Congregação Batista Missionária no Rio de Janeiro
SUA FAMÍLIA ESPIRITUAL ( Efésios 2.19 )

Por que não creio em alma gêmea

Texto bíblico: Hebreus 9.27,28

Quando se fala em alma gêmea, nos dias de hoje, principalmente através dos meios de comunicação, e de maneira muito particular, através da Rede Globo de Televisão, fala-se também de reencarnação. As duas coisas andam juntas, pois esta é a finalidade de quem advoga esta crença.
O autor da novela Alma gêmea, Walcyr Carrasco – autor também de Chocolate com pimenta e Xica da Silva – busca defender sua crença na reencarnação. Observe que não é apenas uma figura de linguagem, referindo-se a afinidade que pode haver entre um casal que se ama. Quando se fala de alma gêmea, no sentido aplicado na novela, busca-se passar uma crença religiosa na reencarnação. Na trama, a mestiça Serena (Priscila Fantin), filha de índia com garimpeiro, sai da aldeia onde vive para ir atrás da prima de uma ex-professora que moraria na cidade grande. Na novela, Serena é a reencarnação de Luna (Liliana Castro) que foi assassinada e anos depois, no corpo da mestiça, reencontra seu grande amor, Rafael (Eduardo Moscovis).
De acordo com o Instituto de Pesquisa Gallup, a popularidade da reencarnação tem crescido bastante. Uma de suas mais populares defensoras, em anos recentes, é a atriz, dançarina, cantora e autora Shirley MacLaine, que já escreveu vários livros relatando suas “experiências em vidas passadas”.
Embora o assunto esteja tão em voga, principalmente por causa da novela global, este tema não é novo. A reencarnação tem sido, desde a antiguidade, uma doutrina largamente aceita por hindus e budistas. Mas também não era incomum encontrá-la entre os filósofos gregos que a denominaram metempsychosis – literalmente “mudança de almas”.
Isto nada mais é que uma estratégia do diabo (que é o pai da mentira), para enganar, iludir e desviar muitos do caminho da verdade. Foi assim desde o início. Observe como Satanás é sutil em sua maneira de agir. Compare a ordem de Deus (Gn 2.16,17), com a interpretação da serpente (Gn 3.1-5). Ele introduziu a descrença quanto a Palavra de Deus. E ele ainda hoje age assim, utilizando-se da Palavra de Deus (distorcendo-a, é claro), para disseminar suas mentiras. É essa a arma que Satanás utiliza com mais eficácia na disseminação do pecado na face da terra.
A espinha dorsal do kardecismo é a crença na reencarnação, isto é, na possibilidade de as almas, preexistentes voltarem à vida corpórea para purificação, quantas vezes seja necessário. Preexistência da alma e pluralidade das existências são termos chaves no ensino reencarnacionista.
A crença na reencarnação é frontalmente oposta aos ensinos da Palavra de Deus. A Bíblia fala de ressurreição e não de reencarnação. Ressurreição é o retorno, à vida, de um corpo morto, com a mesma alma.
O homem não precisa morrer várias vezes para alcançar a suprema glória de morar no céu e estar com Cristo. A doutrina da reencarnação nega o poder de Deus de perdoar totalmente nossos pecados, e despreza o sacrifício de Jesus na cruz. Ora, perdão é perdão. Havendo sincero arrependimento e desejo de não mais pecar, o perdão de Deus será incondicional. Prova inequívoca disto é a afirmação de Jesus que disse o seguinte ao ladrão arrependido, crucificado ao seu lado: “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no Paraíso” (Lc 23.43). Com esta afirmação, Jesus confirmou que os salvos – arrependidos, perdoados e crentes em Jesus –, após a morte, seguirão imediatamente para o céu ou paraíso. Aquele ladrão, segundo a doutrina da reencarnação, teria que passar por uma ou várias vidas corpóreas, ou seja, sua alma voltaria à vida humana para expurgar toda nódoa do mal.
Paulo, “servo de Jesus Cristo, chamado para Apóstolo, separado para o Evangelho de Deus”, declarou em Filipenses 1.23: “...tenho desejo de partir e estar com Cristo...”. Paulo tinha a certeza de que não ficaria vagando no espaço à espera de uma oportunidade para voltar à vida corpórea.
“Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna” (Jo 3.16). “Perecer” aí significa morte eterna, que significa eterna separação de Deus. “Vida eterna” não é uma existência espiritual cheia de pesar, de sentimentos de culpa, de dores, de necessidade de retornar à Terra por uma, duas ou mais vezes para expiação. Para o kardecismo, vida eterna significa a eternidade espiritual. Então Jesus teria dito uma bobagem, porque crendo ou não crendo todos nós iremos viver nessa eternidade. E Jesus arremata: “Quem nele crê (no Filho de Deus) não é condenado, mas quem não crê já está condenado” (Jo 3.18); “Se alguém não permanecer em mim, será lançado fora” (Jo 15.6). Jesus definiu claramente, em termos objetivos, a essência do plano de salvação de Deus para a Humanidade, e quais as condições estabelecidas. Quem acredita que verdadeiramente Ele é o Filho de Deus, o Verbo que se fez carne; quem crê na Sua morte substitutiva; na Sua morte e ressurreição; na remissão de pecados que há no Seu sangue; quem O aceita como Senhor e Salvador pessoal, não é condenado. Não será condenado a voltar várias vezes à Terra para cumprir pena. Não será condenado a trabalhos forçados. Lembremo-nos de que depois da morte vem o juízo (Hb 9.27).
