha selecionado e, então, prontamente, lhe dizia a carta pelo telefone… Este truque funcionava todas as vezes.

Como Costello ou o mago faziam isso? Era um trambique simples. Costello tinha cinqüenta e dois “magos” espalhados por todo o país. Cada um era responsável por uma carta em particular. Costello memorizava o mago e seu número de telefone para todas as cinqüentas e duas cartas do monte. Quando o trouxa escolhia uma carta, Costello simplesmente lhe dava o nome do mago responsável pela carta em questão. Toda vez que aquela pessoa recebia um telefonema de alguém pedindo um mago, ela sabia qual era a carta que devia identificar.

Os truques de Satanás são bem mais sofisticados do que isso, contudo não deixam de ser truques. Seu ilusionismo pode exceder o de Houdini, mas de maneira alguma se aproxima do poder miraculoso de Deus, que sozinho pode tirar algo do nada e a vida da morte.

Os agentes de Satanás perderam a disputa com Moisés e Arão. Eles foram derrotados por Elias no monte Carmelo. E eles não foram páreo para Cristo no deserto ou durante seu ministério na terra. Satanás buscou induzir Jesus a usar seu verdadeiro poder miraculoso a serviço de Satanás, um poder que Satanás cobiçava. Simão, o mágico, buscou em vão comprar o poder do Espírito Santo (At 8.9).

A providência de Deus é servida pelo poder de Deus. Os milagres são parte do governo soberano de Deus sobre a criação e sobre a história. Sua Palavra é soberanamente autenticada por aquele poder que ele não está disposto a conceder aos poderes das trevas. Os truques de Satanás são expostos pela Palavra, cuja verdade foi confirmada e comprovada pelo testemunho miraculoso de Deus.

A Igreja atual enfrenta uma grave ameaça daqueles que querem reivindicar o poder e a autoridade apostólicos. Neste aspecto, o cristão deve estar sempre vigilante e fugir daqueles que têm tais pretensões.

Autor: R. C. Sproul
Fonte: Extraído de A Mão Invisível – Todas as Coisas Realmente Cooperam para o Bem?, R.C. Sproul. 1ª Edição, Editora Bompastor, 2001. São Paulo, SP. 237-262.


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Os Cristãos estão na sociedade para servi-la e transformá-la

"Se morrestes com Cristo para os rudimentos do mundo, por que, como se vivêsseis no mundo, vos sujeitais a ordenanças: “Não manuseies isto, não proves aquilo, não toques aquiloutro”, segundo os preceitos e doutrinas dos homens? Pois que todas estas coisas, com o uso, se destroem”. Colossenses 2.20-22

Mundo, no Novo Testamento, às vezes significa o mesmo que no Velho Testamento, a saber, esta terra, a boa ordem natural que Deus criou. Comumente, porém, significa a raça humana como um todo, agora caída em pecado e desordem moral, tornando-se radicalmente anti-Deus e má. Ocasionalmente, os dois sentidos parecem mesclar-se, de sorte que afirmações sobre o mundo carregam a complexa nuança de pessoas perversas incorrendo em culpa e vergonha por seu mau uso das coisas criadas.

Os cristãos são enviados ao mundo por seu Senhor (Jo 17.18) para testemunhar acerca do Cristo de Deus e seu reino (Mt 24.14; cf Rm 10.18; Cl 1.6,23) e para atender a suas necessidades. Mas, devem fazer isso sem cair vítimas de seu materialismo (Mt 6.19,24,32), sua indiferença a respeito de Deus e da vida futura (Lc 12.13-21), e a busca altiva do prazer, lucro e posição com exclusão de qualquer outra coisa (1 Jo 2.15-17). O mundo é, no presente, reino de Satanás (Jo 14.30; 2 Co 4.4; 1 Jo 5.19; cf. Lc 4.5-7), e a perspectiva e fixação das sociedades humanas refletem mais o orgulho visto em Satanás do que a humildade vista em Cristo.

Os cristãos, como Cristo, devem agir com empatia em relação às ansiedades e necessidades das pessoas, para servi-las e comunicar-se eficazmente com elas. Devem faze-lo, porém, com base em um desinteresse pelas motivações deste mundo, pelo qual estão de passagem momentânea em demanda do lar celestial, e no qual seu sincero propósito deve ser o de agradar a Deus (Cl 1.9-12; 1 Pe 2.11). O retiro monástico para afastar-se do mundo não é sancionado (Jo 17.15), nem o é tampouco o mundanismo (isto é, qualquer incorporação da auto-absorção terrena das pessoas deste mundo: Tt 2.12). Jesus estimula seus discípulos a equiparar-se à engenhosidade das pessoas mundanas no uso de seus recursos para favorecer suas metas, porém especifica que suas próprias metas não devem apoiar-se na segurança terrena, mas na glória celestial (Lc 16.9).

A primeira exigência de Deus para os cristãos neste mundo é que sejam diferentes dos que vivem à sua volta, observando os preceitos morais de Deus, praticando o amor, evitando a licença indecente e não perdendo sua dignidade como portadores da imagem de Deus em razão de qualquer forma de auto-indulgência irresponsável (Rm 12.2; Ef 4.17-24; Cl 3.5-11). Requer-se uma ruptura completa com os sistemas de valores e estilos de vida do mundo, como base para praticar a similitude com Cristo em termos positivos (Ef 4.25-5.17).

A tarefa designada ao cristão é tríplice. O principal mandato da igreja é a evangelização (Mt 28.19,20; Lc 24.46-48), e cada cristão deve procurar, por todos os meios, promover a conversão dos incrédulos. O impacto da mudança na própria vida do cristão será significativo (1 Pe 2.12). O amor ao próximo deve também levar constantemente o cristão a ações de misericórdia de todos os tipos. Mas, além disso, os cristãos são convocados para cumprir o “mandato cultural” dado por Deus à raça humana na Criação (Gn 1.28-30; Sl 8.6-8). O homem foi feito para administrar o mundo de Deus, e esta administração é parte da vocação humana em Cristo. Ela exige trabalho fatigante, tendo como alvo honrar a Deus e prover o bem-estar dos outros. Este é o real “trabalho ético” protestante. Ele é essencialmente uma disciplina religiosa, o cumprimento de um “chamado” divino.

Sabendo que Deus em sua benignidade e clemência continua, em face do pecado humano, a preservar e enriquecer seu mundo errante (At 14.16,17), os cristãos devem envolver-se em todas as formas de atividade humana lícita, e fazendo isto em termos do sistema de valores e visão da vida cristã, tornar-se-ão sal (um preservativo que faz as coisas melhores ao paladar) e luz (uma iluminação que mostra o caminho a seguir) na comunidade humana (Mt 5.13-16). Assim, à medida que os cristãos cumprem sua vocação, o Cristianismo se torna uma força cultural transformadora.

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista. Compre este livro em http://www.cep.org.br


O Estado
OS CRISTÃOS DEVEM RESPEITAR O GOVERNO CIVIL

Todo homem esteja sujeito às autoridades superiores; porque não há autoridade que proceda de Deus; e as autoridades que existem foram  por ele instituídas. De modo que aquele que se opõe à autoridade, resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre sis mesmos condenação.” Romanos 13.1,2

O governo civil é um instrumento ordenado por Deus para reger a vida das comunidade. Ele é um dentre numerosos meios, incluindo ministros na igreja, pais na família e professores na escola. Cada um desses meios tem sua própria esfera de autoridade sob Cristo, que agora rege o universo em nome de seu Pai, e cada esfera tem de ser delimitada em referência às outras. Em nosso mundo decaído, estas estruturas de autoridade são instituições da ‘graça comum” de Deus (providência bondosa), colocadas como um baluarte contra anarquia, a lei da selva e a dissolução da sociedade ordenada.

Baseando-se em Romanos 13.1-7 e 1 Pedro 2.13-17, a Confissão de Westminster proclama a esfera do governo civil como segue:

Deus, o Senhor Supremo e Rei de todo o mundo, para a sua glória e para o bem público, constituiu sobre o povo magistrados civis que lhe são sujeitos, e, a este fim, os armou com o poder da espada para defesa e incentivo das bons e castigo dos malfeitores. ... Os magistrados civis não podem tomar sobre si a administração da palavra e dos sacramentos ou o poder das chaves do Reino do Céu. (XXIII.1,3)

Porque o governo civil existe para o bem-estar de toda a sociedade, Deus dá-lhe o poder da espada (isto é, o uso lícito da força para impor leis justas: Rm 13.4). Os cristãos devem reconhecer isto como parte da ordem de Deus (Rm 13.1,2). Mas as autoridades civis não devem usar este poder para perseguir os adeptos ou não adeptos de qualquer religião particular, ou para defender qualquer forma de mal.

O estado pode apropriadamente cobrar taxas por serviços prestados (Mt 22.15-21; Rm 13.6,7). Porém, se proibir o que Deus requer ou requerer o que Deus proíbe, alguma forma de desobediência civil, com aceitação de suas conseqüências penais (mostrando assim que se reconhece a autoridade atribuída por Deus aos governos como tais), torna-se inevitável (At 4.18-31; 5.17-29).

Os cristãos devem instar com os governos a cumprir seu papel corretamente. Devem orar por eles, obedecer-lhes e zelar por eles (1 Tm 2.1-4; 1 Pe 2.13,14), recordando-lhes que Deus os ordenou para dirigir, proteger e manter a ordem, mas não para exercer a tirania. Num mundo degradado, em que o poder costumeiramente corrompe, as instituições democráticas que dividem o poder executivo entre muitos e fazem todos seus detentores responsáveis perante o povo, em geral oferecem a melhor esperança de evitar a tirania e assegurar a justiça para todos.

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista.


O voto eleitoral ético dos cristãos
Associação Evangélica Brasileira (AEVB)
9/8/06
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Heresias

A Palavra sob Ataque

Satanás foi historicamente o primeiro a lançar dúvidas quanto à Palavra de Deus. A partir daí, ainda que sem admitir, na prática todos somos conduzidos, de uma forma ou de outra, a duvidar do que Deus disse. Como? Quando, por exemplo, não consideramos os seus ensinamentos em nossa conduta e decisões. Chamo isso de negação existencial da Palavra ou ateísmo prática. Vejamos como Satanás agiu e ainda age no que se refere à Palavra de Deus:

A.  Deturpando a Palavra

Há muitas pessoas que sabem citar de memória, com grande facilidade, trechos das Escrituras. Algumas dessas pessoas fazem isso fora de contexto. Foi precisamente assim que Satanás fez com Eva e agiu do mesmo modo com Cristo, no deserto.
No livro de Gênesis, encontramos o registro da ordem de Deus dada a Adão: “De toda árvore comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás” (Gn 2.16,17). Quando Satanás se depara com uma ocasião propícia para os seus intentos, diz a Eva: “É assim que Deus disse: Não comerás de toda árvore do jardim?... É certo que não morrereis. Porque Deus sabe que no dia em que dele [fruto] comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3.1,4,5). Com Jesus, Satanás tenta fazer a mesma coisa (Mt 4.1-11), citando o Salmo 91.11,12, para que ele, cedendo à tentação, disse algo como: “Eu sou o filho de Deus e vou provar isso”.

