Teologia Calvinista
Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus Ef2.8
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February 4, 2012


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O termo Calvinismo é dado ao sistema teológico da Reforma protestante, exposto e defendido por João Calvino (1509-1564). A visão Calvinista abrange todas as áreas da Teologia, Calvino nas Institutas da Religião Cristã trata desde a doutrina de Deus à vida cristã. Entretanto o Sínodo de Dort (1693d.C.) pondo em exame e comparando-a com os ensinos do herege Arminius, a sistematizou em cinco pontos, a saber: (1) Depravação total, (2) Eleição incondicional, (3) Expiação limitada, (4) Graça Irresistível, (5) Perseverança dos Santos. É importante deixar claro que estes cinco pontos não são tudo o que João Calvino ensina, mas foram tão somente os fundamentados nas doutrinas ensinadas por ele. Segue abaixo estudos relacionados a estes cinco pontos.


João Calvino e “Os Cinco Pontos do Calvinismo”

por

Rev. André do Carmo Silvério


É muito comum se ouvir falar sobre “Os Cinco Pontos do Calvinismo”. Eu mesmo, quando me tornei aluno da classe de catecúmenos, com a finalidade de ser membro da Igreja Presbiteriana do Brasil, lembro-me de ouvir por várias vezes falar sobre esse assunto. Contudo, meu raciocínio não era outro, senão, o de achar que o autor destes pontos era de fato o próprio reformador do século XVI: João Calvino. Mas somente no Seminário pude ter um contato mais próximo com obras literárias que falavam sobre o assunto, e, desta forma, creio ter sido esclarecido sobre o que realmente vem a ser “Os Cinco Pontos do Calvinismo”.

Portanto, o objetivo deste pequeno artigo é esclarecer de forma simples quem de fato escreveu os chamados “Cinco Pontos do Calvinismo”, por qual razão e porque eles são “cinco pontos” ao invés de sete ou dez. Além disso, procuraremos destacar a sua relevância para a nossa teologia.


1. Autoria

Ao contrário do que muitos pensam, não foi João Calvino quem escreveu “Os Cinco Pontos do Calvinismo”. Talvez algumas pessoas ficarão impressionadas com esta afirmação. No entanto, a magna pergunta que se faz é: Se não foi Calvino, quem foi então? “Estes cinco pontos foram formulados pelo Sínodo de Dort, Sínodo este convocado pelos estados Gerais (da Holanda) e composto por um grupo de 84 Teólogos e 18 representantes seculares, entre esses estavam 27 delegados da Alemanha, Suíça, Inglaterra e outros países da Europa reunidos em 154 Sessões, desde 13 de novembro de 16 18 até maio de 1619” . [1] Portanto, peca por ignorância quem afirma ser João Calvino o autor destes cinco pontos, porque na verdade, a afirmação correta é que estes “pontos” foram fundamentados tão somente nas doutrinas ensinadas por ele. Aliás, este sistema doutrinário, se assim podemos chamá-lo, foi elaborado somente 54 anos após a morte do grande reformador (1509-1564).

 

2. Razão de sua Escrita

Os Cinco Pontos do Calvinismo foram formulados em resposta a um “documento que ficou conhecido na história como ‘Remonstrance' ou o mesmo que ‘Protesto'”, [2]apresentado ao Estado da Holanda pelos “discípulos do professor de um seminário holandês chamado Jacob Hermann, cujo sobrenome latino era Arminius (1560-1600). Mesmo estando inserido na tradição reformada, Arminius tinha sérias dúvidas quanto à graça soberana de Deus, visto que era simpático aos ensinos de Pelágio e Erasmo, no que se refere à livre vontade do homem”. [3] Este documento formulado pelos discípulos de Arminius tinha como objetivo mudar os símbolos oficiais de doutrinas das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg ), substituindo pelos ensinos do seu mestre. Desta forma, a única razão pela qual Os Cinco Pontos do Calvinismo foram elaborados era a de responder ao documento apresentado pelos discípulos de Arminius.


3. Porque Cinco Pontos?

Este documento formulado pelos alunos de Jacob Arminius tinha como teor cinco principais pontos, conhecidos como “Os Cinco Pontos do Arminianismo. E como já dissemos logo acima, em resposta a este Cinco Pontos do Arminianismo, o Sínodo de Dort elaborou também o que conhecemos como “Os Cinco Pontos do Calvinismo” ao invés de sete ou dez. Estes pontos do calvinismo são conhecidos mundialmente pela palavra TULIP, um acróstico popular que na língua inglesa significa:

T otal DepravityTotal Depravação
U nconditional Election Eleição Incondicional
L imited AtonementExpiação Limitada
I rresistible GraceGraça Irresistível
P erseverance of SaintsPerseverança dos Santos

 

4. Os Cinco Pontos do Arminianismo Versus Os Cinco Pontos do Calvinismo [4]

 

Arminianismo

Calvinismo

 

1. Vontade Livre – O arminianismo diz que a vontade do homem é “livre” para escolher, ou a Palavra de Deus, ou a palavra de Satanás. A salvação, portanto, depende da obra de sua fé.

 

1. Depravação Total – O calvinismo diz que o homem não regenerado é absolutamente escravo de Satanás, e, por isso, é totalmente incapaz de exercer sua própria vontade livremente (para salvar-se), dependendo, portanto, da obra de Deus, que deve vivificar o homem, antes que este possa crer em Cristo.

 

 

2. Eleição Condicional – O arminianismo diz que a “eleição é condicional, ou seja, acredita-se que Deus elegeu àqueles a quem “pré-conheceu”, sabendo que aceitariam a salvação, de modo que o pré-conhecimento [de Deus] estava baseado na condição estabelecida pelo homem.

 

2. Eleição Incondicional – O calvinismo sustenta que o pré-conhecimento de Deus está baseado no propósito ou no plano de Deus, de modo que a eleição não está baseada em alguma condição imaginária inventada pelo homem, mas resulta da livre vontade do Criador à parte de qualquer obra de fé do homem espiritualmente morto.

 

 

 

3. Expiação Universal – O arminianismo diz que Cristo morreu para salvar não um em particular, porém somente àqueles que exercem sua vontade livre e aceitam o oferecimento de vida eterna. Daí, a morte de Cristo foi um fracasso parcial, uma vez que os que têm volição negativa, isto é, os que não querem aceitar, irão para o inferno.

 

 

3. Expiação Limitada – O calvinismo diz que Cristo morreu para salvar pessoas determinadas, que lhe foram dadas pelo Pai desde toda a eternidade. Sua morte, portanto, foi cem por cento bem sucedida, porque todos aqueles pelos quais ele não morreu receberão a “justiça” de Deus, quando forem lançados no inferno.

 

4. A Graça pode ser Impedida – O arminianismo afirma que, ainda que o Espírito Santo procure levar todos os homens a Cristo (uma vez que Deus ama a toda a humanidade e deseja salvar a todos os homens), ainda assim, como a vontade de Deus está amarrada à vontade do homem, o Espírito [de Deus] pode ser resistido pelo homem, se o homem assim o quiser. Desde que só o homem pode determinar se quer ou não ser salvo, é evidente que Deus, pelo menos, “permite” ao homem obstruir sua santa vontade. Assim, Deus se mostra impotente em face da vontade do homem, de modo que a criatura pode ser como Deus, exatamente como Satanás prometeu a Eva, no jardim [do Éden].

 

4. Graça Irresistível – O calvinismo entende que a graça de Deus não pode ser obstruída, visto que sua graça é irresistível. Os calvinistas não querem significar com isso que Deus esmaga a vontade obstinada do homem como um gigantesco rolo compressor! A graça irresistível não está baseada na onipotência de Deus, ainda que poderia ser assim, se Deus o quisesse, mas está baseada mais no dom da vida, conhecido como regeneração. Desde que todos os espíritos mortos (= alienados de Deus) são levados a Satanás, o deus dos mortos, e todos os espíritos vivos (= regenerados) são guiados irresistivelmente para Deus (o Deus dos vivos), nosso Senhor, simplesmente, dá a seus escolhidos o Espírito de Vida. No momento que Deus age nos eleitos, a polaridade espiritual deles é mudada: Antes estavam mortos em delitos e pecados, e orientados para Satanás; agora são vivificados em Cristo, e orientados para Deus.

 

 

5. O Homem pode Cair da Graça – O arminianismo conclui, muito logicamente, que o homem, sendo salvo por um ato de sua própria vontade livremente exercida, aceitando a Cristo por sua própria decisão, pode também perder-se depois de ter sido salvo, se resolver mudar de atitude para com Cristo, rejeitando-o! (Alguns arminianos acrescentariam que o homem pode perder, subseqüentemente, sua salvação, cometendo algum pecado, uma vez que a teologia arminiana é uma “teologia de obras” – pelo menos no sentido e na extensão em que o homem precisa exercer sua própria vontade para ser salvo). Esta possibilidade de perder-se, depois de ter sido salvo, é chamada de “queda (ou perda) da graça”, pelos seguidores de Arminius. Ainda, se depois de ter sido salva, a pessoa pode perder-se, ela pode tornar-se livremente a Cristo outra vez e, arrependendo-se de seus pecados, “pode ser salva de novo”. Tudo depende de sua continua volição positiva até à morte!

 

 

5. Perseverança dos Santos – O calvinismo sustenta muito simplesmente que a salvação, desde que é obra realizada inteiramente pelo Senhor – e que o homem nada tem a fazer antes, absolutamente, “para ser salvo” -, é óbvio que o “permanecer salvo” é, também, obra de Deus, à parte de qualquer bem ou mal que o eleito possa praticar. Os eleitos ‘perseverarão' pela simples razão de que Deus prometeu completar, em nós, a obra que ele começou. Por isso, os cinco pontos de TULIP incluem a Perseverança dos Santos .

 

5. Considerações Finais

Para inteirar o leitor do todo da história, Spencer nos diz que após o Sínodo de Dort se reunir em 154 Sessões num “completo exame das doutrinas de Arminius e comparar cuidadosamente seus ensinos com os ensinos das Escrituras Sagradas, chegaram à conclusão que os ensinos de Arminius eram heréticos”. [5] “E não somente isto, mas o Concílio impôs censura eclesiástica aos ‘remonstrantes' depondo-os dos seus cargos, e a autoridade civil (governo) os baniu do país por cerca de seis anos”. [6]

Diante disso, creio que a diferença crucial entre o Arminianismo e o Calvinismo se resume na palavra Soberania. Enquanto os calvinistas entendem que Deus opera a salvação na vida do ser-humano conforme a sua livre e soberana vontade, os arminianos salientam que o homem é capaz de por si só querer ou não ser salvo. Se partirmos da premissa que o homem está completamente morto diante de Deus como nos ensina Efésios 2:1, entenderemos porque a salvação depende tão somente da graça e da misericórdia do SENHOR, pois “não depende de quem quer ou quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia” (Rm 9:16). Portanto, creio que os objetivos deste artigo foram de fato alcançados, demonstrando assim a verdadeira história dos “Cinco Pontos do Calvinismo”. Que assim, queira o Senhor nosso Deus nos abençoar e nos dar sempre a graça de sermos verdadeiros propagadores da história reformada.


NOTAS:

[1] - Tradução livre e adaptada do livro The Five Points of Calvinism, www.unifil.br/teologia/arquivos/ cincopontoscalvinoesboco.pdf

[2] - The Five Points of Calvinism, p. 1, ob.cit.

[3] - Duane E. Spencer, TULIP, Os Cinco Pontos do Calvinismo à Luz das Escrit uras, p. 111-112, Parakletos, 2ª Edição – São Paulo – 2000.

[4] - Esta síntese foi retirada do livro TULIP , p. 15-19.

[5] - TULIP , p. 112.

[6] - The Five Points of Calvinism, p. 6.

 

Rev. André do Carmo Silvério

Pastor da Igreja Presbiteriana do Jardim Girassol – Guarulhos,
Professor de Teologia Sistemática no Instituto Bíblico Presbiteriano Rev. Boanerges Ribeiro e Secretário de Mocidade da Confederação Norte Paulistano

 

Este artigo é parte integrante do portal http://www.monergismo.com/.


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Estudos relacionados aos "cinco pontos" do calvinismo

1 – (T) Total Depravity (Depravação total) - Todos os homens nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais.

A Depravação Humana
Jeremias 17.9; Romanos 8.1-11; Efésios 2.1-3; Efésios 4.17-19; 1 João 1.8-10

Conforme dissemos no capítulo anterior [O Pecado Original], um ponto comum de debate entre os teólogos concentra-se na pergunta: os seres humanos são basicamente bons ou basicamente maus? A base sobre a qual o argumento se move é a palavra basicamente. É um consenso praticamente universal que ninguém é perfeito. Aceitamos a máxima que diz que "errar é humano".
       
 A Bíblia diz que "todos pecaram e carecem da glória de Deus" (Rm. 3.23). A despeito desse veredito da falência humana, em nossa cultura dominada pelo humanismo ainda persiste a idéia de que o pecado é algo periférico ou tangencial à nossa natureza. De fato, somos maculados pelo pecado. Nosso registro moral é repreensível. Mesmo assim, de alguma maneira pensamos que nossas obras más residem na extremidade ou na periferia do nosso caráter e nunca penetram o âmago. Basicamente, conforme se supõe, as pessoas são inerentemente boas.
     
Depois de ser resgatado do cativeiro no Iraque e de ter experimentado em primeira mão os métodos corruptos de Sadam Husseim, um refém americano declarou: "A despeito de tudo que suportei, nunca perdi a confiança na bondade básica das pessoas", Talvez esta visão se apóie em parte sobre a tênue escala da bondade e da maldade relativa das pessoas. Obviamente, algumas pessoas são muito mais perversas do que outras. Perto de Sadam Hussein ou de Adolf I Hitler, o pecador comum fica parecendo santo. Entretanto, se olharmos para o padrão supremo de bondade — o caráter santo de Deus —, perceberemos que aquilo que parece ser bondade básica no padrão terreno, é extrema corrupção.
      
A Bíblia ensina a depravação total da raça humana. Depravação total significa corrupção radical. Temos de ter cuidado para ver a diferença entre depravação total e depravação absoluta. Ser completamente depravado significa ser o mais depravado possível. Hitler era extremamente depravado, mas ainda poderia ter sido pior do que era. Eu sou pecador. Mas poderia pecar com mais freqüência e com mais gravidade do que faço. Não sou absolutamente depravado, mas sou totalmente depravado. Depravação total significa que eu e todas as demais pessoas somos depravados ou corrompidos na totalidade do nosso ser. Não existe nenhuma parte de nós que não tenha sido tocada pelo pecado. Nossa mente, nossa vontade e nosso corpo estão afetados pelo mal. Proferimos palavras pecaminosas,praticamos atos pecaminosos e temos pensamentos impuros.
Nosso próprio corpo sofre a destruição do pecado.
    
 Talvez depravação radical seja um termo melhor do que “depravação total” para descrever nossa condição caída. Estou usando a palavra radical não tanto no sentido de extremo, mas com um sentido mais próximo do seu significado original. Radical vem da palavra latina para “raiz” ou âmago”. Nosso problema com o pecado é que ele está enraizado no âmago do nosso ser. Permeia todo nosso coração. O Pecado está no nosso âmago e não simplesmente no exterior da nossa vida, e por isso a Bíblia diz:

Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se  extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer. Romanos 3. 10-12

 É por causa dessa condição que a Bíblia dá o seu veredito: estamos “mortos em nossos delitos e pecados” (Ef 2.1); estamos “vendidos à escravidão do pecado” (Rm 7.14); somos “prisioneiros da lei do pecado” (Rm 7.23) e somos “por natureza filhos da ira” (Ef 2.3). Somente por meio do poder transformador do Espírito Santo podemos ser tirados desse estado de morte espiritual. É Deus quem nos vivifica, quando nos tornamos feitura dele(Ef 2.1-10).

"Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados, nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência, entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais. Mas Deus, sendo rico em misericórdia, pelo seu muito amor com que nos amou, (Ef 2.1-4)

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro www.cep.org.br


Incapacidade
OS SERES HUMANOS DECAÍDOS SÃO TANTO LIVRES COMO ESCRAVIZADOS

Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas,
e desesperadamente corrupto; quem o conhecerá?
”Jeremias 17.9

Uma idéia clara a respeito da condição degradada do homem requer uma distinção entre o que nos dois últimos séculos tem sido chamado livre agência e o que desde o começo do Cristianismo tem sido chamado livre arbítrio. Agostinho, Lutero, Calvino e outros falaram do livre arbítrio em dois sentidos, o primeiro trivial, o segundo importante; mas isso é confuso, sendo melhor sempre usar livre agência para o seu primeiro sentido.

A livre agência é uma marca dos seres humanos como tais. Todos os seres humanos são agentes livres no sentido de que tomam suas próprias decisões a respeito do que fazer, escolhendo o que lhes agrada à luz de seu discernimento do que é certo e errado e das inclinações que sentem. Assim foi Adão, antes e depois de suas escolhas voluntárias. Assim foi Adão, antes e depois de pecar; assim somos nós agora, e assim são os santos glorificados que estão confirmados na graça em tal sentido que eles não mais tem em si esta inclinação para cometer pecado. A incapacidade para pecar será um dos deleites e glórias do céu, mas não extinguirá a humanidade de ninguém; os santos glorificados farão ainda escolhas de acordo com sua natureza, e essas escolhas não serão de forma alguma o produto da livre agência humana, exatamente porque elas serão sempre boas e retas.

O livre arbítrio, porém, tem sido definido por eruditos cristãos, a partir do segundo século, como a capacidade de escolher todas as opções morais que uma situação oferece, e Agostinho afirmou contra Pelágio e a maioria dos Pais gregos que o pecado original nos tirou o livre arbítrio neste sentido. Não temos capacidade natural de discernir e escolher os caminhos de Deus, porque não temos inclinação natural em direção a Deus; nossos corações são cativos do pecado, e somente a graça da regeneração pode libertar-nos desta escravidão. Isto, em substância, foi o que Paulo ensinou em Romanos 6.16-23; somente a vontade libertada (Paulo fala em homens libertados) livre e fervorosamente escolhe a retidão. Um amor permanente pela retidão - isto é, uma inclinação do coração pelo modo de vida que agrada a Deus - é um aspecto da liberdade que Cristo nos dá (Jô 8.34-36; Gl 5.1,13).

Vale a pena notar que vontade é uma abstração. Minha vontade não é parte de mim no sentido de que eu decida mover-me ou ficar parado, tal como minhas mãos ou meus pés; é precisamente a escolha de agir e, em seguida, de entrar em ação. A verdade sobre a livre agência, e sobre Cristo libertando o escravo do pecado do domínio do pecado, pode ser mais claramente expresso se a palavra vontade for eliminada e cada pessoa diga: Eu sou agente livre moralmente responsável; eu sou escravo do pecado que Cristo deve libertar; eu sou o ser degradado que tenho unicamente em mim a escolha contra Deus até que Ele renove meu coração.

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista. Compre este livro em http://ww.cep.org.br


Pecado Original e Depravação Total

"Eis que em iniqüidade fui formado, e em pecado me concebeu minha mãe." Salmo 51.5

As Escrituras diagnosticam o pecado como uma deformidade universal da natureza humana, deformidade que se manifesta em cada pormenor da vida de cada pessoa (1 Rs 8.46; Rm 3.9-23; 7.18; 1 Jo 1.8-10). Ambos os Testamentos descrevem o pecado como rebelião contra as normas de Deus, como deixar de atingir o alvo que Deus estabeleceu para nós, transgredir a lei de Deus, ofender a pureza de Deus pela nossa corrupção e incorrer em culpa diante de Deus, o Juiz. É uma mentalidade que luta contra Deus para fazer o papel de Deus. A raiz do pecado é o orgulho e a inimizade contra Deus, o espírito visto na primeira transgressão de Adão. E os atos pecaminosos têm sempre, atrás de si, pensamentos e desejos que, de um modo ou de outro, expressam a deliberada oposição do coração às reivindicações de Deus sobre nossa vida.

O pecado pode ser definido como quebra da lei de Deus ou falta de conformidade com essa lei, em qualquer aspecto da vida, quer nos pensamentos, nas palavras ou nas ações. Entre as passagens das Escrituras que ilustram diferentes aspectos do pecado, encontram-se Jr 17.9; Mt 12.30-37; Mc 7.20-23; Rm 1.18-3.20; 7.7-25; 8.5-8; 14.23 (Lutero afirmou que Paulo escreveu a Carta aos Romanos para "ampliar o pecado"); Gl 5.16-21; Ef 2.1-3; 4.17-19; Hb 13.2; Tg 2.10-11; 1 Jo 3.4; 5.17.

"Pecado Original", que quer dizer pecado derivado de nossa origem, não é uma expressão bíblica (a expressão é de Agostinho), mas coloca em foco a realidade do pecado no nosso sistema espiritual. A expressão "pecado original" não significa que o pecado faça parte da natureza humana como tal, pois "Deus fez o homem reto" (Ec 7.29). Nem significa que o processo de reprodução e nascimento seja pecaminoso; a impureza associada à sexualidade na Lei (Lv 12; 15) era típica e cerimonial e não moral. Mais exatamente, "pecado original" significa que a pecaminosidade marca a cada um desde o nascimento, na forma de um coração inclinado para o pecado, antes de quaisquer pecados de fato cometidos. Essa pecaminosidade íntima é a raiz e a fonte desses pecados atuais. Ela nos foi transmitida por Adão, nosso primeiro representante diante de Deus. A doutrina de pecado original nos diz que nós não somos pecadores porque pecamos, mas pecamos porque somos pecadores, nascidos com uma natureza escravizada ao pecado.


A expressão "depravação total" é comumente usada para tornar explícitas as implicações do pecado original. Significa a corrupção de nossa natureza moral e espiritual, que é total em princípio, ainda que não em grau (porque ninguém é tão mau quanto poderia ser). Nenhuma parte de nosso ser está isenta de pecado, e nenhuma de nossas ações é tão boa quanto devia ser. Em conseqüência, nada do que fazemos é meritório aos olhos de Deus. Não podemos ganhar o favor de Deus, pouco importando o que fazemos; se a graça não nos salvar, estamos perdidos.


Depravação total inclui incapacidade total, o que significa não Ter poder para crer em Deus ou na Sua Palavra (Jo 6.44; Rm 8.7-8). Paulo diz que essa incapacidade é uma forma de "morte", pois o coração decaído está "morto" (Ef 2.1,5; Cl 2.13). Como diz a Confissão de Westminster (IX.3): "O homem, ao cair no estado de pecado, perdeu inteiramente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação; de sorte que um homem natural, inteiramente avesso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso." Para essa escuridão só a Palavra de Deus traz a luz (Lc 18.27; 2 Co 4.6).

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra, Editora Cultura Cristã. Compre esta Bíblia em http://www.cep.org.br


A Queda
O primeiro Casal humano Pecou

"Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer, agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou-lhe do fruto e comeu, e deu também ao marido, e ele comeu." (Gn 3.6)

Paulo, em Romanos, afirma que todo o gênero humano está naturalmente sob a culpa e o poder do pecado, do reino da morte, e sob a inevitável ira de Deus (Rm 3.9, 19; 5. 17,21; 1.18,19; cf. todo trecho, 1.18-3.20). Ele retrocede até ao pecado de um homem, a quem, falando em Atenas, descreve como nosso ancestral comum (Rm 5.12-14; At 17.26; cf. 1 Co 15.22). Esta é a autorizada interpretação apostólica da história registrada em Gênesis 3, onde encontramos a narrativa da queda, a desobediência do homem original a Deus e à religiosidade resultando no pecado e na perdição. Os pontos principais nessa história, vistos através da lente da interpretação paulina, são os seguintes:

(a) Deus fez do primeiro homem representante de toda a posteridade, do mesmo modo que ia fazer de Jesus Cristo o representante de todos os eleitos de Deus (Rm 5.15-19 com 8.29,30; 9.22-26). Em cada caso o representante devia envolver todos os que ele representava nos frutos da sua ação pessoal, fosse para o bem ou para o mal, exatamente como um líder nacional envolve seu povo nas conseqüências de sua ação quando, por exemplo, declara guerra. O plano divinamente escolhido, por meio do qual Adão determinaria o destino de seus descendentes, foi chamado pacto de obras, embora esta não seja uma expressão bíblica.

(b) Deus colocou o primeiro homem em um estado de felicidade e prometeu continuar isso para ele e sua posteridade, se ele mostrasse fidelidade por meio de um comportamento de obediência positiva perfeita, e especificamente por não comer de uma árvore descrita como a árvore do conhecimento do bem e do mal. Parecia que a árvore trazia este nome porque a questão era saber se Adão deixaria que Deus lhe dissesse o que era bom e o que era mau, ou procuraria decidir isso por si mesmo, desconsiderando o que Deus havia dito. Comendo daquela árvore, Adão estaria, de fato, reivindicando que poderia conhecer e decidir o que era bem ou mal para ele, sem qualquer referência a Deus.

(c) Adão, guiado por Eva, que, por sua vez, foi guiada pela serpente (Satanás disfarçado: 2 Co 11.3 com v.14; Ap 12.9), desafiou Deus comendo o fruto proibido. Os resultados foram, primeiro, que o anti-Deus, auto-enaltecido e obstinado, expresso no pecado de Adão tornou-se parte dele e da natureza moral que ele transmitiu a seus descendentes (Gn 6.5; Rm 3.9.20). Segundo, Adão e Eva viram-se dominados por um senso de poluição e culpa que os fez envergonhados e atemorizados perante Deus _ com boa razão. Terceiro, foram amaldiçoados com expectativa de sofrimento e morte, e expulsos do Éden. Ao mesmo tempo, contudo, Deus começou a mostrar-lhes a misericórdia salvadora; Ele fez para eles vestes de pele para cobrir sua nudez, e prometeu-lhes que a semente da mulher esmagaria um dia a cabeça da serpente. Isto prenunciava Cristo.
 
Embora narrando a história em um estilo um tanto figurado, o Gênesis nos pede que a leiamos como história; no Gênesis, Adão liga-se aos patriarcas e com eles ao resto da raça humana pela genealogia (cap. 5,10,11), o que faz dele parte significativa da história no tempo e no espaço, tanto quanto Abraão, Isaque e Jacó. Todos os principais personagens do livro, exceto José, são apresentados como pecadores, de uma forma ou de outra, e a morte de José, como a de quase todos os demais na história, é cuidadosamente registrada (Gn 50.22-26); a afirmação de Paulo “em Adão todos morrem” (1 Co 15.22) apenas torna explícito o que Gênesis já claramente implica.

Pode-se argumentar razoavelmente que a narrativa da queda proporciona a única explanação convincente da perversidade da natureza humana que o mundo jamais viu. Pascal disse que a doutrina do pecado original parece uma ofensa à razão, mas, uma vez aceita, ela faz sentido total com toda a condição humana. Ele estava certo, e a mesma coisa pode e deve ser dita da própria narrativa da queda.

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista. Compre este livro em http://www.cep.org.br


Elementos do Pecado Original

Devemos distinguir dois elementos no pecado original, a saber:

a. A culpa original.

A palavra "culpa" expressa a relação que há entre o pecado e justiça, ou, como o colocam os teólogos mais antigos, e a penalidade da lei. Quem é culpado está numa relação penal com a lei. Podemos falar da culpa em dois sentidos, a saber, como reatus culpae (réu convicto) e como reatus poenae (réu passível de condenação). A primeira, que Turretino chama de "culpa potencial", é o demérito moral de um ato ou estado. Essa culpa é da essência do pecado e é uma parte inseparável da sua pecaminosidade. Prende-se somente aos que praticaram pessoalmente ações pecaminosas, e prende-se a eles permanentemente. Não pode ser removida pelo perdão, não é removida pela justificação baseada nos méritos de Jesus Cristo, e muito menos pelo perdão puro e simples. Os pecados do homem são inerentemente merecedores de males, mesmo depois que ele foi justificado. Nesse sentido, a culpa não pode ser transferida de uma pessoas para outra. O sentido habitual, porém, em que falamos de culpa na teologia, é a de reatus poenae. Com isto se quer dizer merecimento de punição, ou obrigação de prestar satisfação à justiça de Deus pela violação, feita por determinação pessoal. Neste sentido, a culpa não faz parte da essência do pecado, mas é, antes, uma relação com a sanção penal da lei. Se não houvesse nenhuma sanção ligada à inobservância das relações morais, todo abandono da lei seria pecado, mas não envolveria sujeição a castigo. Neste sentido, a culpa pode ser removida pela satisfação da justiça, pessoal ou vicariamente. Pode ser transferida de uma pessoa para outra, ou pode ser assumida por uma pessoa em lugar de outra. É retirada dos crentes pela justificação, de modo que os seus pecados, embora merecedores de condenação, não os tomam sujeitos ao castigo. Os semipelagianos e os mais antigos armonoanos, ou "remonstrantes", negam que o pecado original envolve culpa. A culpa do pecado de Adão, cometido por ele na qualidade de chefe federal da raça humana, é imputada a todos os seus descendentes. Isso é evidenciado pelo fato de que, como a Bíblia ensina, a morte, como castigo do pecado, passou de Adão a todos os seus descendentes: Rm 5.12-19; Ef 2.3; 1 Co 15.22.

b. Corrupção original.

A corrupção original inclui duas coisas, a saber, a ausência da justiça original e a presença do mal positivo. Deve-se notar: (1) Que a corrupção original não é apenas uma moléstia, como a descrevem alguns dos "pais" gregos e os arminianos, mas, sim, pecado, no sentido real da palavra. A culpa está ligada ao pecado; quem nega isto não tem uma concepção bíblica da corrupção original. (2) Que não se deve considerar essa corrupção como uma substância infundida na alma humana, nem como uma mudança da substância no sentido metafísico da palavra. Este foi erro dos maniqueus, e de Flacius Illyricus nos dias da Reforma. Se a substância da alma fosse pecaminosa, seria substituída por uma nova substância na regeneração; mas não é o que acontece. (3) Que não é mera privação. Em sua polêmica com os maniques. Agostinho não somente negava que o pecado era uma substância, mas também afirmava que era apenas uma privação. Chamava-lhe privatio boni (privação do bem). Mas o pecado original não é somente negativo; é também uma disposição positiva para o pecado. A corrupção original pode ser examinada em mais de uma perspectiva, a saber, como depravação total e como incapacidade total.

c. Depravação total.

Em vista do se caráter impregnante, a corrupção herdada toma o nome de depravação total. Muitas vezes esta frase é mal compreendida, e, portanto, requer cuidadosa discriminação. Negativamente, não implica: (1) que todo homem é tão completamente depravado com poderia chegar a ser; (2) que o pecador não tem nenhum conhecimento inato de Deus, nem tampouco tem uma consciência que discerne entre o bem e o mal; (3) que o homem pecador raramente admira o caráter e os atos virtuosos dos outros, ou que é incapaz de afetos e atos desinteressados em suas relações com os seus semelhantes; nem (4) que todos os homens não regenerados, em virtude da sua pecaminosidade inerente, se entregarão a todas as formas de pecado; muitas vezes acontece que uma forma de pecado exclui outra.

