Teologia Calvinista
Pela graça sois salvos, por meio da fé, e isto não vem de vós, é dom de Deus Ef2.8
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February 9, 2012


Fonte, Tom e Testemunho invocados das Institutas

Fonte:

O livro Institutas, em princípio, não pretende ser outra coisa que um comentário da Escritura Sagrada. Quando a esta, já há uma dezena de anos, Olivétan levou Calvino a reconhecer a autoridade soberana em matéria de fé; Calvino estudou hebraico e grego a fundo para poder ler melhor que na Vulgata os textos do Antigo e do Novo Testamento. As edições de Erasmo, os comentários de Lefévre, são seus livros de cabeceira.

Ele lê também os chamados pais da igreja, e, depois de 1541, os lerá mais do que antes de 1539. Entre os “pais” gregos ele só fica conhecendo bem João Crisóstomo; ele lê maior número de “pais” latinos, sobretudo Agostinho.

Com respeito a autores profanos, Aristóteles e Plantão, Cícero e Sêneca, freqüentemente editados e comentados pelos humanistas, fornecem muitas referências. Muitas vezes os estóicos são criticados, o mesmo acontecendo com os escolásticos, entre os quais Calvino inclui os sorbonistas do seu tempo. De bom grado cita história antiga e também a história profana.

Quanto aos reformadores, Calvino não cite Ecolampádio em 1536 (e, todavia, a lembrança do teólogo de Basiléia era ainda muito recente naquela cidade quanto Calvino fez chegar lá o livro Institutas), como também não cita Bucer em 1539 e em 1541 (e, todavia, a influência do pastor alsaciano se faz sentir nas páginas acrescentadas à redação primitiva: sobre a doutrina da igreja, etc.).

De Lutero, Calvino fala com respeito; ele não tinha lido as suas obras em alemão, língua que lê ignorava, mas em latim.

Por fim, suas leituras estendem-se aos escritos dos adversários. Um deles é Béda (ex-diretor do colégio Montaigu, onde Calvino estudou alguns meses), inspirador das declarações da Sorbonne contra Ersamo, Lefévre, Berquin e Lutero (Béda não pôde ler e condenar as institutas, pos morreu em 1536).

Tom:

Contra os adversários, Calvino batalhará vigorosamente, empregando termos enérgicos, sobretudo após 1541. Como os primeiros escritos dos evangélicos franceses e como os primeiros extratos das obras de Lutero, selecionados pelos tradutores franceses, as primeiras edições latina e francesa das Institutas pretendem ser obras de edificação, antes que tratados de controvérsia. Não quer dizer que nos textos de 1539 e de1541 não se encontram expressões cáusticas, mordazes e até violentas; mas Calvino, aos 29 anos de idade, ainda não é o homem que se tornará à medida que  envelhecer, mostrando=se na juventude muito irritado pelas oposições, pelas dificuldades, pelas inquietações e pela doenças¹ que o mantiveram preso al leitor durante boa parte do seu tempo de trabalho.

Mais ainda que os adversários declarados, ele vê com maus olhos, desde 1539, aqueles que, como Rabelais e Des Périers, tendo-se inclinado para o  evangelho, depois o abandonaram: assim, dois ex-discípulos de Lefêvre, o cônego flamengo Clichtow (cujos sermões foram publicados em 1535) e o capelão de  Marguerite d’Angoulême, que se tornou bispo de Oloron, Gerard Roussel: as cartas contra os “Nicodémites” (hipócritas) foram compostas em Ferrara em 1536, O Tratado sobre os Escândalos em Estraburgo, em 1540, portanto entre a segunda edição das Institutas e sua versão francesa.

Os Testemunhos Invocados:

Calvino recorre também, quando se lhe apresenta a ocasião, às descobertas – ainda bastante rudimentares – dos sábios, às obras dos artistas, aos espetáculos da natureza, em favor da causa que lhe é cara; mais ainda, em favor da Causa que, de toda a sua alma, ele crê que é santa. Como bom advogado, ele invoca todas as autoridades das quais pode reclamar testemunho: a autoridade de autores profanos, de “pais” da igreja e, sobretudo, de escritores sacros,; mas, para tocar o coração de todos, de reis e dos sábios, como também dos “simples e rudes” que têm sede da verdade. Calvino conta, antes de tudo e quase unicamente, com uma ação superior aos poderes humanos, com a intervenção pessoal e direta do Pai celeste na consciência dos seus filhos, com o testemunho do Espírito Santo. Esta doutrina especificamente calvinista, baseada na Escrituras Sagrada, é o fio condutor que permite seguir de um extremo ao outro o plano e os diversos capítulos do livro. Outra doutrina, destinada a receber mais tarde grande desenvolvimentos, a da predestinação, é rapidamente formulada nos textos de 1539 e de 1541. Se Calvino comenta a Palavra de Deus, se escreve as Institutas, é porque está persuadido de que esta palavra pode e deve exercer uma ação irresistível sobre as almas a quem Deus concede esse privilégio.

Post tenebras lux (luz após trevas) é o versículo de Jó que Calvino viu torna-se a divisa de Genebra quando esta adotou a Reforma, em 1536. Quando essa luz de Deus brilha, quando a voz de Deus se faz ouvir, só nos resta obedecer. “Promptè et sincerè” (Pronta e sinceramente) é uma palavra de ordem que Calvino toma para si e dá aos outros.

Nota:
¹ Calvino reflete sobre a fragilidade humana: João Calvino, As Institutas,  1.17.10. Calvino, que sempre teve  saúde débil, acompanhada de uma capacidade hercúlca de trabalho, em 8/2/1564, escreve a médicos de Montpellier agradecendo os remédios e a gentil atenção. Nesta carta ele descreve sua enfermidade: artrite, pedras nos rins, hemorróidas (enfermidade que impedia de cavalgar), febre, nefrite, indigestão, cólicas, úlceras, emissão de sangue por via urinária... (Vd. John Calvin. “To the Phtsicians of Montpellier”, “Letters,” John Calvin. [CD-ROM], (Albany, OR: Age Software, 1998), nº 665). Nota de Dr. Hermisten Maia Pereira da Costa.

Autor: Jacques Panner
Pastor, Doutor em Letras, Bibliotecário da Sociedade de História do Protestantismo Francês.
Fonte: As Institutas da Religião Cristã, edição especial, ed. Cultura Cristã, Vol 1, pg 26-28. Compre este maravilhoso livro em http://www.cep.org.br .








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