Ao longo da História, esta tem sido uma das estratégias preferidas de Satanás: deturpar a Palavra de Deus. Quantas heresias surgiram e continuam surgindo, supostamente baseadas em textos bíblicos? O homem moderno, falando da possibilidade de “uma leitura deferente das Escrituras”, tem ensinado aberrações antibíblica.

A maior parte das heresias tem em sua esfera trechos isolados das Escrituras que parecem ensinar algo de novo e arrebatador, ainda não percebido antes. No entanto, quando vamos analisar o fundamento dessas “interpretações” percebemos o quão deferente é da verdade bíblica. Há pessoas que negam a divindade de Cristo pela Bíblia; outros que fundamentam o adultério, a poligamia, o espiritismo, a adoração de anjos, homossexualismo, etc. para todos esses erros a Bíblia é usada como fundamento.
Precisamos estar vigilantes para que não sejamos seduzidos pela astúcia do inimigo que sabe agir com sutileza.

B.  Insinuando

Satanás não diz diretamente algo a nós, mas dá a entender, induz, sugere uma idéia. Ele nos faz pensar de uma forma equivocada, dando-nos a impressão de que agora, de fato, descobrimos a verdade.
A Eva, ele diz: “É assim que Deus disse: não comereis de toda árvore do jardim?” (Gn 3.1). Ora, Deus não tinha dito isso; ao contrário; de toda a árvore o homem poderia comer exceto uma: a árvore do conhecimento do bem e do mal.  No entanto, usando palavras semelhantes, ele diz coisas bem diferentes. Em sua insinuação havia a tentativa de dizer que deus era mentiroso e, portanto, não deveria ser obedecido. Eva cedeu; duvidou da Palavra de Deus.

A Jesus, com fome no deserto, ele usa da mesma estratégia, dizendo: “Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pão” (Mt 4.3). O seu desejo é fazer com que Jesus duvide da sua filiação divina, ou que tente prová-la, sucumbindo à tentação. Aliás, este foi um desafio comum a Jesus Cristo: usar do seu poder eterno para fazer o que desejava. Mas ele permaneceu fiel em tudo (Mt 26.29; Jo 8.28, 29, 42; 17.1-6).

Não satisfeito com a resposta de Jesus, Satanás continua: “Se és Filho de Deus, atira-te abaixo, porque está escrito: Aos seus anjos ordenará a teu respeito; que te guardem; e: Eles te susterão nas suas mãos, para não tropeçares  nalguma pedra” (Mt 4.6).
Mais tarde, na sua crucificação , o mesmo tipo de tentação é feito ao Senhor Jesus (Mt 27.38-43; 15.30-32).

Na insinuação diabólica há sempre uma tentativa de mostrar que o nosso caminho, a nossa opção é a melhor; a sua proposta sempre parecerá ser mais lógica e atraente. A desobediência a Deus é, com freqüência, o caminho que nos parece mais objetivo e prático, além de encontrarmos uma inclinação natural para ele. No entanto, a vontade de Deus para nós é que resistamos a estas tentações e continuemos crendo em Deus e na sua Palavra, seguindo a rota proposta; o caminho de vida por ele traçando por nós.

C.  Lançando dúvidas

Antes de prosseguirmos nesse estudo, é necessário dizer que a dúvida não é necessariamente má; é preciso que cultivemos uma boa dose de dúvida, ou critérios, para que não sejamos conduzidos a qualquer crendice.

Satanás procura tirar a certeza que temos da Palavra de deus, para vacilar-nos em nossa fé, abrindo uma brecha para a sua ação mais efetiva.

A recomendação bíblica é resistir ao maligno, porque o resto Satanás deixa por nossa c0nta, deixa que a nossa imaginação pecaminosa fermente a sua insinuação, adicionando outros elementos no decorrer do tempo. O diabo conhece as fraquezas e os deslizes de cada um. Ele sabe onde afetar e onde sustentar desejos pecaminosos. Mas a grande verdade é que quando alguém cai, o pecado cometido não é cobrado de Satanás, mas da pessoa que se deixou seduzir, bem como Adão e Eva tiveram a merecida punição de sua desobediência.
Outra dúvida que ele lançou foi a Pedro. Jesus, quando declarou que sofreria muitas coisas, até que fosse morto e ressuscitasse, Pedro, que acabara de confessar ser Jesus Cristo, é usado por Satanás para lançar dúvidas na dolorosa, porem verdadeira certeza que Cristo tinha (Mt 16.22,23).

Percebam a astúcia de Satanás, como ele age: Jesus começou naquele momento a falar aos seus discípulos dos seus sofrimentos futuros, morte e ressurreição e Satanás, em ato contínuo, usa justamente a Pedro, aquele que confessara o seu senhorio, para tentá-lo.

A palavra de Pedro pareciam encorajadoras e consoladores, mas Jesus detectou o mal que estava por trás delas e afastou de si a tentação de não seguir em frente com a missão salvadora, porém externamente dolorosa e devastadora.

A ousadia de Satanás nesse episódio é tremendamente eloqüente. Cristo o repreendeu, não se deixando conduzir por esta ação maligna.

"Desde então começou Jesus Cristo a mostrar aos seus discípulos que era necessário que ele fosse a Jerusalém, que padecesse muitas coisas dos anciãos, dos principais sacerdotes, e dos escribas, que fosse morto, e que ao terceiro dia ressuscitasse.E Pedro, tomando-o à parte, começou a repreendê-lo, dizendo: Tenha Deus compaixão de ti, Senhor; isso de modo nenhum te acontecerá. Ele, porém, voltando-se, disse a Pedro: Para trás de mim, Satanás, que me serves de escândalo; porque não estás pensando nas coisas que são de Deus, mas sim nas que são dos homens." (Mt 16.21-23)

Autor: Herminsten Maia Pereira da Costa
Fonte: Revista Expressão, Século 21 – Atualidades, A igreja em seu contexto, Lição 6, pg. 26-28, Ed. Cep. Compre esta revista trimestra em http://www.cep.org.br


Idolatria
Deus exige total devoção

Castigá-la-ei pelos dias dos baalins, nos quais elas lhes queimava incenso, e se adornava com as suas arrecadas e as suas jóias, e, indo atrás dos seus amantes, se esquecia de mim, diz o Senhor.” Oséias 2.13

Embora haja somente um Deus e somente uma fé verdadeira, a saber, a que é ensinada na Bíblia, nosso mundo apóstata (Rm 1.18-25) sempre esteve cheio de religiões, e o antiqüíssimo impulso em direção ao sincretismo, pelo qual aspectos de uma religião assimilam-se a outra, mudando assim ambas, ainda está entre nós. Na realidade, ele revive de forma alarmante em nosso tempo por meio de renovada busca acadêmica de uma unidade transcendente de  religiões e o desabrochar do amálgama popular das idéias do Oriente e do Ocidente, que se autodenomina Nova Era.

Está pressão não é nova. Tendo ocupado Canaã, Israel era constantemente tentado a introduzir o culto cananita dos deuses e deusas da fertilidade no culto de Yahweh, e a fazer imagens do próprio Yahweh – mudanças ambas proibidas pela lei (Ex 20.3-6). A questão espiritual era se os israelitas se lembrariam de que Yahweh, o Deus do pacto, era plenamente suficiente para eles, e além disso reivindicava sua fidelidade exclusiva, de sorte que adorar outros deuses era adultério espiritual (Jr. 3; Ex. 16; Os 2). Este foi um teste em que a nação falhou grandemente.

De modo semelhante, o sincretismo foi muito difundido e aprovado no primeiro século do império romano, em que predominava o politeísmo e em que floresceu toda sorte de cultos. Os mestres cristão lutaram muito para manter a fé a salvo de ser assimilada pelo gnosticismo (uma espécie de teosofia em que não havia lugar para a encarnação e a expiação, uma vez que, para ela, o problema do homem era a ignorância, não o pecado), e mais tarde pelo neoplatonismo e pelo maniqueísmo, ambos os quais, como o gnosticismo, viam a salvação no expediente da separação física do mundo. Estes conflitos foram relativamente bem-sucedidos, e as formulações clássicas do credo sobre a Trindade e a Encarnação são parte de seu permanente legado.

A Escritura é rigorosa a respeito do mal de praticar a idolatria. Os ídolos são escarnecidos como ilusórios, não existentes (Sl 115.4-7; Is 44.9-20), mas escravizam seus adoradores em uma superstição cega (Is 44.20), que significa infidelidade perante Deus (Jr 2), e Paulo acrescenta que os demônios operam  por intermédio dos ídolos, fazendo deles uma ameaça espiritual concreta; o contato com os falsos deuses somente corrompe (1 Co 8.4-6; 10.19-21). Em nossa cultura ocidental pós-cristã, que está preparada para preencher o vazio espiritual que as pessoas sentem ao voltar-se com simpatia para o sincretismo, a feitiçaria e os experimentos com o ocultismo, as advertência bíblicas contra a idolatria precisam ser tomadas com sensibilidade (cf. 1 Co 10.14; 1 Jo 5.19-21).

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Consica, pg. 58,59, Ed. Cultura Cristã (compre este excelente livro em www.cep.org.br)


Antinomianismo
Jo 14.15; Rm 3.27-31; Rm 6.1,2; 1 Jo 2.3-6; 1 Jo 5.1-3

Há um antigo verso que serve para ilustra bem o tema antinomiano. O verso diz: "Livre da lei, que maravilhosa condição, posso pecar quanto quiser e ainda alcançar a remissão".

Antinomianismo significa literalmente "antilei". Ele nega ou diminui a importância da lei de Deus na vida do crente. É o oposto da heresia gêmea, o legalismo.

Os antinomianos cultivam aversão pela lei de várias maneiras. Alguns acreditam que não têm obrigação de obedecer às leis morais de Deus porque Jesus os libertou da lei. Insistem em que a graça não só liberta da maldição da lei de Deus, mas também nos liberta da obrigação de obedecê-la. A graça, pois, se torna uma licença para a desobediência.