Positivamente, a expressão "depravação total" indica: (1) que a corrupção inerente abrange todas as partes da natureza do homem, todas as faculdades e poderes da alma e do corpo; e (2) que absolutamente não há no pecador bem espiritual algum, isto é, bem com relação a Deus, mas somente perversão. Esta depravação total é negada pelos pelagianos, pelos socianos e pelos arminianos do século dezessete, mas é ensinada claramente na Escrituras, Jo 5.42; Rm 7.18,23; 8.7; Ef 4.18; 2 Tm 3.2-4; Tt 1.15; Hb 3.12.

d. Incapacidade total.

Com respeito ao seu efeito sobre os poderes espirituais do homem, a corrupção original herdada toma o nome de incapacidade total. Aqui, de novo, é necessário fazer adequada distinção. Na atribuição de incapacidade total à natureza do homem, não queremos dizer que lhe é impossível fazer o bem em todo e qualquer sentido da palavra. Os teólogos reformados (calvinistas) geralmente dizem que ele ainda é capaz de realizar: (1) o bem natural (2) o bem civil ou justiça civil; e (3) externamente, o bem religioso. Admite-se que mesmo o não regenerado possui alguma virtude, a qual se revela nas relações da vida social, em muitos atos e sentimentos que merecem a sincera aprovação e gratidão dos seus semelhantes, e que até encontram aprovação de Deus, até certo ponto. Ao mesmo tempo, afirma-se que esses mesmos atos e sentimentos, quando considerados em relação a Deus, são radicalmente defeituosos. Seu defeito fatal é que não são motivados pelo amor a Deus, nem pela consideração de que à vontade de Deus os exige. Quando falamos da corrupção do homem em termos de incapacidade total, queremos dizer duas coisas: (1) que o pecador não regenerado não pode praticar nenhum ato, por insignificante que seja, que fundamentalmente obtenha a aprovação de Deus e corresponde às exigências da santa lei de Deus; e (2) que ele não pode mudar a sua preferência fundamental pelo peado e por si mesmo, trocando-a pelo amor a Deus; não pode sequer fazer algo que se aproxime de tal mudança. Numa palavra, ele é incapaz de fazer qualquer bem espiritual. Há abundante suporte bíblico para esta doutrina: Jo 1.13; 3.5; 6.44; 8.34; 15.4; Rm 7.18, 24; 8.7, 8; 1 Co 2.14; 2 Co 3.5; Ef 2.1,8-10; Hb 11.6.

Todavia, os pelagianos acreditam na plena capacidade do homem, negando que as suas faculdades morais foram prejudicadas pelo pecado. Os arminianos falam de uma capacidade advinda da graça, porque acreditam que Deus infunde a Sua graça comum a todos os homens, capacitando-os à conversão a Deus e à fé. Os teólogos da Nova Escola atribuem ao homem uma capacidade natural, distinta de uma capacidade moral, distinção copiada da grande obra de Edward, Sobre a Vontade (On the Will). O sentido do seu ensino é que o homem, em seu estado decaído, continua de posse de todas as faculdades naturais que se requerem para a realização de algum bem espiritual (intelecto, vontade etc), mas lhe falta capacidade moral, isto é, a capacidade de dar apropriada direção àquelas faculdades, direção agradável a Deus. A distinção em foco é apresentada com o fim de salientar o fato de que o homem é voluntariamente pecaminoso, e bem que se pode dar ênfase a isto.

Mas os teólogos da Nova Escola afirmam que o homem seria capaz de praticar o bem espiritual se tão somente quisesse fazê-lo. Significa que a "capacidade natural" da qual eles falam é , afinal de contas, capacidade para praticar verdadeiro bem espiritual.¹

Pode-se dizer em geral que a distinção feita entre a capacidade natural e a capacidade moral não é desejável, pois: (1) não tem base na Escritura, a qual ensina que o homem não é capaz de fazer o que dele se requer; (2) essa distinção é essencialmente ambígua e enganosa: a posse das faculdades requeridas para a realização do bem espiritual não constitui ainda uma capacidade para realizá-lo; (3) "natural" não é uma antítese apropriada de "moral", pois uma coisa pode ser natural e moral ao mesmo tempo; e a incapacidade do homem também é natural num sentido importante, a saber, no sentido de ser própria da sua natureza no presente estado desta como propagada naturalmente; e (4) a linguagem não expressa com precisão a importante distinção pretendida;o que se quer dizer é que é moral, e não física nem constitucional; tem sua base, não na falta de alguma faculdade, mas no estado moral corrupto das faculdades e da disposição do coração.
______
¹ Cf. Hodge, Syst. Theol. II, p. 266

Autor: Louis Berkhof
Fonte:  pg 247-250


Provas Bíblicas da Depravação total

A intenção neste estudo é disponibilizar vários textos que são usados como prova de que a doutrina da Depravação total é ensinada pelas Escrituras.

Podemos apresentar a seguinte definição de Depravação total: Todos os homens nascem totalmente depravados, incapazes de se salvar ou de escolher o bem em questões espirituais.

Quando Deus criou o homem, lhe concedeu o direito de livre escolha. Colocando-o no paraíso do Éden, exigiu obediência: Eles não deveriam comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal. A pena, caso desobedecessem comendo o fruto seria a pena de imediata morte física e espiritual:

GEN2.16 Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente;

GEN2.17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

Mas Adão e Eva desobedeceram e comeram do fruto proibido (Gn 3:1-7); por conseguinte, trouxe morte física e espiritual sobre si mesmo. Deus decretou:

GEN3.19 Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás.

A partir desta desobediência o pecado infectou o ser de Adão e Eva e criou raízes profundas. Antes eram livres em suas escolhas, agora escravos do pecado.

Ali em Adão estava também a nossa condenação. Por quê? Porque Adão era o representante de todos os seus descendentes. O seu castigo caíra sobre ele e também sobre todos seus filhos.

É isto que o apostolo Paulo ensina. Ele diz:

   ROM5.12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.

Somos todos mortos. Mas como mortos se estamos vivos? O que Paulo ensina é que além da conseqüência da morte física, sobre nós decaiu a morte espiritual. Morto espiritual é a nossa insensibilidade, indisposição e falta de desejo pelas coisas espirituais, as coisas de Deus. Está expressão “morto” Paulo usa para denotar nossa debilidade em relação a coisas de Deus. Morto não fala, não ouve, não vê, não sente, não cheira e nem degusta. Este é nosso estado espiritual antes de Deus nos vivificar.

Veja outros textos que Paulo Escreve:

   EFE2.1 Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,

   EFE2.2 nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência,

   EFE2.3 entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.

   COL2.13 e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos;

Por isso que Davi confessou que tanto ele, como os demais homens, foram nascidos em pecado quando escreveu Salmo 51 e 58. Ele lá escreveu:

   SAL51.5 Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe.

   SAL58.3 Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras.

E em Gêneses encontramos:

GEN6.5 Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.

GEN8.21 Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer.

Por isso, dizemos que é preciso nascer de novo. Porque os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos.  Jesus ensinou que, para alguém entrar no reino de Deus, é preciso nascer de novo e João 3:

   JOA3.5 Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

   JOA3.6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

   JOA3.7 Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.

Segue outros versículos que descrevem o quanto o homem natural está perdido e desgraçado.

   GEN6.5 Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.

   GEN8.21 Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer.

   ECL9.3 Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo. Também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade; há desvarios no seu coração durante a sua vida, e depois se vão aos mortos.

   JER17.9 Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?

   MAR7.21 Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios,

   MAR7.22 a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez;

   MAR7.23 todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem.

   JOA3.19 E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.

   ROM8.7 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser;

   ROM8.8 e os que estão na carne não podem agradar a Deus.

   ICOR2.14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

   EFE4.17 Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na vaidade da sua mente,

   EFE4.18 entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração;

   EFE4.19 os quais, tendo-se tornado insensíveis, entregaram-se à lascívia para cometerem com avidez toda sorte de impureza.

   EFE5.8 pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz

   TIT1.15 Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas.

Antes dos pecadores nascerem no reino de Deus pelo poder regenerador do Espírito, são filhos do diabo e estão debaixo de seu controle. São escravos do pecado:

JOA8.44 Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira.

   EFE2.12 estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.

   IITIM2.25 corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade,

   IITIM2.26 e que se desprendam dos laços do Diabo (por quem haviam sido presos), para cumprirem a vontade de Deus.

   IJOA3.10 Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem o que não ama a seu irmão.

   IJOA5.19 Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

   JOA8.34 Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.

   ROM6.20 Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres em relação à justiça.

   TIT3.3 Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.

O domínio do pecado é universal: todos os homens estão debaixo do seu poder; por conseguinte, ninguém é justo, nem um só.

IICRO6.36 Se pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares ao inimigo, de modo que os levem em cativeiro para alguma terra, longínqua ou próxima;

   JÓ15.14 Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para que fique justo?

   JÓ15.15 Eis que Deus não confia nos seus santos, e nem o céu é puro aos seus olhos;

   JÓ15.16 quanto menos o homem abominável e corrupto, que bebe a iniqüidade como a água?

   SAL130.3 Se observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá?,

   SAL143.2 e não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente.

   PRO20.9 Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?

   ECL7.20 Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque.

   ECL7.29 Eis que isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas os homens buscaram muitos artifícios.

   ISA53.6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.

   ISA64.6 Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como o vento, nos arrebatam.

   ROM3.9 Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado;

   ROM3.10 como está escrito: Não há justo, nem sequer um.

   ROM3.11 Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.

   ROM3.12 Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

   TIA3.2 Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo.

   TIA3.8 mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal.

   IJOA1.8 Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.

   IJOA1.9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

   IJOA1.10 Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

Os homens, sendo deixados em seu estado de morte, são incapazes, por si mesmos, de se arrepender, de crer no evangelho ou de vir a Cristo. Não têm poder, em si mesmos, para mudar sua natureza ou preparar-se para a salvação:

   JÓ14.4 Quem do imundo tirará o puro? Ninguém.

   JER13.23 pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas malhas? então podereis também vós fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal.

   MAT7.16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?

   MAT7.18 Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.

   MAT12.33 Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom; ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.

   JOA6.44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

   JOA6.65 E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido.

   ROM11.35 Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?

   ICOR2.14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

   ICOR4.7 Pois, quem te diferença? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?

   IICOR3.5 não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus,

E por fim segue texto que Paulo escreveu de forma geral a situação lamentável do homem natural.

Romanos 3.10 a 18
10 Como está escrito:Não há um justo, nem um sequer.
11 Não há ninguém que entenda;Não há ninguém que busque a Deus.
12 Todos se extraviaram, e juntamente se fizeram inúteis.Não há quem faça o bem, não há nem um só.
13 A sua garganta é um sepulcro aberto;Com as suas línguas tratam enganosamente;Peçonha de áspides está debaixo de seus lábios;
14 Cuja boca está cheia de maldição e amargura.
15 Os seus pés são ligeiros para derramar sangue.
16 Em seus caminhos há destruição e miséria;
17 E não conheceram o caminho da paz.
18 Não há temor de Deus diante de seus olhos.

Aqui estão alguns versículos para demonstração desta doutrina bíblica para nosso proveito.

Nota:
¹ Estudo de referencia: David N. Steele e Curtis C. Thomas, Os cindo pontos do Calvinismo,
http://www.teuministerio.com.br/BRSPORNDESAGSA/vsItemDisplay.dsp&objectID=A87BA59C-2C12-456F-B0A8092C629D1875&method=display

Autor: Nilson Mascolli Filho


2 – (U) Unconditional Election (Eleição incondicional) - Deus escolheu dentre todos os seres humanos decaídos um grande número de pecadores por graça pura, sem levar em conta qualquer mérito, obra ou fé prevista neles.

A Predestinação

Provérbios 16.4
O SENHOR fez todas as coisas para determinados fins e até o perverso, para o dia da calamidade.

João 13.18
Não falo a respeito de todos vós, pois eu conheço aqueles que escolhi; é, antes, para que se cumpra a Escritura: Aquele que come do meu pão levantou contra mim seu calcanhar.

Romanos 8.30
E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou.

Efésios 1.4-5
assim como nos escolheu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meio de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade,

2 Tessalonicenses 2.13-14
Entretanto, devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos amados pelo Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a salvação, pela santificação do Espírito e fé na verdade, para o que também vos chamou mediante o nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

Poucas doutrinas suscitam tanta polêmica ou provocam tanta consternação como a doutrina da predestinação. Trata-se de uma doutrina difícil, que precisa ser discutida com grande cuidado e precaução. Apesar disso, trata-se de uma doutrina bíblica, com a qual temos de lidar. Não devemos ousar ignorá-la.

Praticamente, todas as igrejas cristãs têm algum tipo de doutrina sobre a predestinação. Isso é inevitável, visto que o conceito claramente se encontra nas Escrituras. Muitas igrejas, entretanto, discordam—muitas vezes veementemente — quanto ao seu significado. O ponto de vista metodista é diferente do ponto de vista luterano, o qual discorda do ponto de vista presbiteriano. Embora seus pontos de vista difiram, cada um deles está tentando chegar a uma sólida compreensão desta difícil questão de maneira apropriada.

Em sua forma mais elementar, a predestinação significa que nosso destino final, seja o céu ou o inferno, é decidido por Deus não somente antes de irmos para lá, mas até mesmo antes que tivéssemos nascido. A predestinação ensina que nosso destino final está nas mãos de Deus. Outra maneira de expressar isso é: Desde toda a eternidade, antes mesmo que nós existíssemos, Deus decidiu salvar alguns membros da raça humana e permitir que o resto da raça humana perecesse. Deus fez uma escolha— escolheu alguns indivíduos para serem salvos na eterna bênção do céu e escolheu passar por sobre outros, permitindo que sofressem as conseqüências dos seus pecados no tormento eterno do inferno.

A aceitação desta definição é comum a muitas igrejas. Para chegar ao âmago da questão, alguém deve perguntar: como Deus fez tal escolha? O ponto de vista não-reformado, defendido pela grande maioria dos cristãos, é que Deus faz essa escolha com base em sua presciência. Deus escolhe para a vida eterna aqueles que sabe que o escolherão. Esse conceito é chamado de visão presciente da predestinação, porque baseia-se na presciência de Deus quanto às decisões ou ações humanas.

A visão reformada difere no fato de que ela vê a decisão final para a salvação nas mãos de Deus, e não nas mãos do homem. Segundo este ponto de vista, a eleição de Deus é soberana. Não se baseia em decisões ou respostas previstas por parte dos seres humanos. Aliás, vê tais decisões fluindo da graça soberana de Deus.

O ponto de vista da Reforma afirma que nenhuma pessoa caída jamais escolheria a Deus por iniciativa própria. Pessoas caídas ainda têm livre-arbítrio e podem escolher o que desejam. O problema é que não nutrem nenhum desejo por Deus e não escolherão a Cristo a menos que sejam antes regeneradas. A fé é um dom que procede do novo nascimento. Somente aqueles que foram eleitos responderão com fé ao Evangelho.

Os eleitos escolhem a Cristo somente porque antes foram escolhidos por Deus. Como no caso de Esaú e Jacó, o eleito foi escolhido exclusivamente com base no beneplácito soberano de Deus e não com base em algo que tivessem feito ou desejado fazer. Paulo declara:

“E não ela somente, mas também Rebeca, ao conceber de um só, Isaque, nosso pai. E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal (para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela. O mais velho será servo do mais moço... Assim, pois, não depende de quem quer ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.” Romanos 9.10-12, 16

O problema mais incômodo envolvendo a predestinação é que Deus não escolhe ou elege salvar todas as pessoas. Ele reserva para si o direito de ter misericórdia de quem quer ter misericórdia. Alguns membros da humanidade caída recebem a graça e a misericórdia da eleição. Deus ignora o restante, deixando-os em seus pecados. Os não-eleitos recebem justiça. Os eleitos recebem misericórdia.

Ninguém é tratado com injustiça. Deus não é obrigado a ser misericordioso igualmente com todos. É decisão dele o quanto será misericordioso. Mesmo assim, nunca pode ser acusado de ser injusto com qualquer pessoa (ver Rm 9.14,15).

Sumário

1. A predestinação é uma doutrina difícil e deve ser tratada com cuidado.

2. A Bíblia ensina a doutrina da predestinação.

3. Muitos cristãos definem a predestinação em termos de presciência de Deus.

4. A visão da Reforma não considera a presciência como uma explicação para a predestinação bíblica.

5. A predestinação baseia-se na escolha de Deus e não na escolha dos seres humanos.

6. Pessoas não-regeneradas não nutrem nenhum desejo de escolher a Cristo.

7. Deus não elege todas as pessoas. Reserva para si o direito de ter misericórdia de quem quer.

8. Deus não trata nenhuma pessoa injustamente.


Autor: R.C. Sproul
Fonte: Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este Livro em http://www.cep.org.br


A doutrina da Predestinação

Consideramos agora o seguinte: tendo-se em vista o fato de que a Aliança da Vida não é pregada igualmente por todos, vê-se nessa diversidade um admirável mistério do juízo de Deus. Não há dúvida nenhuma de que essa variedade atende ao seu beneplácito, agrada ao se querer. Pois bem, como é evidente que isto é feito pela vontade de Deus – que a salvação é oferecida a uns e os outros são deixados de lado – daí decorrem grandes e altas questões, as quais só se resolvem ensinando aos crentes o que eles podem compreender da eleição e da predestinação de Deus. [...]

Denominamos predestinação o conselho eterno de Deus pelo qual ele determinou o que deveria fazer com cada ser humano. Porque ele não criou todos em igual condição, mas ordenou uns para vida eterna e os demais para a condenação eterna. Assim, conforme a finalidade para a qual o homem foi criado, dizemos que foi predestinado para a vida ou para a morte. [...]

Conforme o que a Escritura mostra claramente, dizendo que o Senhor constituiu uma vez por todas, em seu conselho eterno e imutável, aqueles que ele quis tornar para a salvação, e aqueles que ele quis deixar em abandono. Quando aos que ele chama para a salvação, dizemos: que ele os recebe por sua misericórdia gratuita, sem levar em conta a dignidade deles; que, ao contrário, o acesso à vida é vedado a todos aqueles que ele quis deixar entregues à condenação; e que isso é realizado por seu juízo oculto e incompreensível, conquanto justo e imparcial. Ensinamos, ademais, que a vocação dos eleitos é como uma demonstração e um testemunho da sua eleição. Semelhantemente dizemos que a justificação deles é outro símbolo e sinal dela, até quando eles chegarem à glória, na qual se dará o seu cumprimento e a sua consumação.

Pois bem, assim como o Senhor assinala aqueles que ele escolheu chamando-os e justificando-os, assim também, ao contrário, privando os réprobos do conhecimento da sua Palavra, ou da santidade realizada pelo seu Espírito, ele demonstra por tal sinal qual será o fim deles, e que julgamento está preparado para eles. Deixo de lado, nesta altura, muitas fantasias forjadas por números tolos, na tentativa de derrubar a predestinação. Vou restringir-me unicamente a considerar os argumentos deles que têm lugar entre pessoas dotadas de saber, ou que poderiam gerar escrúpulos entre os simples, ou, ainda, que têm alguma aparência de verdade, podendo fazer crer que Deus não é justo, se assim o considerarmos.

O que ensinamos sobre a eleição gratuita dos crentes não é dito sem dificuldade. Porque em geral se considera que o Senhor distingue entre os homens segundo prevê os méritos de cada um deles. Assim sendo, ele adota e introduz no número dos seus filhos aqueles cuja natureza ele prevê que deve ser tal que eles não são indignos da sua graça. Ao contrário, dizem os tais mestres, Deus deixa na perdição aqueles que ele sabe que devem ser inclinados à maldade oi à impiedade. Essa opinião, comumente aceita nesses termos, não pertence somente à gente comum do povo; em todos os tempos, ela tem tido a seu favor grande escritores. O que eu declaro francamente, a fim de que não se pense que isso prejudicará muito a nossa causa, se acontecer contra nós.

Porque a verdade de Deus é tão clara neste campo que não poderá ser obscurecida; e tão certa e firme que não poderá ser abalada por nenhuma autoridade dos homens. Certamente o apóstolo Paulo, ao nos ensinar que “fomos eleitos em Cristo antes da criação do mundo” [Ef 1.4], elimina toda e qualquer consideração por nossa dignidade ou merecimento. É como se disse: visto que na semente universal de Adão, o Pai celestial não encontrou nada que fosse digno da sua eleição, dirigiu o olhar para o seu Cristo, a fim de eleger, como membros do seu corpo, aqueles que ele quis admitir à vida. Fique pois definido e estabelecido este argumento entre os crentes: que Deus nos adotou em Cristo para sermos seus herdeiros, porque em nós mesmos não tínhamos capacidade para alcançar tão excelente posição. Isso o apóstolo registra igualmente bem noutro lugar, quando exorta os colossenses a darem graças a Deus por havê-los feito idôneos para participarem da herança dos santos [Cl 1.12]. Se a eleição de Deus precede a esta graça pela qual ele nos torna idôneos para obtermos a glória da vida futura, que encontrará ele em nós que o mova a eleger-nos?

O que pretendo mostrar ficará ainda mais bem expresso por esta outra sentença: Deus nos escolheu, diz ele, “antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis perante ele; e em amor nos predestinou para ele, para a adoção de filhos, por meios de Jesus Cristo, segundo o beneplácito de sua vontade” [Ef 1.4,5]. Paulo coloca o beneplácito de Deus em oposição a todos os méritos que se possa mencionar, porque, onde quer que reine o beneplácito de Deus, nenhuma obra entra em consideração. É certo que ele não trata disso nessa passagem, mas devemos entender essa comparação nos termos em que ele a explica noutro lugar, quando diz: Deus “nos salvou e nos chamou com santa vocação; não segundo as nossas obras, mas conforme a sal própria determinação e graça que nos foi dada em Cristo Jesus, antes dos tempos eternos” [2 Tm 1.9]. As palavras que na passagem de Efésios ele acrescenta (“para sermos santos e irrepreensíveis”) não nos livram totalmente de inquietação. Sim, pois, se dissermos que Deus nos escolhe porque previu que seríamos santos, estaremos invertendo a ordem seguida pelo apóstolo Paulo.

Podemos então afirmar com segurança: visto que ele nos escolheu a fim de que fôssemos santos, logo não foi porque previu que haveríamos de ser santos. Porque as duas coisas são contraditórias entre si: que os crentes obtenham a sua santidade graças a sua eleição; e que por essa santidade eles tenham sido eleitos. As astúcias sofísticas a que os tais mestres recorrem não têm nenhum valor aqui. No presente caso, eles dizem que, embora Deus não recompense os méritos anteriores À graça da eleição, ele os recompensa pelos méritos futuros. Mas logo se vê que quando se diz que os crentes foram escolhidos para serem santos, significa que toda a santidade que eles haveriam de ter tem sua origem e  seu início na escolha. E com que tipo de coerência se poderá dizer que o que é produto de eleição seja a causa desta? Além disso, o apóstolo confirma com ainda maior firmeza o que tinha dito, acrescentando que Deus nos escolheu conforme decreto da sua vontade, que ele determinou em si mesmo. Isso equivale a dizer que ele não considerou coisa alguma fora de si mesmo à qual desse atenção, quando procede a essa deliberação. Por isso Paulo acrescenta, logo a seguir, que tudo aquilo em que se resume a nossa eleição tem que ver com este objetivo: “para louvor da glória de sua graça”. Certamente a graça de Deus só merece ser exaltada em nossa eleição se for gratuita. Ora, não seria gratuita se Deus, ao escolher os seus, atribuísse algum valor às obras de cada pessoas eleita. Daí se vê que o que Cristo disse aos seus discípulos é verdade aplicável a todos os crentes. Disse ele: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” [Jo 15.16]. Com isso ele não somente exclui todos os méritos anteriores, mas também quer dizer que eles não tinham nada em si mesmos que desse motivo para serem escolhidos, pois ele se antecedeu a eles com a sua misericórdia. Nesse sentido devemos também tomara estes dizeres do apóstolo Paulo: “Quem primeiro deu a ele para que lhe venha a ser restituído?” [Rm 11.35] Porque ele quer mostrar que a bondade de Deus de tal maneira se antecipa aos homens que ela não encontra nada neles, nem quanto ao passado nem quanto ao futuro, que lhes possibilites cooperar com ela.

Acresce que, na Epístola aos Romanos, onde Paulo começa este argumento do ponto mais alto e depois lhe dá seqüência mais ampla, ele trata, sob o exemplo de Jacó e Esaú, da condição dos eleitos e dos reprovados, e o faz desta maneira [Rm 9.11-13]: “E ainda não eram os gêmeos nascidos, nem tinham praticado o bem ou o mal) para que o propósito de Deus, quanto à eleição, prevalecesse, não por obras, mas por aquele que chama), já fora dito a ela: o mais velho será servo do mais moço. Como está escrito: Amei Jacó, porém me aborreci de Esaú”. Que é que pretende aqueles que, obscurecendo essas palavras, atribuem algum lugar às obras em nossa eleição (quer anteriores quer futuras)? Isso é inverter completamente o que o apóstolo diz, pois, segundo este, a diferença existente entre os dois irmãos não depende em nenhum aspecto das suas obras, mas da pura e simples vocação de Deus. Sim, porquanto Deus determinou o que iria fazer antes de eles terem nascido. A sutileza utilizada pelos sofistas não escaparia ao conhecimento de Paulo, se tivesse algum fundamento. Mas, como ele sabia que Deus não poderia prever nada de bom no homem, senão o que deliberou dar-lhe pela graça da sua eleição, deixou de lado essa opinião perversa, que consiste em preferir as boas obras às sua causa e origem. Das palavras do apóstolo, deduzimos que a salvação dos que crêem funda-se no beneplácito da eleição de Deus, e que esta graça não é adquirida por boas obras, mas lhes vem da sua bondade gratuita. Elas nos propiciam também como que um espelho ou um quadro que representa esta verdade. Esaú e Jacó são irmãos, gerados dos mesmos pais, de uma mesma gestação, estando juntos no ventre de sua mãe antes de nascerem. Todas as coisas são semelhantes num e no outro; todavia, o juízo de Deus distingue entre eles, pois escolhe um e rejeitou o outro. Só restava a questão da primogenitura, que fazia que um fosse preferido ao outro. Mas mesmo isso foi deixado para trás; foi dado ao que nasceu por último o que foi gerado ao que nasceu primeiro.

Em muitos outros casos se vê que Deus, com deliberado propósito, desprezou a primogenitura a fim de extirpar da carne todo elemento de glória. Rejeitando Ismael, ligou o seu coração a Isaque; rebaixando Manasses, preferiu Efraim [Gn 17 e 48 (ver Gn21.12)]. Se alguém replicar que não devemos julgar questões relacionadas com a vida eterna recorrendo a coisas inferiores e levianas, e que é uma zombaria inferior que aquele que exaltado pela honra da primogenitura é adotado como participante da herança celestial (havendo alguns que não poupam nem mesmo o apóstolo Paulo, dizendo que abusou dos testemunhos da Escritura, aplicando-os a este assunto), respondo que o apóstolo não falou disso inconsideradamente, e não quis torcer o sentido dos testemunhos da Escrituras; mas ele enxergava o que esse tipo de gente incapaz de considerar. É que Deus quis, por meio de um sinal corporal, representar a eleição espiritual de Jacó, a qual, noutro aspecto, estava oculta em seu conselho secreto. Porque, se não aplicássemos à vida futura a primogenitura que foi dada a Jaci, a Bênção que ele recebeu seria totalmente ridícula, porque não teria outra coisa senão total miséria e calamidade.

Vendo, pois, o apóstolo Paulo que Deus, por meio dessa bênção exterior testificou sua bênção eterna, que ele preparou em seu reino celestial para o seu servo, não teve dúvida nenhuma em tomar o argumento de que Jacó recebeu primogenitura para provar que ele foi escolhido por Deus. Portanto, Jacó foi eleito, Esaú tendo sido repudiando, e assim é feita distinção entre eles pela eleição de Deus – apesar de não haver diferença em seus méritos.

Se alguém pedir a razão disso, Paulo lhe dará; é o que Deus disse a Moisés: “Terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia e me compadecerei de quem em me compadecer” [Ex 33.19 (Rm 9.14-16)]. E que será que isso quer dizer? Claro está que o Senhor afirma explicitamente que não encontra em nós nenhuma razão pela qual deva fazer-nos bem, mas que se baseia totalmente em sua misericórdia, pelo que a salvação dos seus é sua obra, de mais ninguém.

[Aqui temos apenas uns trechos das Institutas onde Calvino desenvolve maravilhosamente e com muitas outras páginas este assunto].

Autor: João Calvino
Fonte: As Institutas da Religião Cristã, edição especial, ed. Cultura Cristã, Vol 3, pg 37, 41-46.  Compre este maravilho livro em http://www.cep.org.br 

[Conheça mais sobre as Institutas, na seção:
http://www.teuministerio.com.br/BRSPIPBRAIPD4/AsInstitutas.dsp]


Predestinação e Reprovação
Ex 7.1-5; Pv 16.4; Rm 9; Ef 1.3-6; Judas 1.4

"Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal (para que o propósito de Deus, segundo a eleição, ficasse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama), Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor.Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú. Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Pois diz a Moisés: Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia. Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus, que se compadece.Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra. Logo, pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer. Dir-me-ás então: Por que se queixa ele ainda? Porquanto, quem tem resistido à sua vontade?Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim? Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para honra e outro para desonra? E que direis se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição; Para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que para glória já dantes preparou, Os quais somos nós, a quem também chamou"  (Rm 9.11-24)

Toda moeda tem dois lados. Existe também um outro lado da doutrina da eleição. A eleição refere-se a apenas a um aspecto da questão mais ampla da predestinação. Outro lado da moeda é a questão da reprovação. Deus declarou que amava Jacó mas odiava a Esaú. Como podemos entender essa referência ao ódio divino?

A predestinação é dupla. A única maneira de evitar a doutrina da predestinação dupla é afirma que Deus predestinou todos para a eleição ou que não predestina ninguém seja para a eleição seja para a reprovação. Visto que a Bíblia ensina claramente a predestinação para a eleição e nega a salvação universal, temos de concluir que a predestinação é dupla: inclui  tanto a eleição como a reprovação. A dupla predestinação é inevitável se tomarmos a Bíblia a sério. O ponto crucial, entretanto, é como entender a predestinação dupla.

Alguns cristão têm  encerado a predestinação dupla como uma questão de causação igual, onde Deus é igualmente responsável por fazer com que o  réprobo não creia, assim como é responsável por fazer com que o eleito creia. Chamamos isso de visão positivo-positivo da predestinação.

A visão positivo-positivo da predestinação ensina que Deus intervém positiva e ativamente na vida dos eleitos para operar a graça em seus corações e levá-los à fé. Semelhantemente, no caso dos réprobos, ele opera o mal nos seus corações e impede ativamente que cheguem à fé. Esse ponto de vista tem sido freqüentemente chamado de "hipercalvinismo", porque vai além do ponto de vista de Calvino, Lutero e outros reformadores.

