Teologia Calvinista
Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus Ef2.8
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February 9, 2012


O Estilo de Calvino: forma literária das Institutas

Sobre a forma literária das Institutas, como falar sem repetir o que excelentemente disseram mestres com Brunetiére, Lanson, Lefranc, Brunot, Plattard, Huguet? Aos 23 anos de idade, Calvino já tinha indicado, a propósito de Sêneca, que havia procurado escrever numa linguagem pura, elegante, breve, clara, variada. Ora são os períodos oratórios, ora os termos incisivos, irônicos. A sintaxe é mais demorada que a nossa, observa Petit de Julleville; por isso, as construções são sempre limpas. Os períodos amplos lembram a frase latina, com poucos incidentes longos. As palavras importantes são bem valorizadas; a frase, em termos matizados, equilibrados, é harmoniosa na leitura e sonora ao ouvido, com cadência musical. O ritmo é ora mais lento, ora mais rápido: é obra de um grande apreciador do canto, estilo de um homem instruído e igualmente elevado, de conversa agradável e também orador eloqüente. As imagens são vivas, mantendo a atenção desperta; são mais numerosas em 1541 que em 1536. Os provérbios são freqüentes, como igualmente as comparações, aqueles e estas mais freqüentes também em 1541, porque o autor deseja ser compreendido por maior número de leitores. Já não se dirige somente aos letrados; quer esclarecer os que pouco sabe. É, pois, necessário que uma expressão familiar venha alegrar um desenvolvimento que se arriscava a parecer muito abstrato. Algumas palavras são curiosas e merecem realce. Umas matem o sabor da Picardia, terra natal do autor (no tratado contra os libertinos, Calvino reproduzirá a forma de expressar de um interlocutor em sua fala própria de Picardia); as outras provêm dos seus estudos jurídicos.

Os termos jurídicos são mais freqüentemente empregados no latim de 1536 e de 1539, cujos leitores conheciam a linguagem técnica, do que no francês de 1541. Nesta, quando essa linguagem ocorre, a terminologia é a dos procedimentos da época, e mesmo, familiarmente, a do clero.
Calvino considera a parte contrária como uma querelante que ataca os interesses dos quais ele é o defensor: os interesses da verdade do evangelho. Diante de um tribunal onde há um trono real. Calvino pleiteia uma causa que é a de um soberano maior, Rei dos reis.
Trata-se de “argüir” bem, de “redargüir”, de “prescrever”, de “requerer”. Juiz, julgamento, testemunho, são expressões correntes. Em 1541, é questão de uma “pobre defesa, indigna de admitir-se” (a tipografia de 1539 tinha tolamente impresso digna). Não se pode “alegar ignorância”, é-lhe negada “toda escusa”, redige-se um instrumento. Termos bastante específicos: manumissio restitutio in integrum, são substituídos por equivalentes mais fáceis de entender: libertação, reparação.

De maneira constante , o escritor se esforça para dar ao livro de 1541 um caráter mais popular; as palavras impressas em caracteres gregos são suprimidas; ouras, transliteradas em francês: Ithesis, hypothesis, etc., desaparecem em 1541.

Em 1541, a tradução francesa, grave e simples, segue literalmente o texto de 1539. Vinte anos depois, na última edição francesa, revista e bastante aumentada, a língua ficará mais livre do latim; mas, se Calvino fez revisão do texto, parece que a de 1541 foi inteiramente redigida por ele, o que dá a essa edição um valor documental sem par. Em 1560, serão eliminados os substantivos abstratos terminados em tion e os advérbios em ment, demasiado freqüentes em 1541; se certos termos novos adotados pelo revisor de 1560 estão mais próximos da nossa língua moderna, as formas empregadas pelo jovem escritor de 1541 são mais concisas e a redação é mais analítica. A seqüência dos pensamentos é bem encadeada, as idéias secundárias são agrupadas em torno de pensamento principal, os componentes de frase são coordenados segundo suas respectivas proporções. Do ponto de vista da forma, o conjunto produz no leitor uma impressão artística, como também, do ponto de vista do conteúdo, uma impressão de pensamento profundo.

Autor: Jacques Panner
Pastor, Doutor em Letras, Bibliotecário da Sociedade de História do Protestantismo Francês.
Fonte: As Institutas da Religião Cristã, edição especial, ed. Cultura Cristã, Vol. 1, pg 25-26. Compre este maravilhoso livro em http://www.cep.org.br .








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