O mais surpreendente é que as pessoas defendem este ponto de vista a despeito do ensino vigoroso de Paulo contra ele. Paulo, mais do que qualquer outro escritor do Novo Testamento, enfatizou as diferenças entre a lei e a graça. Ele se gloriava na Nova Aliança. Mesmo assim, foi muito explícito em sua condenação do antinomianismo. Em Romanos 3.31 ele escreve: "Anulamos, pois, a lei pela fé? De maneira nenhuma, antes estabelecemos a lei.".

Martinho Lutero, ao defender a doutrina da justificação pela fé somente, foi acusado de antinomianismo. Ele, no entanto, afirmava com Thiago que "a fé sem obras é morta". Lutero discutiu com seu discípulo João Agrícola sobre esta questão. Agrícola negava que a Lei tivesse qualquer propósito na vida do crente. Negava até mesmo que a lei servisse para preparar o pecador para a graça. Lutero respondeu a Agrícola com sua obra Contra o Antinomianismo em 1539. Posteriormente, Agrícola se retratou de suas idéias antinomianas, mas a questão permaneceu.

Teólogos luteranos posteriores afirmaram a visão de Lutero da lei. Na Fórmula de Concórdia (1577), a última das declarações da fé luteranas, eles relacionaram três utilidades da lei: (1) revelar o pecador; (2) estabelecer um nível geral de decência na sociedade como um todo e (3) proporcionar uma regra da vida àqueles que foram regenerados pela fé em Cristo.

O erro primário do antinomianismo é confundir justificação com santificação. Somos justificados pela fé somente, independentemente das obras. Entretanto, todos os crentes crescem na fé ao observarem os mandamentos de Deus - não para granjearem o favor de Deus, mas movidos por uma amorosa gratidão pela graça que já lhes foi concedida através da obra de Cristo.

É um erro grave supor que o Antigo testamento era a aliança da lei e que o Novo Testamento é aliança da graça. O Antigo Testamento é um testemunho monumental da maravilhosa graça de Deus em favor de seu povo. Semelhantemente, o Novo Testamento está literalmente cheio de mandamentos. Não somos salvos pela lei, mas demonstramos nosso amor a Cristo obedecendo a seus mandamentos. "Se me amais, guardai os meus mandamentos." Jo 14.15.

Freqüentemente ouvimos a afirmação: "O cristianismo não é um monte de normas sobre o que fazer e o que não fazer. Não é uma lista de regras". Há alguma verdade nesta dedução, visto que o cristianismo é muito mais do que uma mera lista de regras. Em sua essência, o cristianismo é um relacionamento pessoal com o próprio Cristo. Não obstante, o cristianismo também não é destituído de regras. O Novo Testamento claramente inclui alguns "faça e não faça". O cristianismo não é uma religião que sanciona a idéia de que todos têm o direito de fazer o que acharem melhor aos próprios olhos. Ao contrário, ele nunca dá a alguém o "direito" de fazer o que é errado,

Sumário

1. Antinomianismo é heresia que diz que os cristãos não têm qualquer obrigação de obedecer às leis de Deus.

2. A lei revela o pecado, é o fundamento para  a decência na sociedade e é um guia para a vida cristã.

3. O antinomianismo confunde justificação e santificação.

4. Lei e graça enchem tanto o Antigo quanto o Novo Testamento.

5. Embora obedecer à lei de Deus não seja a causa meritória da nossa justificação, espera-se que uma pessoa justificada busque ardentemente obedecer aos mandamentos de Deus.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.


Legalismo
Mt 15.1-20; Mt 23-22-29; At 15-1-29; Rm 3.19-26; Gl 3.10-14

O legalismo é a heresia oposta do antinomianismo. Enquanto o antinomianismo nega a importância da lei, o legalismo exalta a lei acima da graça. Os legalistas dos dias de Jesus eram os fariseus, e Jesus reservou a eles suas críticas mais fortes. A distorção fundamental do legalismo é a crença de que uma pessoa pode conquistar por si mesma a entrada no reino do céu. Os fariseus acreditavam que devido à sua condição de filhos de Abraão e pela sua escrupulosa aderência à lei, eles eram os filho de Deus. Na essência, essa atitude era uma negação do evangelho.

O corolário do legalismo é a aderência à letra da lei pela exclusão do espírito da lei. Para que os fariseus pudessem crer que podiam guardar a lei, primeiro tinham que reduzi-la à sua interpretação mais estrita e insípida. A história do jovem rico ilustra esse ponto. O jovem perguntou a Jesus como poderia herdar a vida eterna. Jesus lhe disse "guardar os mandamentos". O rapaz acreditava que já os estava guardando todos. Jesus decisivamente lhe revelou qual era um "deus" que ele servia no lugar do verdadeiro Deus - a riqueza. "vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres, e terás um tesouro no céu;" (Mt 19.21). O jovem rico seguiu seu caminho, entristecido.

Os fariseus eram culpados de outra forma de legalismo. Acrescentavam suas próprias leis à lei de Deus. Suas "tradições" eram exaltadas a uma condição de igualdade com a lei de Deus. Privavam as pessoas de suas liberdade e as acorrentavam no ponto do qual Deus as tinha libertado. Este tipo de legalismo não morreu com os fariseus. Ele tem assolado a igreja em todas as gerações.

O legalismo geralmente surge como uma oposição ao antinomianismo. Para assegurarmos que não permitiremos que nós mesmos ou outras pessoas caiamos na indulgência moral do antinomianismo, tendemos a fazer regras mais severas do que as do próprio Deus. Quando isso ocorre, o legalismo introduz uma tirania sobre o povo de Deus.

Semelhantemente, formas de antinomianismo também surgem como reação ao legalismo. Seu clamor  geralmente é por liberdade de toda opressão. Esta busca por liberdade moral corre cegamente. Os cristãos, ao buscar a liberdade, devem tomar cuidado para não confundir liberdade com libertinagem.

Outra forma de legalismo é exaltar questões de menor importância em detrimento das principais. Jesus repreendeu os fariseus por imitirem as questões mais relevantes da lei e por serem extremistas na obediência de pontos de menor importância (Mt 23.23,24). Essa tendência permanece como uma ameaça constante contra a igreja. Tendemos a exaltar ao nível supremo de piedade qualquer virtude que possuímos e relegar nossos vícios à condição de pontos insignificantes. Por exemplo, podemos considerar a atitude de evitar a dança como um sinal de grande poder espiritual enquanto consideramos a cobiça uma questão sem importância.

O único antídoto tanto para o legalismo quanto para o antinomianismo é o estudo sério da Palavra de Deus. Só assim seremos instruídos corretamente naquilo que agrada ou desagrada a Deus.

Sumário

1. O legalismo distorce a lei de Deus na direção oposta ao antinomianismo.

2. O legalismo eleva as tradições humanas ao nível de lei divina.

3. O legalismo escraviza o povo de Deus no ponto onde o próprio Deus tem dado liberdade.

4. O legalismo eleva as questões irrelevantes a menospreza as questões relevantes.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.


Sincretismo
1 Rs 16.29-34; 1 Co 10.14-23; 2 Co 6.14-18; Gl 3.1-14; Cl 2.8; 1 Jo 5.19-21

Sincretismo é o processo pelo qual aspectos de uma religião são assimilados ou misturados com outra, levando a mudanças fundamentais em ambas.

No Antigo Testamento, Deus esta profundamente preocupado com a pressão e a tentação do sincretismo. Enquanto o povo de Israel se movia em direção à Terra Prometida, foi confrontados com religiões  pagãs. Os deuses cananeus, Baal e Aserá, tornaram-se objetos da devoção dos israelitas. Posteriormente, o povo de Deus adorou os deuses nacionais da Assíria e Babilônia. A Lei de Deus advertia claramente a Israel não somente contra abandonar o Senhor Deus por outros deuses, mas também contra adorar deuses juntamente com o verdadeiro Deus. Os profetas advertiam quanto aos juízos que viriam porque o povo modificava sua fé para acomodar doutrinas e práticas estrangeiras.

O período do Novo Testamento foi marcado por um sincretismo difuso. À medida que o Império Grego se expandia, seus deuses se mesclavam com os deuses nativos das nações conquistadas. O Império Romano também era receptivo a toda sorte de cultos e religiões místicas. O cristianismo não ficou incólume. Os pais da Igreja não só difundiram o evangelho, mas também lutaram para proteger sua integridade. O maniqueísmo (filosofia dualística que via o físico como sendo mau) insinuou-se em algumas doutrinas. O docetismo (ensino que negava que Jesus tinha um corpo físico) foi um problema mesmo enquanto o Novo Testamento estava sendo escrito. Muitas formas de neoplatonismo fizeram um esforço consciente para combinar os elementos da religião cristã com a filosofia platônica e o dualismo oriental. A história dos credos cristãos é a história do povo de Deus buscando separar-se das tramas das religiões e filosofias pagãs.

A igreja hoje ainda enfrenta o mesmo problema. Filosofias não-cristãs, como o marxismo ou o existencialismo buscam o poder do cristianismo enquanto renunciam àquilo que é unicamente cristão. O sincretismo continua sendo poderosa ferramenta para separar Deus de seu povo.

Todas as gerações de cristãos enfrentam a tentação do sincretismo. Em nosso desejo de "estar por dentro" ou sermos atuais em nossas práticas e convicções, chegamos ao ponto de ceder á tentação de viver conformados aos padrões deste mundo. Aceitando práticas e idéias pagãs e buscamos "batizá-las". Mesmo quando confrontamos e enfrentamos religiões e filosofias pagãs, tendemos a deixar-nos ser influenciados por elas. Todo elemento estranho que se insinua na fé e prática cristã é um elemento que enfraquece a pureza da fé.