A visão reformada da predestinação dupla segue e um esquema positivo-negativo. No caso dos eleitos, Deus intervém de forma positiva e ativa operando a graça em seus corações e levando-os à fé salvadora. Deus regenera de  maneira unilateral os eleitos e assegura sua salvação. No caso dos réprobos, ele não opera o mal em seus corações ou impedem que cheguem à fé. Pelo contrário, ele os ignora, deixando-os à mercê de seus próprios esquemas pecaminosos. Segundo este ponto de vista, não há simetria na ação divina. A atividade de Deus é assimétrica entre os eleitos e os réprobos. Existe, contudo, um tipo de igual supremacia. O réprobo, a quem Deus ignora, está definitivamente condenado, e  sua condenação é tão certa e inevitável quanto a salvação final do eleito.

O problema está ligado a declarações bíblicas tais como aquela concernente ao endurecimento que Deus causa no coração do Faraó. É inquestionável que a Bíblia ensina que Deus endureceu Faraó. A questão que permanece é: como Deus endureceu o coração de Faraó: Lutero defendia um endurecimento passivo, ao invés de ativo; quer dizer. Deus não criou um novo nível de maldade no coração do rei. Já havia mal suficiente no coração dele para incliná-lo a resistir a cada estágio da vontade de Deus. Tudo o que Deus tem a fazer para endurecer uma pessoa é retirar sua graça dela e deixá-la completamente entregue aos seus próprios impulsos malignos. è precisamente isto que Deus faz com os condenados ao inferno. Abandona-os à sa impiedade.

Em que sentido Deus "odeia" a Esaú? Duas explicações diferentes são oferecidas para resolver este problema. A primeira define o ódio não como uma paixão negativa voltada contra Esaú, mas simplesmente como a ausência de amor redentor. O fato de Deus ter "amado" Jacó significa simplesmente que o fez recipiente de sua graça imerecida. Deus deu a Jacó um benefício que este não merecia. Esaú não recebeu o mesmo benefício, e nesse sentido Deus o odiou.

A primeira explicação soa um pouco como uma defesa especial para não permitir que Deus seja surpreendido odiando alguém. A segunda explicação dá mais força à palavra ódio. Diz simplesmente que Deus de fato odiou a Esaú. Esaú era odioso aos olhos de Deus. Não havia nada nele para Deus amar. Esaú era um vaso próprio para destruição e totalmente digno da ira e do ódio santo de Deus. vamos deixar que o leitor decida.

Sumário

1. A predestinação é dupla; tem dois lados.

2. Alguns cristãos ensinam que Deus é igualmente responsável pela eleição e pela reprovação. Esta é uma característica do hipercalvinismo.

3. A visão reformada da predestinação dupla reflete um esquema positivo-negativo.

4. Deus endureceu o coração de Faraó passiva e não ativamente.

5. Deus odiou a Esaú no sentido de não lhe dar a bênção da graça ou no sentido de excrá-lo como vaso próprio para a destruição.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em http://www.cep.org.br


Eleição
DEUS ESCOLHE OS SEUS

Pois Ele (Deus) diz Moisés: “Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia e compadecer-me-ei de quem me aprouver ter compaixão.” Assim, pois, não depende de quem quer, ou de quem corre, mas de usar Deus a sua misericórdia.” Romanos 9.15,16

O verbo eleger significa “selecionar ou escolher”. A doutrina bíblica da eleição consiste em que, antes da Criação, Deus selecionou da raça humana, antevista como decaída, aqueles a quem  Ele redimiria, traria à fé, justificaria e glorificaria em Jesus Cristo e por meio dele (Rm 8.28-39; Ef 1.3-14; 2 Ts 2.13,14; 2 Tm 1.9,10). Esta escolha divina é uma expressão da graça livre e soberana, porque ela é não constrangida e incondicional, não merecida por qualquer coisa naqueles que são seus objetos. Deus não deve aos pecadores nenhuma misericórdia de qualquer espécie, mas somente condenação; por isso, é surpreendente, e razão de sempiterno louvor, que Ele tenha decidido salvar alguns de nós; e louvor duplicado porque sua escolha incluiu o envio de seu próprio Filho para sofrer, como portador do pecado, pelos seus eleitos (Rm 8.32).

A doutrina da eleição, como toda verdade acerca de Deus, envolve mistério e, algumas vezes, incita à controvérsia. Mas na Escritura é uma doutrina pastoral, incluída ali para ajudar os cristãos a verem quão grande é a graça que os salva, conduzindo-os à humildade, confiança, alegria, louvor, fidelidade e santidade como resposta. É o segredo de família dos filhos de Deus. Não sabemos quem mais Ele escolheu entre aqueles que ainda não crêem, nem tampouco a razão por que nos escolheu em particular. O que de fato sabemos é que, primeiro, se não tivéssemos sido escolhidos para a vida, não seríamos crentes agora (pois somente o eleito é trazido à fé), e, em segundo lugar, como crentes eleitos podemos confiar que Deus completará em nós a boa obra que Ele começou (1 Co 1.8,9; Fp 1.6; 1 Ts 5.23,24; 2 Tm 1.12; 4.18). Assim, o conhecimento da eleição por parte de uma pessoa traz conforto e alegria.
 
Pedro nos diz que devemos “confirmar a (nossa) vocação e eleição” (2 Pe 1.10) _ isto é, certifica-la. A eleição é conhecida por seus frutos. Paulo sabia da eleição dos tessalonicenses por sua fé, esperança e amor, a transformação interna e externa que o evangelho tinha operado em sua vida (virtude, conhecimento, domínio próprio, perseverança, piedade, fraternidade, amor: 2 Pe 1.5-7), mais seguros estaremos da própria eleição que nos foi concedida.

Os eleitos são, de um ponto de vista, a dádiva de Deus ao Filho (Jô 6.39; 10.29; 17.2,24). Jesus testifica que veio a este mundo especificamente para salva-los (Jô 6.37-40; 10.14-16,26-29; 15.16; 17.6-26; Ef 5.25-27), e qualquer relato de sua missão deve enfatizar isto.
Reprovação é o nome dado à eterna decisão de Deus a respeito dos pecadores que Ele não escolheu para a vida. Sua decisão é, em essência, não para muda-los, como os eleitos são destinados a ser mudados, mas deixa-los ao pecado, como em seus corações eles já desejam fazer, e finalmente para julga-los como merecem pelo que têm feito. Quando em casos particulares Deus os entrega a seus pecados (isto é, remove as restrições à prática de coisas desobedientes que desejam fazer), isto já é o começo do julgamento. Ele se chama endurecimento” (Rm 9.18; 11.25; cf. Sl 81.12; Rm 1.24,26,28), que leva inevitavelmente culpa maior.
 
A reprovação é uma realidade bíblica (Rm 9.14-24; 1 Pe 2.8), mas não a que se relaciona diretamente com a conduta cristã. Até onde os cristãos saibam, os reprovados não têm face, não nos cabendo tentar identifica-los. Devendo, antes, viver à luz da certeza de que qualquer um pode ser salvo, se ele ou ela arrepender-se e colocar sua fé em Cristo.
 
Devemos ver todas as pessoas que encontramos como possivelmente incluídas entre os eleitos.

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, Ed. Cultura Crista. Compre este livro em http://www.cep.org.br


Eleição e Reprovação

Romanos 9:18: “Logo, tem ele misericórdia de quem quer e também endurece a quem lhe apraz”.

Eleger” significa selecionar ou escolher. De acordo com a Bíblia, antes da criação, Deus selecionou – dentre os da raça humana – aqueles que seriam redimidos, justificados, santificados e glorificados em Jesus Cristo (Rm 8.28-29; Ef 1.3-14; 2Ts 2.13-14; 2Tm 1.9-10). A escolha divina é uma expressão da graça livre e soberana de Deus. Não é merecida por coisa alguma por parte daqueles que são escolhidos. Deus não deve aos pecadores nenhuma espécie de misericórdia, pois eles só merecem condenação. Por isso, é maravilhoso que ele escolhesse salvar qualquer um entre nós.

Como toda a verdade a respeito de Deus, a doutrina da eleição envolve mistério e, às vezes, levanta controvérsia. Porém, nas Escrituras, é uma doutrina pastoral, que ajuda os cristãos a verem quão grande é a graça que os salva e os move a responder com humildade, confiança e louvor. Não sabemos quais os outros que Deus escolheu entre os que ainda não são crentes, nem por que ele nos escolheu, especificamente. Sabemos apenas que, se somos crentes agora, é porque fomos escolhidos. Também sabemos que, como crentes, podemos confiar em que Deus acabará a boa obra que começou (1Co 1.8-9; Fp 1.6; 1Ts 5.23-24; 2Tm 1.2; 4.18). Por essas razões, o conhecimento da eleição é uma fonte de gratidão e confiança.

Pedro nos diz que devemos procurar “com diligência ... confirmar (nossa) vocação e eleição” (2Pe 1.10), isto é, devemos tomá-la certa para nós. A eleição é conhecida por seus frutos. Paulo sabia que os tessalonicenses tinham sido escolhidos, porque viu sua fé, sua esperança e seu amor, a transformação da vida deles, realizada pelo evangelho (1Ts 1.3-6).

Reprovação é o nome dado à eterna decisão de Deus com relação àqueles pecadores que não foram escolhidos para a vida. Não os escolhendo para a vida, Deus determinou que eles não fossem transformados. Eles continuarão em pecado e, finalmente, serão julgados por aquilo que tiverem feito. Em alguns casos, Deus pode ir mais longe e remover as influências restritivas que protegem uma pessoa da desobediência extrema. Esse abandono, chamado de “endurecimento”, é, em si mesmo, uma penalidade do pecado (Rm 9.18; 11.25 conforme Sl 81.12; Rm 1.24,26,28).

A reprovação é ensinada na Bíblia (Rm 9.14-24; 1Pe 2.8), porém como uma doutrina, seu significado sobre o comportamento cristão é indireto. O decreto de Deus sobre a eleição é secreto; quais pessoas são eleitas e quais são reprovadas não será revelado antes do Juízo Final. Até aquele tempo, Deus ordena que o chamado ao arrependimento e a fé sejam pregados a todos.

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 1333. Compre esta Bíblia em http://www.cep.org.br


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A Doutrina da Reprovação
Wayne Grudem
Acervo monergismo.com
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A Eleição e a Perseverança dos santos conduzem a uma vida de libertinagem.

Existe uma persistente acusação contra o Calvinismo de que ao ensinarmos a Eleição e a Perseverança dos santos, isentamos o homem de quaisquer responsabilidades de salvação. O raciocínio é mais o menos assim: Se sou eleito e não há como perder a salvação, por que devo continuar lutando contra o pecado e me santificar?

O raciocínio de que Se sou eleito e não há como perder a salvação, vou viver erradamente porque seja como for, aconteça como aconteça, serei salvo, procede de uma má compreensão sobre a doutrina da eleição.  Uma pessoa eleita possui características e virtudes espirituais típicas de filhos obedientes a Deus. A Eleição divina é para que sejamos santos. As metas da eleição é a conversão, santificação, vida piedosa e as boas obras em Cristo, uma vida na prática do evangelho para glória de Deus. Paulo em Efésios 1.4 deixa isto muito claro, ele diz:

Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor; (Ef 1:4)

Veja neste texto (Ef 1.4) como nossa eleição não é para que tenhamos uma vida de libertinagem, muito pelo contrário, são para a fidelidade as coisas de Deus. A Bíblia não ensina que as pessoas eleitas se entregam a libertinagem seguras de que de qualquer forma serão salvas, muito pelo contraio, ela coloca as coisa de tal modo que o eleito é aquele que tem a vida piedosa. Aquele que foi eleito, o foi para ser santo e irrepreensível diante de Deus em amor (Ef 1.4).

Como diz William Hendriksen¹: a Eleição afeta a vida em todas as suas fases. Não é abstrata. Embora a eleição faça parte do decreto de Deus desde a eternidade, torna-se uma força dinâmica no coração e na vida dos filhos de Deus. Também está claro que esse é o sentido aqui em 1 Ts 1.4: [Sabendo, amados irmãos, que a vossa eleição é de Deus] ver versículo 1 Ts 1.5-10. Produz frutos tais como a adoção de filhos, a vocação ou chamamento, a fé, a justificação etc.(Rm 8.28-30,35; Ef 1.4,5; Tt 1.1). Aceitar a proposição: Se um homem foi eleito, será salvo seja como for que viva (por exemplo, quer creia em Cristo quer não, quer dê provas de possuir os frutos do Espírito Santo quer não) é ímpio e absurdo. Nenhum crente verdadeiro e são de nenhuma denominação, quer seja metodista, batista, calvinista, luterano, quer pertença a qualquer outra denominação ou grupo religioso, há de aceitar isso. Todos devem ler e reler a linda descrição da pessoa realmente eleita que se encontra em Cl 3.12-17: 

Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade; Suportando-vos uns aos outros, e perdoando-vos uns aos outros, se alguém tiver queixa contra outro; assim como Cristo vos perdoou, assim fazei vós também. E, sobre tudo isto, revesti-vos de amor, que é o vínculo da perfeição. E a paz de Deus, para a qual também fostes chamados em um corpo, domine em vossos corações; e sede agradecidos. A palavra de Cristo habite em vós abundantemente, em toda a sabedoria, ensinando-vos e admoestando-vos uns aos outros, com salmos, hinos e cânticos espirituais, cantando ao Senhor com graça em vosso coração. E, quanto fizerdes por palavras ou por obras, fazei tudo em nome do Senhor Jesus, dando por ele graças a Deus Pai.  

Quando dizemos que os eleitos não perdem a salvação, queremos dizer com isso que eles têm uma vida na pratica do evangelho por toda a sua vida, mesmo que aconteça de extraviarem do rebanho por um tempo, Cristo há de pegá-lo pra si novamente e colocá-lo no rebanho de novo – como a parábola da ovelha perdida, do filho pródigo.  Isto chama Preservação ou Perseverança.  Cremos que a doutrina da Perseverança não se baseia em nossa capacidade para perseverança, mesmo sendo regenerados. Pelo contrário, descansa na promessa de Deus de nos preservar. Paulo escreve aos Filipenses: "Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo;" (Fp 1.6).  É pela graça, e tão-somente pela graça, que o cristão persevera. Deus termina o que começa. Ele assegura que seus propósitos na eleição não serão frustrados.

O texto de Romanos 8 fornece um testemunho adicional desta esperança: "E aos que predestinou a estes também chamou; e aos que chamou a estes também justificou; e aos que justificou a estes também glorificou." (Rm 8.30).Paulo prossegue e declara que nada "nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor." (Rm 8.39).

Temos segurança porque a salvação é do Senhor e somos feitura sua. Ele dá o Espírito Santo a todo crente como uma garantia de que completará o que começou. Semelhantemente, Deus selou todo crente com o Espírito Santo. Ele nos marcou de maneira indelével e nos deu um pagamento antecipado ou sinal que garante que concluirá a transação.

Uma base final de confiança se encontra na obra sacerdotal de Cristo, que  intercede por nós. Assim como Jesus orou pela restauração de Pedro (e não pela da Judas), ele também ora pela nossa restauração quando tropeçamos e caímos. Podemos permanecer caídos por algum tempo, mas nunca total ou definitivamente. Jesus orou no Cenáculo :"Estando eu com eles no mundo, guardava-os em teu nome. Tenho guardado aqueles que tu me deste, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que a Escritura se cumprisse." (Jo 17.12). Somente Judas Iscariotes, que era filho da perdição desde o princípio, cuja profissão de fé oi espúria, se perdeu. Aqueles que são verdadeiramente crentes não podem ser arrebatados das mãos de Deus.

"As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu conheço-as, e elas me seguem; E dou-lhes a vida eterna, e nunca hão de perecer, e ninguém as arrebatará da minha mão. Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai. Eu e o Pai somos um."(Jo 10.27-30).²

 Sendo assim, não há como encaixar no pensamento do Eleito: Sou eleito e já que não há como perder a salvação, vou viver erradamente porque seja como for, aconteça como aconteça, serei salvo. Vou me entregar às paixões deste mundo e ao pecado. Os eleitos não pensam assim.  As Escrituras e nós reformados calvinista jamais ensinamos isto.

Nesta altura podemos ver que o Eleito vive piedosamente. Alem de provar sua eleição vivendo uma vida de filho de Deus que produz os frutos do Espírito (Gal 5.22-25), o próprio Deus Espírito fala em seu interior: -“Tu verdadeiramente filho de Deus”. Como diz Romanos 8.16: “O mesmo Espírito testifica com o nosso espírito que somos filhos de Deus.

Nota:

¹ William Hendriksen, Comentário Novo Testamento, pg. 72-73, editora Cultura Cristão.

² R. C. Sproul,  2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã, Editora Cultura Cristã.

Autor: Nilson Mascolli Filho


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3 –(L) Limited Atonement (Expiação limitada) - Jesus Cristo morreu na cruz para pagar o preço do resgate somente dos eleitos;

A Expiação
Rm 3.21-28; Rm 5.17-19; Ef 1.7; Fp 3.8,9; Tt 3.1-7

O apóstolo Paulo declarou que estava determinado a não saber nada, exceto Cristo, e este crucificado. Esta foi sua maneira de enfatizar a extrema importância da Cruz para o cristianismo. A doutrina da expiação é central em toda a teologia cristã. Lutero chamou o cristianismo de teologia da cruz. A figura de uma cruz é o símbolo universal do cristianismo. O conceito de expiação o retrocede ao Antigo Testamento, onde Deus estabeleceu um sistema pelo qual o povo de Israel pudesse fazer expiação por seus pecados. Expiar é fazer emendas, é acertar as coisas; Tanto o Antigo quanto o Novo Testamento deixam bem claro que todos os seres humanos são pecadores. Como nossos pecados são contra um Deus santo e infinito, que não pode nem mesmo olhar para o pecado, a expiação deve  feita a fim de podermos ter comunhão com Deus. O pecado afeta até mesmo nosso melhores atos, e por isso somos incapazes de fazer sacrifício satisfatório. Mesmo nosso sacrifícios são corrompidos e exigiriam um outro sacrifício para  conrir essa imperfeição, ad infinitum. Não temos nenhuma oferta suficientemente valiosa, nenhuma obra suficientemente justa para fazer expiação por nossos próprios pecados. Somos devedores que não têm como pagar sua dívida.

Ao receber a ira de Deus na cruz,  Cristo pôde fazer expiação por seu povo. Ele carregou, ou recebeu sobre si o castigo pelos pecados da humanidade. Jesus fez expiação por eles aceitando  o justo castigo devido por seus pecados. A Aliança do Antigo Testamento pronunciou uma maldição sobre qualquer pessoas que quebrasse a Lei de Deus. Na cruz, Jesus não somente tomou essa maldição sobre si, mas tornou-se "ele próprio maldição em nosso lugar" (Gl 3.13). Foi abandonado pelo Pai e experimentou a plena medida do inferno na cruz.

O cristianismo ortodoxo tem insistido em que a expiação envolve substituição e satisfação. Tomando a maldição de Deus sobre si, Jesus satisfez as exigências da santa justiça (1 Ts 1.10).

Uma frase-chave na Bíblia, concernente à expiação, é "em nosso favor". Jesus não morreu por si mesmo, mas por nós. Seu sofrimento foi vicário; ele foi o nosso substituto. Ele tomou nosso lugar assumindo o papel do Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo.

Embora a ira de Deus seja real, devemos notar que a expiação que Cristo fez não era uma questão do Filho operando contra a vontade do Pai. Não era como se Cristo estivesse arrebatando seu povo das mãos do Pai. O Filho não persuadiu o Pai a salvar aqueles a quem o Pai não estava disposto a salvar. Pelo contrário, ambos, Pai e Filho, queriam a salvação dos eleitos e trabalharam juntos para sua concretização. Conforme o apóstolo Paulo escreveu, " Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação." (2 Co 5.19)

Sumário

1. Expiação envolve pagamento para quitar um débito.

2. Os seres humanos não podem fazer expiação por seus próprios pecados.

3. A perfeição de Jesus o qualificou para fazer a expiação.

4. Cristo cumpriu a maldição da Antiga Aliança.

5. A expiação de Cristo foi uma obra de substituição e de satisfação.

6. O Pai e o filho trabalharam juntos em harmonia para efetuar nossa reconciliação.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em http://www.cep.org.br


Expiação Limitada / Definida
Mt 1.21; Jo 3.16; Jo 10.27-30; Jo 17.9-12; At 20.28; Rm 8.30

Ás vezes, as doutrinas distintivas da teologia reformada são resumidas em inglês pelo uso de acróstico T.U.L.I.P. [em Português seria D.E.E.G.P.]:

Total depravity = Depravação total
Unconditional election = Eleição incondicional
Limited atonement = Expiação limitada
Irresistible grace = Graça irresistível
Perseverance of the saints = Perseverança dos santos

Embora o acróstico seja útil para ajudar na memorização, também pode gerar confusão com respeito as doutrinas por causa da maneira como foi organizado para formar o acróstico "TULIP" [em inglês]. Isso é especialmente verdadeiro com referência ao terceiro ponto, ou seja, expiação limitada. Muitos, que se consideram calvinistas "de quatro pontos", estão dispostos a confirmar todos os pontos, menos a expiação limitada. Tiram o L do "TULIP".

Prefiro o termo expiação definida ao termo expiação limitada (embora tenha que converter tulip em tudip). A doutrina da expiação definida focaliza a questão no desígnio de Cristo. Isso tem a ver com o propósito de Deus em enviar Jesus à cruz.

Qualquer um que não seja universalista[aqueles que crêem que todos os homens do universo podem ser salvos] está disposto a concordar que o efeito da obra de Cristo na cruz é limitado aos que crêem. Isso é, a expiação de Cristo não tem validade para os não crentes. Nem todas as pessoas são salvas através de sua morte. Todos também concordam que o mérito de morte de Cristo é suficiente para pagar pelos pecados de toda a humanidade. Alguns colocam desta maneira: a expiação de Cristo é suficiente para todos, mas é eficiente somente para alguns.

Isso, entretanto, não é o âmago da questão da expiação definida. Os que negam a expiação definida insistem em que a obra expiatória de Cristo foi destinada por Deus para expiar os pecados de todo mundo. Tomou possível a salvação de todas as pessoas, mas não tomou certa a salvação de ninguém. Este desígnio, portanto, é ilimitado e indefinido.

A visão reformada sustenta que a expiação de Cristo foi destinada e tencionada só para eleitos. Cristo deu sua vida por sua ovelhas - é só por suas ovelhas. Além disso, a expiação garantiu a salvação para todos os eleitos. A expiação foi uma obra real de redenção e não simplesmente potencial. Nesta visão, não há possibilidade de que o desígnio e intenção de Deus para a expiação sejam frustrados. O propósito de Deus na salvação é infalível.

Os teólogos reformados diferem na questão da oferta da expiação para  a raça humana. Alguns insistem em que a oferta do evangelho é universal. A Cruz e seus benefícios são oferecidos a todo aquele que crê. Outros insistem em que este conceito de uma oferta universal é equivocado e que envolve um tipo de jogo de palavras. Visto que só os eleitos de fato irão crer, na verdade a oferta é  voltará só para eles. O beneficio da expiação de Cristo nunca é oferecido por Deus ao impenitente ou incrédulo. Já que fé e arrependimento são condições satisfeitas só pelos eleitos, em última análise a expiação é oferecida só a eles.

O apóstolo João escreve "E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo." (1 Jo 2.2). Este texto, mais que qualquer outro, é citado como a prova das Escrituras contra a expiação definida [ou também chamada expiação limitada]. à primeira vista, o teto parece argumentar que a morte de Cristo foi destinada a todas as pessoas (o mundo inteiro). Entretanto, se for tomado nesse sentido, o texto prova mais do que os cristãos não reformados querem que ele prove. Torna-se um texto prova para o universalismo. Se  Cristo de fato propiciou ou satisfez as exigências de Deus para a punição dos pecados de todas as pessoas, logo fica claro que todas as pessoas seriam salvas. Se Deus punisse pecados que já foram propiciados, então ele seria injusto. Se o texto for interpretado como significado como significando que os pecados de todos foram condicionalmente expiados (dependentes de fé e arrependimento, então voltamos à  questão original de que somente os eleitos satisfazem tais condições.

A outra maneira de interpretar este texto é vendo o contraste entre nossos pecados e os do mundo inteiro. Quem são as pessoas incluídas na palavra nossos? Se João está falando somente das pessoas crentes, então a interpretação anterior do texto se aplacaria. Mas esse é o único significado possível de nosso?

No Novo Testamento, com freqüência se faz um contraste entre a salvação experimentada pelos judeus e a experimentada pelos não-judeus. Um ponto crucial do evangelho é que ele não se limita aos judeus, mas se estende às pessoas de todo o mundo, às pessoas de todas as tribos e nações. Deus ama o mundo todo, mas não salva o mundo todos; ele salva pessoas de todas as partes do mundo. Neste texto, não pode estar simplesmente dizendo que Cristo não é a propiciação só pelos nossos pecados (dos crentes judeus), mas pelos eleitos que se encontram também em todas as partes do mundo.

Em qualquer caso, o plano de Deus foi decido antes de qualquer pessoas estivesse no mundo. A expiação de cristo não foi um pensamento divino de última hora. O propósito de Deus na morte de Cristo foi determinado desde a fundação do mundo. O desígnio não foi estabelecido por acaso, mas de acordo com um plano e um propósito específicos, os quais Deus está cumprindo soberanamente. Todo aquele por quem Cristo morreu é redimido por seu ato sacrifical.

Sumário

1. Expiação definida substitui o termo expiação limitada.

2.  Expiação definida refere-se ao alcance do designo de Deus na redenção e no propósito da cruz.

3. Todos os cristãos que não são universalistas concordam que a expiação de Cristo é suficiente para todos, mas eficaz somente para aqueles que crêem.

4.A expiação de Cristo foi uma propiciação real pelo pecado, e não uma propiciação potencial ou condicional.

5. A expiação, num sentido amplo, é oferecida a todos; num sentido mas restrito, é oferecida só aos eleitos.

6. O ensino de João de que Cristo morreu pelos pecados do mundo inteiro significa que os eleitos não estão confinados a Israel, mas se encontram em todas as partes do mundo.

Autor:  R. C. Sproul
Fonte: 2º Caderno Verdades Essenciais da Fé Cristã – R.C.Sproul. Editora Cultura Cristã. Compre este livro em http://www.cep.org.br


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Expiação Limitada
Rev. Ronald Hanko
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4 – (I) Irresistible Grace - (Graça Irresistível) - A Graça de Deus é irresistível para os eleitos, isto é, o Espírito Santo acaba convencendo e infundindo a fé salvadora neles.

O chamado do evangelho


Qual é a mensagem do evangelho?
Como ele se torna eficaz?
 
 
1. EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA


Quando Paulo fala a respeito do modo em que Deus traz salvação à nossa vida, ele diz: “E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou” (Rm 8.30). Aqui Paulo ressalta uma ordem definida na qual as bênçãos da salvação vêm a nós. Embora muito tempo atrás, quando o mundo ainda não havia sido feito, Deus nos tenha predestinado para que fôssemos seus filhos e para que nos conformássemos à imagem de seu Filho, aqui Paulo salienta o fato de que, no desenvolvimento real do seu propósito em nossa vida, Deus nos “chamou”. Então Paulo imediatamente cita a justificação e a glorificação, mostrando que essas coisas vêm após o chamado eficaz. Paulo indica que há uma ordem definida no propósito salvador de Deus (embora não em todos aspectos de nossa salvação mencionados aqui). Assim, vamos começar a nossa discussão das diferentes partes de nossa experiência de salvação com o tópico do chamado.
 
A. O chamado eficaz


Quando Paulo diz: “aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou” (Rm 8.30), ele assinala que o chamado é um ato divino. De fato, é especialmente um ato de Deus Pai, pois é ele quem predestina as pessoas “para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8.29). Outros versículos descrevem mais plenamente o que é esse chamado. Quando Deus chama as pessoas desse modo poderoso, ele as chama “das trevas para a sua maravilhosa luz” (1 Pe 2.9); ele as chama “à comunhão com seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (lCo 1.9; cf. At 2.39) e para o seu Reino e glória” (lTs 2.12; cf. lPe 5.10; 2Pe 1.3). Os indivíduos que foram chamados por Deus pertencem “a Jesus Cristo” (Rm 1.6). Eles são chamados para “serem santos” (Rm 1.7; lCo 1.2) e vieram para o Reino de paz (lCo 7.15; Cl 3.15), liberdade (Gl 5.13), esperança (Ef 1.18; 4.4), e santidade (lTs 4.7) suportando com paciência o sofrimento (lPe 2.20,21; 3.9) para desfrutar a vida eterna (lTm 6.12).


Esses versículos indicam que esse não é um chamado sem poder ou meramente um chamado humano. Esse chamado é antes uma espécie de “convocação” vinda da parte do Rei do universo e tem tal poder que exige uma resposta dos corações humanos. É o ato divino que garante a resposta, porque Paulo especifica em Romanos 8.30 que todos os que foram chamados foram também justificados. Esse chamado tem a capacidade de retirar-nos do reino das trevas e de transportar-nos ao Reino de Deus, atraindo-nos para a plena harmonia com ele: “Fiel é Deus, o qual os chamou à comunhão com seu Filho Jesus Cristo, nosso Senhor” (lCo 1.9).


Esse poderoso ato de Deus é muitas vezes designado vocação eficaz, para distingui-lo do convite geral do evangelho que se dirige a todas as pessoas e que algumas rejeitam. Isso não significa que a proclamação humana do evangelho não esteja envolvida. De fato, o chamado eficaz de Deus vem por intermédio da pregação humana do evangelho, porque Paulo diz: “Ele os chamou para isso por meio de nosso evangelho, a fim de tomarem posse da glória de nosso Senhor Jesus Cristo” (2Ts 2.14). Naturalmente há muitos que ouvem o chamado geral da mensagem do evangelho e não respondem. Mas em alguns casos o chamado do evangelho torna-se eficaz pela ação do Espírito Santo no coração das pessoas, de forma que elas respondem; podemos dizer que elas receberam a “vocação eficaz”.


Podemos definir a vocação eficaz da seguinte maneira: Vocação eficaz é o ato de Deus Pai, falando por meio da proclamação humana do evangelho, pelo qual ele convoca as pessoas para si mesmo de tal modo que elas respondem com fé salvadora.
E importante não dar a impressão de que as pessoas serão salvas pelo poder dessa vocação independentemente da resposta deliberada delas ao evangelho (v. cap. 21 sobre a fé pessoal e o arrependimento que são necessários à salvação). Embora seja verdade que a vocação eficaz desperta e produz a resposta em nós, devemos sempre insistir em que essa resposta ainda tem de ser voluntária, uma resposta deliberada na qual o indivíduo coloca sua confiança em Cristo.


