Deus é justo e salvador
“Não há outro Deus senão eu; Deus justo e
Salvador não há além de mim” (Is 45.21).
A justiça pune o erro. O salvador perdoa. O que é que conserta: o que retribui na medida da falta, ou o que executa misericórdia sem pagamento da culpa? Justiça e salvação são interdependentes. A oração agônica de Jesus no Jardim do Getsêmani e o seu grito de dor na cruz satisfizeram a justiça divina para aplicar depois a sua misericórdia. O nosso perdão depende da morte de Cristo pelos pecados. É preciso pensar na seriedade do pecado diante da majestade de Deus. O que é Deus e o que é o homem? No que consiste a santidade de Deus e o nosso pecado? A percepção do “Deus justo e salvador” depende da resposta que damos a essas indagações. Tratemos disso em duas questões.
A concepção do nosso perdão e do de Deus
É impossível ser perdoado se não perdoarmos. Somos obrigados a perdoar se formos perdoados. Foi o que Jesus nos ensinou a orar, ao dizer: “Perdoa-nos as nossas dívidas assim como nós temos perdoado aos nossos devedores” (Mt 6.12). Ensinou o mesmo na parábola do servo incompassivo (Mt 18.23-35). Entretanto, alguns refletem: “Se eu perdoar, então Deus é obrigado a me perdoar também”. Isso revela a nossa profunda superficialidade porque Deus conhece tudo, a nossa natureza por inteiro. Nós somos indivíduos particulares e encaramos os erros dos outros como pessoais. Mas, Deus encara os de todos. Para Ele o pecado não é mero dano pessoal. Nós quebramos as leis do Deus criador, e então pecado é rebeldia contra Ele em primeiro lugar. O perdão que oferecemos não é tão óbvio como o de Deus. Se para nós o perdão é um claro dever que ministramos simplesmente ao abrir a boca para dizer: “Eu te perdôo”, para Deus o perdão foi o mais profundo dos problemas porque “alguém” teve que se sacrificar: Jesus!
A concepção da nossa rebeldia e da perfeição divina
Pecado e perfeição são antagônicos: não podem andar juntos porque colidem. Alguns fatos são obstáculos ao pleno perdão: o nosso pecado, a nossa culpa, a reação amorosa de Deus e a sua ira para com os culpados. Se por um lado o amor santo de Deus deseja recuperar cada pecador, por outro, Ele se recusa a tolerar o pecado. Deus não compromete a sua santidade, jamais. Ele aplica sua santidade ao julgar os pecadores sem comprometer o seu amor. Deus é justo e salvador. Ele tomou a iniciativa em salvar por ser justo, e salva porque é amor. Mas, justiça e salvação, no vocabulário de Deus, não são sinônimas. Por ser justo é que tomou a iniciativa da salvação dos pecadores. E, como Ele fez isso?
a) Na cruz Deus pagou a pena completa dos nossos pecados.
b) Na cruz Ele carregou consigo o juízo que merecíamos porque queria ofertar o perdão que não merecemos.
c) Na cruz a justiça e a misericórdia foram demonstradas e entrelaçadas para sempre por nós pecadores.
A santidade justa de Deus oferece assim a salvação gratuita a qualquer que reconhece seus pecados e aceita seu perdão. Pense seriamente na gravidade do pecado e na sua responsabilidade moral; pense nas conseqüências do pecado não resolvido. E, então, olhe para Jesus: reconheça-o como o seu salvador pessoal e o aceite, em oração. Amém.
Rubin Slobodticov
Pastor da Igreja Memorial
Batista de Bauru (SP)
rubin_pr@yahoo.com.br
Fonte: O Jornal Batista - Domingo, 06/03/05, pg.10