Sumário

1. Sincretismo é a fusão ou mistura de religiões ou filosofias estranhas nele.

2. Um dos problemas constantes da religião israelita no Antigo Testamento era a intrusão de religiões pagãs.

3. A igreja do Novo Testamento lutou contra a influência das culturas e religiões gregas e romanas.

4. O cristianismo moderno é ameaçado pelas tentativas de se combinar o pensamento cristão com religiões pagãs ou filosofias seculares.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã, Editora Cultura Cristã.Compre este livro em www.cep.org.br


Como reconhecer uma seita
Conheça as cinco características comuns e marcantes das seitas

Existem milhares de religiões neste mundo, e obviamente nem todas são certas. O próprio Jesus advertiu seus discípulos de que viriam falsos profetas usando Seu nome, e ensinando mentiras, para desviar as pessoas da verdade (Mateus 24.24). O apóstolo Paulo também falou que existem pessoas de consciência cauterizada, que falam mentiras, e que são inspirados por espíritos enganadores (1 Timóteo 4.1-2). Nós chamamos de seitas a essas religiões. Não estamos dizendo que todos os que pertencem a uma seita são desonestos ou mal intencionados. Existem muitas pessoas sinceras que caíram vítimas de falsos profetas. Para evitar que isto ocorra conosco, devemos ser capazes de distinguir os sinais característicos das seitas. Embora elas sejam muitas, possuem pelo menos cinco marcas em comum: (1) Elas têm outra fonte de autoridade além da Bíblia. Enquanto que os cristãos admitem apenas a Bíblia como fonte de conhecimento verdadeiro de Deus, as seitas adotam outras fontes. Algumas forjaram seus próprios livros; outras aceitam revelações diretas da parte de Deus; outras aceitam a palavra de seus líderes como tendo autoridade divina. Outras falam ainda de novas revelações dadas por anjos, ou pelo próprio Jesus. E mesmo que ainda citem a Bíblia, ela tem autoridade inferior a estas revelações.

(2) Elas acabam por diminuir a pessoa de Cristo. Embora muitas seitas falem bem de Jesus Cristo, não o consideram como sendo verdadeiro Deus e verdadeiro homem, nem como sendo o único Salvador da humanidade. Reduzem-no a um homem bom, a um homem divinizado, a um espírito aperfeiçoado através de muitas encarnações, ou à mais uma manifestação diferente de Deus, igual a outros líderes religiosos como Buda ou Maomé. Freqüentemente, as seitas colocam outras pessoas no lugar de Cristo, a quem adoram e em quem confiam.

(3) As seitas ensinam a salvação pelas obras. Essa é uma característica universal de todas as seitas. Por acreditarem que o homem é intrinsecamente bom, pregam que ele pode acumular méritos e vir a merecer o perdão de Deus, através de suas boas obras praticadas neste mundo. Embora as seitas sejam muito diferentes em sua aparência externa, são iguais neste ponto. Algumas falam em fé, mas sempre entendem a fé como sendo um ato humano meritório. E nisto diferem radicalmente do ensino bíblico da salvação pela graça mediante a fé.

(4) As seitas são exclusivistas quanto à salvação. Pregam que somente os membros do seu grupo religioso poderão se salvar. Enquanto que os cristãos reconhecem que a salvação é dada a qualquer um que arrependa-se dos seus pecados e creia em Jesus Cristo como Salvador (não importa a denominação religiosa), as seitas ensinam que não há salvação fora de sua comunidade.

(5) As seitas se consideram o grupo fiel dos últimos tempos. Elas ensinam que receberam algum tipo de ensino secreto que Deus havia guardado para os seus fiéis, perto do fim do mundo. É interessante que ao nos aproximarmos do fim do milênio, cresce o número de seitas afirmando que são o grupo fiel que Deus reservou para os últimos dias da humanidade.

Podemos e devemos ajudar as pessoas que caíram vítimas de alguma seita. Na carta de Tiago está escrito que devemos procurar ganhar aqueles que se desviaram da verdade (Tiago 5.19-20). Para isto, entretanto, é preciso que nós mesmos conheçamos profundamente nossa Bíblia bem como as doutrinas centrais do Cristianismo. Mais que isto, devemos ter uma vida de oração, em comunhão com Cristo, para recebermos dele poder e amor e moderação.
 
Autor:   Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: Portal IPB - htttp://www.ipb.org.br


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Família Cristã

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A Família Cristã

Vós, mulheres, sujeitai-vos a vossos maridos, como ao Senhor (Ef 5.22)
Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, (Ef 5.25)
Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo (Ef 6.1)

A família é a mais antiga e a mais básica das instituições humanas. tanto na cultura israelita do Antigo Testamento como na cultura helênica do Novo Testamento, a estrutura da família podia constituir em pais e filhos, parentes de várias gerações, servos e, mesmo, amigos, dependendo dos recursos econômicos do chefe da família. A Bíblia acentua sua importância como uma unidade espiritual e base do treinamento para o caráter adulto maduro.

A Bíblia descreve uma clara estrutura da autoridade dentro da família, pela qual o marido conduz a esposa e os pais conduzem os filhos. Porém, como toda liderança deve ser exercida como uma forma de ministério, ao invés de uma tirania, assim esses papéis de liderança domestica devem ser cumpridos em amor (Ef 5.22-6.4; Cl 3.18-21; 1 Pe 3.1-7). O quarto mandamento exige que o chefe de família conduza toda a sua família na observância do sábado, o quinto mandamento exige que os filhos respeitem os pais e se submetam a eles (Êx 20.8-12; Ef 6.1-3). Jesus mesmo deu exemplo disso quando criança (Lc 2.51). Mais tarde, ele se opôs ferozmente a supostos gestos de piedade que, na realidade, eram formas de evitar a responsabilidade para com os pais (Mc 7+6-13), e seu último ato, antes de morrer, consistiu em tomar providência quanto ao futuro de sua mãe (Jo 19.25-27).

A família deve ser uma comunidade de ensino e aprendizado a respeito de Deus e da piedade. As crianças devem ser instruídas (Gn 18.18-19; Dt 4.9; 6.6-8; 11.18-21; Pv 22.6; Ef 6.4) e encorajadas a usar essas instruções como base para sua vida (Pv 1.8; 6.20). A disciplina deve ser usada como forma de treinamento corretivo para conduzir as crianças para além de tolice pueris, à sabedoria do domínio próprio (Pv 3.11-12; Hb 12.5-11), assim também deve ser na família humana.

A família foi instituída para funcionar como unidade espiritual. A Páscoa, no Antigo Testamento, era uma cerimônia da família (Êx 12.3). Josué estabeleceu um exemplo quando disse: "Eu e a minha casa serviremos ao Senhor" (Js 24.15). As famílias se tornaram às unidades de dedicação cristã nos tempos do Novo Testamento (At 11.14; 16.15,31-33; 1 Co 1.16). A aptidão dos candidatos a oficiais, na Igreja, era avaliada verificando se eles governavam bem a própria família (1 Tm 3.4-5,12; tt 1.6).

Desenvolver uma vida familiar forte é sempre uma prioridade no serviço de Deus.

Fonte : Bíblia de Estudo de Genebra [Editor Geral: R. C. Sproul]


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O que ensinar aos filhos?

Ewerton B. Tokashiki
acervo do Blog Tokashiki

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Matrimônio e Divórcio

O Matrimônio
Gn 2.24; Mt 19.1-9; 1 Co 7; Ef 5.21-33; 1 Ts 4.3-8; Hb 13.4

"Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne." Gn 2.24

A instituição do matrimônio foi ordenada e instituída por Deus na Criação. Cristo santificou o matrimônio por meio da sua presença nas bodas de Caná e por meio das instruções que deu via apóstolos no Novo Testamento. A maioria das cerimônias de casamento atuais reflete isso e reconhece a origem divina do matrimônio. O que freqüentemente é ignorado ou negligenciado nos contratos modernos é que o matrimônio é regulamentado pelos mandamentos de Deus. A lei de  Deus circunscreve o significado e a legitimidade do matrimônio.

O matrimônio deve ser um relacionamento exclusivo entre um homem e uma mulher, em que ambos se tornam "uma só carne", unindo-se física, emocional, intelectual e espiritualmente, Tal união deve durar por toda a vida. A união é assegurada por um voto e uma aliança sagrados, consumados por meio da união física. A Bíblia menciona apenas duas circunstâncias sob as quais o contrato pode ser dissolvido - infidelidade e abandono.

A infidelidade é proibida no relacionamento do matrimônio. A instituição do matrimônio foi criada por Deus para que o homem e a mulher pudessem  se completar mutuamente e participar na obra criativa da procriação. A união física necessária para a procriação tem também uma importância espiritual. Aponta adiante e lustra a união espiritual entre o marido e a esposa. Paulo usa esta união para simbolizar o relacionamento entre Cristo e sua Igreja, da mesma maneira que o Antigo Testamento descreve a aliança entre Deus e Israel por meio do relacionamento do matrimônio. Fidelidade, cuidado e apoio mútuos devem ser a base do relacionamento conjugal. Atos de infidelidade quebram a aliança e permitem que a parte lesada peça divórcio.

Além disso, Paulo em 1 Coríntios 7.12-16 diz que, se um cônjuge crente é abandonado, ele não é obrigado a manter a aliança do matrimônio. O abandono, assim como a infidelidades, é uma violação fundamental do desígnio de Deus para o matrimônio.

O matrimônio foi instituído na Criação. Uma pessoa não precisa ser cristã para receber a graça comum da instituição. Embora todo homem e toda mulher possam casar-se, o cristão é exortado a casar-se somente "no Senhor". A Bíblia proíbe claramente que cristãos se casem com não cristãos.

Na hierarquia do matrimônio, o esposo é chamado a "cabeça" da esposa. A esposa é exortada a submeter-se ao esposo como ao Senhor. O esposo é  exortado a amar sua esposa e a dedicar-se a ela sacrificialmente, assim como Cristo amou sua noiva, a Igreja, e sacrificou-se por ela.

Sumário

1. O matrimônio foi instituído por Deus e é regulamentado por ele.

2. O matrimônio deve ser monogâmico.

3. A união física permitida e ordenada no casamento reflete a união espiritual do esposo e a esposa.

4. O matrimônio é usado figurativamente na Bíblia para ilustrar o relacionamento entre Cristo e a Igreja.

5. O matrimônio, sendo instituído na criação, é concedido a todo ser humano. A igreja reconhece o matrimônio civil. Os cristãos, entretanto, são exortados a casar-se "no Senhor".

6. Deus ordena a estrutura da união matrimonial. Cada cônjuge tem mandamento específico de Deus para obedecer.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã, Editora Cultura Cristã (CEP). Compre este excelente livro em www.cep.org.br.


O Divórcio
Mt 5.31,32; Mt 19.3-9; Rm 7.1-3; 1 Co 7.10-16

Esta questão tem se tornado urgente numa sociedade na qual o índice de divórcio cresce assustadoramente. Devido à proliferação radical dos casos e os problemas legais e familiares que provocam, a lei tem procurado facilitar o processo, proporcionando a opção do divórcio sem justa causa. Assim, fica cada vez mais fácil obter-se o divórcio e o problema da multiplicação dos casos fica ainda mais exacerbado.