Essa é a razão por que a oração é tão importante para a evangelização eficaz. A menos que Deus opere no coração das pessoas para tornar a proclamação do evangelho eficaz, não haverá nenhuma resposta salvadora genuína. Jesus disse: “Ninguém pode vir a mim, se o Pai, que me enviou, não o atrair” (Jo 6.44).


Um exemplo do chamado do evangelho operando eficazmente é visto na primeira visita de Paulo a Filipos. Quando Lídia ouviu a mensagem do evangelho, “o Senhor abriu seu coração para atender à mensagem de Paulo” (At 16.14).


Ao contrário da vocação eficaz, que é inteiramente ato de Deus, podemos falar a respeito do chamado do evangelho em geral, que vem por meio da linguagem humana. Esse chamado do evangelho é oferecido a todas as pessoas, mesmo às que não o aceitam. Às vezes esse chamado do evangelho refere-se ao chamado externo ou chamado geral. Em contrapartida, a vocação eficaz de Deus que realmente produz a resposta deliberada da pessoa que ouve é por vezes chamada vocação interna. O chamado do evangelho é geral e externo e muitas vezes é rejeitado, ao passo que a vocação eficaz é particular, interna e sempre é eficaz. Contudo, isso não significa diminuir a importância do chamado do evangelho — que é o meio pelo qual a vocação eficaz acontecerá. Sem o chamado do evangelho, ninguém poderá responder e ser salvo! “E como crerão naquele de quem não ouviram falar?” (Rm 10.14). Portanto, é importante entender exatamente o que significa o chamado do evangelho.

B. Os elementos do chamado do evangelho


Três elementos importantes devem ser incluídos na pregação do evangelho.
 
1. Explicação dos fatos concernentes à salvação. Qualquer pessoa que vem a Cristo para salvação deve ter ao menos o entendimento básico de quem Cristo é e como ele satisfaz a nossa necessidade de salvação. Portanto, a explicação dos fatos concernentes à salvação deve incluir ao menos três coisas:
 
A. Todas as pessoas pecaram (Rm 3.23)
B. A penalidade do pecado é a morte (Rm 6.23)
C. Jesus Cristo morreu para pagar a penalidade de nossos pecados (Rm 5.8).
 
Mas o entendimento desses fatos e mesmo a concordância de que eles são verdadeiros não são suficientes para uma pessoa ser salva. Deve haver um convite para uma resposta pessoal da parte do indivíduo que vai se arrepender de seus pecados e confiar pessoalmente em Cristo.
 
2. Convite para responder a Cristo pessoalmente em arrependimento e fé.
Quando o NT fala a respeito de pessoas vindo à salvação, ele fala em termos da resposta pessoal ao convite do próprio Cristo. Esse convite é belamente expresso, por exemplo, nas palavras de Jesus: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).


É importante deixar claro que essas não são apenas palavras faladas muito tempo atrás por um líder religioso do passado. Cada não-cristão que ouve essas palavras deve ser encorajado a pensar nelas como palavras que Jesus Cristo está dizendo neste momento, falando individualmente ao que ouve. Jesus Cristo é o Salvador que está vivo agora no céu, e cada não-cristão deveria pensar em Jesus falando diretamente a ele, dizendo “Venham a mim [...] e eu lhes darei descanso” (Mt 11.28). Esse é um convite genuíno e pessoal que espera uma resposta pessoal de cada um que o ouve.


João também fala a respeito da necessidade da resposta pessoal quando diz: “Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus” (Jo 1.11,12). Enfatizando a necessidade de “receber” Cristo, João também destaca a necessidade da resposta individual. Àqueles dentro da igreja morna que não percebiam sua cegueira espiritual o Senhor Jesus novamente dirige um convite que exige resposta pessoal: “Eis que estou à porta e bato. Se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3.20).


Porém o que está envolvido nesse ir a Cristo? Embora isso seja explicado mais plenamente no capítulo 23, é suficiente por ora observar aqui que, se formos a Cristo e confiarmos nele para que nos salve do pecado, não podemos mais nos agarrar ao pecado, mas devemos deliberadamente renunciar a ele com genuíno arrependimento. Em alguns casos na Escritura tanto o arrependimento como a fé são mencionados juntos quando se referem à conversão inicial de uma pessoa. (Paulo disse que gastou seu tempo testificando “tanto a judeus como a gregos, que eles precisam converter-se a Deus com arrependimento e fé em nosso Senhor Jesus”, At 20.2 1.) Em outras ocasiões somente o arrependimento dos pecados é mencionado e a fé salvadora é suposta como fator de acompanhamento (“que em seu nome seria pregado o arrependimento para perdão de pecados a todas as nações, começando por Jerusalém”, Lc 24.47; cf. At 2.37,38; 3.19; 5.31; 17.30; Rm 2.4; 2Co 7.10; etc.). Portanto, qualquer proclamação genuína do evangelho deve incluir o convite para tomar a decisão consciente de abandonar os pecados e vir a Cristo com fé, pedindo-lhe o perdão dos pecados. Se tanto a necessidade de arrependimento de pecados como a necessidade de confiar em Cristo para o perdão forem negligenciados, não terá havido uma plena e verdadeira proclamação do evangelho.


Mas o que é prometido para os que vêm a Cristo? Esse é o terceiro elemento do chamado do evangelho.
 
3. A promessa de perdão e de vida eterna.
Embora as palavras de Cristo do convite pessoal contenham promessas de descanso, poder para se tornar filho de Deus e acesso à água da vida, é útil tornar explícito exatamente o que Cristo promete aos que vêm a ele em arrependimento e fé. A principal promessa na mensagem do evangelho é o perdão de pecados e a vida eterna com Deus. “Porque Deus tanto amou o mundo que deu o seu Filho Unigênito, para que todo o que nele crer não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16).Na pregação do evangelho, Pedro diz: “Arrependam-se, pois, e voltem-se para Deus, para que os seus pecados sejam cancelados” (At 3.19; cf. 2.38).


Juntamente com a promessa de perdão e de vida eterna deve estar a certeza de que Cristo aceitará todos os que vêm a ele em sincero arrependimento e fé na busca da salvação: “... e quem vier a mim eu jamais rejeitarei” (Jo 6.37).
 
C. A importância do chamado do evangelho

A doutrina do chamado do evangelho é importante porque, se não houvesse o chamado do evangelho, nós não poderíamos ser salvos.”E como crerão naquele de quem não ouviram falar?” (Rm 10.14).


O chamado do evangelho é importante também porque por meio dele Deus se dirige a nós na plenitude de nossa humanidade. Ele não nos salva simplesmente de forma “automática”, sem procurar uma resposta em nós como pessoas completas. Ao contrário, no chamado do evangelho ele se dirige ao nosso intelecto, às nossas emoções e à nossa vontade. Ele fala ao nosso intelecto ao nos explicar os fatos da salvação em sua Palavra. Ele fala às nossas emoções fazendo-nos um convite pessoal sincero que pede uma resposta. Ele fala à nossa vontade por pedir-nos para ouvir o seu convite e responder a ele deliberadamente em arrependimento e fé — para que decidamos abandonar nossos pecados e receber Cristo como Salvador, descansando nosso coração nele para a salvação.

Autor: Wayne Grudem
Fonte: Teologia Sistemática do Autor, Ed. Vida Nova. Compre este livro em http://www.vidanova.com.br


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A graça é resistível... Até não ser mais

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5 – (P) Perseverance of Saints (Perseverança dos Santos) - Todos os eleitos vão perseverar na fé até o fim e chegar ao céu. Nenhum perderá a salvação.

A perseverança dos santos (permanecer cristão)
 

Nota: AT = Antigo Testamento; NT = Novo Testamento


Pode o verdadeiro cristão perder a salvação?
Como podemos saber se verdadeiramente nascemos de novo?
 
1. EXPLICAÇÃO E BASE BÍBLICA

Em nossa discussão anterior tratamos de muitos aspectos da salvação plena que Cristo obteve para nós e que o Espírito agora aplica à nossa vida. Mas como sabemos que continuaremos a ser cristãos por toda a vida? Há algo que nos impede de abandonar Cristo, algo que nos garante que sempre haveremos de permanecer cristãos até que morramos e que de fato viveremos com Deus no céu para sempre? Ou poderá acontecer de chegarmos a nos separar de Cristo e de perdermos as bênçãos de nossa salvação? O tópico da perseverança dos santos responde a essas perguntas.A perseverança dos santos significa que todos os que verdadeiramente nasceram de novo serão guardados pelo poder de Deus e perseverarão como cristãos até o fim da vida, e que somente os que perseverarem até o fim verdadeiramente nasceram de novo.

Essa definição tem duas partes. Ela indica primeiro que há uma certeza concedida aos que verdadeiramente nasceram de novo, pois ela lhes recorda que o poder de Deus os guardará como cristãos até o dia em que vierem a morrer e que eles certamente viverão com Cristo no céu para sempre. Por outro lado, a segunda metade da definição deixa claro que a permanência na vida cristã é uma das evidências de que a pessoa verdadeiramente nasceu de novo. É importante registrar também esse aspecto da doutrina na mente, para que evitemos passar falsa segurança às pessoas que nunca foram realmente crentes.

Devemos observar que esse é um assunto sobre o qual os cristãos evangélicos vêm discordando há longo tempo. Muitos dentro da tradição arminiana/wesleyana sustentam que é possível alguns que verdadeiramente nasceram de novo virem a perder a salvação, ao passo que os cristãos reformados defendem que isso não é possível. A maioria dos batistas segue a tradição reformada nesse ponto; contudo, muitas vezes usam o termo segurança eterna ou segurança eterna do crente em vez do termo perseverança dos santos.
“A doutrina da perseverança dos santos é representada pela letra “p” no acróstico TULIP, que muitas vezes é usado para sintetizar os chamados “cinco pontos do calvinismo”
 
A. Todos os que verdadeiramente nasceram de novo perseverarão até o fim

Muitas passagens ensinam que os que verdadeiramente nasceram de novo, os genuinamente cristãos, continuarão na vida cristã até a morte e, a seguir, ficarão com Cristo no céu. Jesus diz: “Pois desci dos céus, não para fazer a minha vontade, mas para fazer a vontade daquele que me enviou. E esta é a vontade daquele que me enviou: que eu não perca nenhum dos que ele me deu, mas os ressuscite no último dia. Porque a vontade de meu Pai é que todo aquele que olhar para o Filho e nele crer tenha a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6.38-40). Aqui Jesus diz que todo o que crê nele terá vida eterna. Diz que ressuscitará essa pessoa no último dia — o que, nesse contexto de crer no Filho e ter vida eterna, claramente significa que Jesus ressuscitará a pessoa para a vida eterna com ele (não apenas a ressuscitará para ser julgada e condenada). Parece difícil evitar a conclusão de que quem verdadeiramente crê em Cristo permanecerá cristão até o dia da ressurreição final com bênçãos de vida na presença de
Deus. Além disso, esse texto enfatiza que Jesus faz a vontade do Pai, que é não perder nenhum dos que o Pai lhe dera (Jo 6.39). Uma vez mais, os que foram dados ao Filho pelo Pai não se perderão.

Outra passagem que salienta essa verdade é João 10.27-29, na qual Jesus diz: “As minhas ovelhas ouvem a minha voz; eu as conheço, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas me seguem. Eu lhes dou a vida eterna, e elas jamais perecerão; ninguém as poderá arrancar da minha mão. Meu Pai, que as deu para mim, é maior do que todos; ninguém as pode arrancar da mão de meu Pai”.

Aqui Jesus diz que os que o seguem, que são suas ovelhas, recebem vida eterna. Além disso, ele diz que “ninguém as poderá arrancar da minha mão” (v. 28). Ora, alguns têm argumentado que, mesmo que ninguém possa ser arrebatado da mão de Cristo, nós podemos escapar por nós mesmos das mãos de Cristo. Mas essa parece apenas uma disputa de palavras — a expressão “ninguém” não inclui também a pessoa que está nas mãos de Cristo? Além disso, sabemos que nosso coração está longe de ser digno de confiança. Portanto, se a possibilidade de nós próprios abandonarmos Cristo permanecesse, a passagem dificilmente daria a segurança que Jesus pretende transmitir nela.
Mais importante ainda, a frase mais vigorosa na passagem é “e elas jamais perecerão” (v. 28). A construção grega (ou mē mais o aoristo subjuntivo) é especialmente enfática e poderia ser traduzida mais explicitamente por: ”e eles com certeza não perecerão eternamente”. Isso enfatiza que os que são “ovelhas” de Jesus e o seguem, e a quem ele deu vida eterna, nunca perderão a salvação ou serão separados de Cristo — jamais “perecerão”.

Há muitas outras passagens que dizem que os que crêem têm “vida eterna”. Um exemplo é João 3.36: “Quem crê no Filho tem a vida eterna” (v. tb. Jo 5.24; 6.4-7; 10.28; 1Jo 5.13). Ora, se essa é verdadeiramente a vida eterna que os crentes possuem, então é a vida que dura para sempre com Deus. Ela é muitas vezes colocada em contraste com a condenação e com o juízo eterno (Jo 3.16,17,36; 10.28), e a ênfase nesse texto com o adjetivo eterna mostra adicionalmente que essa é a vida que dura para sempre na presença de Deus.

A evidência nos escritos de Paulo e em outras cartas do NT também indica que quem verdadeiramente nasceu de novo perseverará até o fim. Neles se ressalta igualmente que “agora já não há condenação para os que estão em Cristo Jesus” (Rm 8.1). Portanto, seria injusto Deus atribuir qualquer espécie de punição eterna aos que são cristãos — nenhuma condenação permanece para eles, pois a penalidade total de seus pecados já foi paga.
Então, em Romanos 8.30, Paulo enfatiza a conexão clara entre os propósitos eternos de Deus na predestinação e o desenvolvimento desses propósitos na vida, juntamente com a realização final desses propósitos em “glorificar” ou dar corpos ressuscitados a quem ele colocou em união com Cristo: “E aos que predestinou, também chamou; aos que chamou, também justificou; aos que justificou, também glorificou”. Aqui Paulo vê o evento futuro da glorificação como uma certeza nos propósitos que Deus estabeleceu, de forma que ele pode falar sobre ele como se já houvesse se realizado (“também glorificou”). Isso é verdade a respeito de todos os que são chamados e justificados — ou seja, todos os que verdadeiramente se tornaram cristãos.
Evidência adicional de que Deus guarda os que nasceram de novo de modo seguro por toda a eternidade é o “selo” que Deus coloca sobre eles. Esse “selo” é o Espírito Santo dentro deles, que também atua como “garantia” de Deus de que receberemos a herança que nos foi prometida:
“Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o Espírito Santo da promessa, que é a garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus, para o louvor da sua glória” (Ef 1.13,14). A palavra grega traduzida por “garantia” nessa passagem (arrabōn) é um termo legal e comercial que significa “primeiro pagamento, depósito, entrada, prestação inicial” e representa “um pagamento que obriga a parte contratante a fazer os pagamentos restantes”. Quando Deus enviou o Espírito Santo para habitar em nós, ele se comprometeu a dar todas as bênçãos restantes da vida eterna e uma grande recompensa no céu com ele. Essa é a razão por que Paulo pode dizer que o Espírito Santo é a “garantia da nossa herança até a redenção daqueles que pertencem a Deus” (Ef 1.14). Todos os que têm o Espírito Santo dentro de si, todos os que verdadeiramente nasceram de novo, têm a promessa imutável e a garantia de que a herança da vida eterna no céu certamente será deles. A própria fidelidade de Deus o obriga a fazer isso.

Pedro diz a seus leitores que eles estão “protegidos pelo poder de Deus até chegar a salvação prestes a ser revelada no último tempo”(lPe 1.5).A palavra ”protegidos” (gr.,phroureō) pode significar tanto “guardados de escapar” quanto “protegidos de ataque”, e talvez esses dois significados estejam presentes aqui: Deus preserva os crentes de escaparem do seu Reino como os protege dos ataques externos. “Salvação” é usada aqui não em relação à justificação passada ou à santificação presente (falando em categorias teológicas), mas em referência à plena posse futura de todas as bênçãos de nossa redenção — ao cumprimento completo e final da salvação (cf. Rm 13.11; 1 Pe 2.2). Embora a salvação já esteja preparada ou pronta, ela não será “revelada” por Deus à raça humana em geral até o “último tempo”, o tempo do juízo final. Se essa proteção de Deus tem como propósito a preservação dos crentes até que recebam a plena salvação celestial, então é certo concluir que Deus cumprirá esse propósito e que eles, de fato, alcançarão a salvação final. Essa obtenção da salvação final em última instância depende do poder de Deus.

 
B. Somente os que perseverarem até o fim é que verdadeiramente nasceram de novo

Ao mesmo tempo em que a Escritura repetidamente enfatiza que quem verdadeiramente nasceu de novo perseverará até o fim e certamente terá a vida eterna no céu com Deus, há também outras passagens que falam sobre a necessidade de permanecer na fé no decorrer da vida. Elas nos fazem compreender que o que Pedro disse em lPedro 1.5 (“mediante a fé, são protegidos pelo poder de Deus“) é verdadeiro, a saber, que Deus não nos guarda independentemente de nossa fé nele. Desse modo, quem continua a confiar em Cristo recebe a segurança de que Deus opera nele e o guarda.
Um exemplo dessa espécie de passagem é João 8.31,32: “Disse Jesus aos judeus que haviam crido nele: ‘Se vocês permanecerem firmes na minha palavra, verdadeiramente serão meus discípulos. E conhecerão a verdade, e a verdade os libertará”’. Jesus está aqui advertindo que uma evidência da fé genuína é a permanência na sua Palavra, isto é, a contínua confiança no que ele diz e uma vida de obediência aos seus mandamentos. Semelhantemente, Jesus diz: “aquele que perseverar até o fim será salvo” (Mt 10.22), como um meio de advertir as pessoas a não desistir nos tempos de perseguição.

Paulo diz aos cristãos de Colossos que Cristo os havia reconciliado com Deus “para apresentá-los diante dele santos, inculpáveis e livres de qualquer acusação, desde que continuem alicerçados e firmes na fé, sem se afastarem da esperança do evangelho, que vocês ouviram e que tem sido proclamado a todos os que estão debaixo do céu” (Cl 1.22,23). É natural que Paulo e outros escritores do NT falem desse modo, pois embora estejam se dirigindo a grupos de pessoas que professam ser cristãs, não estão aptos a saber o real estado do coração das pessoas. Pode ser que houvesse pessoas em Colossos que se uniram na comunhão da igreja, professaram que tinham fé em Cristo e foram batizados na igreja, mas que nunca tiveram a verdadeira fé salvadora. Como Paulo distinguiria tais pessoas dos verdadeiros crentes? Como ele pode evitar dar-lhes a falsa segurança, a segurança de que eles serão salvos eternamente, quando na verdade eles não o serão, a menos que venham ao arrependimento e à fé? Paulo sabe que aqueles cuja fé não é real finalmente acabarão por abandonar a participação na comunhão da igreja. Portanto, ele diz a seus leitores que, em última análise, eles serão salvos se continuarem “alicerçados e firmes na fé” (Cl 1.23). Quem persevera mostra, desse modo, que é crente genuíno. Mas quem não persevera na fé demonstra que não houve nenhuma fé genuína em seu coração.
Ênfase similar é vista em Hebreus 3.14: “pois passamos a ser participantes de Cristo, desde que, de fato, nos apeguemos até o fim à confiança que tivemos no princípio”. Esse versículo proporciona uma perspectiva excelente da doutrina da perseverança. Como sabemos se passamos a ser participantes de Cristo? Como sabemos se essa união com Cristo realmente aconteceu em algum momento do passado? Um meio de sabermos que possuímos tal fé genuína em Cristo é se perseveramos com fé até o fim da vida.

Devemos nos lembrar de que há outras evidências em outras partes da Escritura que dão aos cristãos a segurança da salvação. Dessa forma, não devemos pensar que a segurança de que pertencemos a Cristo é impossível até que morramos. Contudo, a perseverança na fé é um meio de segurança que é mencionado aqui pelo autor de Hebreus. Além disso, nessa e em todas as outras passagens a respeito da necessidade de continuar na fé, o propósito nunca é deixar os que estão presentemente confiando em Cristo preocupados com o fato de que, em algum tempo, no futuro, possam cair. Nunca devemos usar essas passagens com tal intenção, pois seria criar uma causa injusta para preocupação de uma forma que a Escritura não pretende. Ao contrário, o propósito é sempre advertir os que estão pensando em abandonar a fé ou que já a abandonaram de que, se eles se portam assim, essa é uma forte indicação de que nunca foram salvos. Portanto, a necessidade de perseverar na fé deveria ser usada apenas como advertência contra abandonar a fé, advertência de que quem a abandona dão evidência de que sua fé nunca foi real.
 
C. Os que finalmente se afastam podem dar muitos sinais externos de conversão.

Sempre fica claro quais pessoas na igreja possuem a genuína fé salvadora e quais as possuem somente uma persuasão intelectual da verdade do evangelho, mas sem a genuína fé em seu coração? Nem sempre é fácil dizer isso, e a Escritura menciona em diversos lugares que descrentes em comunhão com a igreja visível podem apresentar alguns sinais externos ou indicações que os fazem parecer crentes genuínos. Por exemplo, Judas, que traiu Cristo, deve ter se comportado quase exatamente como os outros discípulos durante os três anos que esteve com Jesus. Tão convincente era a sua conformidade com a conduta padrão dos outros discípulos que, no fim dos três anos de ministério de Jesus, quando ele disse que um dos seus discípulos o haveria de trair, eles não suspeitaram de Judas, antes “começaram a dizer-lhe, um após outro: ‘Com certeza não sou eu, Senhor!”’ (Mt 26.22; cf. Mc 14.19; Lc 22.23; Jo 13.22). Contudo, Jesus sabia que não havia fé genuína no coração de Judas, porque ele disse a determinada altura: “Não fui eu que os escolhi, os Doze? Todavia, um de vocês é um diabo!” (Jo 6.70). João registrara anteriormente que “Jesus sabia desde o princípio quais deles não criam e quem o iria trair” (Jo 6.64), mas os discípulos não sabiam disso.
Paulo também fala que “falsos irmãos infiltraram-se em nosso meio” (Gl 2.4) e diz que em suas jornadas estivera em “perigos dos falsos irmãos” (2Co 11.26). Também diz dos servos de Satanás: “não é surpresa que os seus servos finjam que são servos da justiça” (2Co 11.15). Isso não significa que todos os descrentes na igreja que dão alguns sinais de verdadeira conversão são servos de Satanás que estão secretamente minando a obra da igreja, porque alguns realmente podem estar no processo de considerar as afirmações do evangelho e se dirigir à fé real, outros podem ter ouvido a explicação do evangelho de modo inadequado, e outros podem não ter vindo ainda à genuína convicção do Espírito Santo. Mas as afirmações de Paulo realmente significam que alguns descrentes na igreja serão falsos irmãos enviados para romper a comunhão, enquanto outros simplesmente serão descrentes que finalmente poderão vir à fé salvífica. Em ambos os casos, contudo, eles apresentam diversos sinais externos que os fazem parecer crentes genuínos.

Podemos ver isso também na afirmação de Jesus a respeito do que vai acontecer no julgamento final: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos céus, mas apenas aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus. Muitos me dirão naquele dia: ‘Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres?’ Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês, que praticam o mal!” (Mt 7.21-23).
Embora essas pessoas tenham profetizado, expelido demônios e feito muitos milagres no nome de Jesus, a capacidade de fazer tais obras não era garantia de que fossem cristãos. Jesus diz: “Nunca os conheci”. Ele não diz: “Eu conheci vocês por um tempo, mas agora não os conheço mais”, ou “Eu conheci vocês por um tempo, mas vocês se extraviaram de mim”. Antes, ele diz: “Eu nunca conheci vocês”. Eles nunca haviam sido crentes genuínos.
Ensino semelhante é encontrado na parábola do semeador em Marcos 4. Jesus diz: “Parte dela caiu em terreno pedregoso, onde não havia muita terra; e logo brotou, porque a terra não era profunda. Mas quando saiu o sol, as plantas se queimaram e secaram, porque não tinham raiz” (Mc 4.5,6). Jesus explica que a semente semeada no solo pedregoso representa as pessoas que “ouvem a palavra e logo a recebem com alegria. Todavia, visto que não têm raiz em si mesmas, permanecem por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandonam” (Mc 4.16,17). O fato de que elas “não têm raiz em si mesmas” indica que não há nenhuma fonte de vida dentro dessas plantas; semelhantemente, as pessoas representadas por elas não possuem vida genuína em seu interior. Elas possuem uma aparência de conversão e aparentemente se tornaram cristãs, porque recebem a palavra “com alegria”, mas, quando a dificuldade vem, elas não são encontradas — a conversão delas não era genuína e não havia sinal nenhum de fé salvadora em seu coração.

A importância de perseverar na fé é afirmada também na parábola de Jesus sobre a vinha, na qual os cristãos são retratados como ramos (Jo 15.1-7). Jesus diz: “Eu sou a videira verdadeira, e meu Pai é o agricultor. Todo ramo que, estando em mim, não dá fruto, ele corta; e todo que dá fruto ele poda, para que dê mais fruto ainda. Se alguém não permanecer em mim, será como o ramo que é jogado fora e seca. Tais ramos são apanhados, lançados ao fogo e queimados” (Jo 15. 1,2,6).
Os arminianos argumentam que os ramos que não dão fruto são ainda verdadeiros ramos da videira — Jesus se refere a “todo ramo que, estando em mim, não dá fruto” (v. 2). Portanto, os ramos que são juntados, lançados no fogo e queimados devem se referir a verdadeiros crentes que em determinado tempo foram parte da videira, mas caíram e se tornaram sujeitos ao juízo eterno. Mas essa não é a implicação necessária do ensino de Jesus nesse ponto.A figura da videira usada nessa parábola é limitada na quantidade de detalhes que ensina. De fato, se Jesus tivesse querido ensinar que havia verdadeiros e falsos crentes associados com ele, então o único modo pelo qual ele poderia referir-se às pessoas que não possuíam vida genuína em si mesmas seria falar dos ramos que não davam fruto (logo após a analogia das sementes que caíram em solo pedregoso e não tinham “raiz em si mesmas”, em Mc 4.17). Aqui em João l5 os ramos que não dão fruto, embora estejam de algum modo relacionados com Jesus e tenham a aparência exterior de serem ramos genuínos, indicam seu verdadeiro estado pelo fato de que não produzem fruto. Isso é demonstrado de forma semelhante pelo fato de que, se uma pessoa “não permanecer” em Cristo (Jo 15.6), é cortada como um ramo e se seca. Se tentarmos pressionar a analogia para além disso, dizendo, por exemplo, que todos os ramos da videira são realmente vivos ou não estariam lá, então estamos simplesmente tentando forçar a figura a ir além do que ela é capaz de ensinar — e nesse caso não haveria nada na analogia que pudesse representar os falsos crentes. O ponto afirmado pela figura é simplesmente que os que produzem fruto desse modo dão evidência de que permanecem em Cristo; os que não produzem fruto, não estão permanecem nele.
Finalmente, há duas passagens em Hebreus que também afirmam que os que acabam caindo podem dar muitos sinais externos de conversão e podem parecer de muitas maneiras iguais aos cristãos. O primeiro deles, Hebreus 6.4-6, é muito usado pelos arminianos como prova de que crentes podem perder a salvação. Mas a análise mais criteriosa mostra que tal interpretação não é convincente. O autor escreve: “Ora, para aqueles que uma vez foram iluminados, provaram o dom celestial, tornaram-se participantes do Espírito Santo, experimentaram a bondade da palavra de Deus e os poderes da era que há de vir, e caíram, é impossível que sejam reconduzidos ao arrependimento; pois para si mesmos estão crucificando de novo o Filho de Deus, sujeitando-o à desonra pública” (Hb 6.4-6).
Neste momento podemos perguntar que espécie de pessoa é descrita por todos esses termos. Esse texto descreve alguém que genuinamente nasceu de novo? Tratavam-se sem dúvida de pessoas que estavam associadas intimamente com a comunhão da igreja. Haviam tido alguma espécie de tristeza pelo pecado (arrependimento). Haviam entendido claramente o evangelho (haviam sido iluminadas). Chegaram a apreciar o encanto da vida cristã e a mudança que acontece na vida das pessoas pelo fato de se tornarem cristãs, provavelmente obtiveram respostas de oração e sentiram o poder do Espírito Santo em operação, talvez até usando alguns dons espirituais do mesmo modo que os descrentes em Mateus 7.22 (haviam se associado à obra do Espírito Santo ou tinham se tornado “participantes” do Espírito, e tinham provado o dom celestial e os poderes vindouros). Elas haviam sido expostas à verdadeira pregação da Palavra e tinham aprovado muito dos seus ensinos (elas provaram a boa Palavra de Deus).
Mas, a despeito de tudo isso, se elas “caíram” em apostasia, “crucificando de novo o Filho de Deus” para si mesmas (Hb 6.6), então elas estão deliberadamente rejeitando todas essas bênçãos e se voltando decididamente contra elas. O autor nos diz que, se isso ocorre, será impossível restaurar essas pessoas novamente a qualquer espécie de arrependimento ou tristeza pelo pecado. O seu coração será endurecido e sua consciência, amortecida. A familiaridade repetida que elas tiveram com as coisas de Deus e sua experiência da influência do Espírito Santo em diversas ocasiões simplesmente serviram para endurecê-las para a verdadeira conversão.
É claro que houve alguns na comunidade aos quais essa carta foi escrita que estavam em perigo de cair da mesma maneira (v. Hb 2.3; 3.8,12,14,15; 4.1,7,11; 10.26,29,35,36,38,39; 12.3,15-17). O autor quer adverti-los de que, embora tenham participado da comunhão da igreja e experimentado muitas das bênçãos de Deus em sua vida, se caírem após tudo isso, não há salvação para eles. Ele quer usar a linguagem mais forte possível para dizer: “Neste caso, não importa o quanto uma pessoa experimente bênçãos temporárias, ela ainda não foi realmente salva”. Ele os está advertindo a serem cuidadosos, porque depender das bênçãos e experiências temporárias não é suficiente. Isso não quer dizer que ele pensa que os verdadeiros cristãos poderiam cair — [Para a discussão muito mais abrangente dessa passagem, v. Perseverance of the saints: a case study from Hebrews 6.4-6 and the other warning passages in Hebrews, de Wayne Grudem. In: Thomas Schreiner & Bruce Ware, orgs. The grace of God e the bondage ofthe will (Grand Rapids: Baker, 1995), 1:133-82.]

Hebreus 3.14 sugere exatamente o oposto. Antes ele quer dar-lhes a certeza da salvação por meio da perseverança na fé e dessa forma subentende que, se eles caírem, isso demonstrará que eles nunca foram realmente povo de Deus.

