Quem sou eu? Discípulo ou fariseu?
Nunca vou me esquecer de uma frase que provocou verdadeira agitação em minha vida cristã. A frase dizia: "A diferença entre o fariseu e o discípulo verdadeiro é que o fariseu serve para ser admirado, e o discípulo verdadeiro serve para que Deus seja admirado." Eu acredito que nunca vivemos tempos tão competitivos como agora. O que se faz e o que se tem tornaram-se mais significativos do que quem se é. "Qual é o seu ramo de trabalho? Você tem curso superior? Já fez pós-graduação? Você fala inglês? Onde você mora? Quantos carros você tem?" Estas e uma imensa lista de outras perguntas surgem entre pessoas quando se conhecem ou quando não se vêem há algum tempo. As pessoas são avaliadas não pelo seu caráter, mas por aquilo que fazem e o quanto de dinheiro e status isso fazer pode proporcionar. Esta mentalidade equivocada tem atingido a Igreja. Buscando a aceitação e o reconhecimento uns dos outros, muitos membros de igrejas se afundam no ativismo, procurando ocupar posição de destaque dentro da comunidade religiosa a que pertencem. Muitos, infelizmente, alcançam seus objetivos. Infelizmente, porque a motivação que os impulsiona é absolutamente errada. Eles querem ser vistos, admirados e até invejados. Querem todos os dons e toda a unção para si, e não para atrair vidas aos pés do Senhor, Aquele que é o doador dos dons e da unção. Lendo em um dicionário o significado da palavra servo, achei que ele deveria ser melhor compreendido e divulgado. Servo: Aquele que não tem direitos, ou não dispõe de sua pessoa e bens. Fui tremendamente impactada por este significado. Nossos lábios proclamam a todo o momento, que somos servos, mas sempre queremos fazer valer o "nosso direito", a "nossa voz" e a "nossa posição". Será que somos discípulos verdadeiros? Somos servos desprendidos, sem nenhum interesse, a não ser atrair os olhares para o nosso Mestre e Senhor? Criticamos os fariseus com muita propriedade, mas será que não somos exatamente iguais? Tocando a trombeta, chamando a atenção para os nossos talentos, nossos dons, nosso ministério, nossa igreja? Creio que ao afirmar que deveríamos ser como crianças para entrar em Seu reino, Jesus Se referia à pureza, à total ausência de interesses secundários, e não a esta eterna imaturidade emocional, que nos coloca sempre preocupados com o que faremos para sermos aceitos e populares. Temos que, definitivamente, entender que não é pelo que fazemos ou pelo que temos que nos tornamos diferentes. Mas a quem pertencemos é que faz toda a diferença. Por pertencermos ao Senhor, nos tornamos diferentes daqueles que ainda não o conhecem. Ele é quem tem, quem dá e faz. E nós? Temos o incomparável privilégio de sermos dele. Tudo o que temos ou fazemos de bom vem do Senhor. Porque então agarrar a glória que pertence somente a Ele? O discípulo verdadeiro é humilde, manso e sensível. Sempre que fizer alguma coisa sem egoísmo, Deus recebe a glória, e você será honrado por Ele "pois todo o que se exalta será humilhado; e o que se humilha será exaltado" (Lc 14.11). Colaboração especial: Carlinha |