A Bíblia não e tão superficial quanto ao divórcio. O ensino de Jesus sobre o assunto foi ministrado no contexto de um debate entre escolas rabínicas do primeiro século. Havia um desacordo entre os liberais e os conservadores sobre a legitimidade do divórcio. Jesus foi confrontado com o assunto:

Então chegaram ao pé dele os fariseus, tentando-o, e dizendo-lhe: É lícito ao homem repudiar sua mulher por qualquer motivo?
Ele, porém, respondendo, disse-lhes: Não tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez,
E disse: Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa só carne?
Assim não são mais dois, mas uma só carne. Portanto, o que Deus ajuntou não o separe o homem.
(Mt 19.3-6)

Notamos que quando os fariseus perguntaram a Jesus sobre a lei liberal do divórcio, ele imediatamente levou-os de volta às Escrituras e à instituição original do matrimônio feita por Deus. Enfatizou que o matrimônio deveria durar por toda a vida. Mostrou que a união do homem e da mulher numa só carne não pode ser dissolvida por decretos humanos. Somente Deus tem autoridade para determinar as bases da dissolução do matrimônio. O debate prosseguiu:

Disseram-lhe eles: Então, por que mandou Moisés dar-lhe carta de divórcio, e repudiá-la?
Disse-lhes ele: Moisés, por causa da dureza dos vossos corações, vos permitiu repudiar vossas mulheres; mas ao princípio não foi assim.
Eu vos digo, porém, que qualquer que repudiar sua mulher, não sendo por causa de prostituição, e casar com outra, comete adultério; e o que casar com a repudiada também comete adultério.
(Mt 19.7-9)


Se olharmos atentamente para a resposta de Jesus, veremos que ele questionava o discernimento dos fariseus sobre a lei do Antigo Testamento. Moisés não "mudou", mas permitiu o divórcio em situações específicas. (Moisés, é claro, falava em nome de Deus. Foi Deus quem permitiu essa mudança de seu propósito original por causa da presença do pecado que violava o casamento.) Jesus lembrou que mesmo essa permissão só foi dada por causa do pecado (dureza de coração), e não anulava o propósito original do matrimônio.

Jesus então fez seu próprio pronunciamento sobre a questão - proibindo o divórcio, exceto em casos de imoralidade sexual. Suas palavras enigmáticas sobre o novo casamento e o adultério devem ser entendidas em relação aos divórcios sem validade e ilegítimos. Se há divórcio sem a permissão de Deus, então o casal continua casado aos olhos de Deus. Portanto, o novo matrimônio entre pessoas que se divorciaram ilegitimamente constitui a entrada num relacionamento adúltero.

Posteriormente, conforme já vimos no capítulo anterior [O Matrimônio], Paulo estendeu a permissão para o divórcio aos casos no quais o cônjuge crente é abandonado pelo outro (1 Co 7.10-15). A Confissão de Westminster resume essa questão. Ela diz:

O adultério ou a fornicação cometidos depois de um contrato, sendo descoberto antes do casamento, dá à parte inocente justo motivo de dissolver o contrato; no caso do adultério depois do casamento, à parte inocente é lícito propor divórcio, e, depois de obter o divórcio, casar com outrem, como se a parte infiel fosse morta. Posto que a corrupção do homem seja tal que o incline a procurar argumentos a fim de indevidamente separar aqueles que Deus uniu em matrimônio, contudo nada, senão o adultério, é causa suficiente para dissolver os laços do matrimônio, a não ser que haja deserção tão obstinada que não possa ser remediada nem pela Igreja nem pelo magistrado civil. Para a dissolução do matrimônio é necessário haver um processo público e regular, não se devendo deixar ao arbítrio e discrição das partes o decidir em seu próprio caso. Art. 24.5, 6.

Sumário

1. A Bíblia não tolera o divórcio "sem justa causa".

2. Jesus repudiou a visão liberal dos fariseus sobre o divórcio.

3. Moisés permitiu, mas não ordenou o divórcio.

4. Jesus permitiu o divórcio em caso de imoralidade sexual.

5. Jesus ensinou que o matrimônio entre pessoas divorciadas ilegitimamente constitui adultério.

6. Paulo acrescenta o abandono do cônjuge crente pelo não-crente como base para divórcio.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em www.cep.org.br


OUTROS ASSUNTOS

Conhecer a Deus

João 17:3: "E a vida eterna é esta: que te conheçam, a ti só, por único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste".

Neste texto de João 17.3 podemos destacar os seguintes pontos:

Primeiro, conhecer a Deus é uma questão pessoal, como acontece com qualquer relacionamento humano. Conhecê-lo é mais que obter conhecimento sobre ele; é relacionar-se com ele enquanto se revela a você; é ser dirigido por ele à medida que toma conhecimento de você. Conhecê-lo é uma precondição para confiar nele ("E como alguém pode ter fé no Senhor se não ouvir falar dele?" [Rm 10:14; VFL]), mas a extensão de nosso conhecimento a seu respeito não pode servir de medida para a profundidade desse conhecimento.

John Owen [1] e João Calvino[2] sabiam mais teologia do que John Bunyan ou Billy Bray,[3] mas quem poderá negar que os últimos conheciam seu Deus tão bem quanto os primeiros? (Os quatro, é claro, eram profundos pesquisadores da Bíblia, o que vale mais que qualquer conhecimento teológico). Se o fator decisivo fosse o conhecimento da doutrina, naturalmente os maiores estudiosos da Bíblia conheceriam a Deus melhor que os outros. Mas não é isso o que acontece; você pode guardar na mente a doutrina correta, sem jamais provar em seu coração suas realidades. O simples leitor da Bíblia e ouvinte de sermões cheio do Espírito Santo desenvolverá um relacionamento mais profundo com seu Deus e Salvador que o estudioso mais erudito que se contenta apenas por estar teologica-mente correto. A razão disto é que o primeiro entrará em contato com Deus a respeito da aplicação prática da verdade em sua vida, enquanto o último não terá essa preocupação.

Segundo, conhecer a Deus é uma questão de envolvimento pessoal que abrange a mente, a vontade e os sentimentos. Caso contrário, não seria um relacionamento completo de fato. Para conhecer outra pessoa você precisa envolver-se com seus interesses, procurar sua companhia e estar pronto a se identificar com suas preocupações. Sem isso seu relacionamento com ela será apenas superficial e insípido. "Provem, e vejam como o SENHOR é bom", diz o salmista (Sl 34:8). "Provar", como bem sabemos, é "experimentar" um pedaço de alguma coisa com a intenção de apreciar o sabor. Um prato pode parecer delicioso e ser bem recomendado pelo cozinheiro, mas não saberemos suas reais qualidades enquanto não o provarmos.

Do mesmo modo não conheceremos as reais qualidades de alguém enquanto não tivermos "experimentado" sua amizade. Os amigos estão, figuradamente, comunicando sabores um ao outro todo o tempo, seja quando compartilham atitudes (pense nas pessoas que se amam) seja em relação a interesses comuns. À medida que abrem o coração um ao outro, pelo diálogo ou pelas ações, um "prova" as qualidades do outro, na alegria ou na tristeza. Eles se identificaram com as preocupações mútuas, envolvendo-se, portanto, pessoal e emocionalmente nelas. Sentem e pensam um no outro. Trata-se de um aspecto essencial do conhecimento entre amigos, e o mesmo se aplica ao conhecimento do cristão sobre Deus, o qual, como já vimos, é em si mesmo um relacionamento entre amigos.

O lado emocional do conhecimento de Deus tem sido constantemente desestimulado nos últimos tempos, por medo de desenvolver uma introversão piegas. É verdade que não existe nada mais irreligioso que a religião ensimesmada. É preciso salientar constantemente que Deus não existe para nosso conforto, nossa felicidade, nossa satisfação, ou para nos proporcionar "experiências religiosas", como se isso fosse o mais interessante e importante na vida.

É necessário também destacar que se qualquer pessoa, baseando-se em "experiências religiosas", disser: '"Eu o conheço', mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele" (1Jo 2:4; cf. v. 9,11; 3:6,11; 4:20).

Mas, apesar de tudo isso, não devemos desprezar o fato de que o conhecimento de Deus é uma relação emocional, assim como intelectual e volitiva, e não seria de fato um relacionamento profundo entre duas pessoas se não houvesse emoção. O cristão é, e deve ser, emocional-mente envolvido nas vitórias e vissicitudes da causa de Deus no mundo, como os auxiliares imediatos de sir Winston Churchill estavam envolvidos com as oscilações da guerra.

O cristão se alegra quando Deus é honrado e vindicado e sente profunda angústia quando o vê escarnecido. Quando Barnabé chegou a Antio-quia "vendo a graça de Deus, ficou alegre" (At 11:23), ao contrário do salmista, que escreveu "Rios de lágrimas correm dos meus olhos, porque a tua lei não é obedecida" (Sl 119:136). Do mesmo modo, o cristão sente vergonha e tristeza quando se convence de ter negado seu Senhor (v., p. ex.: Si 51 e Lc 22:61,62), e de tempos em tempos conhece enlevos de alegria quando Deus de alguma maneira lhe faz sentir a glória do seu eterno amor com o qual tem sido amado ("vocês estão cheios de uma alegria radiante que não pode ser descrita com palavras", lPe 1:8; VFL).

Este é o lado emocional e experimental da amizade com Deus. Por mais verdadeiros que sejam os pensamentos do ser humano sobre Deus, se ele ignorar essa parte emocional, na realidade, não conhece o Deus que lhe ocupa a mente.

Em terceiro lugar, conhecer a Deus é uma questão de graça. Trata-se de um relacionamento cuja iniciativa pertence completamente a Deus — como deve ser mesmo, pelo fato de ele estar tão acima de nós e de termos perdido totalmente qualquer direito a seu favor por causa de nossos pecados. Nós não fazemos amizade com Deus; ele se torna nosso amigo levando-nos a conhecê-lo e tornando seu amor conhecido por nós. Paulo expressa esta idéia da prioridade da graça em nosso conhecimento de Deus quando escreve aos gálatas: "Mas agora, conhecendo a Deus, ou melhor, sendo por ele conhecidos" (Gl 4:9). O que transparece nesta frase é a compreensão por parte do apóstolo de que a graça veio primeiro e permanece fundamental na salvação dos leitores dele. O conhecimento de Deus era conseqüência de ter Deus tomado conhecimento deles. Eles o conhecem pela fé porque ele os havia escolhido primeiro pela graça.

"Conhecer", quando usada em relação a Deus, é uma palavra da graça soberana e mostra que ele tomou a iniciativa de amar, escolher, redimir, chamar e preservar. Que Deus está perfeitamente consciente a nosso respeito, "conhecendo-nos pelo avesso" por assim dizer, é com certeza parte do significado, como se vê pelo contraste entre nosso conhecimento incipiente de Deus e seu perfeito conhecimento sobre nós em 1Coríntios 13:2; mas não é o significado principal, pois este realmente surge nas passagens que se seguem:

O SENHOR disse a Moisés [...] porque tenho me agradado de você e o conheço pelo nome (Êx 33:17).