Por essa razão, imediatamente ele passa dessa descrição dos que cometem apostasia para uma analogia posterior que mostra que essas pessoas que caem nunca tiveram qualquer fruto genuíno em suas vidas. Os versículos 7 e 8 falam dessas mesmas pessoas em termos de “espinhos” e “ervas daninhas”, uma espécie de colheita que é produzida na terra que não tem vida que valha a pena em si mesma, muito embora receba repetidamente bênçãos de Deus (em termos da analogia, embora chova freqüentemente sobre ela). Devemos observar aqui que as pessoas que cometem apostasia não são comparadas a um campo que uma vez produziu bom fruto e que agora não produz, mas que são iguais à terra que nunca produziu bom fruto, mas somente espinhos e ervas daninhas. A terra pode parecer boa antes da colheita começar a aparecer, mas o fruto dá a evidência genuína, e ele é mau.
Forte apoio para essa interpretação de Hebreus 6.4-8 é encontrado no versículo imediatamente seguinte. Embora o autor tenha falado muito a respeito da possibilidade de cair, ele a seguir volta a falar sobre a situação da grande maioria de ouvintes que ele pensa que são cristãos genuínos. Ele diz: “Quanto a vós outros, todavia, ó amados, estamos persuadidos das coisas que são melhores e pertencentes à salvação, ainda que falamos desta maneira” (Hb 6.9, RA). Mas a questão é: Essas “coisas que são melhores” são melhores do que quais outras? As “coisas melhores” no plural formam um contraste apropriado às “coisas boas” que haviam sido mencionadas nos versículos 4-6; o autor está convencido de que a maioria de seus leitores experimentou as coisas que são melhores do que simplesmente as influências parciais e temporárias do Espírito Santo e da igreja mencionadas nos versículos 4-6.
De fato, o autor fala a respeito dessas coisas por dizer (literalmente) que elas são “coisas que são melhores e pertencentes à salvação” (gr., kai echomena sōtērias): Essas não são somente as bênçãos temporárias mencionadas nos versículos 4-6, mas são coisas melhores, que não têm apenas influência temporária, mas são “pertencentes à salvação”. Desse modo, a palavra grega kai, “e”, mostra que a salvação é algo que não fazia parte dos itens mencionados nos versículos 4-6. Portanto, a palavra kai — que é traduzida explicitamente na RA, na ECA e na ARC
— proporciona uma chave crucial para o entendimento da passagem. Se o autor quisesse dizer que as pessoas mencionadas nos versículos 4-6 eram verdadeiramente salvas, seria muito difícil entender por que ele diria no versículo 9 que está convencido de que há coisas melhores para eles e pertencentes à salvação. Essas coisas incluem a ”salvação” como um item adicional às coisas mencionadas anteriormente. Ele mostra, portanto, que pode dizer em uma frase breve que as pessoas “têm salvação”, caso queira (ele não precisa utilizar muitas frases), e, além disso, que as pessoas de quem ele fala nos versículos 4-6 não são salvas.
Quais são exatamente essas “coisas melhores?”. Em acréscimo à salvação mencionada no versículo 9, tratam-se de coisas que dão evidência real da salvação — um fruto genuíno na vida deles (v. 10), plena certeza de esperança (v. 11) e fé salvadora,do tipo mostrado por quem herda as promessas (v. 12). Desse modo, ele fortalece a certeza dos que são crentes genuínos — os que demonstram fruto em sua vida e amor por outros cristãos, que revelam esperança e fé genuína que persevera no tempo presente, que não abandonam o caminho. Ele quer dar segurança a esses leitores (que certamente são a grande maioria daqueles a quem escreve) ao mesmo tempo que lança uma forte advertência contra os que podem estar em perigo de apostasia.

Um ensino semelhante é encontrado em Hebreus 10.26-31. Ali o autor diz: “Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados” (v. 26). Alguém que rejeita a salvação de Cristo e ”profanou o sangue da aliança pelo qual ele foi santificado” (v. 29) merece a punição eterna. Essa é novamente uma forte advertência contra a apostasia, mas não deveria ser tomada como prova de que alguém que verdadeiramente nasceu de novo possa perder a salvação. Quando o autor fala a respeito do sangue do pacto “pelo qual ele foi santificado”, a palavra santificado é usada simplesmente para referir-se à “santificação externa, igual à dos antigos israelitas, pela ligação exterior com o povo de Deus”. A passagem não fala a respeito de alguém que é genuinamente salvo, mas de alguém que recebeu certa influência moral benéfica por meio do contato com a igreja.
 
D. O que pode dar ao crente segurança genuína?

Se é verdade, como foi explicado na seção anterior, que os descrentes que finalmente deixarão a fé podem apresentar muitos sinais externos de conversão, então o que poderá servir de evidência da conversão genuína? O que pode dar segurança real ao verdadeiro crente? Podemos citar três categorias de perguntas que uma pessoa pode fazer a respeito de si mesma.
 
1. Posso ter no presente confiança em Cristo para ser salvo?

Paulo diz aos colossenses que eles seriam salvos no último dia, se continuassem “alicerçados e firmes na fé, sem se afastarem da esperança do evangelho, que [...] ouviram e que tem sido proclamado a todos os que estão debaixo do céu” (Cl 1.23). Além de dizer que “passamos a ser participantes de Cristo, desde que, de fato, nos apeguemos até o fim à confiança que tivemos no princípio” (Hb 3.14), o autor de Hebreus encoraja seus leitores a serem imitadores dos que “por meio da fé e da paciência, recebem a herança prometida” (Hb 6.12). De fato, o versículo mais famoso da Bíblia inteira usa o verbo no tempo presente, que pode ser traduzido por “para que todo aquele que continua crendo nele possa ter vida eterna” (Jo 3.16).

Portanto, cada um deveria perguntar a si mesmo: “Tenho hoje confiança em Cristo de que ele perdoou os meus pecados e que vai me levar inculpável para o céu para sempre? Tenho confiança em meu coração de que ele me salvou? Se eu morresse hoje à noite e comparecesse diante de Deus e ele me perguntasse a razão pela qual deveria me deixar entrar no céu, será que eu começaria a pensar a respeito de minhas boas ações e depender delas, ou sem hesitação diria que sou dependente dos méritos de Cristo e confio que ele é o Salvador suficiente?”.

Essa ênfase sobre a fé em Cristo no presente permanece em contraste com a prática de alguns “testemunhos” de igreja nos quais as pessoas repetidamente recitam detalhes de uma experiência de conversão acontecida mais de vinte ou trinta anos atrás. Se um testemunho de fé salvadora é genuíno, ele deve ser um testemunho de fé que é ativo no dia de hoje.
 
2. Há evidência da obra regeneradora do Espírito Santo em meu coração?

A evidência da obra do Espírito Santo em nosso coração vem de muitas formas diferentes. Embora não devamos colocar nossa confiança na demonstração de obras miraculosas (Mt 7.22) ou de longas horas e anos de trabalho em alguma igreja local (que pode simplesmente ser uma construção como madeira, feno ou palha “nos termos de lCo 3.12 para promover o poder ou o próprio ego ou tentar ganhar mérito com Deus), há muitas outras evidências de obra real do Espírito Santo no coração de uma pessoa.

Primeiro, há o testemunho subjetivo do Espírito Santo no nosso coração testificando que somos filhos de Deus (Rm 8.15,16; lJo 4.13). Esse testemunho regularmente será acompanhado pela percepção de ser conduzido pelo Espírito Santo nos caminhos da obediência à vontade de Deus (Rm 8.14).
Além disso, se o Espírito Santo está trabalhando genuinamente em nossa vida, ele haverá de produzir uma espécie de características de caráter que Paulo chama ”fruto do Espírito” (Gl 5.22). Ele menciona diversas atitudes ou características do caráter que são produzidas pelo Espírito Santo: “amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio” (Gl 5.22,23). Obviamente, a questão não é: “Exemplifico perfeitamente todas essas características em minha vida?”, e sim: “Essas coisas são características gerais de minha vida? Sinto essas atitudes em meu coração? Outras pessoas (especialmente as que estão mais próximas de mim) vêem essas características em minha vida? Elas têm se desenvolvido em minha vida nos últimos anos?”. Não há qualquer indício no NT de que qualquer pessoa não-regenerada ou não-cristã possa convincentemente fingir essas características de caráter, especialmente para os que a conhecem bem de perto.
Relacionada a essa espécie de fruto, há ainda outra: os resultados da vida e do ministério de uma pessoa segundo sua influência sobre outros e sobre a igreja. Há pessoas que professam ser cristãs, mas cuja influência sobre outros é para desencorajá-los, deprimi-los, trazer dano à sua fé e provocar controvérsias e divisões. O resultado da vida e do ministério dessas pessoas não é edificar os outros e a igreja, mas derrubar ou destruir. Em contraposição, há os que parecem edificar outras pessoas em cada conversa, em cada oração e em cada obra de ministério na qual colocam as mãos. Jesus disse, em relação aos falsos profetas: “Vocês os reconhecerão por seus frutos. [...] Semelhantemente, toda árvore boa dá frutos bons, mas a árvore ruim dá frutos ruins. [...] Assim, pelos seus frutos vocês os reconhecerão!” (Mt 7.16,17,20).

Outra evidência da obra do Espírito Santo é a perseverança na fé e a aceitação do ensino sadio na igreja. Os que começam a negar as principais doutrinas da fé dão sérias indicações negativas a respeito de sua salvação: “Todo o que nega o Filho também não tem o Pai [...] Quanto a vocês, cuidem para que aquilo que ouviram desde o princípio permaneça em vocês. Se o que ouviram desde o princípio permanecer em vocês, vocês também permanecerão no Filho e no Pai” (1 Jo 2.23,24). João também diz: “Nós viemos de Deus, e todo aquele que conhece a Deus nos ouve” (lJo 4.6). Já que os escritos do NT são a autoridade que substitui a presença de apóstolos como João, podemos também dizer que quem quer que conheça a Deus continuará a ler e a se deleitar na Palavra de Deus, e continuará a crer nela plenamente. Os que não crêem e não têm prazer na Palavra de Deus dão evidência de que não são “de Deus”.

Outra evidência da salvação genuína é um relacionamento contínuo no presente com Jesus Cristo. Jesus diz: “Permaneçam em mim, e eu permanecerei em vocês”, e”Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e lhes será concedido” (Jo 15.4,7). Essa permanência em Cristo incluirá não somente a confiança diária nele em várias situações, mas com certeza também a comunhão regular com ele na oração e na adoração. Essa permanência também incluirá obediência aos mandamentos de Deus. João diz:
“Aquele que diz: ‘Eu o conheço’, mas não obedece aos seus mandamentos, é mentiroso, e a verdade não está nele. Mas, se alguém obedece à sua palavra, nele verdadeiramente o amor de Deus está aperfeiçoado. Desta forma sabemos que estamos nele: aquele que afirma que permanece nele, deve andar como ele andou” (lJo 2.4-6). Uma vida perfeita não é necessária, naturalmente. João antes está dizendo que em geral nossa vida deve ser de imitação de Cristo e de semelhança a ele naquilo que fazemos e dizemos. Se temos a genuína fé salvadora, haverá resultados claros de obediência em nossa vida (v.tb. lJo 3.9,10,24; 5.18).
 
3. Consigo ver o padrão de crescimento constante em minha vida cristã?

As primeiras duas áreas de certeza lidam com a fé atual e a evidência atual da obra do Espírito Santo em nossa vida. Mas Pedro nos dá mais uma espécie de teste que podemos usar para perguntar se somos genuinamente crentes. Ele nos diz que há algumas características de caráter que, se continuamos a crescer nelas, garantirão que nós “jamais” tropeçaremos (2Pe 1.10). Ele diz aos seus leitores para se empenharem “para acrescentar à sua fé a virtude [...] o conhecimento [...] o domínio próprio [...] a perseverança [...] a piedade [...] a fraternidade [...] o amor” (2Pe 1.5-7). A seguir ele diz que essas coisas devem pertencer aos seus leitores e estar continuamente crescendo na vidas deles (2Pe 1.8). Acrescenta que eles devem se empenhar “em consolidar o chamado e a eleição”, e então continua: “pois se agirem dessa forma [referindo-se à prática das características mencionadas nos versículos 5-7], jamais tropeçarão” (2Pe 1.10).
O modo pelo qual confirmamos nossa vocação e eleição, então, é continuar a crescer nesse processo. Isso sugere que a certeza de salvação pode ser algo que aumenta com o tempo em nossa vida. Cada ano que acrescentamos essas características em nossa vida, ganhamos segurança cada vez maior de nossa salvação. Assim, embora crentes novos na fé possam ter uma confiança muito firme em sua salvação, essa segurança pode aumentar em certeza ainda mais profunda com o passar dos anos, à medida que eles caminham para a maturidade cristã. Se continuam a acrescentar essas coisas, confirmarão a sua vocação e eleição, e “jamais tropeçarão”.

O resultado dessas três perguntas que podemos fazer a nós próprios deveria dar uma forte certeza para os que são genuinamente crentes. Desse modo, a doutrina da perseverança dos santos será uma doutrina tremendamente confortadora. Ninguém que tenha tal certeza deveria perguntar: “Serei capaz de perseverar até o fim da minha vida e, portanto, ser salvo?”. Cada pessoa que ganha segurança por meio desse auto-exame deveria antes pensar: “Eu verdadeiramente nasci de novo,portanto certamente perseverarei até o fim, porque estou sendo guardado ‘pelo poder de Deus’ operando por meio de minha fé (cf. IPe 1.5) e, portanto, eu nunca me perderei. Jesus vai me ressuscitar no último dia e eu vou entrar no seu Reino para sempre” (cfJo 6.40).
Por outro lado, a doutrina da perseverança dos santos, se corretamente entendida, deve causar preocupação genuína, e até mesmo temor, no coração de qualquer um que esteja “apostatando” ou se desviando de Cristo. Tais pessoas devem ser claramente advertidas de que somente quem persevera até o fim é que verdadeiramente nasceu de novo. Se elas se afastam de sua profissão de fé em Cristo e de uma vida de obediência a ele, elas podem realmente não ser salvas — de fato, a evidência que elas estão dando é de que não são salvas e nunca realmente foram salvas. Uma vez que parem de confiar em Cristo e de obedecer-lhe, elas não têm nenhuma certeza genuína de salvação, e devem considerar-se não-salvas, voltando-se para Cristo em arrependimento e pedindo-lhe perdão pelos pecados.

Neste momento, em termos de cuidado pastoral com os que se afastaram de sua profissão de fé em Cristo, devemos perceber que calvinistas e arminianos (os que crêem na perseverança dos santos e os que pensam que os cristãos podem perder a salvação) iriam aconselhar um “apóstata” do mesmo modo. Conforme o arminiano, esse indivíduo foi cristão durante certo tempo, mas agora não é mais. Conforme o calvinista, tal pessoa nunca foi realmente cristã e ainda não é. Mas em ambos os casos o conselho bíblico dado seria o mesmo: “Você não parece ser cristão agora —você deve se arrepender de seus pecados e confiar em Cristo para ser salvo”. Embora o calvinista e o arminiano discordem sobre a interpretação da história anterior dessa pessoa, hão de concordar sobre o que deve ser feito no presente.
Porém vemos aqui por que o termo segurança eterna, quando usado impropriamente, pode ser muito enganoso. Em algumas igrejas evangélicas, em vez de ensinarem a apresentação equilibrada e total da doutrina da perseverança dos santos, alguns pastores freqüentemente ensinam uma versão diluída dela, que de fato diz às pessoas que todos os que fizeram uma profissão de fé e foram batizados estão “eternamente seguros”. O resultado é que algumas que realmente não são genuinamente convertidas podem “ir à frente” no final de uma reunião evangelística para professar a fé em Cristo e serem batizadas pouco tempo depois, mas acabam deixando a comunhão da igreja e vivendo de modo que não é diferente da que tiveram antes de ganhar essa “segurança eterna”. Desse modo, uma falsa segurança é dada a essas pessoas, e elas estão sendo cruelmente enganadas por pensarem que estão indo para o céu quando, de fato, não estão.
 
Autor: Wayne Grudem
Fonte: Teologia Sistemática do Autor; Ed. Vida Nova. Compre este livro em http://www.vidanova.com.br


A Perseverança dos Santos

Romanos 8:30: “E aos que predestinou, a esses também chamou; e aos que chamou, a esses também justificou; e aos que justificou, a esses também glorificou”.


Ao declarar-se a eterna segurança do povo de Deus, talvez seja mais claro falar de sua preservação que – como se costuma fazer – de sua perseverança. Perseverança significa contínuo apego a uma crença apesar do desencorajamento da oposição. A razão por que os crentes perseveram na fé e na obediência, contundo, não está na força de sua própria dedicação, mas em que Jesus Cristo, através do Espírito Santo, os preserva.

João nos diz que Jesus Cristo se comprometeu com o Pai (Jo 6.37-40) e diretamente com seu povo (Jo 10.28-29), no sentido de guardá-lo, de modo que esse povo nunca perecerá. Na sua oração por seus discípulos, depois de terminar a Última Ceia, Jesus pediu que aqueles que o Pai lhe tinha dado (Jo 17.2, 6, 9, 24) fossem preservados para a glória. Cristo continua a interceder por seu povo (Rm 8.34; Hb 7.25), e é inconcebível que sua oração em favor deles fique sem resposta.

Paulo celebra a presente e futura segurança dos santos no amor onipotente de Deus (Rm 8.31-39). Ele se regozija na certeza de que Deus completará a boa obra que começou na vida dos crentes (Fp 1.6; conforme 1Co 1.8-9; 1Ts 5.23-24, 2Ts 3.3; 2Tm 1.12; 4.18).

A Confissão de Westminster diz:

“Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, eficazmente chamados e santificados pelo seu Espírito, não podem cair do estado de graça, nem total nem finalmente; mas, com toda certeza, hão de perseverar nesse estado até o fim e estarão eternamente salvos” (XVII.1).

Os regenerados são salvos perseverando na fé e na vida cristã até o fim (Hb 3.6; 6.11; 10.35-39), como Deus os preserva. Esta doutrina não significa que todos aqueles que já professaram ser cristãos serão salvos. Os que tentam viver a vida cristã baseados em sua própria capacidade decairão (Mt 13.20-22). A falsa profissão de fé por parte de muitos que dizem a Deus “Senhor, Senhor” não será reconhecida (Mt 7.21-23). Os que buscam a santidade do coração e o amor ao próximo e, assim, mostram terem sido regenerados por Deus, adquirem o direito de se considerarem crentes seguros em Cristo. A crença na perseverança propriamente entendida não nos leva a uma vida descuidada e à presunção arrogante.

Os regenerados podem mostrar-se relapsos e cair em pecado. Quando isso ocorre, eles se opõe à sua nova natureza e o Espírito Santo os convence do seu pecado (conforme Jo 16.8) e os compele a arrepender-se e a serem restaurados à sua condição de justificados. Quando os crentes regenerados mostram o desejo humilde e grato de agradar a Deus, que os salvou, o reconhecimento de que Deus se comprometeu a guardá-los salvos para sempre aumenta esse desejo.

 Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 1331. Compre esta Bíblia em http://www.cep.org.br


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Outros estudos

1. Calvinismo versus Arminianismo ...

OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO
(Tradução livre e adaptada do livro The Five Points of Calvinism - Defined, Defended, Documented, de David N. Steele e Curtis C. Thomas, Partes I e II, [Presbyterian & Reformed Publishing Co, Phillipsburg, NJ, USA.], feita por João Alves dos Santos)

I.   A ORIGEM DOS “CINCO PONTOS”                                              

A.  O PROTESTO DO PARTIDO ARMINIANO, NA HOLANDA

Os Cinco Pontos do Calvinismo tiveram sua origem a partir de um protesto que os seguidores de James Arminius (um professor de seminário holandês) apresentaram ao “Estado da Holanda” em 1610, um ano após a morte de seu líder. O protesto consistia de  “cinco artigos de fé”, baseados nos ensinos de Armínio, e ficou conhecido na história como a “Remonstrance”, ou seja, “O Protesto”. O partido arminiano insistia que os símbolos oficiais de doutrina das Igrejas da Holanda (Confissão Belga e Catecismo de Heidelberg) fossem mudados para se conformar com os pontos de vista doutrinários contidos no Protesto. As doutrinas às quais os arminianos fizeram objeção eram as relacionadas com a soberania divina, a inabilidade humana, a eleição incondicional ou predestinação, a redenção particular (ou expiação limitada), a graça irresistível (chamada eficaz) e a perseverança dos santos. Essas são doutrinas ensinadas nesses símbolos da Igreja Holandesa, e os arminianos queriam que elas fossem revistas.

B.  OS “CINCO PONTOS DO ARMINIANISMO”

Os cinco artigos de fé contidos na “Remonstrance” podem ser resumidos no seguinte:

1.  Deus elege ou reprova na base da fé prevista ou da incredulidade.

2.  Cristo morreu por todos os homens, em geral, e em favor de cada um, em particular, embora somente os que crêem sejam salvos.

3.  Devido à depravação do homem, a graça divina é necessária para a fé ou qualquer boa obra.

4.  Essa graça pode ser resistida.

5.  Se todos os que são verdadeiramente regenerados vão seguramente perseverar na fé é um ponto que necessita de maior investigação.

Esse último ponto foi depois alterado para ensinar definitivamente a possibilidade de os realmente regenerados perderem sua fé, e, por conseguinte, a sua salvação. Todavia, nem todos os arminianos estão de acordo, nesse ponto. Há muitos que acreditam que os verdadeiramente regenerados não podem perder a salvação e estão eternamente salvos.

C.  A BASE FILOSÓFICA DO ARMINIANISMO

Conforme expõe J.I.Packer (O “Antigo” Evangelho, pp. 5, 6) a teologia contida nessa “Remonstrance” (ou Representação) “originou-se de dois princípios filosóficos: primeiro, que a soberania de Deus é incompatível com a liberdade humana, e, portanto, também com a responsabilidade humana; em segundo lugar, que habilidade é algo que limita a obrigação... Com bases nesses princípios, os arminianos extraíram duas deduções: primeira, visto que a Bíblia considera a fé como um ato humano livre e responsável, ela não pode ser causada por Deus, mas é exercida independentemente dEle; segunda, visto que a Bíblia considera a fé como obrigatória da parte de todos quantos ouvem o Evangelho, a capacidade de crer deve ser universal. Portanto, eles afirmam, as Escrituras devem ser interpretadas como ensinando as seguintes posições:

1. O homem nunca é de tal modo corrompido pelo pecado que não possa crer salvaticiamente (salvificamente) no Evangelho, uma vez que este lhe seja apresentado;

2.  O homem nunca é de tal modo controlado por Deus que não possa rejeitá-lo;

3.  A eleição divina daqueles que serão salvos alicerça-se sobre o fato da previsão divina de que eles haverão de crer, por sua própria deliberação;

4.  A morte de Cristo não garantiu a salvação para ninguém, pois não garantiu o dom da fé para ninguém (e nem mesmo existe tal dom); o que ela fez foi criar a possibilidade de salvação para todo aquele que crê;

5.  Depende inteiramente dos crentes manterem-se em um estado de graça, conservando a sua fé; aqueles que falham nesse ponto, desviam-se e se perdem.

Dessa maneira, o arminianismo faz a salvação do indivíduo depender, em última análise, do próprio homem, pois a fé salvadora é encarada, do princípio ao fim, como obra do homem, pertencente ao homem e nunca a Deus”.

D.  A REJEIÇÃO DO ARMINIANISMO PELO SÍNODO DE DORT E A FORMULACÃO DOS CINCO PONTOS DO CALVINISMO

Em 1618 foi convocado um Sínodo nacional para reunir-se em Dort, a fim de examinar os pontos de vista de Armínio à luz das Escrituras. Essa convocação foi feita pelos Estados Gerais da Holanda para o dia 13 de novembro de 1618. Constou de 84 membros e 18 representantes seculares. Entre esses estavam 27 delegados da Alemanha, Suíça, Inglaterra e de outros países da Europa. Durante os sete meses de duração do Sínodo houve 154 sessões para tratar desses artigos.

Após um exame minucioso e detalhado de cada ponto, feito pelos maiores teólogos da época, representando a maioria das Igrejas Reformadas da Europa, o Sínodo concluiu que, à luz do ensino claro das Escrituras, esses artigos tinham que ser rejeitados como não bíblicos. Isso foi feito por unanimidade. Não somente isso, mas o Concílio impôs censura eclesiástica aos “remonstrantes”, - depondo-os de seus cargos, e a autoridade civil (governo) os baniu do país por cerca de seis anos. Além de rejeitar os cinco artigos de fé dos arminianos, o Sínodo formulou o ensino bíblico a respeito desse assunto na forma de cinco capítulos que têm sido, desde então, conhecidos como “os cinco pontos do Calvinismo”, pelo fato de Calvino ter sido grande defensor e expositor desse assunto.

Embora cause estranheza a muitos essa posição, devido à mudança teológica que as igrejas têm sofrido desde vários séculos, os reformadores eram unânimes em condenar o arminianismo como uma heresia ou quase isso. A salvação era vista como uma obra da graça de Deus, do começo ao fim, sem qualquer contribuição do homem. Essa posição pode ser resumida na seguinte proposição: Deus salva pecadores.

II.  OS CINCO PONTOS DO ARMINIANISMO CONTRASTADOS COM OS CINCO PONTOS DO  CALVINISMO

A.  O LIVRE ARBÍTRIO OU HABILIDADE HUMANA CONTRASTADO COM A INABILIDADE TOTAL OU DEPRAVAÇÃO TOTAL

Arminianismo: Embora a natureza humana tenha sido seriamente afetada pela queda, o homem não ficou reduzido a um estado de incapacidade total. Deus, graciosamente, capacita todo e qualquer pecador a arrepender-se e crer, mas o faz sem interferir na liberdade do homem. Todo pecador possui uma vontade livre (livre arbítrio), e seu destino eterno depende do modo como ele usa esse livre arbítrio. A liberdade do homem consiste em sua habilidade de escolher entre o bem e o mal, em assuntos espirituais. Sua vontade não está escravizada pela sua natureza pecaminosa.. O pecador tem o poder de cooperar com o Espírito de Deus e ser regenerado ou resistir à graça de Deus e perecer. O pecador perdido precisa da assistência do Espírito, mas não precisa ser regenerado pelo Espírito antes de poder crer, pois a fé é um ato deliberado do homem e precede o novo nascimento. A fé é o dom do pecador a Deus, é a contribuição do homem para a salvação.

Calvinismo: Devido à queda, o homem é incapaz de, por si mesmo, crer de modo salvador no Evangelho. O pecador está morto, cego e surdo para as coisas de Deus. Seu coração é enganoso e desesperadamente corrupto. Sua vontade não é livre, pois está escravizada à sua natureza má; por isso ele não irá - e não poderá jamais - escolher o bem e não o mal em assuntos espirituais. Por conseguinte, é preciso mais do que simples assistência do Espírito para se trazer um pecador a Cristo. É preciso a regeneração, pela qual o Espírito vivifica o pecador e lhe dá uma nova natureza. A fé não é algo que o homem dá (contribui) para a salvação, mas é ela própria parte do dom divino da salvação. É o dom de Deus para o pecador e não o dom do pecador para Deus.

B.  A ELEIÇÃO CONDICIONAL CONTRASTADA COM A ELEIÇÃO INCONDICIONAL

Arminianismo: A escolha divina de certos indivíduos para a salvação, antes da fundação do mundo, foi baseada na Sua previsão (presciência) de que eles responderiam à Sua chamada (fé prevista). Deus selecionou apenas aqueles que Ele sabia que iriam, livremente e por si mesmos, crer no Evangelho. A eleição, portanto, foi determinada ou condicionada pelo que o homem iria fazer. A fé que Deus previu e sobre a qual Ele baseou a Sua escolha não foi dada ao pecador por Deus (não foi criada pelo poder regenerador do Espírito Santo), mas resultou tão somente da vontade do homem. Foi deixado inteiramente ao arbítrio do homem o decidir quem creria e, por conseguinte, quem seria eleito para a salvação. Deus escolheu aqueles que Ele sabia que iriam, de sua livre vontade, escolher a Cristo. Assim, a causa última da salvação não é a escolha que Deus faz do pecador, mas a escolha que o pecador faz de Cristo.

Calvinismo: A escolha divina de certos indivíduos para a salvação, antes da fundação do mundo, repousou tão somente na Sua soberana vontade. A escolha de determinados pecadores feita por Deus não foi baseada em qualquer resposta ou obediência prevista da parte destes, tal como fé ou arrependimento. Pelo contrário, é Deus quem dá a fé e o arrependimento a cada pessoa a quem Ele escolheu. Esses atos são o resultado e não a causa da escolha divina. A eleição, portanto, não foi determinada nem condicionada por qualquer qualidade ou ato previsto no homem. Aqueles a quem Deus soberanamente elegeu, Ele os traz, através do poder do Espírito, a uma voluntária aceitação de Cristo. Desta forma, a causa última da salvação não é a escolha que o pecador faz de Cristo, mas a escolha que Deus faz do pecador.

C.  A REDENÇÃO UNIVERSAL OU EXPIAÇÃO GERAL CONTRASTADA COM A REDENÇÃO PARTICULAR OU EXPIAÇÃO LIMITADA

Arminianismo: A obra redentora de Cristo tornou possível a salvação de todos, mas na verdade não assegurou a salvação de ninguém. Embora Cristo tenha morrido por todos os homens, em geral, e em favor de cada um, em particular, somente aqueles que crêem nEle são salvos. A morte de Cristo capacitou a Deus a perdoar pecadores na condição de que creiam, mas na verdade não removeu (expiou) o pecado de ninguém. A redenção de Cristo só se torna efetiva se o homem escolhe aceitá-la.

Calvinismo: A obra redentora de Cristo foi intencionada para salvar somente os eleitos e, de fato, assegurou a salvação destes. Sua morte foi um sofrimento substitucionário da penalidade do pecado no lugar de certos pecadores específicos. Além de remover o pecado do Seu povo, a redenção de Cristo assegurou tudo que é necessário para a sua salvação, incluindo a fé que os une a Ele. O dom da fé é infalivelmente aplicado pelo Espírito a todos por quem Cristo morreu, deste modo, garantindo a sua salvação.

D.  A POSSIBILIDADE DE SE RESISTIR À OBRA DO ESPIRITO SANTO CONTRASTADA COM A CHAMADA EFICAZ DO ESPÍRITO OU GRAÇA IRRESISTÍVEL

Arminianismo: O Espírito chama internamente todos aqueles que são externamente chamados pelo convite do Evangelho. Ele faz tudo que pode para trazer cada pecador à salvação. Sendo o homem livre, pode resistir de modo efetivo a essa chamada do Espírito. O Espírito não pode regenerar o pecador antes que ele creia. A fé (que é a contribuição do homem para a salvação) precede e torna possível o novo nascimento. Desta forma, o livre arbítrio limita o Espírito na aplicação da obra salvadora de Cristo. O Espírito Santo só pode atrair a Cristo aqueles que O permitem atuar neles. Até que o pecador responda, o Espírito não pode dar a vida. A graça de Deus, portanto, não é invencível; ela pode ser, e de fato é, freqüentemente, resistida e impedida pelo homem.