“Se permanecerdes no meu ensino, verdadeiramente sereis meus discípulos. Então conhecereis a verdade e a verdade vos libertará. Se o Filho vos libertar, verdadeiramente sereis livres” (Jo 8.31,32,36). Ora, a alma que necessita voltar em carne para sofrer, não está verdadeiramente livre. Não se livrou de suas culpas, de seus pecados, do peso de suas transgressões. Carrega-os consigo. E quem poderá livrá-lo de uma vez por todas desse peso? Creia, somente Jesus pode fazer isto!
“Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus. Não vem de obras, para que ninguém se glorie” (Ef 2.8). “Pois todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus, e são justificados gratuitamente pela sua graça, pela redenção que há em Cristo Jesus” (Rm 3.23-24).
Dito isto, voltemos agora ao tema principal: “Por que não creio em alma gêmea”. Quero, resumidamente, aqui, colocar meus argumentos:
PORQUE A BÍBLIA FALA DE RESSURREIÇÃO E NÃO DE REENCARNAÇÃO
A Bíblia registra duas formas
de ressurreição:
1) Ressurreição do corpo que estava morto, ou restauração da vida, mas que voltará a morrer.
São sete os casos:
O filho da viúva de Serepta (1Rs 17.19-22); O filho da sunamita
(2Rs 4.32-35); O defunto na cova de Eliseu (2Rs 13.21); A filha de Jairo (Mc 5.21-23, 35-43); O filho da viúva de Naim (Lc 7.11-17); Lázaro
(Jo 11.1-46); Dorcas (At 9.36-43).
2) Ressurreição plena, real,
para não mais morrer.
Exemplo único: a Ressurreição de Jesus (Mt 28.1-10; Mc 16.1-8; Lc 24.1.12; Jo 20.1-10; 1Co 15.4, 20-23).
PORQUE O ENSINO
REENCARNACIONISTA
DESQUALIFICA O SACRIFÍCIO DE JESUS
Declaram os reencarnacionistas: “A reencarnação é a volta da alma, ou espírito, à vida corporal, mas em outro corpo novamente formado para ele que nada tem de comum com o antigo” (O Evangelho Segundo o Espiritismo, Allan Kardec, cap. IV, item 4). Reencarnar é, literalmente, encarnar de novo. Segundo o kardecismo, as almas já existem no espaço entre o céu e a terra; Deus as teria produzido em grande quantidade. Há um estoque de almas “simples e ignorantes” esperando a vez de encarnarem. Daí o termo “preexistência das almas”.
A volta da alma a um corpo humano para sofrer e, com isso, livrar-se das faltas cometidas em vidas passadas, seria uma injustiça. Deus seria injusto se castigasse um ser humano por faltas cometidas por outro em outra(s) existência(s); e, além disso, sem o punido ter consciência do mal praticado. Se assim fosse, evitaríamos até de mitigar o sofrimento de uma pessoa para não interromper ou retardar o processo de seu aperfeiçoamento. O ensino reencarnacionista desqualifica o sacrifício de Jesus, que morreu em nosso lugar para que, nele crendo, tivéssemos salvação.
PORQUE A BÍBLIA ENSINA QUE O PERDÃO DE DEUS É TOTAL
Deus perdoa totalmente: “Ainda que vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve” (Is 1.18); “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões por amor de mim, e dos teus pecados não me lembro” (Is 43.25); “Pois lhes perdoarei a sua maldade, e nunca mais me lembrarei dos seus pecados” (Jr 31.34); “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados...” (At 3.19). A prestação de contas é individual, e haverá o Dia do Juízo: “...todo joelho se dobrará diante de mim, e toda língua confessará a Deus. De modo que cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus” (Rm 14.11-12); “Cada um morrerá pela sua iniqüidade...” (Jr 31.30); “De toda palavra frívola que os homens proferirem hão de dar contas no dia do juízo” (Mt 12.36); “Mas hão de dar conta àquele que está preparado para julgar os vivos e os mortos” (1Pe 4.5).
CONCLUSÃO
Para o Novo Testamento, toda iniciativa de salvação vem de Deus, não é nossa. Ela se baseia na cruz e Ressurreição de Cristo, na qual temos parte pela fé.
Com a mesma clareza conclui o Novo Testamento: “E, como aos homens está ordenado morrerem uma vez, vindo depois disso o juízo. Assim também Cristo, oferecendo-se uma vez para tirar os pecados de muitos, aparecerá segunda vez, sem pecado, aos que o esperam para salvação” (Hb 9,27-28).
São, portanto, inconciliáveis a crença na reencarnação e o cristianismo. Por estas e outras razões não creio em alma gêmea e muito menos em reencarnação.
 
Evaldo Alves Joaquim
Pastor da IB Central de Sepetiba (RJ) –
prevaldo@aol.com
Fonte: O Jornal Batista - Domingo, 21/08/05, pg.




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