Antes de formá-lo [Jeremias] no ventre eu o escolhi; antes de você nascer, eu o separei (Jr 1:5).

Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem [...] e dou a minha vida pelas ovelhas [...] As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço [...] jamais perecerão (Jo 10:14,15,27,28).

Aqui o conhecimento de Deus sobre os seus está associado ao propósito da graça salvadora. É um conhecimento que implica afeição pessoal, ação redentora, fidelidade à aliança e proteção providencial para os conhecidos de Deus. Em outras palavras, isto implica salvação, agora e para sempre, como já aludimos anteriormente.

Nota

[1]Ministro puritano, nascido em Stadham, Inglaterra (I6l6-1683). Uma das mentes mais brilhantes de sua época. Dissidente do anglicanismo, serviu como capelão de Oliver Cromwell apesar de sua simpatia pelas igrejas independentes (mais próximas do con-gregacionalismo). Suas obras mais famosas são: Por quem Cristo morreu? e A display of arminianism.

[2]Reformador e teólogo francês (1509-1564), foi o grande condensador do pensamento protestante. Famoso por suas publicações, das quais se destacam As institutas da religião cristã e seus comentários bíblicos, Calvino foi ainda o maior defensor da doutrina agostiniana da predestinação. Aliás, todo o sistema das doutrinas da graça passou a ser designado calvinismo. Foi também o responsável pela modernização de Genebra (Suíça), cidade na qual ajudou a reformar não só a Igreja, como o próprio Estado.

[3] William Trewartha Bray (1794-1868) nasceu em Twelveheads, Inglaterra. Pregador metodista, famoso por seu estilo pessoal pouco convencional para a época (sempre pregava gritando, pulando e batendo palmas), não possuía educação formal, e seu ministério se deu entre os trabalhadores de minas de sua região. Um verdadeiro exemplo de alegria no Senhor e de devoção pessoal a Cristo.

Autor: J. I. Packer

Fonte: O Conhecimento de Deus, Editora Mundo Cristão, Cap. 3. Compre este maravilhosos livro em www.mundocristao.com.br


Sexo - O que a Bíblia diz?

Existem dois assuntos que nós, como seres humanos, temos muita dificuldade de falar. São eles: sexo e morte. O primeiro, o sexo, está ligado ao início da vida. Enquanto, o segundo, a morte, está ligado ao fim de nossa da nossa existência.

Quando falamos em sexo, temos uma multidão de informações. Hoje, na internet, existem milhares de sites, dando toda sorte de informações. Alguns sites são sérios e procuram ajudar os internautas com posicionamentos científicos e corretos. Muitos, e infelizmente são a grande maioria, não precisam ser visitados, para constatar a péssima visão daquilo que Deus planejou para a sexualidade humana. Os livros que tratam a questão do sexo também são os mais vendidos.

Quando abordamos a questão da sexualidade humana, como cristãos, temos, em primeiro lugar, que recorrer à Bíblia.

Embora a mensagem da Bíblia seja a de mostrar o eterno amor de Deus, demonstrado na pessoa de Jesus, a Palavra de Deus nos dá parâmetros para que vivamos neste mundo de forma que honre o nome do Evangelho e venhamos a viver, inclusive nossa sexualidade, dentro dos planos traçados por Deus.

A Bíblia não é um 'guia sexual', mas com certeza tem muito a nos ensinar nesta área.

À luz da Palavra de Deus, podemos fazer algumas afirmações:

1 - Deus é o criador da sexualidade humana.
Deus ao criar o homem e a mulher, os criou com todos os seus órgãos sexuais (Gn 1.31). Robinson Cavalcanti, no seu livro 'Libertação e Sexualidade' afirma: "Deus criou o ser humano com um corpo, indissociado de sua mente e de seu espírito. Para Deus, o corpo humano, obra de suas mãos, é bom. A sexualidade não veio com a Queda (pecado original). Ao contrário, a sexualidade estava nos planos originais de Deus".

Tim e Beverly LaHaye, no clássico da sexologia cristã, 'O Ato Conjugal', cita com muita propriedade as declarações do psicólogo cristão Henry Brandt, quando diz:  "Deus criou todas as partes do corpo humano. E não criou algumas boas e outras más; Ele criou todas boas".

Compreendendo esta verdade, coloca-se uma pedra fundamental sobre compreensão da sexualidade humana. Todo o nosso corpo, com ele, nossos órgãos sexuais foram projetados por Deus. Esta visão é importante, porque a partir desta compreensão é que as pessoas começarão aceitar o sexo como um presente de Deus.

Pênis, testículos, ovários, vagina, útero, canais deferentes, próstata, clitóris e tantos outros pequenos órgãos que compõem os aparelhos reprodutores masculinos e femininos foram criados por Deus, sem exceção.

Muitos casais estão enfrentando problemas sérios na vida sexual porque não aceitam estas verdades. Têm vergonha dos órgãos genitais e acham que os mesmos não tem nada a haver com a criação divina.

2 - As relações sexuais, segundo a visão cristã, devem ser heterossexuais, isto é, entre um homem e uma mulher.
Deus ao projetar a sexualidade humana, criou homem e mulher (Gn 2.22). À luz dos relatos da criação, já podemos observar que Deus ao criar os seres sexuados, dentre eles o homem, que é a coroa da criação, planejou para que vivessem a heterossexualidade, isto é, a relação sexual entre macho e fêmea, no caso humano, homem e mulher.

Mais tarde, com a queda humana, homem e mulher começaram, como todos nós sabemos, a se distanciar dos planos de Deus, em todas as áreas da vida, incluindo em relação à sexualidade.

Conforme os relatos bíblicos, os pecados sexuais começaram a aparecer nas relações humanas. O primeiro deles, foi a poligamia (Gn 4.19). Posteriormente, Deus ao dar as leis ao seu povo, incluiu seu desagrado em relação à união sexual com pessoas do mesmo sexo, que é o homossexualismo (Lv 18.22; Rm 1.26,27) e com animais, que se dá o nome de bestialidade (Lv 18.23).

Para nós cristãos, a despeito de todo o lobby gay que vemos nos meios de comunicação, tais expressões da sexualidade são pecaminosas e a Palavra de Deus se refere a essas práticas sexuais como abomináveis (Lv 18.22b).

3 - O sexo, segundo a visão cristã, deve ser praticado no contexto do casamento.
Se no item anterior, falamos sobre a expressão correta, heterossexual, da união sexual, aqui queremos reafirmar o posicionamento bíblico em relação ao seu lugar, isto é, no contexto do casamento.

A Bíblia é clara quando afirma que a união sexual, aprovada por Deus, entre um homem e uma mulher, deve acontecer somente no contexto do casamento. Por isso, a fornicação (que geralmente se refere à relação sexual antes do casamento), mas também à imoralidade em geral, bem como o adultério e a prostituição são condenados por Deus e distorcem o Seu plano original para a felicidade sexual das pessoas (Dt 22.22; 23-25; 23.17-18; Pv 7; 1Co 6.12,13; 2Co 12.21; Ef 5.3).

Tendo em vista estas verdades bíblicas, precisamos deixar bem claro para os jovens solteiros que quando têm relações sexuais ou mesmo carícias sexuais com o seus pares, enquanto namorados, contrariam a vontade de Deus (1Ts 4.3,4).

Embora a cultura e os costumes modernos tentem passar para os cristãos que uma relação sexual entre solteiros ou fora do contexto do casamento não seja errada, devemos nos reportar a esses e tantos outros versículos bíblicos contrários a tais pensamentos de uma cultura sem Deus.

4 - O sexo, segundo a visão cristã, não é somente para a procriação, mas também para o prazer.
O ser humano, dentre todos os seres vivos criados por Deus, é o único a experimentar prazer nas relações sexuais. O orgasmo, o clímax do prazer numa relação sexual, é um privilégio dado por Deus somente ao ser humano.

Somente o ser humano é que experimenta todas as sensações características do orgasmo. A mulher, é a única fêmea, segundo os estudiosos, que possui o clitóris, órgão projetado por Deus exclusivamente para dar prazer sexual.

Muitos cristãos ainda pensam, apesar de toda a informação que tem recebido, que o sexo é somente para a procriação. O lado procriativo do sexo é de suma importância para a reposição da espécie (Gn 1.27,28), mas não se restringe somente a este propósito. Devido a uma forte influência platônica sobre os pensadores cristãos, especialmente, nos primeiros séculos, ainda hoje muitas vezes temos, como cristãos, a tendência de associar o prazer físico, especialmente o sexual, ao pecado.

Somente nos últimos anos é que os estudiosos bíblicos têm feito uma leitura correta do livro de Cantares de Salomão. Este livro, com certeza, foi incluído no cânon, isto é, no conjunto de livros sagrados do Velho Testamento, para mostrar que, no contexto do casamento, homem e mulher devem experimentar, no seu máximo, o prazer que o sexo e a sensualidade podem proporcionar.

Aqui, vale frisar, que quando usamos o termo 'sensualidade' não queremos nos referir ao 'sensualismo' apregoado pela mídia e que tanto prejuízo tem trazido à sexualidade humana. Os casais cristãos precisam repensar e explorar a sensualidade que um pode oferecer ao outro. Muitas vezes, e isto tem sido extremamente prejudicial, se associa a 'sensualidade' a algo pecaminoso.

Quando um casal cristão explora a sensualidade para enriquecer a relação conjugal grandes benefícios irá colher. Os casais cristãos precisam valorizar mais os toques físicos (abraços, afagos afetuosos, massagens sexuais e não-sexuais), o olfato (perfumes, velas perfumadas), a audição (música romântica, palavras de admiração), a visão (pessoal e do ambiente) e o paladar  na relação a dois.

Quando uma relação sexual é desprovida da sensualidade, acontece apenas uma união de órgãos sexuais masculinos e femininos e reduz o sexo somente à área genital. Muitos casais estão cansados e vivendo uma vida sexual burocrática porque acham que essas coisas, até mesmo dentro do contexto matrimonial, são pecaminosas.

Um bom caminho para os casais cristãos 'reinventarem' suas vidas sexuais é fazerem, a dois, uma releitura do livro de Cantares de Salomão e verificarem em cada linha todos os recursos sensoriais que aqueles amantes (no bom sentido da palavra) utilizaram para terem um relacionamento sexual enriquecedor.