Calvinismo: Além da chamada externa à salvação, que é feita de modo geral a todos que ouvem o evangelho, o Espírito Santo estende aos eleitos uma chamada especial interna, a qual inevitavelmente os traz à salvação. A chamada externa (que é feita indistintamente a todos) pode ser, e, freqüentemente é, rejeitada; ao passo que a chamada interna (que é feita somente aos eleitos) não pode ser rejeitada. Ela sempre resulta na conversão. Por meio desta chamada especial o Espírito atrai irresistivelmente pecadores a Cristo. Ele não é limitado em Sua obra de aplicação da salvação pela vontade do homem, nem depende, para o Seu sucesso, da cooperação humana. O Espírito graciosamente leva o pecador eleito a cooperar, a crer, a arrepender-se, a vir livre e voluntariamente a Cristo. A graça de Deus, portanto, é invencível. Nunca deixa de resultar na salvação daqueles a quem ela é estendida.

E.  A QUEDA DA GRAÇA CONTRASTADA COM A PERSEVERANÇA DOS SANTOS

Arminianismo: Aqueles que crêem e são verdadeiramente salvos podem perder sua salvação por não guardar a sua fé. Nem todos os arminianos concordam com este ponto. Alguns sustentam que os crentes estão eternamente seguros em Cristo; que o pecador, uma vez regenerado, nunca pode perder a sua salvação.

Calvinismo: Todos aqueles que são escolhidos por Deus e a quem o Espírito concedeu a fé, são eternamente salvos. São mantidos na fé pelo poder do Deus Todo Poderoso e nela perseveram até o fim.

Sumário dessas Posições:

De acordo com o Arminianismo: A salvação é realizada através da combinação de esforços de Deus (que toma a iniciativa) e do homem (que deve responder a essa iniciativa). A resposta do homem é o fator decisivo (determinante). Deus tem providenciado salvação para todos, mas Sua provisão só se torna efetiva (eficaz) para aqueles que, de sua própria e livre vontade, “escolhem” cooperar com Ele e aceitar Sua oferta de graça. No ponto crucial, a vontade do homem desempenha um papel decisivo. Desta forma é o homem, e não Deus, que determina quem será o recipiente do dom da salvação.

Este era o sistema de doutrina apresentado na “Remonstrance” (Representação) dos Arminianos e rejeitado pelo Sínodo de Dort em 1619, por não ser bíblico.

De acordo com o Calvinismo: A salvação é realizada pelo infinito poder do Deus Triuno. O Pai escolheu um povo, o Filho morreu por ele e o Espírito Santo torna a morte de Cristo eficaz para trazer os eleitos à fé e ao arrependimento; desse modo, fazendo-os obedecer voluntariamente ao evangelho. Todo o processo (eleição, redenção, regeneração, etc.) é obra de Deus e é operado tão somente pela graça. Desta forma, Deus e não o homem, determina quem serão os recipientes do dom da salvação.

Este sistema de teologia foi reafirmado pelo Sínodo de Dort em 1619 como sendo a doutrina da salvação contida nas Escrituras Sagradas. É o sistema apresentado na Confissão de Fé de Westminster e em todas as Confissões Reformadas. Na época do Sínodo de Dort foi formulado em “cinco pontos” (em resposta aos cinco pontos submetidos pelos arminianos à Igreja da Holanda) e têm sido, desde então, conhecidos como “os cinco pontos do Calvinismo”.

III.  A DIFERENÇA ENTRE O CALVINISMO E O ARMINIANISMO

Os assuntos envolvidos nesta controvérsia histórica são, de fato, graves, pois afetam vitalmente o conceito cristão de Deus, do pecado e da salvação. Packer, contrastando esses dois sistemas, afirma:

“A diferença entre eles não é primariamente uma questão de ênfase, mas de conteúdo. Um deles proclama um Deus que salva; o outro alude a um Deus que permite ao homem salvar a si mesmo. O primeiro desses pontos de vista apresenta os três grandes atos da Santa Trindade na recuperação da humanidade perdida - eleição por parte do Pai, redenção por parte do Filho, chamada por parte do Espírito Santo - como sendo dirigidos às mesmas pessoas, garantindo infalivelmente a salvação delas. Mas o outro ponto de vista empresta a cada um desses atos uma referência diferente (o objeto da redenção seria a humanidade inteira, os objetos da chamada seriam aqueles que ouvem o evangelho, e os objetos da eleição seriam aqueles que correspondem a essa chamada), e nega que a salvação de qualquer pessoa seja garantida por qualquer desses atos. Essas duas teologias, assim sendo, concebem o plano da salvação em termos inteiramente diferentes. Uma delas faz a salvação depender da obra de Deus, e a outra faz a salvação depender da obra do homem. Uma delas considera a fé como parte do dom divino da salvação, mas a outra pensa que a fé é a contribuição do homem para a sua salvação. Uma delas atribui a Deus toda a glória pela salvação dos crentes, mas a outra divide as honras entre Deus, que, por assim dizer, construiu o maquinismo da salvação, e o homem, que põe esse maquinismo em funcionamento quando crê. Não há dúvida de que essas diferenças são importantes, e o valor permanente dos ‘cinco pontos’, como um sumário do calvinismo, é que eles deixam claro os pontos em que divergem e a extensão da divergência entre os dois conceitos.” (O “Antigo” Evangelho, p. 7)

IV.  O “PONTO” QUE OS “CINCO PONTOS” DO CALVINISMO PRETENDEM  ESTABELECER

Enquanto reconhece o valor permanente dos cinco pontos como um sumário do Calvinismo, Packer adverte contra o perigo de se equiparar o Calvinismo com os cinco pontos apenas. Em seu livro referido ele apresenta cinco razões porque essa equiparação é incorreta (pp. 8-16). Uma dessas razões apresentadas é a seguinte: “...o próprio fato que a soteriologia calvinista é exposta sob a forma de cinco pontos distintos (um número devido, conforme já explicamos, meramente ao fato de ter havido cinco pontos arminianos para serem respondidos pelo Sínodo de Dort) tende por obscurecer o caráter orgânico do pensamento calvinista sobre a questão. Pois esses cinco pontos, apesar de declarados em separado, na verdade são indivisíveis uns dos outros. Eles dependem uns dos outros; ninguém pode rejeitar um deles sem rejeitar a todos, pelo menos no sentido tencionado pelo Sínodo de Dort. Para o Calvinismo, na realidade, só há um ponto a ser enfatizado no campo da soteriologia: o ponto que “Deus salva pecadores”.  Deus - o Jeová Triuno; Pai, Filho e Espírito Santo, três pessoas trabalhando em conjunto, em sabedoria, poder e amor soberanos, a fim de realizar a salvação de um povo escolhido. O Pai escolhendo, o Filho cumprindo a vontade do Pai de remir, e o Espírito Santo executando o propósito do Pai e do Filho, mediante a renovação do homem. Salva - Ele faz tudo, do começo ao fim, tudo quanto é mister para levar os homens da morte no pecado à vida em glória: Ele planeja, realiza e transmite a redenção, e também chama e conserva, justifica, santifica e glorifica. Pecadores - homens conforme Deus os encontra, isto é, culpados, vis, impotentes, incapazes de levantar um dedo para cumprirem a vontade de Deus ou melhorarem a sua porção espiritual. Deus salva pecadores - e a força dessa confissão não pode ser enfraquecida pelo rompimento da unidade da obra da divina Trindade, ou por dividir a efetivação da salvação entre Deus e o homem, como se a parte decisiva fosse a humana, ou por suavizar a incapacidade do pecador, de tal maneira que ele mereça ser louvado, juntamente com o Salvador, por sua própria salvação. Esse é o grande ponto da soteriologia calvinista que os “cinco pontos” buscam estabelecer, e que é negado pelo arminianismo, em todas as suas formas: a saber, que os pecadores não podem salvar a si mesmos em qualquer sentido, porquanto a salvação, do começo ao fim, em sua totalidade, no passado, no presente e no futuro, vem do Senhor, a quem cabe toda a glória para sempre. Amém”. (op. cit., pp. 9,10)

V.  EVIDÊNCIAS BÍBLICAS PARA OS CINCO PONTOS DO CALVINISMO

Uma vez que essas cinco doutrinas não são apresentadas na Bíblia como unidades separadas ou independentes, mas são entretecidas na mensagem bíblica como um sistema único, harmonioso e interrelacionado, cada uma delas só pode ser inteiramente apreciada se for vista à luz das outras quatro. Elas se explicam e se apoiam, mutuamente. Julgar essas doutrinas individualmente, sem relacionar uma com a outra, seria como tentar avaliar um quadro de Rembrandt olhando-se para cada uma das cores de cada vez e nunca vendo a obra como um todo. Por isso, a evidência bíblica para cada ponto não deve ser julgada separadamente, mas à luz de uma visão das cinco doutrinas como um só sistema. Quando assim adequadamente correlacionadas, elas formam uma corda de cinco tiras de inquebrável. resistência.

A.  DEPRAVAÇÃO TOTAL OU INABILIDADE TOTAL

O ponto de vista que alguém toma a respeito da salvação será determinado, em grande escala, pelo conceito que essa pessoa tem a respeito do pecado e de seus efeitos sobre a natureza humana. Por isso, o primeiro ponto tratado pelo sistema calvinista é a doutrina bíblica da depravação total ou inabilidade total. Quando o calvinista fala do homem como sendo totalmente depravado, quer dizer que sua natureza é corrupta, perversa e totalmente pecaminosa. O adjetivo “total” não significa que cada pecador está tão completamente corrompido em suas ações e pensamentos quanto lhe seja possível ser. O termo é usado para indicar que todo o ser do homem foi afetado pelo pecado. A corrupção estende-se a todas as partes do homem, corpo e alma. O pecado afetou a totalidade das faculdades humanas - sua mente, sua vontade, etc. (Confissão de Fé, VI, 2). Também se pode usar o adjetivo “total” para incluir nele toda a raça humana, sem exceção. Como resultado dessa corrupção inata, o homem natural é totalmente incapaz de fazer qualquer coisa espiritualmente boa. É o que se quer dizer por “inabilidade total”. A inabilidade referida nessa terminologia é a “inabilidade espiritual”. Significa que o pecador está tão espiritualmente falido que ele nada pode fazer com respeito à sua salvação. É evidente que muitas pessoas não salvas, quando julgadas pelos padrões humanos, possuem qualidades admiráveis e realizam atos virtuosos. Porém, no campo espiritual, quando julgadas pelos padrões divinos, são incapazes de fazer o bem (Confissão de Fé, XVI, 1 e 7). O homem natural está escravizado pelo pecado: é filho de Satanás, rebelde para com Deus, cego para com a verdade, corrompido e incapaz de salvar-se a si mesmo ou de preparar-se para a salvação. Em resumo, o não regenerado está morto em pecado e sua vontade está escravizada à sua natureza má. O homem não veio das mãos do seu Criador nessa condição depravada. Deus fez a Adão perfeito, sem qualquer maldade em sua natureza. Originalmente, a vontade de Adão estava livre do domínio do pecado. Ele não estava sujeito a qualquer compulsão natural para escolher o mal; porém, por sua queda, trouxe a morte espiritual sobre si mesmo e sobre toda a sua posteridade. Desse modo, lançou a si mesmo e a toda a raça na ruína espiritual e perdeu para si e para os seus descendentes a habilidade de fazer escolhas certas no campo espiritual. Seus descendentes ainda são livres para escolher - todo homem faz escolhas em sua vida - mas, visto que a geração de Adão nasce com natureza pecaminosa, não tem a habilidade para escolher o bem ao invés do mal. Por conseguinte, a vontade do homem não é mais livre (i.e., livre do domínio do pecado) como era livre a vontade de Adão, antes da queda. Em vez disso, a vontade do homem, como resultado da depravação herdada, está escravizada à sua natureza pecaminosa. A Confissão de Fé de Westminster nos dá uma declaração clara e concisa dessa doutrina: “O homem, caindo em um estado de pecado, perdeu totalmente todo o poder de vontade quanto a qualquer bem espiritual que acompanhe a salvação, de sorte que um homem natural, inteiramente adverso a esse bem e morto no pecado, é incapaz de, pelo seu próprio poder, converter-se ou mesmo preparar-se para isso” (IX, 3).

1.   Como resultado da transgressão de Adão, os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos; portanto, para se tornarem filhos de Deus e entrarem no Seu reino precisam nascer de novo, do Espírito.

a)      Quando Adão foi colocado no jardim do Éden, foi advertido para não comer do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, sob pena de imediata morte espiritual:

GEN2.16 Ordenou o Senhor Deus ao homem, dizendo: De toda árvore do jardim podes comer livremente;

GEN2.17 mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dessa não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás.

b)  Adão desobedeceu e comeu do fruto proibido (Gn 3:1-7); por conseguinte, trouxe morte espiritual sobre si mesmo e sobre a raça:

GEN3.1 Ora, a serpente era o mais astuto de todos os animais do campo, que o Senhor Deus tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Deus disse: Não comereis de toda árvore do jardim?

 GEN3.2 Respondeu a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim podemos comer,
  
GEN3.3 mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Deus: Não comereis dele, nem nele tocareis, para que não morrais.

   GEN3.4 Disse a serpente à mulher: Certamente não morrereis.

   GEN3.5 Porque Deus sabe que no dia em que comerdes desse fruto, vossos olhos se abrirão, e sereis como Deus, conhecendo o bem e o mal.

   GEN3.6 Então, vendo a mulher que aquela árvore era boa para se comer, e agradável aos olhos, e árvore desejável para dar entendimento, tomou do seu fruto, comeu, e deu a seu marido, e ele também comeu.

   GEN3.7 Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; pelo que coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais.

   ROM5.12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.

   EFE2.1 Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,

   EFE2.2 nos quais outrora andastes, segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos de desobediência,

   EFE2.3 entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como também os demais.

   COL2.13 e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos;

c) Davi confessou que tanto ele, como os demais homens, foram nascidos em pecado:

SAL51.5 Eis que eu nasci em iniqüidade, e em pecado me concebeu minha mãe.

   SAL58.3 Alienam-se os ímpios desde a madre; andam errados desde que nasceram, proferindo mentiras.

d)   Porque os homens são nascidos em pecado e são, por natureza, espiritualmente mortos.  Jesus ensinou que, para alguém entrar no reino de Deus, é preciso nascer de novo:


JOA3.5 Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

   JOA3.6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

   JOA3.7 Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.

2.   Como resultado da queda, os homens estão cegos e surdos para a verdade espiritual. Suas mentes estão entenebrecidas pelo pecado; seus corações são corruptos e malignos:

GEN6.5 Viu o Senhor que era grande a maldade do homem na terra, e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era má continuamente.

   GEN8.21 Sentiu o Senhor o suave cheiro e disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice; nem tornarei mais a ferir todo vivente, como acabo de fazer.

   ECL9.3 Este é o mal que há em tudo quanto se faz debaixo do sol: que a todos sucede o mesmo. Também o coração dos filhos dos homens está cheio de maldade; há desvarios no seu coração durante a sua vida, e depois se vão aos mortos.

   JER17.9 Enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso; quem o poderá conhecer?

   MAR7.21 Pois é do interior, do coração dos homens, que procedem os maus pensamentos, as prostituições, os furtos, os homicídios, os adultérios,

   MAR7.22 a cobiça, as maldades, o dolo, a libertinagem, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a insensatez;

   MAR7.23 todas estas más coisas procedem de dentro e contaminam o homem.

   JOA3.19 E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.

   ROM8.7 Porquanto a inclinação da carne é inimizade contra Deus, pois não é sujeita à lei de Deus, nem em verdade o pode ser;

   ROM8.8 e os que estão na carne não podem agradar a Deus.

   ICOR2.14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

   EFE4.17 Portanto digo isto, e testifico no Senhor, para que não mais andeis como andam os gentios, na vaidade da sua mente,

   EFE4.18 entenebrecidos no entendimento, separados da vida de Deus pela ignorância que há neles, pela dureza do seu coração;

   EFE4.19 os quais, tendo-se tornado insensíveis, entregaram-se à lascívia para cometerem com avidez toda sorte de impureza.

   EFE5.8 pois outrora éreis trevas, mas agora sois luz no Senhor; andai como filhos da luz

   TIT1.15 Tudo é puro para os que são puros, mas para os corrompidos e incrédulos nada é puro; antes tanto a sua mente como a sua consciência estão contaminadas.

3.   Antes dos pecadores nascerem no reino de Deus pelo poder regenerador do Espírito, são filhos do diabo e estão debaixo de seu controle. São escravos do pecado:

JOA8.44 Vós tendes por pai o Diabo, e quereis satisfazer os desejos de vosso pai; ele é homicida desde o princípio, e nunca se firmou na verdade, porque nele não há verdade; quando ele profere mentira, fala do que lhe é próprio; porque é mentiroso, e pai da mentira.

   EFE2.12 estáveis naquele tempo sem Cristo, separados da comunidade de Israel, e estranhos aos pactos da promessa, não tendo esperança, e sem Deus no mundo.

   IITIM2.25 corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade,

   IITIM2.26 e que se desprendam dos laços do Diabo (por quem haviam sido presos), para cumprirem a vontade de Deus.

   IJOA3.10 Nisto são manifestos os filhos de Deus, e os filhos do Diabo: quem não pratica a justiça não é de Deus, nem o que não ama a seu irmão.

   IJOA5.19 Sabemos que somos de Deus, e que o mundo inteiro jaz no Maligno.

   JOA8.34 Replicou-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo que todo aquele que comete pecado é escravo do pecado.

   ROM6.20 Porque, quando éreis servos do pecado, estáveis livres em relação à justiça.

   TIT3.3 Porque também nós éramos outrora insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias paixões e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos e odiando-nos uns aos outros.

4.  O domínio do pecado é universal: todos os homens estão debaixo do seu poder; por conseguinte, ninguém é justo, nem um só .

IICRO6.36 Se pecarem contra ti (pois não há homem que não peque), e tu te indignares contra eles, e os entregares ao inimigo, de modo que os levem em cativeiro para alguma terra, longínqua ou próxima;

   JÓ15.14 Que é o homem, para que seja puro? E o que nasce da mulher, para que fique justo?

   JÓ15.15 Eis que Deus não confia nos seus santos, e nem o céu é puro aos seus olhos;

   JÓ15.16 quanto menos o homem abominável e corrupto, que bebe a iniqüidade como a água?

   SAL130.3 Se observares, Senhor, iniqüidades, quem, Senhor, subsistirá?,

   SAL143.2 e não entres em juízo com o teu servo, porque à tua vista não se achará justo nenhum vivente.

   PRO20.9 Quem pode dizer: Purifiquei o meu coração, limpo estou de meu pecado?

   ECL7.20 Pois não há homem justo sobre a terra, que faça o bem, e nunca peque.

   ECL7.29 Eis que isto tão-somente achei: que Deus fez o homem reto, mas os homens buscaram muitos artifícios.

   ISA53.6 Todos nós andávamos desgarrados como ovelhas, cada um se desviava pelo seu caminho; mas o Senhor fez cair sobre ele a iniqüidade de todos nós.

   ISA64.6 Pois todos nós somos como o imundo, e todas as nossas justiças como trapo da imundícia; e todos nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades, como o vento, nos arrebatam.

   ROM3.9 Pois quê? Somos melhores do que eles? De maneira nenhuma, pois já demonstramos que, tanto judeus como gregos, todos estão debaixo do pecado;

   ROM3.10 como está escrito: Não há justo, nem sequer um.

   ROM3.11 Não há quem entenda; não há quem busque a Deus.

   ROM3.12 Todos se extraviaram; juntamente se fizeram inúteis. Não há quem faça o bem, não há nem um só.

   TIA3.2 Pois todos tropeçamos em muitas coisas. Se alguém não tropeça em palavra, esse é homem perfeito, e capaz de refrear também todo o corpo.

   TIA3.8 mas a língua, nenhum homem a pode domar. É um mal irrefreável; está cheia de peçonha mortal.

   IJOA1.8 Se dissermos que não temos pecado nenhum, enganamo-nos a nós mesmos, e a verdade não está em nós.

   IJOA1.9 Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar os pecados e nos purificar de toda injustiça.

   IJOA1.10 Se dissermos que não temos cometido pecado, fazemo-lo mentiroso, e a sua palavra não está em nós.

5. Os homens, sendo deixados em seu estado de morte, são incapazes, por si mesmos, de se arrepender, de crer no evangelho ou de vir a Cristo. Não têm poder, em si mesmos, para mudar sua natureza ou preparar-se para a salvação:

JÓ14.4 Quem do imundo tirará o puro? Ninguém.

   JER13.23 pode o etíope mudar a sua pele, ou o leopardo as suas malhas? então podereis também vós fazer o bem, habituados que estais a fazer o mal.

   MAT7.16 Pelos seus frutos os conhecereis. Colhem-se, porventura, uvas dos espinheiros, ou figos dos abrolhos?

   MAT7.18 Uma árvore boa não pode dar maus frutos; nem uma árvore má dar frutos bons.

   MAT12.33 Ou fazei a árvore boa, e o seu fruto bom; ou fazei a árvore má, e o seu fruto mau; porque pelo fruto se conhece a árvore.

   JOA6.44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

   JOA6.65 E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido.

   ROM11.35 Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?

   ICOR2.14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

   ICOR4.7 Pois, quem te diferença? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?

   IICOR3.5 não que sejamos capazes, por nós, de pensar alguma coisa, como de nós mesmos; mas a nossa capacidade vem de Deus,

Outros textos que mostram que os homens são incapazes de fazer qualquer coisa para ganhar a salvação serão dados no Ponto IV, sobre a Graça Eficaz, especialmente aqueles que declaram que Deus é quem dá a fé e o arrependimento, cria um novo coração, e outras expressões semelhantes.

B.  ELEIÇÃO INCONDICIONAL

Devido ao pecado de Adão, seus descendentes entram no mundo como pecadores culpados e perdidos. Como criaturas caídas, eles não têm desejo de ter comunhão com o seu Criador. Ele é santo, justo e bom, ao passo que eles são pecaminosos, perversos e corruptos- Deixados à sua própria escolha, eles inevitavelmente seguem o deus deste século e fazem a vontade do seu pai, o diabo. Consequentemente, os homens têm se desligado do Senhor dos céus e têm perdido todos os direitos de Seu amor e favor. Teria sido perfeitamente justo para Deus ter deixado todos os homens em seus pecados e miséria e não ter demonstrado misericórdia a quem quer que seja. É neste contexto que a Bíblia apresenta a doutrina da eleição.

 A doutrina da eleição declara que Deus, antes da fundação do mundo, escolheu certos indivíduos dentre todos os membros decaídos da raça de Adão para ser o objeto de Seu imerecido amor. Esses, e somente esses, Ele propôs salvar. Deus poderia ter escolhido salvar todos os homens (pois Ele tinha o poder e a autoridade para fazer isso), ou Ele poderia ter escolhido não salvar ninguém (pois Ele não tem a obrigação de mostrar misericórdia a quem quer que seja), porém não fez nem uma coisa nem outra. Ao invés disso, Ele escolheu salvar alguns e excluir (preterir) outros. Sua eterna escolha de determinados pecadores para a salvação não foi baseada em qualquer ato ou resposta prevista da parte daqueles escolhidos, mas foi baseada tão somente no Seu beneplácito e na Sua soberana vontade. Desta forma, a eleição não foi condicionada nem determinada por qualquer coisa que os homens iriam fazer, mas resultou inteiramente do propósito determinado pelo próprio Deus.

Os que não foram escolhidos foram preteridos e deixados às suas próprias inclinações e escolhas más. Não cabe à criatura questionar a justiça do Criador por não escolher todos para a salvação. É suficiente saber que o Juiz de toda a terra tem agido bem e justamente. Deve-se, contudo, ter em mente que se Deus não tivesse graciosamente escolhido um povo para Si mesmo, e soberanamente determinado prover-lhe e aplicar-lhe a salvação, ninguém seria salvo. O fato de Ele ter feito isto para alguns, à exclusão dos outros, não é de forma alguma injusto para os excluídos, a menos que se mantenha que Deus estava na obrigação de prover salvação a todos os pecadores - o que a Bíblia rejeita cabalmente.

A doutrina da eleição deve ser vista não apenas contra o pano de fundo da depravação e culpa do homem, mas também deve ser estudada em conexão com o Eterno Pacto ou acordo feito entre os membros da Trindade. Pois foi na execução deste pacto que o Pai escolheu desse mundo de pecadores perdidos um número definido de indivíduos e deu-os ao Filho para serem o Seu povo. O Filho, nos termos desse pacto, concordou em fazer tudo quanto era necessário para salvar esse povo escolhido e que lhe foi concedido pelo Pai. A parte do Espírito na execução desse pacto foi e é a de aplicar aos eleitos a salvação adquirida para eles pelo Filho.

A eleição, portanto, é apenas um aspecto (embora muito importante) do propósito salvador do Deus Triuno, e dessa forma não deve ser vista como salvação. O ato da eleição em si mesmo não salvou ninguém. O que ele fez foi destacar (marcar) alguns indivíduos para a salvação. Desta forma, a doutrina da eleição não deve ser divorciada das doutrinas da culpa do homem, da redenção e da regeneração, pois de outra forma ela será distorcida e deturpada. Em outras palavras, se quisermos manter em sua perspectiva bíblica, e corretamente entendido, o ato da eleição do Pai deve ser relacionado com a obra redentora do Filho, que Se deu a Si mesmo para salvar os eleitos e com a obra renovadora do Espírito, que traz o eleito à fé em Cristo.

1.   Declarações gerais mostrando que Deus tem um povo eleito, que Ele predestinou esse povo para a salvação e, desta forma, para a vida eterna:

 DEU10.14 Eis que do Senhor teu Deus são o céu e o céu dos céus, a terra e tudo o que nela há.

   DEU10.15 Entretanto o Senhor se afeiçoou a teus pais para os amar; e escolheu a sua descendência depois deles, isto é, a vós, dentre todos os povos, como hoje se vê.

   SAL33.12 Bem-aventurada é a nação cujo Deus é o Senhor, o povo que ele escolheu para sua herança.

   SAL65.4 Bem-aventurado aquele a quem tu escolhes, e fazes chegar a ti, para habitar em teus átrios! Nós seremos satisfeitos com a bondade da tua casa, do teu santo templo.

   AGE2.23 Naquele dia, diz o Senhor dos exércitos, tomar-te-ei, ó Zorobabel, servo meu, filho de Sealtiel, diz o Senhor, e te farei como um anel de selar; porque te escolhi, diz o Senhor dos exércitos.

   MAT11.27 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

   MAT22.14 Porque muitos são chamados, mas poucos escolhidos.

   MAT24.22 E se aqueles dias não fossem abreviados, ninguém se salvaria; mas por causa dos escolhidos serão abreviados aqueles dias.

   MAT24.31 E ele enviará os seus anjos com grande clangor de trombeta, os quais lhe ajuntarão os escolhidos desde os quatro ventos, de uma à outra extremidade dos céus.

   LUC18.7 E não fará Deus justiça aos seus escolhidos, que dia e noite clamam a ele, já que é longânimo para com eles?

   ROM8.28 E sabemos que todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus, daqueles que são chamados segundo o seu propósito.

   ROM8.29 Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos;

   ROM8.30 e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.

   ROM8.33 Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica;

   ROM11.28 Quanto ao evangelho, eles na verdade, são inimigos por causa de vós; mas, quanto à eleição, amados por causa dos pais.

   COL3.12 Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de coração compassivo, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade,

   ITES5.9 porque Deus não nos destinou para a ira, mas para alcançarmos a salvação por nosso Senhor Jesus Cristo,

   TIT1.1 Paulo, servo de Deus, e apóstolo de Jesus Cristo, segundo a fé dos eleitos de Deus, e o pleno conhecimento da verdade que é segundo a piedade,

   IPED1.1 Pedro, apóstolo de Jesus Cristo, aos peregrinos da Dispersão no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia.

   IPED1.2 eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.

   IPED2.8 e: Como uma pedra de tropeço e rocha de escândalo; porque tropeçam na palavra, sendo desobedientes; para o que também foram destinados.

   IPED2.9 Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

   APO17.14 Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os que estão com ele, os chamados, e eleitos, e fiéis.

2.  Antes da fundação do mundo, Deus escolheu determinados indivíduos para a salvação. Sua escolha não foi baseada em qualquer resposta ou ato previsto, a ser cumprido pelos escolhidos. A fé e as boas obras são o resultado e não a causa da escolha divina.

a)      Deus fez a escolha:

MAR13.20 Se o Senhor não abreviasse aqueles dias, ninguém se salvaria mas ele, por causa dos eleitos que escolheu, abreviou aqueles dias.

   ITES1.4 conhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição;

   IITES2.13 Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade,

b)      A escolha divina foi feita antes da fundação do mundo:

EFE1.4 como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

   IITES2.13 Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade,

   IITIM1.9 que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos,

   APO13.8 E adorá-la-ão todos os que habitam sobre a terra, esses cujos nomes não estão escritos no livro do Cordeiro que foi morto desde a fundação do mundo.

   APO17.8 A besta que viste era e já não é; todavia está para subir do abismo, e vai-se para a perdição; e os que habitam sobre a terra e cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde a fundação do mundo se admirarão, quando virem a besta que era e já não é, e que tornará a vir.

c)    Deus escolheu determinados indivíduos para a salvação - seus nomes foram escritos no livro da vida antes da fundação do mundo: Ap 13:8;17:8.[acima]

d)      A escolha divina não foi baseada em qualquer mérito previsto naqueles a quem Ele escolheu, nem foi baseada em quaisquer obras previstas, realizadas por eles:

ROM9.11 (pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),

   ROM9.12 foi-lhe dito: O maior servirá o menor.

   ROM9.13 Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.

   ROM9.16 Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.

   ROM10.20 E Isaías ousou dizer: Fui achado pelos que não me buscavam, manifestei-me aos que por mim não perguntavam.

   ICOR1.27 Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes;

   ICOR1.28 e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são;

   ICOR1.29 para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus.

   IITIM1.9 que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos,

   IITIM1.9 que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos,


e) As boas obras são o resultado e não a base da predestinação:


EFE1.12 com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo;

   EFE2.10 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.

   JOA15.16 Vós não me escolhestes a mim mas eu vos escolhi a vós, e vos designei, para que vades e deis frutos, e o vosso fruto permaneça, a fim de que tudo quanto pedirdes ao Pai em meu nome, ele vo-lo conceda.

f) A escolha divina não foi baseada na fé prevista. A fé é o resultado e, portanto, a evidência da eleição divina, não a causa ou base de Sua escolha:

ATO13.48 Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.

   ATO18.27 Querendo ele passar à Acáia, os irmãos o animaram e escreveram aos discípulos que o recebessem; e tendo ele chegado, auxiliou muito aos que pela graça haviam crido.

   FIL1.29 pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, mas também o padecer por ele,

   FIL2.12 De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor;

   FIL2.13 porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.

   ITES1.4 conhecendo, irmãos, amados de Deus, a vossa eleição;

   ITES1.5 porque o nosso evangelho não foi a vós somente em palavras, mas também em poder, e no Espírito Santo e em plena convicção, como bem sabeis quais fomos entre vós por amor de vós.

   IITES2.13 Mas nós devemos sempre dar graças a Deus por vós, irmãos, amados do Senhor, porque Deus vos escolheu desde o princípio para a santificação do espírito e a fé na verdade,

   IITES2.14 e para isso vos chamou pelo nosso evangelho, para alcançardes a glória de nosso Senhor Jesus Cristo.

   TIA2.5 Ouvi, meus amados irmãos. Não escolheu Deus os que são pobres quanto ao mundo para fazê-los ricos na fé e herdeiros do reino que prometeu aos que o amam?

g) É através da fé e das boas obras que alguém confirma sua chamada e eleição:

IIPED1.5 E por isso mesmo vós, empregando toda a diligência, acrescentai à vossa fé a virtude, e à virtude a ciência,

   IIPED1.6 e à ciência o domínio próprio, e ao domínio próprio a perseverança, e à perseverança a piedade,

   IIPED1.7 e à piedade a fraternidade, e à fraternidade o amor.

   IIPED1.8 Porque, se em vós houver e abundarem estas coisas, elas não vos deixarão ociosos nem infrutíferos no pleno conhecimento de nosso Senhor Jesus Cristo.

   IIPED1.9 Pois aquele em quem não há estas coisas é cego, vendo somente o que está perto, havendo-se esquecido da purificação dos seus antigos pecados.

   IIPED1.10 Portanto, irmãos, procurai mais diligentemente fazer firme a vossa vocação e eleição; porque, fazendo isto, nunca jamais tropeçareis.

   IIPED1.11 Porque assim vos será amplamente concedida a entrada no reino eterno do nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo.

3.  A eleição não é a salvação, mas é para a salvação. Assim como o presidente eleito não se torna o presidente de fato até o dia da sua posse (instalação), assim aqueles que são eleitos para a salvação não são salvos até que sejam regenerados pelo Espírito e justificados pela fé em Cristo:(Em Efésios 1:4 Paulo mostra que os homens foram eleitos “em Cristo” antes que o mundo existisse. Em Rm 16:7 ele mostra que os homens não estão realmente “em Cristo” até que se convertam).

ROM11.7 Pois quê? O que Israel busca, isso não o alcançou; mas os eleitos alcançaram; e os outros foram endurecidos,

   IITIM2.10 Por isso, tudo suporto por amor dos eleitos, para que também eles alcancem a salvação que há em Cristo Jesus com glória eterna.

   ATO13.48 Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.

   ITES2.13 Por isso nós também, sem cessar, damos graças a Deus, porquanto vós, havendo recebido a palavra de Deus que de nós ouvistes, a recebestes, não como palavra de homens, mas (segundo ela é na verdade) como palavra de Deus, a qual também opera em vós que credes.

   ITES2.14 Pois vós, irmãos, vos haveis feito imitadores das igrejas de Deus em Cristo Jesus que estão na Judéia; porque também padecestes de vossos próprios concidadãos o mesmo que elas padeceram dos judeus;

   EFE1.4 como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

   ROM16.7 Saudai a Andrônico e a Júnias, meus parentes e meus companheiros de prisão, os quais são bem conceituados entre os apóstolos, e que estavam em Cristo antes de mim.

4. A eleição foi baseada na misericórdia soberana e especial de Deus. Não foi a vontade do homem, mas a vontade de Deus que determinou que pecadores iriam ser alvos da misericórdia e ser salvos:

EXO33.19 Respondeu-lhe o Senhor: Eu farei passar toda a minha bondade diante de ti, e te proclamarei o meu nome Jeová; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem me compadecer.

   DEU7.6 Porque tu és povo santo ao Senhor teu Deus; o Senhor teu Deus te escolheu, a fim de lhe seres o seu próprio povo, acima de todos os povos que há sobre a terra.

   DEU7.7 O Senhor não tomou prazer em vós nem vos escolheu porque fôsseis mais numerosos do que todos os outros povos, pois éreis menos em número do que qualquer povo;

   MAT20.15 Não me é lícito fazer o que quero do que é meu? Ou é mau o teu olho porque eu sou bom?

   ROM9.10 E não somente isso, mas também a Rebeca, que havia concebido de um, de Isaque, nosso pai

   ROM9.11 (pois não tendo os gêmeos ainda nascido, nem tendo praticado bem ou mal, para que o propósito de Deus segundo a eleição permanecesse firme, não por causa das obras, mas por aquele que chama),

   ROM9.12 foi-lhe dito: O maior servirá o menor.

   ROM9.13 Como está escrito: Amei a Jacó, e aborreci a Esaú.

   ROM9.14 Que diremos, pois? Há injustiça da parte de Deus? De modo nenhum.

   ROM9.15 Porque diz a Moisés: Terei misericórdia de quem me aprouver ter misericórdia, e terei compaixão de quem me aprouver ter compaixão.

   ROM9.16 Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.

   ROM9.17 Pois diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei: para em ti mostrar o meu poder, e para que seja anunciado o meu nome em toda a terra.

   ROM9.18 Portanto, tem misericórdia de quem quer, e a quem quer endurece.

   ROM9.19 Dir-me-ás então. Por que se queixa ele ainda? Pois, quem resiste à sua vontade?

   ROM9.20 Mas, ó homem, quem és tu, que a Deus replicas? Porventura a coisa formada dirá ao que a formou: Por que me fizeste assim?

   ROM9.21 Ou não tem o oleiro poder sobre o barro, para da mesma massa fazer um vaso para uso honroso e outro para uso desonroso?

   ROM9.22 E que direis, se Deus, querendo mostrar a sua ira, e dar a conhecer o seu poder, suportou com muita paciência os vasos da ira, preparados para a perdição;

   ROM9.23 para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória,

   ROM9.24 os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?

   ROM11.4 Mas que lhe diz a resposta divina? Reservei para mim sete mil varões que não dobraram os joelhos diante de Baal.

   ROM11.5 Assim, pois, também no tempo presente ficou um remanescente segundo a eleição da graça.

   ROM11.6 Mas se é pela graça, já não é pelas obras; de outra maneira, a graça já não é graça.

   ROM11.33 Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!

   ROM11.34 Pois, quem jamais conheceu a mente do Senhor? ou quem se fez seu conselheiro?

   ROM11.35 Ou quem lhe deu primeiro a ele, para que lhe seja recompensado?

   ROM11.36 Porque dele, e por ele, e para ele, são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém.

   EFE1.5 e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

5. A doutrina da eleição é apenas uma parte da doutrina bíblica mais ampla da soberania de Deus. As Escrituras não apenas ensinam que Deus predestinou certos indivíduos para a vida eterna, mas que todos os eventos, grandes ou pequenos, acontecem como o resultado do eterno decreto de Deus. O Senhor Deus reina sobre os céus e a terra com absoluto controle. Nada acontece fora do Seu eterno propósito:

ICRO29.10 Pelo que Davi bendisse ao Senhor na presença de toda a congregação, dizendo: Bendito és tu, ó Senhor, Deus de nosso pai Israel, de eternidade em eternidade.

   ICRO29.11 Tua é, ó Senhor, a grandeza, e o poder, e a glória, e a vitória, e a majestade, porque teu é tudo quanto há no céu e na terra; teu é, ó Senhor, o reino, e tu te exaltaste como chefe sobre todos.

   ICRO29.12 Tanto riquezas como honra vêm de ti, tu dominas sobre tudo, e na tua mão há força e poder; na tua mão está o engrandecer e o dar força a tudo.

   JÓ42.1 Então respondeu Jó ao Senhor:

   JÓ42.2 Bem sei eu que tudo podes, e que nenhum dos teus propósitos pode ser impedido.

   SAL115.3 Mas o nosso Deus está nos céus; ele faz tudo o que lhe apraz.

   SAL135.6 Tudo o que o Senhor deseja ele o faz, no céu e na terra, nos mares e em todos os abismos.

   ISA14.24 O Senhor dos exércitos jurou, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e como determinei, assim se efetuará.

   ISA14.27 Pois o Senhor dos exércitos o determinou, e quem o invalidará? A sua mão estendida está, e quem a fará voltar atrás?

   ISA46.9 Lembrai-vos das coisas passadas desde a antigüidade; que eu sou Deus, e não há outro; eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim;

   ISA46.10 que anuncio o fim desde o princípio, e desde a antigüidade as coisas que ainda não sucederam; que digo: O meu conselho subsistirá, e farei toda a minha vontade;

   ISA46.11 chamando do oriente uma ave de rapina, e dum país remoto o homem do meu conselho; sim, eu o disse, e eu o cumprirei; formei esse propósito, e também o executarei.

   ISA55.11 assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.

   JER32.17 Ah! Senhor Deus! És tu que fizeste os céus e a terra com o teu grande poder, e com o teu braço estendido! Nada há que te seja demasiado difícil!

   DAN4.35 E todos os moradores da terra são reputados em nada; e segundo a sua vontade ele opera no exército do céu e entre os moradores da terra; não há quem lhe possa deter a mão, nem lhe dizer: Que fazes?

   MAT19.26 Jesus, fixando neles o olhar, respondeu: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível.

C.   REDENÇÃO PARTICULAR OU EXPIAÇÃO LIMITADA

Como já foi observado, a eleição em si não salva ninguém; apenas destaca alguns pecadores para a salvação. Os que foram escolhidos pelo Pai e dados ao Filho precisam ser redimidos para serem salvos. Para assegurar sua redenção, Jesus Cristo veio ao mundo e tomou sobre Si a natureza humana para que pudesse identificar-Se com o Seu povo e agir como seu representante ou substituto. Cristo, agindo em lugar do Seu povo, guardou perfeitamente a lei de Deus e dessa forma produziu uma justiça perfeita a qual é imputada ao Seu povo ou creditada a ele no momento em que cada um é trazido à fé nEle. Através do que Ele fez, esse povo é constituído justo diante de Deus. Os que constituem esse povo são libertos da culpa e condenação como resultado do que Cristo sofreu por eles. Através do Seu sacrifício substitucionário Ele sofreu a penalidade dos seus pecados e assim removeu sua culpa para sempre. Por conseguinte, quando Seu povo é unido a Ele pela fé, é-lhe creditada perfeita justiça pela qual fica livre da culpa e condenação do pecado. São salvos não pelo que fizeram ou irão fazer, mas tão somente na base da obra redentora de Cristo. O Calvinismo histórico tem mantido de modo consistente a convicção de que a obra redentora de Cristo foi definida em desígnio e realização; isto é, foi intencionada para render completa satisfação em favor de certos pecadores específicos e que, de fato, assegurou a salvação a esses indivíduos e a ninguém mais. A salvação que Cristo adquiriu para o Seu povo inclui tudo que está envolvido no processo de trazê-lo a um correto relacionamento com Deus, incluindo os dons da fé e do arrependimento. Cristo não morreu simplesmente para tornar possível a Deus perdoar pecadores. Nem deixa Deus aos pecadores a decisão se a obra de Cristo será ou não efetiva. Pelo contrário, todos aqueles por quem Cristo morreu serão infalivelmente salvos. A redenção, portanto, foi designada para cumprir o propósito divino da eleição.

Todos os calvinistas concordam que a obediência e o sofrimento de Cristo são de valor infinito, e que, se fosse o propósito de Deus, a satisfação rendida por Cristo teria salvado todos os membros da raça humana. Não seria requerido de Cristo mais obediência nem sofrimento maior para assegurar a salvação de todos os homens do que foi requerido para a salvação apenas dos eleitos. Mas Ele veio ao mundo para representar e salvar apenas aqueles que Lhe foram dados pelo Pai. Desta forma, a obra salvadora de Cristo foi limitada no sentido em que foi designada para salvar uns e não outros, mas não foi limitada em valor, pois seu valor é infinito. Ela teria assegurado a salvação de todos, se essa tivesse sido a intenção de Deus.

Os arminianos também estabelecem uma limitação na obra expiatória de Cristo, mas de natureza inteiramente diferente. Eles acreditam que a obra salvadora de Cristo foi designada para tornar possível a salvação de todos os homens, desde que eles creiam, e de que a morte de Cristo, em si mesma, não assegura ou garante a salvação para ninguém. Desde que todos os homens serão salvos como resultado da obra redentora de Cristo, deve-se admitir que há uma limitação. Essa limitação consiste num desses dois pontos: ou a expiação foi designada para assegurar a salvação para certos pecadores e não para outros, ou ela foi limitada no sentido em que não foi intencionada para assegurar a salvação de ninguém, mas apenas para tornar possível a Deus perdoar os pecadores na condição da fé. Em outras palavras, a limitação deve ser colocada, em desígnio, na sua extensão, (não foi intencionada para todos), ou na sua eficácia (ela não assegura a salvação para ninguém). Como Boettner adequadamente observa, "para o calvinista a expiação é como uma ponte estreita que atravessa todo o rio; para o arminiano, é como uma grande e larga ponte que vai apenas até a metade do caminho" (The Reformed Doctrine of Predestination, p. 153). Desta forma, são os arminianos que impõem uma limitação maior à obra de Cristo.

1. As Escrituras descrevem o fim intencionado e realizado pela obra de Cristo como a salvação completa do Seu povo. (reconciliação, justificação e santificação). 

a)        As Escrituras declaram que Cristo veio, não para capacitar os homens a se salvarem a si mesmos, mas para salvar pecadores:

MAT1.21 ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

   LUC19.10 Porque o Filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido.

   IICOR5.21 Àquele que não conheceu pecado, Deus o fez pecado por nós; para que nele fôssemos feitos justiça de Deus.

   GAL1.3 Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo,

   GAL1.4 o qual se deu a si mesmo por nossos pecados, para nos livrar do presente século mau, segundo a vontade de nosso Deus e Pai,

   ITIM1.15 Fiel é esta palavra e digna de toda a aceitação; que Cristo Jesus veio ao mundo para salvar os pecadores, dos quais sou eu o principal;

   TIT2.14 que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras.

   IPED3.18 Porque também Cristo morreu uma só vez pelos pecados, o justo pelos injustos, para levar-nos a Deus; sendo, na verdade, morto na carne, mas vivificado no espírito;

b) As Escrituras declaram que, como resultado do que Cristo fez e sofreu., Seu povo é reconciliado com Deus, justificado, e recebe o Espírito Santo que o regenera e santifica. Todas essas bênçãos foram asseguradas por Cristo mesmo, ao Seu povo.

l) Cristo, pela Sua obra redentora, assegurou a reconciliação ao Seu povo:

ROM5.10 Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

   ROM5.11 E não somente isso, mas também nos gloriamos em Deus por nosso Senhor Jesus Cristo, pelo qual agora temos recebido a reconciliação.

   IICOR5.18 Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação;

   IICOR5.19 pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.

   EFE2.15 isto é, a lei dos mandamentos contidos em ordenanças, para criar, em si mesmo, dos dois um novo homem, assim fazendo a paz,

   EFE2.16 e pela cruz reconciliar ambos com Deus em um só corpo, tendo por ela matado a inimizade;

   COL1.21 A vós também, que outrora éreis estranhos, e inimigos no entendimento pelas vossas obras más,

   COL1.22 agora contudo vos reconciliou no corpo da sua carne, pela morte, a fim de perante ele vos apresentar santos, sem defeito e irrepreensíveis,

 2) Cristo assegurou a justiça e o perdão que Seu povo necessita para a sua justificação.

ROM3.24 sendo justificados gratuitamente pela sua graça, mediante a redenção que há em Cristo Jesus,

   ROM3.25 ao qual Deus propôs como propiciação, pela fé, no seu sangue, para demonstração da sua justiça por ter ele na sua paciência, deixado de lado os delitos outrora cometidos;

   ROM5.8 Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.

   ROM5.9 Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

   ICOR1.30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;

   GAL3.13 Cristo nos resgatou da maldição da lei, fazendo-se maldição por nós; porque está escrito: Maldito todo aquele que for pendurado no madeiro;

   COL1.13 e que nos tirou do poder das trevas, e nos transportou para o reino do seu Filho amado;

   COL1.14 em quem temos a redenção, a saber, a remissão dos pecados;

   HEB9.12 e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção.

   IPED2.24 levando ele mesmo os nossos pecados em seu corpo sobre o madeiro, para que mortos para os pecados, pudéssemos viver para a justiça; e pelas suas feridas fostes sarados.

3) Cristo assegurou o dom do Espírito, o qual inclui regeneração e santificação e tudo que está incluído nessas graças:

EFE1.3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo;

   EFE1.4 como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

   FIL1.29 pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, mas também o padecer por ele,

   ATO5.31 sim, Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão de pecados.

   TIT2.14 que se deu a si mesmo por nós para nos remir de toda a iniqüidade, e purificar para si um povo todo seu, zeloso de boas obras.

   TIT3.5 não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo,

   TIT3.6 que ele derramou abundantemente sobre nós por Jesus Cristo, nosso Salvador;

   EFE5.25 Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,

   EFE5.26 a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra,

   ICOR1.30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;

   HEB9.14 quanto mais o sangue de Cristo, que pelo Espírito eterno se ofereceu a si mesmo imaculado a Deus, purificará das obras mortas a vossa consciência, para servirdes ao Deus vivo?

   HEB13.12 Por isso também Jesus, para santificar o povo pelo seu próprio sangue, sofreu fora da porta.

   IJOA1.7 mas, se andarmos na luz, como ele na luz está, temos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus seu Filho nos purifica de todo pecado.

2. Passagens que apresentam o Senhor Jesus Cristo, em tudo que Ele fez e sofreu pelo Seu povo, como cumprindo os termos de um pacto ou concerto gracioso no qual entrou com Seu Pai celestial antes da fundação do mundo:

a) Jesus foi enviado ao mundo pelo Pai para salvar o povo que o Pai Lhe deu. Os que o Pai Lhe deu vêm a Ele e nenhum deles se perderá:

JOA6.35 Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.

   JOA6.36 Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes.

   JOA6.37 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

   JOA6.38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

   JOA6.39 E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.

   JOA6.40 Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

b) Jesus, como o bom Pastor, dá a Sua vida pelas Suas ovelhas. Todos os que são Suas ovelhas são trazidos por Ele ao aprisco, levadas a ouvir a Sua voz e a seguí-lo. Notemos que o Pai tem dado as ovelhas a Cristo!

JOA10.11 Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

   JOA10.14 Eu sou o bom pastor; conheço as minhas ovelhas, e elas me conhecem,

   JOA10.15 assim como o Pai me conhece e eu conheço o Pai; e dou a minha vida pelas ovelhas.

   JOA10.16 Tenho ainda outras ovelhas que não são deste aprisco; a essas também me importa conduzir, e elas ouvirão a minha voz; e haverá um rebanho e um pastor.

   JOA10.17 Por isto o Pai me ama, porque dou a minha vida para a retomar.

   JOA10.18 Ninguém ma tira de mim, mas eu de mim mesmo a dou; tenho autoridade para a dar, e tenho autoridade para retomá-la. Este mandamento recebi de meu Pai.

   JOA10.24 Rodearam-no, pois, os judeus e lhe perguntavam: Até quando nos deixarás perplexos? Se tu és o Cristo, dize-no-lo abertamente.

   JOA10.25 Respondeu-lhes Jesus: Já vo-lo disse, e não credes. As obras que eu faço em nome de meu Pai, essas dão testemunho de mim.

   JOA10.26 Mas vós não credes, porque não sois das minhas ovelhas.

   JOA10.27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

   JOA10.28 eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão.

   JOA10.29 Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.

c) Jesus, em Sua oração sacerdotal, roga não pelo mundo mas por aqueles que o Pai lhe dera. Em cumprimento à tarefa dada pelo Pai, Jesus realizou a Sua obra. Essa obra era tornar Deus conhecido do Seu povo e dar-lhe a vida eterna:

JOA17.1 Depois de assim falar, Jesus, levantando os olhos ao céu, disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que também o Filho te glorifique;

   JOA17.2 assim como lhe deste autoridade sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos aqueles que lhe tens dado.

   JOA17.3 E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, como o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, aquele que tu enviaste.

   JOA17.4 Eu te glorifiquei na terra, completando a obra que me deste para fazer.

   JOA17.5 Agora, pois, glorifica-me tu, ó Pai, junto de ti mesmo, com aquela glória que eu tinha contigo antes que o mundo existisse.

   JOA17.6 Manifestei o teu nome aos homens que do mundo me deste. Eram teus, e tu mos deste; e guardaram a tua palavra.

   JOA17.7 Agora sabem que tudo quanto me deste provém de ti;

   JOA17.8 porque eu lhes dei as palavras que tu me deste, e eles as receberam, e verdadeiramente conheceram que saí de ti, e creram que tu me enviaste.

   JOA17.9 Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me tens dado, porque são teus;

   JOA17.10 todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas; e neles sou glorificado.

   JOA17.11 Eu não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda-os no teu nome, o qual me deste, para que eles sejam um, assim como nós.

   JOA17.20 E rogo não somente por estes, mas também por aqueles que pela sua palavra hão de crer em mim;

   JOA17.24 Pai, desejo que onde eu estou, estejam comigo também aqueles que me tens dado, para verem a minha glória, a qual me deste; pois que me amaste antes da fundação do mundo.

   JOA17.25 Pai justo, o mundo não te conheceu, mas eu te conheço; conheceram que tu me enviaste;

   JOA17.26 e eu lhes fiz conhecer o teu nome, e lho farei conhecer ainda; para que haja neles aquele amor com que me amaste, e também eu neles esteja.

d) Paulo declara que todas as "bênçãos espirituais" que os santos herdam, tais como filiação, redenção, perdão de pecados, etc., resultam do fato de estarem "em Cristo", e liga essas bênçãos à sua fonte última - o eterno conselho de Deus - onde repousa a grande bênção de terem sido escolhidos em Cristo antes da fundação do mundo para serem filhos de Deus, por meio dEle:.

EFE1.3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestes em Cristo;

   EFE1.4 como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis diante dele em amor;

   EFE1.5 e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

   EFE1.6 para o louvor da glória da sua graça, a qual nos deu gratuitamente no Amado;

   EFE1.7 em quem temos a redenção pelo seu sangue, a redenção dos nossos delitos, segundo as riquezas da sua graça,

   EFE1.8 que ele fez abundar para conosco em toda a sabedoria e prudência,

   EFE1.9 fazendo-nos conhecer o mistério da sua vontade, segundo o seu beneplácito, que nele propôs

   EFE1.10 para a dispensação da plenitude dos tempos, de fazer convergir em Cristo todas as coisas, tanto as que estão nos céus como as que estão na terra,

   EFE1.11 nele, digo, no qual também fomos feitos herança, havendo sido predestinados conforme o propósito daquele que faz todas as coisas segundo o conselho da sua vontade,

   EFE1.12 com o fim de sermos para o louvor da sua glória, nós, os que antes havíamos esperado em Cristo;

e) O paralelo que Paulo estabelece entre a obra condenatória de Adão e a obra salvadora de Jesus Cristo, o "segundo Adão", pode ser melhor explicado na base do princípio de que ambos figuravam numa relação pactual com o "seu povo". Adão figurava como o cabeça federal da raça e Cristo como o cabeça federal dos eleitos. Assim como Adão envolveu o seu povo na morte e condenação pelo seu pecado, assim também Cristo trouxe justiça e vida ao Seu povo através de Sua justiça (retidão):

ROM5.12 Portanto, assim como por um só homem entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte, assim também a morte passou a todos os homens, porquanto todos pecaram.

   ROM5.17 Porque, se pela ofensa de um só, a morte veio a reinar por esse, muito mais os que recebem a abundância da graça, e do dom da justiça, reinarão em vida por um só, Jesus Cristo.

   ROM5.18 Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida.

   ROM5.19 Porque, assim como pela desobediência de um só homem muitos foram constituídos pecadores, assim também pela obediência de um muitos serão constituídos justos.

3. Algumas passagens falam de Cristo morrendo por "todos" os homens e de Sua morte como salvando "o mundo"; todavia, outras falam de Sua morte como sendo definida em desígnio, isto é, para assegurar a salvação de um povo específico.

a) Há duas classes de textos que falam da obra salvadora de Cristo em termos gerais: (1) As que contém a palavra "mundo" (João 1:9, 29;3:16,17; 4:42; II Co 5:19; 1 João 2:1,2; 4:14 e (2) As que contêm a palavra "todos" (Rm 5:18;II Co 5:14,15; 1Tm 2:4-6; Hb 2:9;II Pe 3.9.

JOA1.9 Pois a verdadeira luz, que alumia a todo homem, estava chegando ao mundo.

   JOA1.29 No dia seguinte João viu a Jesus, que vinha para ele, e disse: Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo.

   JOA3.19 E o julgamento é este: A luz veio ao mundo, e os homens amaram antes as trevas que a luz, porque as suas obras eram más.

   JOA3.16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

   JOA3.17 Porque Deus enviou o seu Filho ao mundo, não para que julgasse o mundo, mas para que o mundo fosse salvo por ele.

   JOA4.42 e diziam à mulher: Já não é pela tua palavra que nós cremos; pois agora nós mesmos temos ouvido e sabemos que este é verdadeiramente o Salvador do mundo.

   IICOR5.19 pois que Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não imputando aos homens as suas transgressões; e nos encarregou da palavra da reconciliação.

   IJOA2.1 Meus filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; mas, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.

   IJOA2.2 E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.

   IJOA4.14 E nós temos visto, e testificamos que o Pai enviou seu Filho como Salvador do mundo.

   ROM5.18 Portanto, assim como por uma só ofensa veio o juízo sobre todos os homens para condenação, assim também por um só ato de justiça veio a graça sobre todos os homens para justificação e vida.

   IICOR5.14 Pois o amor de Cristo nos constrange, porque julgamos assim: se um morreu por todos, logo todos morreram;

   IICOR5.15 e ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.

   ITIM2.4 o qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade.

   ITIM2.5 Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem,

   ITIM2.6 o qual se deu a si mesmo em resgate por todos, para servir de testemunho a seu tempo;

   HEB2.9 vemos, porém, aquele que foi feito um pouco menor que os anjos, Jesus, coroado de glória e honra, por causa da paixão da morte, para que, pela graça de Deus, provasse a morte por todos.

   IIPED3.9 O Senhor não retarda a sua promessa, ainda que alguns a têm por tardia; porém é longânimo para convosco, não querendo que ninguém se perca, senão que todos venham a arrepender-se.

Uma das razões para o uso dessas expressões era corrigir a noção falsa de que a salvação era apenas para os judeus. Frases como "o mundo", "todos os homens", "todas as nações", "toda criatura”, eram usadas para corrigir esse erro. Essas expressões eram usadas para mostrar que Cristo morreu para todos os homens sem distinção (i.e., Ele morreu tanto para judeus como para gentios), mas elas não pretendem indicar que Cristo morreu por todos os homens, sem exceção (i.e., Ele não morreu com o propósito de salvar todo e qualquer pecador perdido).

b) Há outras passagens que falam de Sua obra salvadora em termos definidos e mostram que ela foi intencionada para salvar infalivelmente um determinado povo, a saber. aqueles que Lhe foram dados pelo Pai:

MAT1.21 ela dará à luz um filho, a quem chamarás JESUS; porque ele salvará o seu povo dos seus pecados.

   MAT26.28 pois isto é o meu sangue, o sangue do pacto, o qual é derramado por muitos para remissão dos pecados.

   JOA10.11 Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas.

   JOA11.50 nem considerais que vos convém que morra um só homem pelo povo, e que não pereça a nação toda.

   JOA11.51 Ora, isso não disse ele por si mesmo; mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus havia de morrer pela nação,

   JOA11.52 e não somente pela nação, mas também para congregar num só corpo os filhos de Deus que estão dispersos.

   JOA11.53 Desde aquele dia, pois, tomavam conselho para o matarem.

   ATO20.28 Cuidai pois de vós mesmos e de todo o rebanho sobre o qual o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele adquiriu com seu próprio sangue.

   EFE5.25 Vós, maridos, amai a vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela,

   EFE5.26 a fim de a santificar, tendo-a purificado com a lavagem da água, pela palavra,

   EFE5.27 para apresentá-la a si mesmo igreja gloriosa, sem mácula, nem ruga, nem qualquer coisa semelhante, mas santa e irrepreensível.

   ROM8.32 Aquele que nem mesmo a seu próprio Filho poupou, antes o entregou por todos nós, como não nos dará também com ele todas as coisas?

   ROM8.33 Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica;

   ROM8.34 Quem os condenará? Cristo Jesus é quem morreu, ou antes quem ressurgiu dentre os mortos, o qual está à direita de Deus, e também intercede por nós;

   HEB2.17 Pelo que convinha que em tudo fosse feito semelhante a seus irmãos, para se tornar um sumo sacerdote misericordioso e fiel nas coisas concernentes a Deus, a fim de fazer propiciação pelos pecados do povo.

   HEB3.1 Pelo que, santos irmãos, participantes da vocação celestial, considerai o Apóstolo e Sumo Sacerdote da nossa confissão, Jesus,

   HEB9.15 E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna.

   HEB9.28 assim também Cristo, oferecendo-se uma só vez para levar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação.

   APO5.9 E cantavam um cântico novo, dizendo: Digno és de tomar o livro, e de abrir os seus selos; porque foste morto, e com o teu sangue compraste para Deus homens de toda tribo, e língua, e povo e nação;

D.  CHAMADA EFICAZ D0 ESPÍRITO OU GRAÇA IRRESISTÍVEL

Cada membro da Trindade - Pai, Filho e Espírito Santo - participa e contribui para a salvação de pecadores. Como já foi mostrado, o Pai, antes da fundação do mundo, escolheu aqueles que iriam ser salvos e deu-os ao Filho para serem o Seu povo. Na época oportuna o Filho veio ao mundo e assegurou a redenção desse povo. Mas esses dois grandes atos - a eleição e a redenção - não completam a obra da salvação, pois está incluída no plano divino para a recuperação do pecador perdido a obra renovadora do Espírito Santo, pela qual os benefícios da obediência e da morte de Cristo são aplicados ao eleito. A doutrina da Graça Irresistível ou Eficaz está relacionada com essa fase da Salvação. Declarada de modo simples, esta doutrina afirma que o Espírito Santo nunca falha em trazer à salvação aqueles pecadores que Ele pessoalmente chama a Cristo. Ele aplica inevitavelmente a salvação a todo pecador que Ele tencionou salvar, e é Sua intenção salvar todos os eleitos.

O apelo do evangelho estende uma chamada à salvação a todo que ouve a mensagem. Ele convida a todos os homens, sem distinção, a beber da água da vida e viver. Ele promete salvação a todo que se arrepender e crer. Mas essa chamada geral externa, estendida igualmente ao eleito e ao não eleito, não trará pecadores a Cristo. Por que? Porque os homens estão, por natureza, mortos em pecado e debaixo de seu poder. Eles são, por si mesmos, incapazes de abandonar os seus maus caminhos e se voltarem a Cristo, para receber misericórdia. Nem podem e nem querem fazer isso. Consequentemente, o não regenerado não vai responder à chamada do evangelho para arrepender-se e crer. Nenhuma quantidade de ameaças ou promessas externas fará um pecador cego, surdo, morto e rebelde se curvar perante Cristo como Senhor e olhar somente para Ele para a salvação. Tal ato de fé e submissão é contrário à natureza do homem perdido.