Quando ambos, marido e esposa, experimentarem todo o prazer que o sexo pode oferecer não precisarão querer beber de outras cisternas (Pv 5.15,18), pois a 'água' que Deus projetou para que bebessem no contexto conjugal é suficientemente o bastante para saciar o apetite sexual.

Gilson Bifano

Fonte: Click Familia http://www.clickfamilia.org.br/

 


Entenda o que Deus nos ensina a respeito do dinheiro

Os abusos quanto ao levantamento de recursos financeiros praticados por igrejas neopentecostais, e mesmo pela Igreja Católica (veja-se a última vinda do Papa ao Brasil!), acabaram por tornar bastante delicada a questão da contribuição financeira nas igrejas evangélicas em geral. O abuso, porém, não invalida a realidade de que as igrejas genuinamente evangélicas precisam de recursos para manter seus trabalhos regulares. A Bíblia nos ensina várias coisas acerca do dinheiro.

      1)  De quem é o dinheiro? Todas as riquezas que existem no mundo pertencem a Deus, por direito de criação (Salmo 24.1) e por direito de capacitação, isto é, é Deus quem nos dá saúde, forças e oportunidades para ganharmos dinheiro (Deut 8.18). O cristão deve se conscientizar¬ de que ele é apenas gerente¬, e não dono dos recursos de que dispõe.

       2)  Deus tem um plano para o dinheiro¬ que nos confia. (a) Devemos suprir as nossas necessidades e da nossa família. Deus sabe que temos necessidades (Mateus 6.31-32) e que o dinheiro¬ é usado¬ para supri-las (Atos 20.34). (b) Deus deseja abençoar outros por nosso intermédio. Devemos usar nossos recursos para ajudar os irmãos que estão passando por necessidade (Romanos 12.3), aqueles que são pobres (Deut 15.7-8). (c) Devemos usar o dinheiro¬ para sustentar a obra de Deus neste mundo, através das contribuições regulares e proporcionais que fazemos para a Igreja e organizações evangélicas envolvidas com a evangelização do mundo e as obras sociais. (d) Através do dinheiro, Deus quer mostrar seu poder e bênção, suprindo as nossas necessidades (Mateus 6.33), despertando assim gratidão em nosso coração (Deut 8.18) e recompensando fielmente os que contribuem de forma voluntária e regular para sua obra (Malaquias 3.10). Todo cristão sincero deveria refletir sobre o uso que faz do dinheiro, lembrando que prestará contas a Deus, como um gerente presta contas ao proprietário.

       3)  Princípio gerais para o uso do dinheiro. A Bíblia nos ensina muitas coisas sobre como devemos gastar o dinheiro que Deus nos permite ganhar. Quando observamos estes princípios, podemos evitar mais facilmente a escravidão financeira. Eis aqui alguns deles. (a) Aprender a gastar sabiamente. Devemos planejar nossos gastos (Lucas 14.28-30; Provérbios 19.2) e parar com despesas desnecessárias (Isaías 55.1-2). (b) Não presumamos da graça de Deus. Conheci um casal cristão que comprou um bem valioso e pagou com cheque pré-datado, orando para Deus mandar o dinheiro¬. O dinheiro não veio, e a coisa acabou na justiça, com péssimo testemunho contra o Evangelho. Não devemos tentar a Deus querendo ter um padrão de vida que é acima dos nossos recursos. (c) Pratique a respiração financeira. O Senhor Jesus nos ensina em Lucas 6.37-38 que recebemos na mesma proporção em que damos. É verdade que Deus nos abençoa financeiramente apesar de nossa falta de amor para com outros, mas ele tem prometido abençoar de forma especial os que dão abundantemente para os necessitados. (d) Evite estas coisas o máximo que puder: tomar emprestado para comprar algo que se desvaloriza facilmente (Deut 15.6; Prov 22.7); ficar por fiador de estranhos (Prov 11.15; 17.18).

O dinheiro tem escravizado muitos cristãos. Mas quando aprendemos a usá-lo segundo os ensinos da Bíblia, torna-se instrumento do bem aqui neste mundo.

Autoria: Rev. Augustus Nicodemus Lopes
Fonte: Portal IPB  -  www.ipb.org.br


Juramentos e Votos
Dt. 10.20; 2 Co 6.22,23; Ed 10.5; Mt 5.33-37; Tg 5.12

Quando eu era menino ouvi a história lendária de George Washington e a cerejeira. Quando o jovem George foi confrontado pelo pai, aborrecido pela sua travessura de ter destruído uma árvore, o menino disse: "Não consigo mentir; eu cortei a cerejeira".

Levei muitos anos para perceber que a confissão de Washington na verdade era uma mentira. Dizer "não consigo mentir" é mentir sobre a própria habilidade para falar mentiras. Havia muitas coisas George Washington não conseguia fazer: não podia voar; não podia estar em mais de um lugar ao mesmo tempo; etc. Mas George Washington conseguia contar uma mentira. Ele era um homem. Todos os seres humanos são capazes de mentor. A Bíblia declara que  "todo homem é mentiroso" (Sl 116.11). Isso não significa que todas as pessoas mentem todo o tempo. Também temos a habilidade de falar a verdade. O problema surge quando precisamos confiar na palavra de alguém e não sabemos com certeza se a pessoa está falando a verdade.

Para enfatizar a importância de verdade ao se fazer promessas e a importância que se dá aos testemunhos, apelamos para o pronunciamento de juramentos e votos. Antes de testemunhar num tribunal, a testemunha tem de jurara. Ela se compromete a "dizer a verdade, toda a verdade e nada mais além da verdade, com a ajuda de Deus".

No voto, o apelo é feito a Deus e somente a Deus, como testemunha suprema da declaração. Deus é o guardião os votos, juramentos e promessas. Ele próprio é o manancial da verdade e é incapaz de mentir. O que era falso sobre George Washington é verdadeiro com relação a Deus. Ele não pode mentir (Tt 1.2; Hb 6.17,18) Deus também não pode associar-ser a mentirosos. Ele adverte contra o fazer votos precipitados ou falsos: Quando a Deus fizeres algum voto, não tardes em cumpri-lo; porque não se agrada de tolos; o que votares, paga-o.Melhor é que não votes do que votares e não cumprires.(Ec 5.4,5). Os Dez Mandamentos incluem uma cláusula contra o falso testemunho (Êx 20.16).

Visto que todo o nosso relacionamento com Deus se baseia nas promessas da aliança. Deus santifica a questão dos votos, juramentos e promessas. A confiança nos relacionamentos humanos (como casamentos e sociedades comerciais), é algo necessário para o bem-estar da sociedade. Um juramento legítimo é parte da adoração; as pessoas, buscando assegurar a veracidade do que falam, invocam a Deus como testemunha daquilo que declaram ou prometeram. A implicação é que se aqueles que fazem os juramentos estiverem mentindo, Deus irá puni-los com rapidez e severidade.

A igreja cristã sempre tem afirmado o valor dos votos e dos juramentos. A Confissão de Westminster listou as seguintes estipulações e limites, com base nas Escrituras:

"O único nome pelo qual se deve jurar é o nome de Deus, nome que se pronunciará com todo o santo temor e reverência; jurar, pois, falsa ou temerariamente por este glorioso e tremendo nome, ou jurar por qualquer outra coisa é pecaminoso e abominável. Contudo, como em assuntos de gravidade e importância, o juramento é autorizado pela Palavra de Deus, tanto sob o Novo Testamento quanto sob o Antigo Testamento, o juramento, sendo exigido pela autoridade legal, deve ser prestado com reverência a tais assuntos. Art. 22.2-3

Uma estipulação adicional é que um juramento não deve ser feito de forma equivocada ou com reservas mentais. Deus não aceita "dedos cruzados", mas apenas a total honestidade. Não se deve fazer um juramento levianamente. É um recurso que dever ser guardado para ocasiões solenes e pra promessas solenes; Até mesmo os governos civis reconhecem isso, insistindo que haja juramento nos casamentos e antes que seja dado um testemunho legal. Mesmo em situações menos solenes, o crente é chamado à honestidade - que o sim seja sim e o não seja não. Esta é a responsabilidade do discípulo fiel de Cristo.

Sumário

1. Os seres humanos têm capacidade para proferir mentiras.

2. Deus, a fonte da verdade, não pode mentir e é o guardião da verdade.

3. Juramentos e votos são uma parte legítima da adoração.

4. Juramentos devem ser feitos apenas em nome de Deus. Nenhuma criatura pode ser a testemunha suprema da verdade.

5. Votos não devem ser feitos ser feitos precipitadamente ou com reservas.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 3º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã.


Loterias e Apostas

Pergunta: Existe uma posição bíblica clara contra loterias e jogos em cassinos?

Resposta: Se há uma proibição bíblica explícita e direta contra jogos no cassino ou contra loterias? Não que eu saiba. Entretanto, a igreja cristã tem assumido uma posição consistentemente desfavorável contra os cassinos e loterias, baseada nas implicações de certos princípios teológicos. Por exemplo, na igreja em que fui ordenado ministro, parte de nossa posição confessional é que devemos seguir não apenas o que a Bíblia ensina explicitamente, mas o que pode ser deduzido das Escrituras por inferência clara e necessária. A Bíblia tem princípios claros que se referem a questões como essas. O mais importante, sem dúvida, é o princípio da mordomia, pelo qual sou responsável por agir como mordomo de minhas posses, inclusive minha riqueza e por não ser esbanjador e irresponsável na maneira como gasto meu dinheiro.

O maior problema que tenho com cassinos, e particularmente com loterias, é que eles tendem a ser investimentos muito medíocres, e inevitavelmente exploram os pobres da sociedade. O pobre sonha em melhorar seu bem-estar material. Ele sonha em possuir casa e um bom carro. Sonha em ser libertado das infindáveis e opressivas tarefas do trabalho diário com remuneração muito pequena. Sendo um trabalhador que recebe um pagamento baixo por horas de serviço, ou que depende de um cheque da Previdência Social, ele não terá nunca oportunidade de acumular dinheiro suficiente para construir uma base sólida ou investir no futuro. Sua única possibilidade de conseguir segurança financeira ou melhorar sua situação é apostar nos números e apostar alto nos cassinos. Ele usará seu dinheiro e esperará ganhar o prêmio milionário. Esse é o seu sonho. Mas ele não tem uma compreensão real de como o sistema funciona, e quão grandes são as desvantagens contra ele.