Por isso, o Espírito Santo, para trazer o eleito de Deus à salvação, estende-lhe uma chamada especial interna em adição à chamada externa contida na mensagem do evangelho. Através dessa chamada especial, o Espírito Santo realiza uma obra de graça no pecador que, inevitavelmente, o traz à fé em Cristo. A mudança interna operada no pecador eleito o capacita a entender e crer na verdade espiritual.

No campo espiritual, são lhe dados olhos para ver e ouvidos para ouvir. O Espírito cria nele um novo coração e uma nova natureza. Isto é realizado através da regeneração (novo nascimento), pela qual o pecador é feito filho de Deus e recebe a vida espiritual. Sua vontade é renovada através desse processo, de forma que o pecador vem espontaneamente a Cristo por sua própria e livre escolha. Pelo fato de receber uma nova natureza que o habilita a amar a retidão, e porque sua mente é iluminada de .forma a habilitá-lo a entender e crer no evangelho, o pecador renovado (regenerado) volta-se para Cristo, livre e voluntariamente, como seu Senhor e Salvador. Assim, o pecador que antes estava morto, é atraído a Cristo pela chamada interna e sobrenatural do Espírito, a qual, através da regeneração, o vivifica e cria nele a fé e o arrependimento.

Embora a chamada externa do evangelho possa ser, e freqüentemente é, rejeitada, a chamada interna e especial do Espírito nunca deixa de produzir a conversão daqueles a quem ela é feita. Essa chamada especial não é feita a todos os pecadores, mas é estendida somente aos eleitos. O Espírito não depende em nenhuma maneira da ajuda ou cooperação do pecador para ter sucesso em Sua obra de trazê-lo a Cristo. É por essa razão que os calvinistas falam da chamada do Espírito e da graça de Deus em salvar pecadores como sendo "eficaz", "invencível" ou "irresistível". A graça que o Espírito Santo estende ao eleito não pode ser obstada, nem recusada; ela nunca falha em trazê-lo à verdadeira fé em Cristo.

A doutrina da Graça Irresistível ou da Vocação Eficaz é apresentada em termos bem claros no capítulo X da Confissão de Fé de Westminster.

1. Declarações gerais mostrando que a salvação é tanto obra do Espírito como é do Pai e do Filho:

ROM8.14 Pois todos os que são guiados pelo Espírito de Deus, esses são filhos de Deus.

   ICOR2.10 Porque Deus no-las revelou pelo seu Espírito; pois o Espírito esquadrinha todas as coisas, mesmos as profundezas de Deus.

   ICOR2.11 Pois, qual dos homens entende as coisas do homem, senão o espírito do homem que nele está? assim também as coisas de Deus, ninguém as compreendeu, senão o Espírito de Deus.

   ICOR2.12 Ora, nós não temos recebido o espírito do mundo, mas sim o Espírito que provém de Deus, a fim de compreendermos as coisas que nos foram dadas gratuitamente por Deus;

   ICOR2.13 as quais também falamos, não com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito Santo, comparando coisas espirituais com espirituais.

   ICOR2.14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

   ICOR6.11 E tais fostes alguns de vós; mas fostes lavados, mas fostes santificados, mas fostes justificados em nome do Senhor Jesus Cristo e no Espírito do nosso Deus.

   ICOR12.3 Portanto vos quero fazer compreender que ninguém, falando pelo Espírito de Deus, diz: Jesus é anátema! e ninguém pode dizer: Jesus é o Senhor! senão pelo Espírito Santo.

   IICOR3.6 o qual também nos capacitou para sermos ministros dum novo pacto, não da letra, mas do espírito; porque a letra mata, mas o espírito vivifica.

   IICOR3.17 Ora, o Senhor é o Espírito; e onde está o Espírito do Senhor aí há liberdade.

   IICOR3.18 Mas todos nós, com rosto descoberto, refletindo como um espelho a glória do Senhor, somos transformados de glória em glória na mesma imagem, como pelo Espírito do Senhor.

   IPED1.2 eleitos segundo a presciência de Deus Pai, na santificação do Espírito, para a obediência e aspersão do sangue de Jesus Cristo: Graça e paz vos sejam multiplicadas.

2. Através da regeneração ou novo nascimento, os pecadores recebem a vida espiritual e são feitos filhos de Deus. A Bíblia descreve esse processo como uma ressurreição espiritual, uma criação, o recebimento de um novo coração, etc. A mudança interna, que é operada através do Espírito Santo, é fruto do poder e da graça de Deus e de forma nenhuma depende da ajuda do homem para a operação do Espírito ser bem sucedida.

a) Os pecadores, através da regeneração, são trazidos para o Reino de Deus e feitos Seus filhos. O autor desse "segundo" nascimento é o Espírito Santo: o instrumento que Ele usa é a Palavra de Deus:

JOA1.12 Mas, a todos quantos o receberam, aos que crêem no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus;

   JOA1.13 os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do varão, mas de Deus.

   JOA3.3 Respondeu-lhe Jesus: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus.

   JOA3.4 Perguntou-lhe Nicodemos: Como pode um homem nascer, sendo velho? porventura pode tornar a entrar no ventre de sua mãe, e nascer?

   JOA3.5 Jesus respondeu: Em verdade, em verdade te digo que se alguém não nascer da água e do Espírito, não pode entrar no reino de Deus.

   JOA3.6 O que é nascido da carne é carne, e o que é nascido do Espírito é espírito.

   JOA3.7 Não te admires de eu te haver dito: Necessário vos é nascer de novo.

   JOA3.8 O vento sopra onde quer, e ouves a sua voz; mas não sabes donde vem, nem para onde vai; assim é todo aquele que é nascido do Espírito.

   TIT3.5 não em virtude de obras de justiça que nós houvéssemos feito, mas segundo a sua misericórdia, nos salvou mediante o lavar da regeneração e renovação pelo Espírito Santo,

   IPED1.3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,

   IPED1.23 tendo renascido, não de semente corruptível, mas de incorruptível, pela palavra de Deus, a qual vive e permanece.

   IJOA5.4 porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.

2) Através da obra do Espírito o pecador morto recebe um novo coração (uma nova natureza) e é levado a andar na lei de Deus. Em Cristo ele torna-se uma nova criação:

DEU30.6 Também o Senhor teu Deus circuncidará o teu coração, e o coração de tua descendência, a fim de que ames ao Senhor teu Deus de todo o teu coração e de toda a tua alma, para que vivas.

   EZE36.26 Também vos darei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.

   EZE36.27 Ainda porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis as minhas ordenanças, e as observeis.

   GAL6.15 Pois nem a circuncisão nem a incircuncisão é coisa alguma, mas sim o ser uma nova criatura.

   EFE2.10 Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para boas obras, as quais Deus antes preparou para que andássemos nelas.

   IICOR5.17 Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.

   IICOR5.18 Mas todas as coisas provêm de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Cristo, e nos confiou o ministério da reconciliação;

c) O Espírito Santo ergue o pecador de seu estado de morte espiritual e o vivifica:

JOA5.21 Pois, assim como o Pai levanta os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida a quem ele quer.

   EFE2.1 Ele vos vivificou, estando vós mortos nos vossos delitos e pecados,

   EFE2.5 estando nós ainda mortos em nossos delitos, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos),

   COL2.13 e a vós, quando estáveis mortos nos vossos delitos e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-nos todos os delitos;

3. Deus torna conhecidos aos Seus escolhidos os segredos do Reino através da revelação interna e pessoal dada pelo Espírito:

MAT11.25 Naquele tempo falou Jesus, dizendo: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos.

   MAT11.26 Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.

   MAT11.27 Todas as coisas me foram entregues por meu Pai; e ninguém conhece plenamente o Filho, senão o Pai; e ninguém conhece plenamente o Pai, senão o Filho, e aquele a quem o Filho o quiser revelar.

   LUC10.21 Naquela mesma hora exultou Jesus no Espírito Santo, e disse: Graças te dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos; sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.

   MAT13.10 E chegando-se a ele os discípulos, perguntaram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?

   MAT13.11 Respondeu-lhes Jesus: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas a eles não lhes é dado;

   MAT13.16 Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque vêem, e os vossos ouvidos, porque ouvem.

   LUC8.10 Respondeu ele: A vós é dado conhecer os mistérios do reino de Deus; mas aos outros se fala por parábolas; para que vendo, não vejam, e ouvindo, não entendam.

   MAT16.15 Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou?

   MAT16.15 Mas vós, perguntou-lhes Jesus, quem dizeis que eu sou?

   MAT16.16 Respondeu-lhe Simão Pedro: Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo.

   MAT16.17 Disse-lhe Jesus: Bem-aventurado és tu, Simão Barjonas, porque não foi carne e sangue que to revelou, mas meu Pai, que está nos céus.

   JOA6.37 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

   JOA6.44 Ninguém pode vir a mim, se o Pai que me enviou não o trouxer; e eu o ressuscitarei no último dia.

   JOA6.45 Está escrito nos profetas: E serão todos ensinados por Deus. Portanto todo aquele que do Pai ouviu e aprendeu vem a mim.

   JOA6.64 Mas há alguns de vós que não crêem. Pois Jesus sabia, desde o princípio, quem eram os que não criam, e quem era o que o havia de entregar.

   JOA6.65 E continuou: Por isso vos disse que ninguém pode vir a mim, se pelo Pai lhe não for concedido.

   ICOR2.14 Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque para ele são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente.

   EFE1.17 para que o Deus de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai da glória, vos dê o espírito de sabedoria e de revelação no pleno conhecimento dele;

   EFE1.18 sendo iluminados os olhos do vosso coração, para que saibais qual seja a esperança da sua vocação, e quais as riquezas da glória da sua herança nos santos,

4. A Fé e o Arrependimento são dons divinos, os quais são operados na alma através da obra regeneradora do Espírito Santo:

ATO5.31 sim, Deus, com a sua destra, o elevou a Príncipe e Salvador, para dar a Israel o arrependimento e remissão de pecados.

   ATO11.18 Ouvindo eles estas coisas, apaziguaram-se e glorificaram a Deus, dizendo: Assim, pois, Deus concedeu também aos gentios o arrependimento para a vida.

   ATO13.48 Os gentios, ouvindo isto, alegravam-se e glorificavam a palavra do Senhor; e creram todos quantos haviam sido destinados para a vida eterna.

   ATO16.14 E certa mulher chamada Lídia, vendedora de púrpura, da cidade de Tiatira, e que temia a Deus, nos escutava e o Senhor lhe abriu o coração para atender às coisas que Paulo dizia.

   ATO18.27 Querendo ele passar à Acáia, os irmãos o animaram e escreveram aos discípulos que o recebessem; e tendo ele chegado, auxiliou muito aos que pela graça haviam crido.

   EFE2.8 Porque pela graça sois salvos, por meio da fé- e isto não vem de vós, é dom de Deus;

   EFE2.9 não vem das obras, para que ninguém se glorie.

   FIL1.29 pois vos foi concedido, por amor de Cristo, não somente o crer nele, mas também o padecer por ele,

   IITIM2.25 corrigindo com mansidão os que resistem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento para conhecerem plenamente a verdade,

   IITIM2.26 e que se desprendam dos laços do Diabo (por quem haviam sido presos), para cumprirem a vontade de Deus.

5. O apelo do evangelho estende uma chamada geral externa à salvação a todos que ouvem a mensagem. Em adição a essa chamada externa, o Espírito estende uma chamada especial interna aos eleitos e só a esses. A chamada geral do evangelho pode ser, e geralmente é, rejeitada, mas a chamada especial do Espírito não pode ser rejeitada. Ela sempre resulta na conversão daqueles a quem é feita:

ROM1.6 entre os quais sois também vós chamados para serdes de Jesus Cristo;

  ROM1.7 a todos os que estais em Roma, amados de Deus, chamados para serdes santos: Graça a vós, e paz da parte de Deus nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

   ROM8.30 e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.

   ROM9.23 para que também desse a conhecer as riquezas da sua glória nos vasos de misericórdia, que de antemão preparou para a glória,

   ROM9.24 os quais somos nós, a quem também chamou, não só dentre os judeus, mas também dentre os gentios?

   ICOR1.1 Paulo, chamado para ser apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e o irmão Sóstenes,

   ICOR1.2 à igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados para serem santos, com todos os que em todo lugar invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor deles e nosso:

   ICOR1.9 Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor.

   ICOR1.23 nós pregamos a Cristo crucificado, que é escândalo para os judeus, e loucura para os gregos,

   ICOR1.24 mas para os que são chamados, tanto judeus como gregos, Cristo, poder de Deus, e sabedoria de Deus.

   ICOR1.25 Porque a loucura de Deus é mais sábia que os homens; e a fraqueza de Deus é mais forte que os homens.

   ICOR1.26 Ora, vede, irmãos, a vossa vocação, que não são muitos os sábios segundo a carne, nem muitos os poderosos. nem muitos os nobres que são chamados.

   ICOR1.27 Pelo contrário, Deus escolheu as coisas loucas do mundo para confundir os sábios; e Deus escolheu as coisas fracas do mundo para confundir as fortes;

   ICOR1.28 e Deus escolheu as coisas ignóbeis do mundo, e as desprezadas, e as que não são, para reduzir a nada as que são;

   ICOR1.29 para que nenhum mortal se glorie na presença de Deus.

   ICOR1.30 Mas vós sois dele, em Cristo Jesus, o qual para nós foi feito por Deus sabedoria, e justiça, e santificação, e redenção;

   ICOR1.31 para que, como está escrito: Aquele que se gloria, glorie-se no Senhor.

   GAL1.15 Mas, quando aprouve a Deus, que desde o ventre de minha mãe me separou, e me chamou pela sua graça,

   GAL1.16 revelar seu Filho em mim, para que eu o pregasse entre os gentios, não consultei carne e sangue,

   EFE4.4 Há um só corpo e um só Espírito, como também fostes chamados em uma só esperança da vossa vocação;

   IITIM1.9 que nos salvou, e chamou com uma santa vocação, não segundo as nossas obras, mas segundo o seu próprio propósito e a graça que nos foi dada em Cristo Jesus antes dos tempos eternos,

   HEB9.15 E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna.

   JUD1.1 Judas, servo de Jesus Cristo, e irmão de Tiago, aos chamados, amados em Deus Pai, e guardados em Jesus Cristo:

   IPED1.15 mas, como é santo aquele que vos chamou, sede vós também santos em todo o vosso procedimento;

   IPED2.9 Mas vós sois a geração eleita, o sacerdócio real, a nação santa, o povo adquirido, para que anuncieis as grandezas daquele que vos chamou das trevas para a sua maravilhosa luz;

   IPED5.10 E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer.

   IPED5.10 E o Deus de toda a graça, que em Cristo vos chamou à sua eterna glória, depois de haverdes sofrido por um pouco, ele mesmo vos há de aperfeiçoar, confirmar e fortalecer.

   IIPED1.3 visto como o seu divino poder nos tem dado tudo o que diz respeito à vida e à piedade, pelo pleno conhecimento daquele que nos chamou por sua própria glória e virtude;

   APO17.14 Estes combaterão contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, porque é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os que estão com ele, os chamados, e eleitos, e fiéis.

6. A aplicação da salvação é toda pela graça e só é realizada através do infinito poder de Deus:

ISA55.11 assim será a palavra que sair da minha boca: ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.

   JOA3.27 Respondeu João: O homem não pode receber coisa alguma, se não lhe for dada do céu.

   JOA17.2 assim como lhe deste autoridade sobre toda a carne, para que dê a vida eterna a todos aqueles que lhe tens dado.

   ROM9.16 Assim, pois, isto não depende do que quer, nem do que corre, mas de Deus que usa de misericórdia.

   ICOR3.6 Eu plantei; Apolo regou; mas Deus deu o crescimento.

   ICOR3.7 De modo que, nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.

   ICOR4.7 Pois, quem te diferença? E que tens tu que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias, como se não o houveras recebido?

   FIL2.12 De sorte que, meus amados, do modo como sempre obedecestes, não como na minha presença somente, mas muito mais agora na minha ausência, efetuai a vossa salvação com temor e tremor;

   FIL2.13 porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade.

   TIA1.18 Segundo a sua própria vontade, ele nos gerou pela palavra da verdade, para que fôssemos como que primícias das suas criaturas.

   IJOA5.20 Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.

E.  PERSEVERANÇA DOS SANTOS OU SEGURANÇA DOS CRENTES

Os eleitos não são apenas redimidos por Cristo e regenerados pelo Espírito; eles são mantidos na fé pelo infinito poder de Deus. Todos os que são unidos espiritualmente a Cristo, através da regeneração, estão eternamente seguros nEle. Nada os pode separar do eterno e imutável amor de Deus. Foram predestinados para a glória eterna e estão, portanto, assegurados para o céu.

A doutrina da perseverança dos santos não mantém que todos que professam a fé cristã estão garantidos para o céu. São os santos - os que são separados pelo Espírito - os que perseveram até o fim. São os crentes - aqueles que recebem a verdadeira e viva fé em Cristo - os que estão seguros e salvos nEle. Muitos que professam a fé cristã caem, mas eles não caem da graça pois nunca estiveram na graça. Os crentes verdadeiros caem em tentações e cometem graves pecados, às vezes, mas esses pecados não os levam a perder a salvação ou a separá-los de Cristo. A Confissão de Fé de Westminster diz o seguinte a respeito dessa doutrina: "Os que Deus aceitou em seu Bem-amado, os que ele chamou eficazmente e santificou pelo seu Espírito, não podem decair no estado da graça, nem total, nem finalmente; mas, com toda a certeza hão de perseverar nesse estado até o fim e serão eternamente salvos" (XVII, 1).

Boettner certamente está correto em afirmar que "essa doutrina não se manifesta isoladamente, mas é uma parte necessária do sistema calvinista de teologia. As doutrinas da Eleição e da Graça Eficaz implicam logicamente na salvação certa daqueles que recebem essas bênçãos. Se Deus escolheu homens de modo absoluto e incondicional para a vida eterna, e se o Seu Espírito efetivamente aplica-lhes os benefícios da redenção, a conclusão inevitável é que essas pessoas serão salvas" (op. cit., p.182).

Os seguintes versículos mostram que o povo de Deus recebe a vida eterna no momento em que crê. Estes são guardados pelo poder de Deus mediante a fé e nada os pode separar do Seu amor. Foram selados com o Espírito Santo que lhes foi dado como garantia de sua salvação e, desta forma, estão assegurados para uma herança eterna:

ISA43.1 Mas agora, assim diz o Senhor que te criou, ó Jacó, e que te formou, ó Israel: Não temas, porque eu te remi; chamei-te pelo teu nome, tu és meu.

   ISA43.2 Quando passares pelas águas, eu serei contigo; quando pelos rios, eles não te submergirão; quando passares pelo fogo, não te queimarás, nem a chama arderá em ti.

   ISA43.3 Porque eu sou o Senhor teu Deus, o Santo de Israel, o teu Salvador; por teu resgate dei o Egito, e em teu lugar a Etiópia e Seba.

   ISA54.10 Pois as montanhas se retirarão, e os outeiros serão removidos; porém a minha benignidade não se apartará de ti, nem será removido ao pacto da minha paz, diz o Senhor, que se compadece de ti.

   JER32.40 e farei com eles um pacto eterno de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor no seu coração, para que nunca se apartem de mim.

   MAT18.12 Que vos parece? Se alguém tiver cem ovelhas, e uma delas se extraviar, não deixará as noventa e nove nos montes para ir buscar a que se extraviou?

   MAT18.13 E, se acontecer achá-la, em verdade vos digo que maior prazer tem por esta do que pelas noventa e nove que não se extraviaram.

   MAT18.14 Assim também não é da vontade de vosso Pai que está nos céus, que venha a perecer um só destes pequeninos.

   JOA3.16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.

   JOA3.36 Quem crê no Filho tem a vida eterna; o que, porém, desobedece ao Filho não verá a vida, mas sobre ele permanece a ira de Deus.

   JOA5.24 Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a minha palavra, e crê naquele que me enviou, tem a vida eterna e não entra em juízo, mas já passou da morte para a vida.

   JOA6.35 Declarou-lhes Jesus. Eu sou o pão da vida; aquele que vem a mim, de modo algum terá fome, e quem crê em mim jamais terá sede.

   JOA6.36 Mas como já vos disse, vós me tendes visto, e contudo não credes.

   JOA6.37 Todo o que o Pai me dá virá a mim; e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora.

   JOA6.38 Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou.

   JOA6.39 E a vontade do que me enviou é esta: Que eu não perca nenhum de todos aqueles que me deu, mas que eu o ressuscite no último dia.

   JOA6.40 Porquanto esta é a vontade de meu Pai: Que todo aquele que vê o Filho e crê nele, tenha a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia.

   JOA6.47 Em verdade, em verdade vos digo: Aquele que crê tem a vida eterna.

   JOA10.27 As minhas ovelhas ouvem a minha voz, e eu as conheço, e elas me seguem;

   JOA10.28 eu lhes dou a vida eterna, e jamais perecerão; e ninguém as arrebatará da minha mão.

   JOA10.29 Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai.

   JOA10.30 Eu e o Pai somos um.

   JOA17.11 Eu não estou mais no mundo; mas eles estão no mundo, e eu vou para ti. Pai santo, guarda-os no teu nome, o qual me deste, para que eles sejam um, assim como nós.

   JOA17.12 Enquanto eu estava com eles, eu os guardava no teu nome que me deste; e os conservei, e nenhum deles se perdeu, senão o filho da perdição, para que se cumprisse a Escritura.

   JOA17.15 Não rogo que os tires do mundo, mas que os guardes do Maligno.

   ROM5.8 Mas Deus dá prova do seu amor para conosco, em que, quando éramos ainda pecadores, Cristo morreu por nós.

   ROM5.9 Logo muito mais, sendo agora justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira.

   ROM5.10 Porque se nós, quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, estando já reconciliados, seremos salvos pela sua vida.

   ROM8.1 Portanto, agora nenhuma condenação há para os que estão em Cristo Jesus.

   ROM8.29 Porque os que dantes conheceu, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho, a fim de que ele seja o primogênito entre muitos irmãos;

   ROM8.30 e aos que predestinou, a estes também chamou; e aos que chamou, a estes também justificou; e aos que justificou, a estes também glorificou.

   ROM8.35 quem nos separará do amor de Cristo? a tribulação, ou a angústia, ou a perseguição, ou a fome, ou a nudez, ou o perigo, ou a espada?

   ROM8.36 Como está escrito: Por amor de ti somos entregues à morte o dia todo; fomos considerados como ovelhas para o matadouro.

   ROM8.37 Mas em todas estas coisas somos mais que vencedores, por aquele que nos amou.

   ROM8.38 Porque estou certo de que, nem a morte, nem a vida, nem anjos, nem principados, nem coisas presentes, nem futuras, nem potestades,

   ROM8.39 nem a altura, nem a profundidade, nem qualquer outra criatura nos poderá separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus nosso Senhor.

   ICOR1.7 de maneira que nenhum dom vos falta, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo,

   ICOR1.8 o qual também vos confirmará até o fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.

   ICOR1.9 Fiel é Deus, pelo qual fostes chamados para a comunhão de seu Filho Jesus Cristo nosso Senhor.

   ICOR10.13 Não vos sobreveio nenhuma tentação, senão humana; mas fiel é Deus, o qual não deixará que sejais tentados acima do que podeis resistir, antes com a tentação dará também o meio de saída, para que a possais suportar.

   IICOR4.14 sabendo que aquele que ressuscitou o Senhor Jesus, nos ressuscitará a nós com Jesus, e nos apresentará convosco.

   IICOR4.17 Porque a nossa leve e momentânea tribulação produz para nós cada vez mais abundantemente um eterno peso de glória;

   EFE1.5 e nos predestinou para sermos filhos de adoção por Jesus Cristo, para si mesmo, segundo o beneplácito de sua vontade,

   EFE1.13 no qual também vós, tendo ouvido a palavra da verdade, o evangelho da vossa salvação, e tendo nele também crido, fostes selados com o Espírito Santo da promessa,

   EFE1.14 o qual é o penhor da nossa herança, para redenção da possessão de Deus, para o louvor da sua glória.

   EFE4.30 E não entristeçais o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção.

   COL3.3 porque morrestes, e a vossa vida está escondida com Cristo em Deus.

   COL3.4 Quando Cristo, que é a nossa vida, se manifestar, então também vós vos manifestareis com ele em glória.

   ITES5.23 E o próprio Deus de paz vos santifique completamente; e o vosso espírito, e alma e corpo sejam plenamente conservados irrepreensíveis para a vinda de nosso Senhor Jesus Cristo.

   ITES5.24 Fiel é o que vos chama, e ele também o fará.

   IITIM4.18 E o Senhor me livrará de toda má obra, e me levará salvo para o seu reino celestial; a quem seja glória para todo o sempre. Amém.

   HEB9.12 e não pelo sangue de bodes e novilhos, mas por seu próprio sangue, entrou uma vez por todas no santo lugar, havendo obtido uma eterna redenção.

   HEB9.15 E por isso é mediador de um novo pacto, para que, intervindo a morte para remissão das transgressões cometidas debaixo do primeiro pacto, os chamados recebam a promessa da herança eterna.

   HEB10.14 Pois com uma só oferta tem aperfeiçoado para sempre os que estão sendo santificados.

   HEB12.28 Pelo que, recebendo nós um reino que não pode ser abalado, retenhamos a graça, pela qual sirvamos a Deus agradavelmente, com reverência e temor;

   IPED1.3 Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que, segundo a sua grande misericórdia, nos regenerou para uma viva esperança, pela ressurreição de Jesus Cristo dentre os mortos,

   IPED1.4 para uma herança incorruptível, incontaminável e imarcescível, reservada nos céus para vós,

   IPED1.5 que pelo poder de Deus sois guardados, mediante a fé, para a salvação que está preparada para se revelar no último tempo;

   IJOA2.19 Saíram dentre nós, mas não eram dos nossos; porque, se fossem dos nossos, teriam permanecido conosco; mas todos eles saíram para que se manifestasse que não são dos nossos.

   IJOA2.25 E esta é a promessa que ele nos fez: a vida eterna.

   IJOA5.4 porque todo o que é nascido de Deus vence o mundo; e esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé.

   IJOA5.11 E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu Filho.

   IJOA5.12 Quem tem o Filho tem a vida; quem não tem o Filho de Deus não tem a vida.

   IJOA5.13 Estas coisas vos escrevo, a vós que credes no nome do Filho de Deus, para que saibais que tendes a vida eterna.

   IJOA5.20 Sabemos também que já veio o Filho de Deus, e nos deu entendimento para conhecermos aquele que é verdadeiro; e nós estamos naquele que é verdadeiro, isto é, em seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna.

   JUD1.24 Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos ante a sua glória imaculados e jubilosos,

   JUD1.25 ao único Deus, nosso Salvador, por Jesus Cristo nosso Senhor, glória, majestade, domínio e poder, antes de todos os séculos, e agora, e para todo o sempre. Amém.

Fonte: IPTC


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Os Cânones de Dort

História do Cânones de Dort (1618-1619)

O Sínodo de Dort reuniu-se por autoridade dos Estados Gerais dos Países Baixos, em Dordrecht, Holanda, de 13/11/1618 a 9/5/1619. O Sínodo foi constituído de 35 pastores, um grupo de presbíteros das igrejas holandesas, 5 catedráticos de teologia dos Países Baixos, 18 deputados dos Estados Gerais e 27 estrangeiros, de diversos países da Europa, tais como Inglaterra, Alemanha, França e Suíça. Dort rejeitou os chamados "Cinco pontos do arminianismo". [34] Os Cânones de Dort foram aceitos por todas as igrejas reformadas como expressão correta do sistema calvinista.

Seguindo J. I. Packer, [35] podemos resumir o sistema arminiano e calvinista da seguinte forma:

Cinco pontos do arminianismo

Cinco pontos do calvinismo

1. O homem nunca é de tal modo corrompido pelo pecado que não possa crer salvaticiamente no evangelho, uma vez que este lhe seja apresentado.

  1. O homem decaído, em seu estado natural, não tem capacidade alguma para crer no evangelho, tal como lhe falta toda a capacidade para dar crédito à lei, a despeito de toda indução externa que sobre ele possa ser exercida.

2. O homem nunca é de tal modo controlado por Deus que não possa rejeitá-lo.

2. A eleição de Deus é uma escolha gratuita, soberana e incondicional de pecadores, como pecadores, para que venham a ser redimidos por Cristo, para que venham a receber fé e para que sejam conduzidos à glória.

3. A eleição divina dos que serão salvos alicerça-se sobre o fato da provisão divina de que eles haverão de crer, por sua própria deliberação.

3. A obra remidora de Cristo teve como sua finalidade e alvo a salvação dos eleitos.

4. A morte de Cristo não garantiu a salvação para ninguém, pois não garantiu o dom da fé para ninguém (e nem mesmo existe tal dom); o que ela fez foi criar a possibilidade de salvação para todo aquele que crê.

4. A obra do Espírito Santo, ao conduzir os homens à fé, nunca deixa de atingir o seu objetivo.

5. Depende inteiramente dos crentes manterem-se em um estado de graça, conservando a sua fé; os que falham nesse ponto desviam-se e se perdem.

5. Os crentes são guardados na fé na graça pelo poder inconquistável de Deus, até que eles cheguem à glória.

34] Discípulos de James Arminius [Jacó Armínio] (1560-1609), antigo aluno do sucessor de Calvino em Genebra Theodore de Beza (1519-1605).

[35] O "antigo" evangelho, p. 6.

Autor: Hermisten Maia Pereira da Costa

Fonte: Fundamentos da teologia reformada, pg. entre 9-24, Editora Mundo Cristão. Compre este livro em www.mundocristao.com.br

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João Calvino
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As Institutas - Edição Clássica

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Tradução: Dr. Waldyr Carvalho Luz
Formato: 16 x 23 cm

- Coleção em 4 volumes, capa dura colorida;
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- Tradução do Dr. Waldyr Carvalho Luz, a partir da edição final e completa em latim, de 1559, com consultas à Edição Francesa, texto atualizado de Pierre Marcel e Jean Cadier, de 1955, à respeitada tradução para o inglês de Ford Lewis Battles (edição de 1961), à tradução de John Allen, 7ª edição americana, de 1936, à versão alemã de Karl Muller, edição de 1928 e à espanhola de Cipriano de Valera (revisão de 1967);
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A palavra calvinismo tem vários sentidos. Em seu significado mais amplo, como se vê neste livro, o calvinismo se refere a um sistema que alcança todos os aspectos da vida humana. Como muitos "ismos" conhecidos, o calvinismo apresenta à humanidade um conjunto de alternativas com respeito às três questões básicas da vida:
1.Como uma pessoa se relaciona com Deus;
2.Como uma pessoa se relaciona com as outras pessoas;
3.Como uma pessoa se relaciona com o mundo.
Nesta edição é apresentada a relação do Calvinismo com Religião, Política, Ciência e Arte.

 

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