Passamos por essa luta no estado da Pensilvânia quando eu morava lá e todos estavam preocupados com crime organizado e tudo mais. O crime organizado já existia lá. Quando eu era menino, já havia uma loteria na Pensilvânia. Não era estatal, era dirigida pela Máfia, e podia-se comprar um número em quase todas as esquinas de Pittsburgh. O fato que me espantou foi que quando o estado assumiu a loteria para benefício de cidadãos importantes, as dificuldades para ganhar no sistema estatal eram piores do que as que existiam no sistema da Máfia. Portanto vi o estado tirando vantagem do desejo das pessoas de ficarem ricas depressa, e explorando o pobre através dessa terrível forma de investimento.


Pergunta: Qual deveria ser a posição cristã sobre apostas?

Resposta: Quando uma pergunta ética se refere à nossa cultura, é importante tentar respondê-la do ponto de vista dos princípios bíblicos. Se você andar pela rua e perguntar a cem cristãos: “É errado jogar?” Noventa e cinco deles provavelmente responderão de maneira automática: “Sim, sem dúvida”. Em outras palavras, as tradições subculturais da comunidade cristã têm se oposto rigorosamente ao jogo e às apostas durante séculos.

A Bíblia não diz: “Não jogarás”. Portanto precisamos ser muito cuidadosos antes de declarar ao mundo que Deus se opõe a todas as formas de jogo. O que dizer sobre investir na bolsa de valores? E sobre investir numa companhia? O que dizer sobre qualquer tipo de investimento de capital? Em todos estes casos você está arriscando o seu dinheiro; todos são formas de jogo. Que diferença faz se você está investindo numa corrida de cavalos ou em ações da Bolsa de Valores de Nova Iorque? Alguns teólogos fazem uma distinção entre jogo de risco e casos de comércio ou astúcia. Uma coisa é investir o dinheiro numa companhia que eu mesmo vou operar, e cujo sucesso até certo ponto dependerá do meu grau de energia, meu trabalho, minha sabedoria e habilidade; outra coisa é entregar o meu dinheiro numa agência de apostas para ver o que acontece nesse jogo de sorte.

Creio que a questão real a respeito de apostas e loterias estaduais, do ponto de vista bíblico, se centraliza no princípio bíblico da mordomia. Deus nos dá certos recursos, benefícios, talentos e habilidade, e somos responsáveis por usá-los com sabedoria. Deus não é favorável ao desperdício de dinheiro, à falta de cuidado com os bens que Ele nos dá. O grande problema com o jogo é a má mordomia. Numa corrida de cavalos, ou de cachorros ou numa loteria estadual, as desvantagens são tão grandes contra você, especialmente em agências de aposta, que todos representam um mau uso de seu capital de investimento. Nessa altura, eu diria que os cristãos não devem apoiar este tipo de empreendimento.

Autor: R. C. Sproul 
Fonte: Livros Boa Pergunta , R.C. Sproul, página 288-290, Editora Cultura Cristã.


O trabalho não É a maldição:

1. Em Gn 1.26-28 Deus comissiona a raça humana a "dominar a terra e sujeitá-la". Logicamente isso envolve a penetração em todas as áreas de conhecimento, em todas as ciências, etc. Isso, que chamamos de "mandato cultural" implica em "trabalho", no sentido de aplicação de tempo em uma tarefa, em uma vocação, em um interesse, ou em uma obrigação recebida por delegação. Precedendo a queda, não pode ser "maldição". Essa é a âncora exegética que legitima o envolvimento do servo de Deus em todas as áreas do conhecimento, como delegação de Deus e não o fazendo um "cristão de segunda categoria" por não estar envolvido "tempo integral" no serviço cristão. Se ele penetra nas esferas do saber para a glória de Deus, está debaixo de sua vontade prescritiva.

2. Adão recebeu de Deus - antes da queda - a tarefa de nomear (o que, provavelmente, implica em classificar e catalogar, no sentido zoológico)o reino animal. Isso é, em toda expressão da palavra, "trabalho", e não era uma maldição mas um preenchimento natural das finalidades do homem.

3. A mulher foi criada antes da queda como auxiliadora. Menção específica é feita, nas Escrituras, de que ela foi tirada do lado de Adão, não existindo qualquer inferioridade intrínseca advinda da criação, se bem que há uma ordenação funcional que procede do ato criativo. Mas a questão é: ela iria "auxiliar" em que, ou no que - se trabalho fosse uma maldição? A humanidade, pré-queda seria somente diversão? Nenhuma função utilitária? Certamente que não é essa a visão ou ensino das Escrituras. Em um mundo perfeito, sem maldição, havia trabalho, envolvimento físico e intelectual na criação, ainda que sem pecado.

4. Com a queda, o trabalho deixa de ser apenas prazeroso, ou algo simplesmente agradável. Passa a ser penoso, duro, extenuante. Mas nem por isso o "mandato cultural é revogado". A procriação e o nascimento de filhos, na queda, não virou maldição, mas a maldição do pecado se retrata no fato de que ela passa a ser realizada com dores. Semelhantemente, não é o trabalho que é maldição, mas o seu realizar que nem sempre ocorre da forma como gostaríamos nem tão fácil como seria o nosso desejar.

5. Creio que há um outro aspecto. A maioria dos pensadores reformados vê a instituição do GOVERNO não como uma estrutura natural pré-queda (esse é o pensamento Católico Romano), mas como uma necessidade pós-queda - na realidade, instituído por Deus somente após o dilúvio, quando Deus renova o seu pacto com Noé - agora o patriarca representando, mais uma vez, toda a humanidade. Se antes da queda, em uma sociedade perfeita, todos estariam sob a luz direta da lei de Deus, depois da queda (e Deus deixa um período de "anarquia" - ausência de governo humano - até o dilúvio, possivelmente para demonstrar a necessidade) a humanidade é constrangida a funcionar sob governo de homens, que deriva a sua autoridade de Deus, por delegação. Faço uma analogia dessa situação com a questão do trabalho. Se antes da queda, possivelmente, o envolvimento com os aspectos e a diversidade da criação, seria algo indolor e que traria só contentamento, depois da queda, estamos sujeitos a estruturas que não procuramos, patrões que não desejamos, áreas às quais não estamos bem encaixados ou sequer apropriadamente treinados. Nem sempre recebemos reconhecimento, por vezes somos injustiçados; o ambiente de trabalho não reflete a busca da glorificação a Deus, mas a sujeira do mundo - palavrões, blasfêmias, ridicularização da devoção e piedade genuínas; o ambiente é, normalmente, de desonestidade e por vezes somos uma peça em uma grande máquina que opera desonestamente em muitos sentidos. Esse é o aspecto da maldição - mas ela é a maldição do pecado e não do trabalho.

6. Numa ocasião eu estava descontente com meu trabalho e ansiava por uma coisa diferente. Vi um anúncio da Transbrasil (na época estava no auge) no qual um de seus comandantes de jato dizia o seguinte: "na Transbrasil faço parte daqueles poucos privilegiados que trabalham exatamente naquilo que gostam de fazer". Fiquei meditando naquilo e na realidade que expressava - realmente, só uma pequena minoria consegue "trabalhar no que gosta de fazer" (coitado do comandante, hoje nem Transbrasil existe mais...). Concluí: por que eu teria que ser um desses privilegiados? Poderia ser que Deus procurava me ensinar exatamente abnegação, concentração nele, confiança maior em seus propósitos, ou algo assim, mantendo-me em uma ocupação que em todos os seus aspectos não me dava qualquer prazer, mas somente canseira, enfado e conflitos. Por que haveria de ser diferente comigo, em um mundo submerso em pecado. Quantos engenheiros não estão consertando carros? Quantos médicos não estão vendendo equipamentos cirúrgicos? Quantos advogados não estão sendo meros auxiliares de escritório? Quantos bancários não estão dirigindo taxis? Quantos motoristas, não estão vendendo algo nas ruas, para sobreviver? Acho que essa é a situação da esmagadora maioria - trabalham no que não têm prazer. Não obstante, devemos considerar o trabalho uma benção de Deus (e não uma maldição) e seguir 2 Tess 3.12 onde Paulo exorta a que "tranquilamente trabalhando" comamos o nosso pão. Se, na providência divina, conseguirmos conjugar o trabalho com o prazer e interesse pessoal, será uma bênção redobrada.

Autor: Preb. Solano Portela
Fonte: Portal IPB (www.ipb.org.br) - Resposta 'Trabalho – Bênção ou Maldição?' da seção Dúvidas Esclarecidas.


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Condutas desaprovadas

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Homossexualismo

Romanos 1.18-27

Introdução

O homossexualismo é um tema sempre atual e importante de ser tratado. É um problema mundial. Duas tendências atuais, às quais nos propomos a tratar, trazem enormes desafios para a igreja, que precisa ter uma posição clara e firme. A primeira tendência é a de considerar o homossexualismo apenas como uma "opção" sexual, como algo natural. A partir de 1973, a Associação Americana de Psiquiatria passou a afirmar que homossexualismo não é uma doença ou distúrbio de conduta, mas uma preferência sexual tão .válida quanto a orientação heterossexual.

Quanto a isso, é necessário que a igreja apresente os conceitos bíblicos sobre o homossexualismo ao mundo. O problema é que a igreja parece ter perdido o rumo ao tratar do homossexualismo. Em geral encontramos extremos. Podemos ver cristãos aprovando até mesmo a violência contra homossexuais e de outro lado crentes que desejam baixar a guarda e aceitar a homossexualidade como o mundo a entende. Tem faltado equilíbrio e discernimento do ensino das Escrituras para abordar o assunto de maneira pertinente. Como tratar os homossexuais? Como preparar nossos filhos para enfrentar os meios de comunicação que influenciam grandemente a sociedade a encarar a homossexualidade como algo natural? A Bíblia é que nos instruirá sobre a postura que devemos tomar.

I. O Homossexualismo na Bíblia

A Bíblia apresenta passagens que abordam diferentes aspectos relacionados à sexualidade humana. A análise de algumas delas permitirá a formação de um pano de fundo para entender o homossexualismo na perspectiva de Deus, embora não haja muitas passagens na Bíblia que tratem especificamente do homossexualismo.

A. Homossexualismo no Antigo Testamento

            1) O homossexualismo diante da Criação[1]

O argumento mais contundente contra o homossexualismo se encontra nos dois primeiros capítulos de Gênesis, nos quais está registrado como Deus criou o mundo e os homens:

·                    A formação da família humana.

Deus criou uma mulher para o homem que lhe servisse de companhia e que lhe fosse complementar. Macho e fêmea os criou, e assim também criou os animais. Não eram dois homens ou duas mulheres, mas um homem e uma mulher.

A formação de "uma carne" seria possível desse modo, através da união sexual. A

relação